Passagem de testemunho

Posted by Sutra under Diário on Thursday Jul 29, 2010

Aconteceu.

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Kiss me like this…

Posted by Sutra under Diário, Vídeos on Tuesday Jul 27, 2010

A música é que não tem nada a ver…

Sutra

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Recuerdos

Posted by Sutra under Diário on Monday Jul 26, 2010

Às vezes dou por mim a pensar em algumas coisas engraçadas do passado, como esta de hoje, em que recuo 3 anos no tempo.

Em Setembro de 2007 foi assim:

Passam cerca de dois meses desde o início. Desde o momento em que te toquei pela primeira vez com o meu olhar, em que os nossos dedos se cruzaram pela primeira vez num toque acidental.
Preciso de me descobrir e de te entender. De nos compreender.
Não será fácil. Porque me tentas a cada momento em que o meu pensamento foge para o teu.
Mas sou invencível, sabes? Não serás tu quem vai conseguir dobrar-me. Serás tão passageiro como o vento quente de Verão.
Porque tudo se resume a sexo entre nós. Momentos roubados de manhã, à tarde ou à noite. Levaste-me neste turbilhão mas eu vou sair dele. Não. Não me prenderás pelo sentimento.
Pensa. É sexo. Sexo. Tesão. Paixão. Beijos. Línguas. Corpos. Pele. Suor. Pernas entrelaçadas. Possessões físicas.
E não venhas ter comigo onde eu estiver. Provar-te-ei que posso estar sem o teu corpo durante estes dias.
Não esperes por mim. Posso não voltar.
Não me tentes. Não me tentes.

-> Daqui

Hoje… estamos aqui.

Sutra

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Como foi?

Posted by Sutra under Diário on Sunday Jul 25, 2010

Queria tanto contar do fim de semana… mas não posso Shut Mouth Shut Mouth

Será que consigo convencer?...

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Pré-aniversário – a entrada nos “intas”

Posted by Sutra under Diário, Fotografia on Friday Jul 23, 2010

Como não sei se apareço amanhã ou se vou ser literalmente “raptada”... deixo aqui um sabor doce. Ou um doce envenenado. Um suspiro. Uma provocação. Um beijo quente. Uma mordida na orelha.
E uma novidade… Abaixo da foto.

Vamos tomar um duche a dois?
Vamos saborear-nos enquanto a água nos escorre pelo corpo?


Novidade: as fantasias ‘Correio da Sutra’ vão regressar.
Quem enviou a sua e ainda não teve o pedido satisfeito, envie de novo, por favor, para o correiodasutra gmail, já que perdi alguns dos mails.


Beijo longo e doce


Sutra

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Quanto te desejo…

Posted by Sutra under Diário on Friday Jul 23, 2010

Quero deixar-me levar pelas tuas palavras. Pelo sussurro junto ao ouvido e pelo toque magistral dos teus dedos. A vontade que crias em mim entontece-me os sentidos e lança-me no turbilhão habitual do desejo. Quero-te. É isso que me deixa perturbada quando cerro as pálpebras e recordo todos os nossos momentos. Cada momento. O modo como tacteias os meus lábios. Ou percorres o meu pescoço. Toque húmido no calor da minha pele.

Não gosto de me sentir presa ao convencionalismo e à normalidade do ser e sentir. Gosto de me soltar. De o fazer contigo. Nesta parceria intensa de volúpia e sem qualquer tipo de limite. É por isso que me entrego de cada vez como se fosse a primeira. Como se o tempo parasse por instantes. Porque me dou. Inteira. Da mesma forma que te quero. Inteiro.

Sempre que a porta abre, o meu coração pula e vai batendo desenfreado enquanto os teus passos  ecoam no ladrilhado do hall de entrada, até chegares junto de mim. Pousas os lábios na boca que aguarda pelo roçar sensual. Nem sempre, mas por vezes, os teus lábios deslizam pelo queixo, descem ao pescoço e sobem até rocar na ponta da orelha. Estremeço. O habitual arrepio na pele que me percorre as costas.

Atiças a vontade. De ti. De nós. De ver os nossos corpos reflectidos no espelho, enquanto se enrolam no sofá e deslizam até ao chão. Boca na boca. Beijo profundo. As mãos… as tuas mãos. Nas minhas, no rosto, nos seios, na cintura. Seguram pulsos. Agarram coxas. Afastam-nas e puxam-me de encontro a ti. As minhas no teu cabelo puxando-te para mim. No pedido silencioso de ‘beija-me’, ‘come-me’, ‘lambe’, ‘saboreia’, ‘tem-me’. ‘Faz-me vir na tua boca’..

De roupas espalhadas, os nossos corpos nus entregam-se ao que foram talhados para fazer acontecer. Desejar. Ter. Possuir. Este é o nosso desejo. A nossa vontade. O que me faz querer ter-te sempre preso no meu corpo. Dentro dele. Em mim.

Alucinas sempre que me venho na tua boca. Do mesmo modo que gosto de sentir o teu desejo entre os meus lábios. Insistentemente. De modo doce. Devorador. Insanamente absorvo a tua força na minha boca. O teu gemido vai ecoando pela sala e sorrio interiormente porque sei o quanto gostas que te coma assim.

Saboreando-te. Sentindo o pulsar do teu desejo. ‘Vens-te para mim?’ É o que te pergunto com os olhos. Recusas, num sinal claro de que ainda me irás fazer vir de novo. Agora não na tua boca, mas com o teu corpo dentro do meu, penetrando fundo, de modo ritmado. Olhos nos olhos, na posição mais tradicional, mais clássica. As tuas coxas a roçar as minhas afastadas para te receber. Costas esmagadas contra o tapete felpudo. As tuas mãos que te sustentam o corpo, ao lado da minha cabeça. Viro o rosto e mordo-te uma das mãos, lambendo em seguida. Agarro-me aos teus pulsos e acelero o ritmo do meu corpo que bate de encontro ao teu. Recebo-te inteiro. Duro. Forte. De uma intensidade que nos leva para lá da fronteira da volúpia.

É aí que abrandas o ritmo e sais de dentro de mim, olhando-me nos olhos, maliciosamente. Olho o teu pénis erecto. Lambo os lábios com vontade de te ter de novo na minha boca. Sorris. Pegas em mim e levas-me ao sofá, fazes-me ajoelhar e colocas-te atrás de mim. ‘De quatro… é de quatro que te quero e que me vou vir dentro de ti’. Mal terminas de me dizer estas palavras e já te sinto a entrar dentro de mim. Deslizas, insistes, profundamente. Gemo. Grito. Digo-te o quanto me deixas louca e completamente descontrolada. Para ti. Por ti.

É sempre assim que me tens. Toda. Numa sucessão de movimentos intensamente frenéticos, soltamo-nos num orgasmo que nos faz ficar sem fôlego. Sem forças. Como se tivessemos saído dos nossos corpos e acabado de regressar.

Enrolamo-nos no sofá, o teu corpo ainda dentro do meu, os teus braços em redor da minha cintura. As minhas costas coladas ao teu peito, com o suor escorrendo entre nós.

Adormecemos assim. Como nos habituámos a fazer.

Mais que o nosso desejo, este é o nosso amor.

Sutra 2010

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Há cada duque… in ‘A Sutra responde’

Posted by Sutra under Sutra responde on Tuesday Jul 20, 2010

SUTRA RESPONDE


Pergunta à Sutra:


necesito de ter relacoes de amizade com alguem sera que pode ser?


Sutra responde:


Querido leitor, esta é a melhor ajuda que lhe posso dar: www.facebook.com, www.hi5.com, http://www.encontros-online.net/, http://www.portalamizade.com/
Desejo toda a sorte nas relações de amizade.


Beijo doce

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Vida de um tempo sem tempo – VII (e fim?!)

Posted by Sutra under Diário on Sunday Jul 18, 2010

Acabou por lhe fazer uma surpresa uns dias depois, numa sexta-feira em que haviam combinado que ele a iria buscar à empresa, por estar sem carro. Na recepção deixara um bilhete que o mandava ir ao gabinete dela. Em cima da secretária deixara uma caixa tão pequena que cabia na palma da mão, atada com uma fita; lá dentro outro bilhete que dizia: ‘amor, podes passar pelo supermercado do El Corte Ingles e veres se eles têm morangos? Se houver, compra uma caixinha’; à porta do apartamento, pendurada na porta, deixara uma fita com outra frase: ‘não toques à campainha que estou no banho e levanta o tapete’; debaixo do tapete uma chave pequenina e outro bilhete dobrado onde se podia ler: ‘amor, tens de descer as escadas outra vez e ir à caixa de correio’; e, finalmente, na caixa de correio um envelope, onde tinha a chave do apartamento e ‘é tua’.
Paka deu uma gargalhada, subiu de novo as escadas com a caixa de morangos numa mão, a chave na outra e entrou no apartamento, colocando a chave junto das suas, no porta-chaves. Tirou o casaco que pousou no sofá da sala e, desapertando a gravata, dirigiu-se para a casa de banho, encostando-se ao umbral da porta, observando-a no meio da banheira, o corpo semi-coberto pela espuma:
- Doida… precisavas dar-te a tanto trabalho para me dares a tua chave? – perguntou, baixando-se para a beijar nos lábios.
- Gostaste?
– Hum hum…
– Anda cá
– e puxou-o para dentro de água, tal como estava.
- Nãoooo… tu hoje estás mesmo… hum… louca – disse-lhe, enquanto sentia os dedos dela a deslizarem pelo seu peito, desapertando a camisa e encaminhando-se para o cinto das calças.
- Trouxeste os morangos? – sussurrou-lhe ao ouvido.
- Trouxe, tens o champanhe?
– Não, amor, tenho o chantilly para a sobremesa
– e piscou-lhe o olho.
A celebração do amor foi acompanhada com morangos, chantilly e muita paixão, como sempre existira desde que se haviam tocado a primeira vez.
[...]

Algum tempo depois

Este tinha sido o percurso de mais de metade do ano de 2007. Entre, aproximadamente, Março e Outubro de 2007. A espera pelo amante, a indecisão sobre a relação, o sentimento que não conseguiu controlar, a reviravolta na sua vida, o amor que tomara conta de cada um dos seus passos e a decisão final. Aquela que tinha guardada para lhe comunicar naquela noite em que, deitada na cama, aguardava pelo som da chave a rodar na fechadura da porta do apartamento.
[...]

Sutra

Nota final – Ao longo destes sete capítulos parte de uma história foi contada. Muito fica aqui por contar, nem sei se alguma vez o farei. Este não foi o fim, há continuidade, escrita e vivida. Qual terá sido a decisão final? Primeiro há que saber, quanto tempo é esse ‘algum tempo depois’. Seis meses? Um ano? Dois anos?

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Vida de um tempo sem tempo – VI

Posted by Sutra under Diário, Vida de um tempo sem tempo on Monday Jul 12, 2010

No capítulo anterior:
Até que surgiu a primeira discussão entre eles, a ver com o apartamento dela em Lisboa.

Há muito que pensava em colocá-lo à venda ou arrendá-lo. Mas não o tinha feito ainda devido às dúvidas que a assaltava: por um lado a pena que tinha de o vender e perder aquele lugar que encerrava tantas recordações; por outro lado o receio de alugar a quem não o estimasse, como sabia que acontecia inúmeras vezes com quem arrendava andares. Assim, ia adiando de dia para dia, até se lembrar que Paka poderia ficar no apartamento até encontrar outro lugar, podendo acabar com um dos motivos que o retinham ainda à casa onde morava a mulher e o filho.
O problema foi quando lhe propôs essa situação, no dia seguinte àquele em que teve a ideia, à hora de almoço, num dos restaurantes perto da empresa dela. Ver o rosto dela sorridente enquanto lhe fazia a proposta fê-lo hesitar antes de lhe tentar explicar que isso não poderia resultar.
- E porque não?
– Porque nós temos uma relação e eu não quero ficar em tua casa por esse motivo. Sentir-me-ía de certa forma dependente.
– Dependente não. Uma coisa é a nossa relação, outra bem diferente é eu emprestar-te o apartamento.
– O que só fazes por termos uma relação.
– Então e não é melhor ainda? Significa que confio em ti para to emprestar. Também o fiz com o meu sócio e ele não se pôs com essas nove horas como tu.
– Vocês não tinham nenhuma relação. Acho eu.
– Não te ponhas com isso, sabes bem que não.
– De qualquer forma, não tenho nada a ver com isso, foi antes de nós…
– Nem mais. Não tens mesmo
– respondeu já irritada, afastando o prato com o resto da refeição. Havia perdido o apetite.
Paka cerrou os dentes antes que dissesse mais alguma coisa de que se arrependesse.
- Queres mais alguma coisa ou peço os cafés?
– Pode ser.
– Pode ser o quê?
– insistiu ele, já com pouca paciência.
- Os cafés.
– Su, não quero que isto seja um motivo para nos chatearmos.
– Não estou chateada, mas fico triste.
– Estás sim, nota-se tão bem.
– Não estou
– respondeu teimosa.
- Não insisto, mas que tu és mesmo teimosa, lá isso és.
– Já sabias que o era quando me conheceste
– disse, arrebitando o nariz.
- Ficas tão gira assim e eu adoro-te – sussurrou ele, tocando-lhe nos dedos que tamborilavam na mesa.
- Não desvies o assunto e não te ponhas com doçuras para me distraires.
– Já vi que queres mesmo discutir hoje
– suspirou Paka.
- Não, eu não vinha com vontade disso, mas não consigo entender a tua atitude.
– Su, pensa uma coisa. Imagina que nós nos chateamos por alguma razão, ou que entre nós tudo termina, que te fartas, sei lá. Não achas que depois seria incómodo teres-me no teu apartamento?
– Ah, estás a pensar nisso. Eu sabia que devia ser alguma coisa do género, para estares tão relutante.
– Pronto, eu bem que estava a evitar falar nisto, porque começavas logo com minhocas na cabeça.
– Não são minhocas, é uma possibilidade e sim, tens razão nisso, mas se a esta altura vamos estar a pensar no que pode correr mal, imagina daqui a um ano.
– Digamos que as tuas relações não primam por serem muito longas.
– Pois, um dia terias de me atirar à cara o que sabes sobre a minha vida. Este sempre foi um dos motivos para não querer relacionamentos com pessoas que me conhecem através do site.
– Ai, mulher não é nada disso. Olha, acho que é melhor deixar a discussão ou conversa para outro dia, porque hoje o diálogo está complicado.

Suna empalideceu e ficou calada.
-Ok, então acabamos a relação e tu vais para lá, depois começamos de novo – tentou ela a brincar a ver se desanuviava o ambiente, que pareceu piorar, ao ver o efeito das palavras no rosto dele.
- Achas isso?
– Desculpa, mas é que eu sinto-me tão insegura contigo ainda a partilhar a casa com a tua mulher.
– Eu sei, mas não podemos apressar o que não pode ser apressado. Falamos logo, está bem?
– Sim, está bem.

Saíram do restaurante lado a lado, sem se tocarem. Também isso a incomodava. Sentia necessidade de caminhar com ele abraçada, de mãos dadas e não o podiam fazer ainda. Por isso a pressa dela em que ele saísse de onde estava, e por isso também, o oferecimento do apartamento.
- Paka… mas era provisório. Só até arranjares um lugar – insistiu ela baixinho quando ele parou o carro junto ao edifício da empresa dela.
- Olha, fazemos uma coisa.
– Diz
– sorriu ela na esperança que ele aceitasse.
- Eu prometo pensar no assunto e tu prometes não voltar a falar nisso até eu dizer, está bem?
– Mas…
– Prometes?
– Está bem
– concordou, contrariada – Amo-te.
- Também te amo.
E despediram-se com um beijo.
Paka sentia tanta pressa em sair de casa, como Suna em vê-lo fora. Custar-lhe-ia por causa do filho, mas ele e Luciana, a mulher, já haviam concordado em que a criança ficaria com o pai algumas noites por semana e não apenas ao fim-de-semana como era hábito convencionar-se. A separação era de comum acordo, também Luciana sentia necessidade de terminar algo cujo fim já tinha sido anunciado há muito tempo e o divórcio seria pacífico, sem as habituais guerras entre marido e mulher, em que chegavam até a usar os filhos como meios de chantagem e armas de arremesso.
Duas semanas depois da discussão entre Suna e Paka, este arranjou um apartamento T1 perto do local de trabalho dele, o que acabava também por não ficar muito longe do dela.
Não haviam voltado a discutir sobre o apartamento dela e, uma noite, ele fez-lhe aquela surpresa de a levar ao canto dele, já preparado para a receber.
Ela ficou feliz. Ele feliz por ela ter gostado. Amaram-se nessa noite vezes sem fim, a primeira de muitas noites a dois, num espaço que era apenas seu.
Livre de amarras, Paka e Suna passavam juntos todas as noites em que Paka não tinha consigo o filho. Umas vezes no apartamento dele, outras no dela, durante a semana. Os fins-de-semana em que o pequenote estava com a mãe, passavam-nos em Alcochete, na casa de Suna.
A pouco e pouco cada um foi dando um passo mais adiante, deixando cair as últimas defesas que permaneciam ainda enraizadas. Dias depois de ter sido decretado o divórcio de Paka, Suna encontrou na mesa de cabeceira uma chave e um bilhete: ‘para não teres de tocar à campainha’, fazendo com que sorrisse. Na verdade, as suas emoções dividiam-se entre o contentamento pela confiança dele, e o receio de estarem a andar rápido demais. Conhecendo-se demasiado bem, Suna temia passar pela experiência que passara com o último namorado, em que tudo parecia encaminhado quando começou a sentir-se sufocar pela relação, pela rotina da mesma. Temia que viesse a suceder o mesmo, agora com Paka. Não o queria, mas o seu próprio passado assustava-a.
Mesmo assim, pensou que gostaria de lhe retribuir o gesto e deixar-lhe a chave do seu apartamento. Agora que já tinha passado aquela tempestade e, uma vez que tinha sido ele a dar aquele passo, com certeza que não se importaria de ter a dela também. E, enquanto tomava um duche e se vestia, ia pensando em algo menos convencional.
[...]

Sutra

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Erotic…

Posted by Sutra under Vídeos on Tuesday Jul 6, 2010

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Vida de um tempo sem tempo – V

Posted by Sutra under Diário, Vida de um tempo sem tempo on Monday Jul 5, 2010

[...]
Deitada numa cama de hotel, uma e outra noite, deixava que o pensamento fugisse para junto dele. Pensava no quanto o queria. Será que o amava?
Imaginava-o em casa, com o filho e sentia um aperto no coração. Sabia que ela não era a causadora da ruptura no casamento dele, mas sabia que ele vivia quase acomodado até se conhecerem. Adiara a separação durante o último ano e decidira-se agora que a encontrara, dizia ele. Mas isso não fazia com que Suna se sentisse melhor consigo mesma pelo facto de o desejar para si de forma tão intensa. Rebolava na cama, sentindo a falta do corpo quente dele. O seu porto de abrigo. Poderiam ser felizes os dois, sentindo a sombra de um primeiro casamento dele? Por mais moderna que fosse, havia fronteiras que nunca ultrapassara. Essa era uma delas e agora via-se precariamente equilibrada num trapézio sem rede.
Tentou distrair-se, conhecer gente, sair, sentir outras paixões, mas Paka estava sempre presente, como se fosse uma segunda pele que se lhe colara antes de deixar Lisboa. Agarrou-se a tudo o que podia para a distrair dele. Até o simples jogo de provocações com alguém que mal conhecia era a tábua que a fazia sentir a salvo da prisão de uma relação que se adivinhava difícil. De um sentimento que a prenderia e não sabia se estava preparada para se prender assim.
As duas semanas passaram e ela ficou mais outra. Até que regressou à cidade. À realidade. A Paka? Talvez.
Ligou-lhe na manhã de 6ª feira, para não o apanhar em casa e sim no trabalho. Temia qualquer acto que o pudesse comprometer. Detestava esta limitação dos gestos impulsivos. Combinaram encontrar-se no dia seguinte de tarde, depois de ela chegar de viagem.

- Tive tantas saudades tuas – disse-lhe Paka ao telefone.

- Eu também. Demais.
– Encontramo-nos onde?
– No meu apartamento.


Foram duas horas de paixão, sexo e, daquele algo mais que ela temia. Não podia continuar a negar que o sentimento forte que a dominava só podia ser amor. Apetecia-lhe chorar de emoção por se sentir de novo nos seus braços, por o poder beijar, deixar que ele penetrasse no corpo, em arremetidas suaves, fortes, calmas e urgentes. Foram duas horas que souberam a pouco.
Suna não podia mais negar o que sentia.
Por vezes não se vê o caminho certo porque não se está preparado para o seguir. Suna sentia-se pronta para assumir aquela relação em pleno, fosse qual fosse o futuro. O importante seria o presente e a construção dos alicerces de algo, mesmo que não soubesse concretamente o quê, mas na certeza de que seria de ambos.
O casamento de Paka havia terminado e ele apenas procurava um lugar para morar e a melhor forma de dizer ao seu filho de seis anos. A constatação dessa ruptura havia sido um processo moroso e complicado que não o deixara pensar em mais nada a não ser no recomeço, sozinho. Sentia-se pronto, agora, para iniciar uma nova vida, acreditando que o futuro e a felicidade podiam estar ao simples virar de uma esquina.
Estavam reunidas as condições para darem um passo em frente, os dois seguindo um mesmo caminho, em sintonia, com projectos a dois. Mas uma vez ou outra ainda sentia a necessidade de se evadir e buscar refúgio noutros sentidos, noutras emoções, mesmo pálidas se comparadas com as que ele a fazia sentir. Noutros corpos. Apenas imaginados, porque fisicamente não se envolvera com mais ninguém desde que conhecera Paka e terminara o namoro.
Sabia que eram os últimos actos como a mulher que não se deixava prender por homem algum. Ele prendera-a com a sua forma de ser, a sua ternura, o seu modo sedutor, a confiança, a sinceridade, com a paixão, o sexo, a amizade, a cumplicidade.
Até que surgiu a primeira discussão entre eles, a ver com o apartamento dela em Lisboa.
[...]

Sutra

Nota: Ao ler finalmente aquilo que foi escrito e arrumado numa gaveta, vejo o que a pressa e emoção do momento fez com as palavras. Precisa ser revisto, alterado, melhorado. O que estão a ler, está em bruto. Escrito e não lido. Arrumado. Apenas agora lhe foi retirado o pó de cima e viu de novo a luz do dia. Porque é urgente. Porque o tempo se esgota.

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Vida de um tempo sem tempo – IV

Posted by Sutra under Diário, Vida de um tempo sem tempo on Friday Jul 2, 2010

[...]
Pako sussurrou-lhe:
- Não tenhas medo, é apenas para nosso prazer. Vais gostar.
[...]
Suna ouvi-o remexer em algo e um zumbido baixinho.
- Paka…
E sentiu-se penetrar pelo objecto duro e frio, investindo uma e outra vez. Remexeu as ancas na cadeira, sentindo-o vibrante dentro de si, e pediu-lhe entre suspiros para ele a penetrar, ouvindo um categórico ‘ainda não’. E os movimentos de vaivém continuavam, transportando-a para fora do corpo inquieto, fazendo com que gemesse e aumentasse o ritmo da ondulação do corpo. Repentinamente o vazio. A respiração entrecortada e a falta do objecto dentro de si. A falta dele, da sua respiração. De sentir que ele estava ali junto dela.

Deu um salto quando sentiu que ele lhe apertava um mamilo entre os lábios. Assim, sem avisos. De surpresa.
Depois a língua que lhe açoitava a carne das coxas, os lábios que se apertavam noutros lábios, os dentes que afloravam a protuberância feminina, denunciadora do estado de excitação, o suco que caía directamente na língua dele, os dedos que continuavam a torturar os bicos dos seios, fazendo-os rodar, puxando-os, até ficarem tensos, erectos.

Ouvi-o perguntar:
- Gostas de linguagem ordinária?
– Tudo o que excita no sexo é permitido e eu gosto.
– Excita-te que eu diga que quero comer-te? Foder-te?
– Sim.
– Excita-te dizer que gosto do sabor da tua coninha?
– Excita-te a ti?
– Sim. Que queres? Diz-me.
– Que me comas.
– Mais. Diz mais.

E a boca continuava a castigar-lhe a vulva que se derretia nos seus lábios. Sentiu as ondas do orgasmo invadi-la e disse-lhe:
- Vou-me vir de novo.
– Então, vem. Mas diz-me o que queres que te faça.
– Quero…
– Diz.
– Quero que me fodas.

[...]

Mais uma semana, mais um encontro. Sexo, paixão. Fogo. Os gritos, os gemidos. E a separação. Sem promessas. Os jogos sensuais multiplicavam-se de cada vez que estavam juntos. O tempo em que os corpos se entrelaçavam aumentava de cada vez que se viam.
Não falavam do que sentiam, dedicavam-se a explorar o corpo um do outro e a ultrapassar limites que nunca haviam ultrapassado. Tudo era possível na cama e fora dela. O sexo não tinha tabus, cada fantasia era realizada em cada momento. Primeiro na imaginação de cada um, depois no diálogo entre ambos e, finalmente, na concretização dos corpos.
Passou uma semana, duas, um mês. Os encontros eram espaçados no início, uma ou duas vezes por semana, mas a ansiedade de estarem juntos levava-os a procurarem mais oportunidades para se encontrar: à hora de almoço, a desculpa de uma reunião fora do escritório, a invenção de uma viagem de negócios que obriga a ficar fora de casa uma noite, e aos poucos passaram a ver-se quase todos os dias.
Até ao dia em que Suna se sentiu sufocar com aquilo que sentia. Não pelo calor daquele início de Setembro, mas por aquilo que ele a fazia sentir e que não conseguia definir. Não passava um dia sem que o desejasse junto de si, nem um momento em que não pensasse nele. Isso confundia-a e sentiu medo. Paka continuava a viver em casa, com a mulher e filho. Dizia que apenas partilhavam um mesmo tecto, nem sequer as refeições faziam juntos. E ela acreditava nele. Sabia que com o tempo que passavam juntos actualmente, não lhe podia sobrar muito tempo para estar em casa, a não ser pelas noites que lá passava. Mas era precisamente essa dependência um do outro que a assustava, e foi o que a fez vacilar e tentar afastar-se dele para raciocinar. Tinha de descobrir se aquilo que sentia ainda era apenas sexo, como sempre tentara que fosse desde o início. Se a sua relação ainda era um jogo e os sentimentos eram apenas vozes do corpo, deixando o coração a salvo.
Disse-lhe que ia de férias. Sozinha. Assim, sem mais conversa, como se não a afectasse a distância que se criaria entre eles. Uma distância que poderia ser muito mais que apenas física.
Ele tentou protestar, segurá-la, fazê-la ficar ou deixá-lo ir. Mas ela tinha planeado as suas férias para a altura em que ele não poderia estar consigo.

- Como é que vou conseguir estar sem ti? Sem sentir o teu perfume, o teu sabor, o teu calor, o teu abraço.
– Vais ver que duas semanas passam depressa e logo, logo, estarei aqui de novo.
– Duas semanas é uma eternidade.
– Faz-nos bem – e sorria, enquanto sentia um aperto no peito e um ardor nos olhos.
– Se tu achas que sim
– sentiu que ele hesitava e transformava o semblante, denotando-se uma frieza. Aparente.

E ela foi. Negando sempre que aquele sentimento fosse mais que a sintonia dos corpos, mais do que uma mera paixão. Negou-se a si mesma a possibilidade de o encontrar durante as férias. Não seria impossível, nem difícil. Bastaria que quisesse, mas ela não quis, apesar dos telefonemas insistentes, quase diários dele, durante a primeira semana. Na segunda, essa assiduidade diminuiu. E ela sentiu a falta da sua voz, mas resistia a telefonar-lhe,mesmo que isso lhe tirasse o sono.

[...]

Sutra

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Vida de um tempo sem tempo – III

Posted by Sutra under Diário, Vida de um tempo sem tempo on Tuesday Jun 29, 2010

[...]
Dois dias depois, voltaram ao mesmo lugar em que trocaram o primeiro olhar, o primeiro sorriso, o primeiro toque de dedos, o primeiro estremecimento: à Costa da Caparica.
A noite quente trazia consigo uma leve brisa que fustigava os seus corpos de amantes; encontraram-se junto da mesma esplanada que estava encerrada naquela noite e seguiram junto aos prédios até mais perto da praia, onde haveria outra. Caminhavam juntos, de mãos dadas e corpos quase colados, seguindo por ruas mais estreitas, fugindo ao movimento das pessoas em férias, entre sorrisos e a habitual conversa que entre eles corria como um caudal ininterruptamente. Seguiam apenas conscientes deles mesmos até que cruzaram os olhares e deram um beijo suave que prometia muitos mais e mais intensos. Sorrindo, Paka não resistiu a puxá-la para um beco sem saída, encostando-a à parede, enquanto as mãos subiam rapidamente pelas suas coxas apenas cobertas pelo tecido de uma saia curta, apropriada à exploração. Vinha preparada para o receber de todas as formas.

- Não te vou deixar sair daqui sem te provar primeiro.
– Sim… quero-o do mesmo modo que tantas vezes nos imaginei.
– O mesmo número de vezes que eu quase te senti na minha boca.

Os dedos surpreenderam-se ao encontrar o caminho desimpedido, tendo o sexo húmido à mercê da ânsia de o sentir. Tocava-lhe o clítoris e massajava-o docemente, aumentando o ritmo, até ela gemer, pedindo mais. E, sem avisos, introduziu um dedo comprido e terno dentro dela, até ao fundo, arrancando-lhe um grito surpreso com o gesto. Acariciou-a e introduziu mais um dedo. O suor feminino tocava-lhe o rosto, enquanto mergulhava a boca no vale entre os seios palpitantes, já desnudos, em busca do bico que mordiscou, lambeu e chupou sofregamente. Sentindo um estremecimento pleno de gozo, Suna quase se deixava mergulhar no orgasmo, sabendo que ele não descansaria enquanto não a visse alcançar o máximo do prazer, entre os seus lábios. Baixando o corpo e colocando uma perna dela sobre o seu ombro, penetrou a sua língua onde estiveram antes os dedos; a carne abrigou-se entre os lábios masculinos que chupavam até a fazer gritar no silêncio da noite. E, mesmo no culminar desse grito, Paka ergueu-se rapidamente, virou-a de encontro à parede, abriu o fecho das calças e entrou naquele corpo quente com força, rapidamente, deslizando com a facilidade que o orgasmo feminino já sentido permitia, dando início a uma série de investidas selvagens que a levaram ao delírio, causando em poucos minutos o seu segundo orgasmo, e derramando nela um caudal de desejo que ansiava por se soltar no rio doce que era o corpo daquela mulher. Um orgasmo brutal que a deixou sem forças, apoiada na parede, segura pelos seus braços e pelo corpo encostado no dela. Agarrando-a por um braço, levou uma mão ao meio das suas coxas e trouxe até às bocas, os dedos cheios do néctar que ainda serpenteava pelas pernas de Suna. Beijaram-se de bocas semi-abertas, as línguas entrelaçadas numa dança vertiginosa.
Paka tirou do bolso um lenço escuro que colocou nos olhos que lhe observavam o gesto espantados, dizendo:

- Deixas-me? Quero levar-te pelo desconhecido. Confias em mim?

Hesitante, sem saber até que ponto ele a poderia enlouquecer, acabou por aceitar que ele a vendasse, ocultando-lhe assim o lugar para onde a levaria.
Pegou-lhe na mão e levou-a até ao carro, ajudou-a a entrar e fechou a porta, dando a volta para entrar a seguir e colocar o motor a trabalhar, arrancando suavemente.
Os dedos dele deslizavam pela coxa esquerda feminina em movimentos ascendentes e descendentes, cada vez se aproximando mais das virilhas, apertando a carne da perna que se lhe oferecia, aflorando ligeiramente a pele húmida e lisa, com apenas um desenho mais escuro que formava um vértice convergente para a sua intimidade. Há muito que ela havia deixado de raciocinar, concentrando-se apenas nas carícias que ele lhe fazia.
Conversaram pouco durante o tempo de viagem que, a ela, lhe pareceu demasiado longo. Querendo retribuir as carícias, os dedos femininos, trémulos de desejo, caíram na coxa masculina e aproximou-se em toques ondulantes, do pénis excitado que sentia palpitar a escassos milímetros das pontas dos seus dedos.
Ele não permitiu que ela se apossasse do volume vibrante e, sorrindo, agarrou-lhe a mão e beijou-lhe os dedos, chupando-os um a um. Assim, impedia-a de o tocar, antes que explodisse ali, apenas com o toque suave.
Parou o carro e ela ouviu o som do mar ao longe. Paka ajudou-a a sair e, depois de darem alguns passos, fê-la parar, baixando-se para a descalçar, levando-a pela mão, até a fazer entrar numa casa. Sentiu nos pés que o chão era de madeira quando ele abriu a porta e a empurrou docemente para o interior. Depois de ele fechar a porta, Suna ouviu o arrastar de uma cadeira e sentiu a pressão dos dedos masculinos no seu ombro. Queria que se sentasse nela.
[...]

Sutra

Nota: O que tem sido escrito desde ‘Vida de um tempo sem tempo’ são apenas excertos de algo maior.

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Vida de um tempo sem tempo – II

Posted by Sutra under Diário, Vida de um tempo sem tempo on Tuesday Jun 22, 2010

Mas, na noite das boas vindas ao Verão, chegou com ele um desafio que Suna não rejeitou; o convite pelo qual esperava apareceu na sua janela do messenger e quase podia sentir a hesitação com que ele tinha escrito as palavras:

- Eras mulher para aparecer amanhã à tarde num café da Costa, que eu te indicasse?
Suna não lho disse, mas pensou: ‘sou mulher para isso e muito mais’ e, em vez disso, escreveu:
– O que achas? – e colocou um smile bem expressivo. ‘A cautela que fosse para as urtigas, já era tempo de assumir o que queria’.

Suna não tinha, ela própria, feito esse desafio porque tinha consciência que ele estava numa posição mais delicada que a sua, como homem casado.
Na tarde do dia seguinte o encontro não correra como cada um tinha imaginado. Suna chegou demasiado cedo para encontrar o café cujo nome ele lhe havia dito numa sms horas antes.  Acabou por seguir pela estrada fora, depois de ver onde ficava, para empatar tempo, acabando por se atrasar quase meia hora.
Paka atrasou-se devido a uma reunião e ao trânsito de fim de dia, de Lisboa para a Costa. No entanto, quando chegou ao local combinado não a viu e sentiu a desilusão a espreitá-lo. Teria ela desistido de esperar? Mas ele não estava atrasado mais de quinze minutos. Preferiu aguardar mais algum tempo antes de lhe enviar alguma mensagem. Podia ser que se tivesse atrasado também.
Sentou-se e pediu uma cerveja. Precisamente quando levava o copo à boca, viu-a aparecer apressada a olhar para todo o lado até se deter à sua frente, com um sorriso meio nervoso.

- Desculpa o atraso – disse Suna, um pouco ofegante.
- Eu também me atrasei.
- Já tinha estado aqui, mas…
- O trânsito atrasou-me…

Era nítido o nervoso entre ambos e os primeiros momentos foram intercalados por frases curtas e silêncios incómodos.
Mas, ao fim de uma hora, já a conversa fluia de modo solto, divertindo-se com o que cada um contava de si mesmo, de suas vidas.
Depois do conhecimento virtual, onde tinham dado tanto de si mesmos e tão pouco, agora estavam frente a fente, olhos nos olhos, ouvindo-se, observando-se em cada gesto ou movimento.
O final de tarde prolongou-se até ao jantar e procuraram um restaurante ali mesmo pela Costa da Caparica.
Um jantar que se eternizou até ao início da madrugada, momento em que se despediram, não sem alguma pena, aliviada apenas pela promessa de se encontrarem de  novo nesse fim-de-semana.
Quando ele se inclinou, beijando-a no rosto, Suna suspirou baixinho. Olhando-a  nos olhos, Paka baixou de novo o rosto e tocou-lhe nos lábios com os seus dando início a um beijo que se prolongou por alguns segundos, transformando-se de um simples toque aparentemente inóquo, num beijo quente, longo, onde pela primeira vez as línguas se cruzavam num bailado silencioso e intenso.

- Obrigado por esta noite, Suna – suspirou ele, afastando-se.
- Até daqui a três dias, Paka.

Nos lábios de um ficou retido o gosto do outro. No íntimo, a ânsia pelo novo encontro que aquele beijo prometia.
Durante três dias, Paka debateu-se entre o facto de ter uma situação familiar por resolver e a vontade de estar com Suna. Não queria deitar a perder aquilo que lhe dera alento nas últimas semanas, mas não podia esquecer que estava fragilmente agarrado ao limbo que ainda era o seu casamento, do qual a única coisa que importava era o filho.
Suna, por sua vez, sentia o perigo a rondar a sua tão organizada e solitária vida, podendo abalar os alicerces da independência a que se habituara.  Prender-se  a um homem como Paka seria o princípio do fim da sua total liberdade, quase libertinagem, porque sabia que ele podia fazê-la sentir aquilo que apenas sentira aflorar anos antes na sua relação com Daniel.
Ao mesmo tempo, contava as horas que faltavam para o ver de novo. Poderia dizer que sempre se sentia assim quando conhecia alguém que lhe interessava, que a atraía, mas sem saber o porquê, daquela vez parecia verdadeiramente diferente. E o início de uma paixão tinha sempre aquele encanto, como se estivesse envolvida numa nuvem macia de fantasia. Ele fazia o seu coração bater mais forte, sempre que o telemóvel vibrava e mostrava no visor as palavras que a faziam sorrir, estremecer e desejá-lo. Depois a voz quente que a atormentava todos os dias antes de se deitar e de manhã ao acordar.
As noites deram lugar aos dias, os dias às noites e o momento de os seus olhos se cruzarem de novo, chegou. Belém, junto ao Piazza del Mare.
Foi nessa noite, tendo como pano de fundo o Tejo, que a paixão se desenvolveu, dando largas ao que ambos desejavam. Depois de ávidas trocas de beijos e mãos que se passeavam por corpos fervilhantes de desejo, refugiaram-se no apartamento dela na cidade até quase de madrugada, hora a que ele teve de a abandonar, não sem muita pena de ambos. Não houve promessas, mas os silêncios transmitiam as emoções à flor da pele.
Ficou o perfume, os sons, a presença de cada um no corpo do outro.
Nos dias seguintes, Suna deu por si a repetir insistentemente o pensamento ‘isto é apenas sexo, não mais que isso’. Continuavam as mensagens, os mails, as breves conversas à hora de almoço.

[...]

Sutra

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Junho de 2007

Posted by Sutra under Diário on Friday Jun 18, 2010

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Vida de um tempo sem tempo – I

Posted by Sutra under Diário, Vida de um tempo sem tempo on Wednesday Jun 16, 2010

Esta era mais uma das noites em que esperava pelo seu amante, deitada na cama larga que servia de palco à expressão dos seus desejos e a sua reacção era sempre a mesma: o coração desenfreado parecia querer fugir-lhe do peito ao ouvir o estalido da fechadura na sequência do movimento da chave que ele possuía há algumas semanas.
Depois, abria os braços ao sorriso que ele lhe oferecia ao entrar no quarto, com aquele ar de menino provocador que fazia o seu sangue correr mais rápido nas veias. Recebia-o com alegria, ansiando matar aquela saudade que a dominava sempre que estavam afastados.
Tinha medo da força daquele sentimento e não queria deter-se a pensar no poder que tinha sobre si. Limitar-se-ia somente a viver essa paixão.

Conheceram-se em Março, início de Primavera, pela internet esse mundo tão vasto, pela imensidão que é a blogosfera, onde um conjunto de pessoas se cruzam, não em tempo real, trocando opiniões sobre os mais variados assuntos, contam experiências de vida, testemunhos que deixam publicados para que outros os leiam, comentem; onde pessoas se conhecem e aprendem uns com os outros.
Nunca soube identificar o que mais a cativara nele, se o jeito irreverente, se o seu humor cáustico; se a sua capacidade de a fazer rir com as suas piadas, ou de a fazer estremecer com a sua sensibilidade. Todos estes ingredientes haviam despertado nela a vontade de o conhecer para além do ‘boneco’ cujas mensagens apareciam quase todos os dias. E como ela esperava por elas, mesmo nessa fase em que era movida apenas pela curiosidade, aquele formigueiro que lhe subia pelo corpo. Não, não se tratava de nenhuma dormência dos membros, era aquela sensação arrepiante que, por segundos, entrecortava a respiração e que a levava a percorrer, com olhos ávidos, cada palavra que ele escrevia. Começavam a aparecer os primeiros indícios de uma paixão que ela acreditava, mas sem certezas, ter alguma correspondência. Até que ponto tudo não passaria de uma fantasia, ilusão?

Mas uma noite algo se esclareceu e ela compreendeu que essa paixão não tinha apenas uma direcção, mas dois caminhos: o de ida e o retorno. Uma noite em que conversaram pelo ‘messenger’ até de madrugada.
Não vou revelar os seus nomes, mas antes o nickname pelos quais se trataram durante a fase inicial do seu relacionamento: Paka e Suna.
- Como estás hoje, Suna?
– Bem e tu?
– Cansado, a necessitar de férias, mas contente por te encontrar aqui. És a minha lufada de ar fresco diária
– escreveu Paka.
- Really? – perguntou-lhe ela, acompanhando com um boneco sorridente.
- Não me acreditas? Talvez seja mesmo melhor que não o faças.
– Estou balançada entre o sim e o não.
– Fica atenta aos sinais e terás a resposta.
– O problema é que nem sempre os detecto, por mais atenta que esteja.
– Passam-te ao lado? Isso depende do teu grau de interesse? Não estás atenta porque… não te interessa?
– Acho que esse é o problema. Quanto maior o interesse, mais fraca a perspicácia.
– (smile)
– Não respondes nada?
– Conseguiste deixar-me sem palavras, confesso.
– Imagina que estás a ver um filme mudo do qual não necessitas de ter legendas para o entenderes, para perceberes a mensagem que te querem passar.
– Sim, estou a imaginar.
– Pois eu preciso das legendas para entender a mensagem, quando ela é demasiado importante para mim.
– Entendo-te. Não queres correr o risco de interpretares mal.
– É isso. Porque não quero ver coisas que não estão lá, e apenas as vejo porque desejo que estejam. Por outro lado, já perdi com isso em algumas alturas. Por achar que não o que eu via era apenas imaginação minha, descobrindo tarde demais que não era.

Os dedos pararam sobre o teclado e o silêncio de letras manteve-se por alguns momentos, demonstrando o quanto haviam mergulhado em pensamentos e emoções à flor da pele.
- Seria tão bom se a vida não fosse tão complicada. – Ela não é, Paka, somos nós que a complicamos demasiado.
– Deixas-me nervoso
– acabou por confessar Paka – Descontrolado.
– E tu deixas-me como que suspensa de um momento teu.
– Um dia…

Paka estava a passar por uma situação familiar bastante complicada, o que o levava a hesitar no que revelava de si mesmo.
Suna entendia-o e aceitava, mas nem por isso a curiosidade a abandonava. Também ela ainda vivia uma relação que chegava ao fim, uma relação que apenas se prolongara no tempo por não saber como a terminar sem magoar o namorado. Apesar de ter consciência que ele sairia magoado. Por outro lado, tinha medo do estado efervescente em que ele a deixava. Sempre se afastara de homens casados. Até mesmo comprometidos. Quando se sentia atraída por alguém e sabia que era comprometido, que tinha namorada, fechava como que uma porta ao que sentia, para que não se expandisse. Fora sempre esse o seu modo de agir para não sair magoada, nem magoar ninguém. Entregava-se sempre a toda e qualquer relação e não podia permitir uma entrega total a alguém que tivesse outra relação. E Paka era casado, com um filho pequeno.
Depois dessa noite, outras se lhe seguiram, aproximando-os cada vez mais em pensamentos, opiniões, vontades, mas mantendo-os afastados por aquele muro invisível que era o receio de cada um de arriscar e sair ferido, sem nem saberem bem pelo quê.
A ruptura do relacionamento dela deixou-o contente por a saber livre para si e, ao mesmo tempo, a tristeza de ele não poder estar tão livre quanto ela. Ainda.
[...]

Sutra

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Dos gajos… os ‘tais’ – II

Posted by Sutra under Diário on Sunday Jun 13, 2010

Se em primeiro lugar falei daquele que nem beijar sabia, agora vou directo ao outro extremo: aquele que não sabe o que fazer com o que tem. Neste caso, não que tivesse muito, mas… nem com o pouco que tinha ele sabia a melhor forma de usar.
O nome dele? Bem… pode ser Tó. Se, noutros casos, o nome é inventado em nome do anonimato dos visados, neste caso específico, além dessa questão, ainda existe o facto de não me recordar do seu nome. Parece muito mau, não parece? Mas que posso fazer? Estou farta de tentar recordar-me o seu nome e não consigo. Já passaram dez anos. Por isso, fica o Tó que serve muito bem! O importante é mesmo o que se passou e não o ‘nome’.
Conheci-o porque era amigo de amigos. Era dono de um pequeno café/bar numa das cidades do nosso país. Ora o Tó tinha um olhar entre o meigo e o atrevido. Homem feito, tinha o ar de sabichão. Moreno, para variar. Sempre tive maior tendência para homens morenos, vá-se lá saber porquê. Só pode ser por existirem em maior número. Quiçá… quiçá…
Ora, o Tó, ao captar o meu olhar de curiosidade e interesse, lá deve ter pensado: ‘porreiro, o ar de engatatão, resulta’.
- Fala sério - dizem-me vocês – ele não pensou isso. – Pois – respondo – possivelmente não. Mas digo eu.
A verdade é que ele interessou-me mesmo. Mais uma vez a minha preferência tendenciosa: homens mais velhos. E ele era-o… catorze anos.
Desta vez não foi em Setembro, mas foi em Maio. Dias quentes. Noites tórridas. Nesta história foi mais o oposto. As noites foram menos quentes que os dias. Aliás, uma noite… basicamente.
O Tó usava o cabelo meio ondulado, escuro. Macio ao toque. Adorava remexer-lhe o cabelo. Despenteá-lo. Ele detestava. Protestava sempre. E quanto mais ele estrebuchava, mais eu fazia. Sempre gostei de fazer o oposto do que querem. Principalmente quando reclamam, em vez de pedirem com muito jeitinho.
Continuando.
O ‘chove não molha’ durou aproximadamente uma semana até surgirem os primeiros sinais de interesse objectivo da sua parte. Isto é… até começar a fazer o tipo de aproximação que visava aquilo que se chama ‘dar o bote’.
Conversas em tomo baixo ao ouvido, de lábios a roçar a orelha, no seu modo sedutor. Os toques nas mãos. Agarrar nos dedos. Sorriso e olhar fixo nos meus. Enfim… o conjunto de acções sedutoras, próprias dos momentos que antecedem o início de algo. Sem dúvida alguma que estes são sempre os melhores momentos e aqueles que facilmente esquecemos quando parecemos burros com palas nos olhos: só cremos agarrar depressa a ‘cenoura’ [cuidado com as interpretações].
Neste caso, a minha cenoura era o Tó.
Uma ou outra vez encontravamo-nos para um café à tarde. Outras vezes, íamos até ao café/bar dele e passávamos lá a noite. Entre nós, havia uma menina que também não desgarrava os olhos dele. Descobri mais tarde que haviam tido uma curte qualquer e ela era louca por ele. Anos depois também soube que teriam tido um filho.
Mas este nosso caso, foi muito antes disso e também, antes de eu sequer saber do interesse dela ou9 do que se teria passado. Senão nem me teria colocado no meio.
Estou a enrolar muito a história?
Não desesperem. É que, se eu contar logo ‘foi assim’ isto fica curto demais, além de não poderem entender nem metade, ou as razões ‘de’. Ou ainda a maneira de ser à época.
Foi uma noite no bar que tudo começou. Eu decidi que naquela noite ficaria sozinha com ele. E assim aconteceu. A malta resolveu sair para ir à última sessão de cinema e eu disse que ficava e iria mais tarde para casa. Não precisaria boleia.
Tornou-se mais insinuante. Colocando-se atrás de mim, optou por me brindar com beijos no pescoço, pequeninos, suaves, com pequenos toques de língua, mordidas. Depois aquele colar de lábios na pele, sem retirar enquanto deslizava por toda a nuca. Eu deliro com esta forma de beijar. Rendo-me completamente quando me fazem isto. Sentia-o nas minhas costas, o peito completamente encostado. Os dedos deslizavam em toques suaves pelos braços até agarrar os meus, largando-os de novo, para tornar a subir.
Não me posso queixar. Nestes preliminares, o Tó era exímio. Em beijar… beijo de língua, boca na boca, era bom, embora não ‘muito bom’. Desculpa Tó, mas tenho de ser sincera. Poucos conseguiram quase fazer-me vir só com o beijo, mas já tive disso e, hoje, sei diferenciar e colocar o teu beijo num patamar inferior.
É curioso o facto de, relativamente ao que contei antes do ‘Eliseu’ ter recebido um mail a perguntar-me porque razão eu fazia isto. O que me levava a falar deste tipo de casos que tive, que não me satisfizeram, se seria uma forma de matar estes fantasmas ou uma espécie de acto de me vangloriar ou de mostrar que sou alguém com experiência, ou o que quer que seja. Nada disso, simplesmente até agora tudo parecia ter sido bom e quase cor-de-rosa [ou mais vermelho] mas a verdade é que também existiram estes momentos menos bons, como na vida de qualquer um. Não me quero vangloriar de nada nem exorcizar fantasmas. É passado. Todos nós temos um passado, cabe-nos saber lidar com ele.
Adiante.
Andámos uns dois ou três dias neste impasse de beijinho para cá, beijinho para lá, até ao dia em que ele me pediu ao ouvido para ficar com ele naquela noite.
Fiquei.
Como ele não vivia sozinho e eu também não estava só naquele lugar, optou-se por irmos ficar a um hotel. Ele tratou de fazer a reserva de um quarto e eu apenas tive de levar uma muda de roupa interior para ninguém desconfiar que já ia com ‘noite fora’ planeada.
Pelas duas da manhã, saímos do café dele e rumámos ao hotel, ansiosos pelo que nos aguardava.
Logo no trajecto achei que ele parecia ansioso demais por chegar e nem um beijo pelo caminho. Dessa parte não gostei. Parecia que aqueles tais ‘preliminares de sedução’ haviam ficado esquecidos.
Depois… pura desilusão!
Falando sério… não me digam que tamanho não importa… tudo é relativo, mas a verdade é que tem a sua parcela de importância. Mulher que diga que o tamanho não interessa não está a ser completamente sincera com o homem. Pode é ser diplomática…
Claro que a questão do tamanho pode ser ultrapassada perfeitamente, com o bom uso do que se tem, mas quando se junta mais que uma coisa mázinha… então está tudo estragado. Mas sobre tamanhos falarei noutra altura.
O Tó beijava bem. Certo. O Tó era um sedutor. Certo.
Mas da porta do quarto para dentro… não sei que lhe aconteceu. Mas algo se perdeu nesse meio tempo.
Apressado. Tirando alguns beijos, não houve preliminares. De joelhos na cama, agarrou-me, entrou em mim, e poucos minutos depois veio-se e tudo acabou porque ele não tinha força para segunda rodada.
‘Então e eu?’ Apeteceu-me perguntar-lhe enquanto ele se virava para o outro lado a dizer que estava cansado e precisava dormir. Ora se já haviam faltado os preliminares, um sexo oral… uns amassos, uns toques, quando me penetrou eu mal o senti… isto ia mesmo de mal a pior.
Nem tinha o que usar, nem o que tinha lhe servia de muito, pois não usava como devia ser. O homem foi uma tremenda desilusão na cama. Uma foda sem foda. Meteu, veio-se e tirou. Que horror! Será que estava tão ansioso que não conseguiu mais que aquilo? Então porque não repetiu? Eram tantas as questões naquele momento. Mas…
Fiquei calada. Em vez disso, esperei o amanhecer e eram umas 7h da manhã, tirei da minha cintura o braço que ele havia colocado por cima de mim durante a noite, saí de fininho, vesti-me e fui embora sem uma palavra.
Horas depois tentou ligar-me algumas vezes mas não atendi. Para não me aborrecer mais, desliguei o telemóvel.
Nessa noite recusei-me a ir ao bar com os meus amigos, quando o sugeriram e na noite seguinte acedi, mas tratei-o com frieza.
O olhar dele parecia o de um tolo quando me perguntou ao ouvido o que se tinha passado. Deu-me ganas a pergunta e limitei-me a dizer-lhe: ‘és mau de cama e uma noite chegou’.
Eu tinha de ser sincera, não é? Pelo menos serviria para ele melhorar o desempenho no futuro…
Aqui têm mais esta ‘desilusão de cama’ de algumas na minha vida.

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Apetece-me…

Posted by Sutra under Diário on Friday Jun 11, 2010

…um gelado…

Nem sei porquê… Mas… Hum… Lembra-me… Algo bom…

Ainda não descobri o quê… Hum… Tenho de ver se puxo pela memória…

… ai… nem continuo… aqui encerrada no escritório por mais uma hora no mínimo… tenho de deixar de pensar em… gelados… faz mal…

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Dos gajos… os ‘tais’ – I

Posted by Sutra under Diário on Tuesday Jun 8, 2010

Cumprindo o que disse que faria, aqui estou para falar de um daqueles que poderia ter deixado de passar pela minha vida. Isto por um lado. Por outro, é sempre bom conhecermos os dois lados [não me interpretem mal, se faz favor] para se poder analisar e diferenciar oq eu é… incrivelmente melhor.
Tentei recuar no tempo e ir o mais longínquo possível, mas tornou-se uma tarefa difícil, por isso, não vou seguir qualquer ordem cronológica. Falarei à medida que me for lembrando deste ou daquele episódio. Ou… pessoa.
Começo então por falar do… [deixa ver que nome hei-de arranjar desta vez para manter o anonimato dos intervenientes?!]… Eliseu.
Pois bem. Aqui fica um nome original, para não ser sempre Paulo, José, Pedro, Fernando. Este é o Eliseu.
Homem interessante, moreno, alto, ar simpático, olhar curioso. Conheci-o devia ele ter uns 25 anos, por isso, andaria eu pelos 18 aproximadamente. Já o tinha visto um par de vezes, mas naquela noite, num bar, em meados de Outubro, estávamos apenas 6 ou 7 pessoas e os nossos olhares cruzaram-se. Eu estava com uma amiga. Ele com um amigo. Houve ‘aquele algo’ no ar. Depois a aproximação. A conversa a quatro que se prolongou pela noite fora. O amigo foi embora e ficámos os três. Dali demos umas voltas de carro para mais alguns dedos de conversa e… mais nada. Não foi uma desilusão, eu nem esperava mais que isso naquela noite, principalmente pelo facto de estar acompanhada com a amiga, a qual também não estava a entender o que se estava a passar. Ou entendia bem demais. Mas cada coisa tem o momento certo para acontecer [dizem – eu gosto mais de fazer acontecer!] e aquele não o era.
Curiosamente passou ainda algum tempo até se proporcionar. Mantínhamos o contacto, o que proporcionou o início de uma série de convites para saídas com amigos. Uma vez com os meus. Depois com os dele. Durante algumas semanas tudo se resumia a algum contacto com uma certa distância.
Num desses encontros. Novamente a quatro – parecia que os momentos mais propícios só aconteciam quando estavamos dois a dois. Lembro o local como se fosse hoje. Recordo o que nos juntou nessa noite: motivos da comemoração, quem estava presente. E a forma como surgiu o primeiro beijo. Ele estava nervoso, o que achei engraçado. Parecia um adolescente.
Mas que grande balde de água fria! Sim, porque aquele beijo nem sequer era morno! Confiante que seria uma primeira impressão que passaria em momentos, arrisquei a deixar-me levar. Olhos fechados [dele]. Olhos semi-abertos [os meus] e uma vontade enorme de olhar o tecto do carro e dizer:
‘- Tirem-me deste filme. Mas este homem não sabe o que fazer com a língua?!’
Ora era mesmo esse o problema. Não sabia o que fazer com a língua. Nem com as mãos. Ele bem tentava tocar, mas era tão desajeitado que – credo! – nem sabia onde estava o quê… Isto quando estou a falar da cintura para cima, porque nem valia a pena passar daí, se nesse ponto já era um desastre, imagine-se se tentasse descer… ainda me cravava as unhas onde não devia, ou então ficava com medo de mexer.
Sério! Um homem que não sabe beijar é… sem palavras mesmo. Se ele não sabe o que fazer com a língua em cima, vai saber o que fazer mais abaixo? No way!
Mas porque digo eu que não sabia beijar? Língua mole, quase parada, leves toques nos lábios apenas, que nem pareciam toques, mais parecia estar a experimentar se eram verdadeiros os meus. E não passava disso. Eu gosto do toque suave, da mordida. Mas um beijo tem de ser firme. Forte. Delicado. Doce. Tem de existir possessão da boca do outro. Fome. Ânsia. Desejo. Invasão da boca. Exploração. Toque. Lambidela. Chupar. Por favor, um beijo é tanto…
Ora, desejo ele tinha… tratei de comprovar isso mesmo, com os dedos. Ele gemia. Ele suava. Mas beijar… não beijava! Apetecia-me dizer-lhe: ‘homem mexe essa língua’, mas limitava-me a fazer com a minha o que gostaria que ele fizesse com a dele. Mais gemia ele. Mas aprender… está quieto!!
25 anos? [ou 26 ou 27, não recordo, mas era por aí] E não sabia beijar??
Desisti. Depois de cerca de uma hora numa ‘curte’ que sabia não iria passar daquilo e em que, os beijos, em vez de me aumentar o desejo, só o tinham feito evaporar… não valia a pena insistir.
A partir desse dia, mantivemos o contacto esporádico. Recusei uma ou outra saída e não o desafiei mais para vir com os meus amigos.
Ao fim de uns anos soube que tinha casado. Espero que tenha aprendido mais do que a demonstração que tive…

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Curtinha

Posted by Sutra under Diário on Tuesday Jun 8, 2010

Consegui finalmente limpar a caixa de email do site.
Eram para cima de 35.000 mails acumulados, a maior parte Spam [ficava bem eu dizer que era mails de fãs, não ficava?! Mas não gosto de ‘manias’!].
Se, por acaso algum mail foi enviado para sutra@contossecretos.com nos últimos seis meses e necessite de resposta, é tempo de reenviar… porque fui obrigada a apagar tudinho.

Até já

ps: estou a escrever artigo novo Grin

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