Crianças e Solidariedade

É mesmo este o tema desta semana.
E vocês dirão – na altura do Natal todos pensam nas crianças e na solidariedade.
E terão razão. É mesmo nesta altura que as pessoas parece que ficam mais generosas – ainda não sei se é porque podem deduzir os donativos no IRS ou porque o querem mesmo ser por… ser Natal.
Mas é disso que vamos aqui falar. Das crianças, da solidariedade, das necessidades, das ajudas, do que se poderia fazer para mudar o que está mal.
Lembram-se de quando eram crianças? Com certeza devem ainda ter dessas recordações. Eu tenho muitas de quando era mais crianças – sim, porque eu não deixei de o ser – e quase todas elas são boas. E vocês?
Sendo melhor ou pior, provavelmente a nossa infância não terá sido como a de muitas crianças, vítimas de abusos sexuais, vítimas de violência, abandonadas pelos pais, largadas junto de um caixote do lixo na rua, ou dentro de um cesto à porta de uma qualquer instituição. Ou ainda crianças vítimas de doenças para as quais ainda não existe cura – AIDS – ou vítimas de outras doenças e vítimas da fome – principalmente África – e ainda devido a outros flagelos da natureza e ao flagelo humano – a guerra.
Penso em tudo isto e depois penso naquilo que sempre tive e tenho e no que desperdiço todos os dias e que mataria a fome a uma criança ou que daria para vacinar uma criança.
O número de crianças que morrem de causas evitáveis é enorme – todos os dias mais de 5.400 crianças não resistem a doenças comuns na infância que podem ser evitadas através das normais vacinas que levamos – tuberculoso, sarampo, tosse convulsa, tétano, poliomielite e difteria. Só o sarampo continua a matar perto de 800.000 crianças por ano, agora juntem todas as outras doenças e pensem nessses resultados.
É verdade que tem existido diminuição de mortes e a poliomelite, por exemplo, já se encontra quase irradicada, mas isso acontece devido a ajudas que têm existido para levar as vacinas até onde as crianças necessitadas estão.
E sabem quanto custa vacinar uma criança? Tanto como deixar de jantar fora uma vez e optar por fazê-lo em casa – cerca de 15 euros. E, com esse valor salvaria a vida a uma criança, vacinando-a. Para quem fuma, faças as contas a quantos maços deixaria de fumar – não seriam muitos – e além de contribuir para a própria saúde, estaria a salvar a vida de uma criança – e mais exemplos poderia dar, a quem compra as revistas Caras todas as semanas, ou as Marias e outras do género. Ir aos copos e gastar uns euros numa bebida, em vez de estoirar um dinheirão numa só noite.
E não é apenas a questão das vacinas.
A UNICEF é a organização mundial que todos conhecem e o seu lema é «para todas as crianças, saúde, educação, igualdade, protecçã». A UNICEF está em África a apoiar essas crianças e fá-lo com ajudas governamentais e não-governamentais. Ajudas que nós mesmo damos ao comprar um postal de Boas Festas desta organização.

Mas vamos pensar no exemplo em Portugal.
Há instituições de apoio a crianças vítimas de violência e abandonadas. Instituições que recolhem essas crianças, cuidam delas, vestem, alimentam, vacinam, e as entregam para adopção – este será um tema a ser abordado um outro dia.
Sabem que o equivalente ao valor de dois maços de tabaco – cerca de 5 euros – dá para comprar papa para alimentar uma criança durante uma semana? E quantas notas de 5 euros nós gastamos, muitas vezes sem saber em quê?
Uma dessas instituições e que com certeza já terão ouvido falar é a Ajuda de Berço – deve ser talvez a mais conhecida.
Depois temos a Acreditar – uma instituição de apoio a crianças com cancro e suas famílias.
E ainda a SOL – Associação de apoio a crianças com VIH/SIDA – o próprio nome já indica o que é.
Qualquer uma delas são instituições que se centram nas crianças e nos seus problemas e necessidades.

E também podem vocês agora afirmar – mas quem tem de ajudar essas instituições é o Estado, não nós que já temos impostos para pagar, comida para meter em casa, filhos para alimentar, levar à escola.
E quem é o Estado? Não somos nós? E qual a melhor forma de contribuir? Não é colaborar directamente com essas instituições em vez de esperar que o Estado enquanto órgão estabeleça critérios de apoio a essas instituições?
Já pensaram que se apenas um dia, um só dia, pouparem 5 euros, uma criança poderá ter cadernos para ir à escola um ano inteiro?

Poderia agora levantar aqui mais uma série de questões, mas não o vou fazer, porque suponho que surgirão comentários que levem ao debate. Por iso, esperarei por eles para falar do lado que não falei aqui.
Espero as vossas opiniões.

© Sutra 2005

16 comments

  1. Penetrador says:

    Parabens pelo tema escolhido, parece-me perfeitamente adequado á época que estamos a atravessar Smile.
    Em relação a possiveis soluções para resolver o problema não só das crianças, mas da população que vive na miséria, eu apresentaria apenas uma … terminar, por exemplo, com a guerra. O dinheiro que é gasto diáriamente em guerras no médio oriente seria suficiente para que muitas pessoas passassem muito melhor.
    Citando uma frase que aplico sempre…isto é tudo muito bonito mas na prática não funciona assim Frown.
    Eu felizmente tenho o previlégio de contribuir para os presentes de natal de muitas crianças, através de uma das minhas actividades.
    Nesta época do ano deliniei uma estratégia que gastanto pouco, contribui a instituição com presentes para as crianças, mesmo que simbólicas.
    É certo que para muitos não terá valor, mas para os que vivem com dificuldades e que recebem poucas prendas ou mesmo só aquela já é um grande presente.
    Muito mais haveria por dizer mas já me alonguei demais.
    Beijocas doces

  2. Penetrador says:

    Só uma coisa que me esqueci de referenciar, quem pretender ajudar crianças com deficiência pode através do meu blog carregar no link do blog «LOUCURAS E NATAS» que tem lá informação de como o fazer sem sair de casaSmile.

  3. rose says:

    Hmmm,
    era bom que todos contribuissem para os ajudar, mas este mundo está cada vez mais egoista…

    beijos doces*

  4. Carlos says:

    As instituições que falas e muitas outras existem porque o sistema assistencial do Estado não é suficiente, embora o devesse ser.A existência dessas instuição representam uma reacção da sociedade civil que acha necessário complementar ou substituir-se ao Estado no apoio àqueles que carecem.Na minha opinião, cada um deve, na medida do possível e socorrendo-se dos meios legítimos que achar adequados, apoiar todas as iniciativas que contribuam para uma vida melhor de todos.Muitas vezes uma simples brincadeira pode ser um contributo importante para alguém.Acho muito importante o que dizes (como sempre) e às vezes penso que algo mais poderia ser feito, até com os recursos que a net disponibliza.Infelizmente nunca nos ocorre nada.

    Um Beijo muito grande.

  5. {-Sutra-} says:

    Penetrador, um gesto que para nós pode ser apenas simbólico, para uma criança é muito mais que isso – é um sorriso no rosto, é a alegria no olhar, apesar de toda a tristeza, pode ser mais um mês de vida, mais um ano, uma semana de alimento, tanta coisa que pode ser e nós nem nos apercebemos realmente do quanto podemos fazer com pequenas ajudas.

    Obrigada pela participação Smile

    Beijo doce

  6. {-Sutra-} says:

    Rose, mas temos de fazer algo para mudar isso, não é? Ou ir tentando…

    Beijo doce

  7. MINETEREAL says:

    Partilho inteiramente de tudo o que disseste, e acrescento apenas que estes alertas são essenciais, mas que as pessoas devem lembrar-se de actos de solidariedade durante todo o ano, e não só nesta época.
    A frase ” O natal é sempre que um homem quiser”, deveria estar presente na mente de todos nós, para que nao fosse necessario chegar a esta época e apelar á solidariedade das pessoas, já que nesta altura se encontram mais receptivas .
    Já para não falar no papel do estado, que deveria ser o suporte destas crianças.
    Felizmente e graças a estas instituições, encontram algum apoio, que ameniza o seu sofrimento.
    Parabens pelo post, bastante oportuno.
    Beijo Humido

  8. Manefta says:

    Oi Sutra, penso mto nisso tb. Ando indecisa mas a minha vontade é seguir pedopsiquiatria, pois acho que primeiro devemos ensinar as crinças a ser fortes, a ter defesas para lidar com os adultos, pk esses é dificil de os mudar se a má formação for já mto antiga.
    Bem…em relação à solidariedade, tb já andei a sismar em voluntariado, pois curto putos à brava, e às vezes é tão facil faze-los felizes, coisas como observá-los quando se querem fazer notar, um sorriso, um ” Mto Bem!” a paciencia e a tolerancia que eles merecem. Mas como sabes já tenho uma famelga extensa… e não me sobra tempo, talvez qd o filhote estiver mais crescido.
    Eu tento fazer a minha parte, dando os brinquedos e roupas velhos , ou que ele não liga tanto, ou que já não servem a outros miudos que precissem. Mas tb uma coisa é mto certa, o David não é mimado, e acredita que não tem nem roupa, nem brinquedos a mais. Isso só lhe faria mal, e atrofiava-lhe a imaginação.
    Mas enfim…a vida por vezes passa, e eu até sinto como que remorsos por não mudar o mundo e por toda a gente feliz e pronto.
    Mas vou tentando nos pequenos gestos, nas pessoas que passam por mim, ou que me rodeiam tento dar sempre amor e alegria. Não custa nada né.
    Vicios não tenho, só sexo lol, e esse só dou a um e vender tb não loll
    beijocas

    p.s uma grande solidariedade era a gente ver a liga, que já ninguém dorme sutra Wink lol

  9. {-Sutra-} says:

    Carlos, seja de que forma for eu também acho que deve existir sempre um esforço de cada um de nós para melhorar a vida dos outros, principalmente dos que necessitam e não podem ainda fazer por eles – as crianças. E sejam quais forem as ajudas, venham de onde vierem acho que serão sempre bemvindas, porque em primeiro lugar estão as crianças e são elas quem necessitam.
    Com tantos recursos ao nosso dispor, acho que podemos e devemos aproveitá-los e retirar o máximo proveito deles em benefício daquelas que realmente precisam disso e a quem não importa de que forma os donativos surgem.

    Obrigada pela participação Smile

    Beijo doce

  10. {-Sutra-} says:

    Minete, é verdade que é nesta altura que as pessoas andam mais receptivas e todos se lembram de ajudar, esquecendo no resto do ano, mas que pelo menos nesta altura consigam bastantes resultados.
    O problema é que os portugueses estão mais pobres, a crise está impossível e já pouco se olha mais do que o próprio umbigo, porque também há crianças para alimentar em casa, educar, cuidar da saúde e os ordenados não esticam.
    Mas eu apelo aos que gastam um pouco a cada dia ou semana, sem se darem conta e sem verem resultados em nada, e cujo valor somado com outros assim poderia ser uma ajuda para estas instituições.

    Obrigada pela participação Smile

    Beijo doce

  11. lazuli says:

    sutra, uma das vantagens do natal é fazer vir ao de cima sentimentos de solidariedade, coisas que ao longo do ano “esquecemos” embora estejam presentes no nosso dia a dia. Quem quiser ajudar, tem muito por onde escolher.
    Beijos.

  12. adryka says:

    Meu amigo, esta epoca é em essencial das crianças, mas há crianças que os excessos são absurdos em tudo.
    Beijos

  13. {-Sutra-} says:

    Manefta, tens toda a razão, é preciso ajudar as crianças a serem fortes, ensiná-las a isso. Smile E continuemos a tentar educar também os adultos, aqueles que sabem como se defender sozinhos, já que as crianças não o sabem.
    E vamos concentrar nelas todos os nossos esforços e ajudas.
    Eu admiro a Ajuda de Berço que recolhe as crianças em risco e cuida delas, entregando-as depois a famílias que as tratem com carinho e as desejem realmente ter.

    Beijo doce

  14. {-Sutra-} says:

    Lazuli, é uma das vantagens sim e, pelo menos agora, é preciso não esquecer das suas reais necessidades. Smile

    Beijo doce

  15. {-Sutra-} says:

    Adryka, não sei se entendi muito bem o que quiseste transmitir – e eu não sou «amigo» Wink sou amiga Razz – mas acho que pretendias falar das crianças que recebem coisas em excesso apenas porque esta é uma época essencialmente das crianças e para elas.
    Se foi isso, então concordo contigo a 100%. Ver que o consumismo dos pais e não só se traduz também em encher as crianças de brinquedos, habituando-os mal e até transformando algumas crianças em seres caprichosos e mimados, à custa de terem tudo o que querem e mais ainda.
    Comparo depois com as crianças que nada têm. Principalmente não têm o que faz mais falta – carinho e amor – e penso «porque há tanta criança com tudo e tanta criança com nada?».
    Por isso é que devemos tentar levar um bocadinho a essas crianças que não têm nada. Principalmente, alimentação, vacinas, roupa, educação. E também um brinquedo porque, afinal, são crianças. Smile

    Beijo doce

  16. [...] Pelo título deste artigo já entenderam que será uma forma de ajudarem as crianças. Lembram-se de um artigo publicado muito recentemente – Crianças e Solidariedade – e é esse o objectivo desta brincadeira que vou fazer convosco – ajudar crianças necessitadas. Mas de que forma é que vamos fazer isso? – pensam vocês. Muito fácil! Vou fazer um leilão da minha liga – aquele que licitar pelo valor mais alto, ganhará a liga. E esse valor irá directamente para uma conta de uma das instituições que eu escolher, dentro daquelas três que mencionei no outro artigo – Acreditar, Ajuda de Berço ou Sol. No entanto, há um valor mínimo pelo qual começar o leilão e, para que se torne mais interessante e possa também gerar mais donativos para as crianças – um valor de 5€ que todos aqueles que quiserem entrar no leilão terão de oferecer a título de inscrição. Todos os que depositarem 5€ na conta bancária da instituição que eu indicar nos próximos dias, estarão inscritos no leilão. A partir daí, vão licitando, subindo o valor conforme queiram e no dia de encerramento do leilão, na hora marcada, ganhará a liga, aquele que tiver licitado pelo valor maior. Eu também irei depositar um valor – não sei quanto ainda – na mesma conta e logo no início do leilão. [...]

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