18º Dia



3ª Feira.
04:25 horas.
Desconhecia a razão para sentir aquela ansiedade, um formigueiro que lhe subia pelo corpo e a mantinha como que em suspense de algum acontecimento imprevisível.
Pouco dormira desde que ele saíra, ainda não era meia-noite. Era a sua noite de folga do clube, nem clientes quisera atender, desligando o telemóvel para não ser incomodada. Valeu-lhe o facto de não ter agendado com nenhum para aquela noite.
Mais uma volta na cama, amarfanhando lençóis. Ainda sentia o seu cheiro. Inebriava-a. Aquele calor húmido que caia sobre a capital também não ajudava a dissipar a sensação de estranheza. Transpirava um ambiente inóspito em cada canto do seu duplex de luxo.
Ergueu-se da cama, e posicionou-se à janela, observando as luzes dos veículos que circulavam em vários sentidos. Foi nesse lugar que deixou o pensamento recuar umas horas atrás, quando estava ainda nos braços de Q.
- Não me canso de te tocar. Agora entendo a luxúria nos olhos deles quando te vêem.
– Os clientes do clube não são meus clientes particulares, são-no apenas do clube e assistem apenas aos shows.
– Nunca trouxeste nenhum para aqui?
– Um ou outro, mas raramente.
– Os outros nem sabem o que perdem. O teu corpo cumpre tudo o que o fogo dos teus olhos promete. Já volto – continua, enquanto caminha até à cozinha, regressando com uma cigarrilha para e um isqueiro. – Desculpa, Q., mas isso não. Ninguém fuma neste quarto que não o permito. Nem eu quando fumo um cigarro esporadicamente.
– És de manias tu, não?
– Não sou de manias, apenas não o permito. Queres fumar, vai para a sala.
– Só se vieres comigo
– retrucou com um sorriso irónico.
Levantou-se da cama enrolada num lençol e foi atrás dele, cujo corpo nu se movia à sua frente, mostrando as nádegas rijas de muito exercício físico. Ele tinha um corpo magnífico e uma habilidade extrema para o usar para dar prazer a uma mulher.
Viu-o sentar-se no sofá e fazer sinal para se sentar ao lado dele. Contrariamente ao esperado, aproximou-se dele, ergueu o lençol, enquanto afastava as coxas e se sentava no seu colo, os seios contra o seu peito.
Levou os dedos ao sexo dele, quente, e tocou-o. O olhar firmado no dele, os lábios entreabertos e os dedos que afagavam a carne. Começava a evidenciar de novo a excitação, pulsando entre os dedos femininos.
Shiva adorava sentir a carne latejante na palma da mão, o prazer nos olhos masculinos, o gemido entre os lábios rendidos. Mas aquele homem não se rendia com tanta facilidade, mantendo sempre o mesmo sorriso, sem soltar um só som. Apenas o corpo não lhe obedecia, dominado pelas carícias dela.
O fumo saía por entre os lábios, o olhar dele deslizava pelo rosto dela, pescoço, baixava até aos seios que descobria com a mão livre, empurrando o lençol para baixo até repousar nos movimentos da mão dela. Tocou-lhe nas nádegas empurrando-a contra si e Shiva entendeu o sinal, esticando o corpo para chegar à gaveta da mesinha, tirar um preservativo. Prevenção a sua tê-los sempre guardados em vários sítios do apartamento. Ergueu o corpo e deixou que ele a invadisse por inteiro, iniciando um ritmo cadenciado de subida e descida no corpo dele, enquanto a cigarrilha ia diminuindo a cada tragada. Se não fosse pelo bater do coração e pelo pulsar do pénis dentro de si, duro e erecto, diria que ele estava completamente indiferente ao acto sexual.
A cigarrilha terminou. Q, de mãos livres, puxou Shiva com força contra si, fazendo-a gemer com a intrusão até ao limite. De seios esmagados contra o tórax masculino, de nádegas apertadas pelas mãos fortes, ela movimentava-se cada vez mais rápido, deixando que os gemidos penetrassem no ar quente da sala. Um fio de suor descia-lhe pelo pescoço, de imediato lambido pela língua dele.
Entre gemidos em uníssono e orgasmos que se aproximavam, veio a pausa. Shiva foi empurrada para o sofá e inclinada sobre o encosto, coxas semi-abertas. Sentiu os dedos dele apertarem-se em redor das suas ancas e a entrada no corpo em golpadas fortes e decididas, fazendo-a gritar de surpresa e prazer. Poucos segundos depois, veio o orgasmo. Intenso. Forte. Louco. E enquanto ainda sentia as ondas de prazer, veio o dele, deixando-o a tremer inclinado sobre o corpo dela.
Tinha sido assim, hora após hora, numa resistência implacável que a deixara sem forças e naquela ansiedade estranha que lhe tirava o sono, apesar de todo o cansaço.
Saiu da janela e dirigiu-se para a cozinha; iria beber um copo de leite na tentativa de vir o sono que necessitava.
Como seria encarar Q na noite seguinte, no clube?
E estaria o homem misterioso presente em mais uma noite de show?

© Sutra 2010

4 Responses to “Shiva – 100 dias da vida de uma cortesã – 18º Dia”

  1. Xon Says:

    Finalmente o regresso Já fazia falta Big Smile


  2. feiticeiro.oz Says:

    .aahhh, depois de ter saído de noite e gelado até ao oss mais diminuto, só mesmo um conto teu para aquecer o ânimo!!

    grande interregno!!...a tua inspiração queima qualquer gelo!


  3. Sutra Says:

    Também eu tenho esperado muito mas finalmente veio o que queria Smile
    Beijos doces


  4. escorpiana Says:

    oi menina.gosto muito do que vc escreve e, como escritora amadora de contos uso suas palavras como ispiração e aprendizado,para que um dia eu chegue a escrever tão bem quanto vc.parabéns e abração Big Smile


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