História de Ana – II
Posted by Sutra on Monday Oct 19, 2009 Under História de Ana
Conheci o OPeter naquela primeira noite. Foi o meu primeiro contacto, o meu guia. O meu professor. Com ele descobri alguns dos encantos do lugar, mas não me seduziu. No dia seguinte já nem recordava o seu nome.
Convenhamos, o seu nome não era OPeter. Nem sempre direi os nomes reais, aqueles pelos quais conheci as pessoas com quem me cruzei. Mas andarei tão próximo, como talvez a inicial do nome, quem sabe até poderei enganar propositadamente com a verdade. Não é de me reconhecerem a mim que tenho receio, nem o de se reconhecerem a si mesmos, caso algum dia se cruzem com estas linhas e as leiam na sua totalidade. É o de serem reconhecidos por outros que por aqui passem. Ver-nos reflectidos pelas palavras, pelos sentidos dos outros pode ser o céu ou o inferno. E confesso que nem sempre terei boas palavras para falar de cada um daqueles que se cruzaram no meu caminho, ao longo deste tempo em que tenho sido eu, a Anna.
Amavelmente dispunha-se a acompanhar cada corpo feminino virginal nas deambulações por ruas desconhecidas. Jovens que se entusiasmavam com guia tão sedutor, viril e de conversa aparentemente interessante. Mas aparência apenas. Lá está, nunca nos devemos guiar pelo que apenas o olhar fugidio capta. O que realmente interessa só com um olhar observador se atinge.
Neste caso, a sua conversa interessante era, infelizmente, de curta duração, com vocabulário limitado e nível de diálogo ainda mais reduzido. As conversas não podiam ser muito duradouras, devido ao risco de repetição de tema, das mesmas frases, das mesmas palavras. Mas pelo menos em sexo, ainda escapava. Do tipo conversador, provocador, incitante. Era o que lhe valia.
Mas, como disse, após o primeiro encontro, a primeira noite, até do seu nome esqueci. Viria a recordá-lo mais tarde. O OPeter teve um papel preponderante durante algum tempo, mas não desde logo.
Iniciava-se a descoberta. Iniciava-se o tempo. O meu tempo.
Estava a dar os primeiros passos da minha existência ali, num lugar.
Após a primeira experiência com o OPeter, logo surgiram as buscas por novos focos de interesse. Entradas e saídas de edifícios, jogos de palavras, nomes soltos, lugares, idades.
‘De onde és?’ ‘E tu?’ Passeios pelas ruas, encontros nas esquinas, seduções e um deambular por todos os cantos possíveis e imaginários. Estava a descobrir um novo mundo que, até então, não imaginava existir. Ria-me para mim mesma ao pensar o quanto estava em atraso relativamente a algumas tecnologias, a alguns espaços por onde se descobriam centenas de pessoas de várias nacionalidades. Não que não tivesse ouvido falar já de outro idêntico, muito mais conhecido, mas era naquele que tinha entrado e era aquele que estava a explorar.
Fui tímida a início, mantendo-me mais reservada no que tocava a fantasias, a desejos, a curiosidades. Mas fui sendo enredada na mesma teia que a todos envolvia: luxúria, volúpia, desejo e sexo. Muito sexo. Um sexo diferente, mas que importava isso ali, se todos procuravam o mesmo? A descoberta!
Começámos a seguir juntos todos os caminhos, a experimentar algumas loucuras mas sempre e só a dois. Atraiu-me, envolvi-me e não me imaginava já naqueles lugares, sem a sua presença, sem o seu corpo, o beijo, o toque e o abraço quente.
Até que o ciúme começou a dominar-me a pouco e pouco, como uma erva daninha. Essa sou eu mesma. Dizia-me que não havia razões para tal, quando eu sabia que existiam verdadeiramente. A sua antiga paixão era uma presença constante nos nossos dias, nas nossas conversas, nos mesmos caminhos que trilhávamos. Incomodava-me de um modo que nem eu mesma conseguia controlar. Surgiram algumas discussões, curtas, rápidas de resolver. Nunca fui de ressentimentos. Nunca fui de amuos demorados. Os meus duram breves minutos e desaparecem com carinho e beijos.
Alex era o preenchimento dos meus dias. A minha paixão.
Até ao dia em que algo mudou.
A.




October 19th, 2009 at 9:37 pm
...Essa ana confunde-se, será que algum dia ela encontrou o tal, o princípe encantando, que procura ela!?será que ela se conhece verdadeiramente ou sabe o que quer!?...
És musica e a música ouves triste?
Doçura atrai doçura e alegria:
porque amas o que a teu prazer resiste,
ou tens prazer só na melancolia?
Shakespeare
October 20th, 2009 at 7:49 pm
Tudo muda até o
que nos era concreto…
adorei como sempre.
beijos
October 21st, 2009 at 12:29 pm
Oi Sutra
Normalmente é sempre assim até ao dia que algo muda…
Beijoka
October 21st, 2009 at 11:50 pm
Gosto bastante da maneira que escreves, límpida, doce e tão fácil leitura que nos deixa perdidos no tempo. Estive a ler algumas coisas soltas antigas e a maneira de escreveres contos eroticos é tão diferente do lixo que vemos por aí, às vezes quem escreve contos eroticos esquece-se que muitos de nós gostam de ler coisas bem escritas e não aquelas reles que á aos pontapés na net, dou-te os parabéns e ganhaste um fã.Estou ansioso por ler a continuação dos teus contos. beijoca
October 22nd, 2009 at 12:02 am
Li esta parte do conto e deixaste-me a pensar porque estou a passar presentemente por algo parecido ao que contas em parte da historia, o que me deixou ainda mais curioso pelo resto da mesma, bjs..
November 29th, 2009 at 10:00 pm
Olá,
Sou professora de redação e português er gosto muito de escrever contos eróticos….~
Adoro explorar a sexualidade impregnada em cada olhar, em cada gesto…por meio das palavras…
Como faço para apresentar os meuus contos?
obrigada
December 8th, 2009 at 11:24 pm
diva, é fácil, basta fazer como qualquer um de nós, criar um site ou blog e colocar ou então se são contos mais do género porno, pode sempre publicar nos sites de contos eróticos que existem por aí.