História de Ana – I

Posted by Sutra on Thursday Oct 15, 2009 Under História de Ana


Nota Inicial da Autora:
Ao contar a minha história não quero ferir susceptibilidades de quem conheceu o que eu conheci, ou viveu algo idêntico ao que vivi. Tenho consciência que vou mencionar nomes que se podem cruzar com o lugar onde pedi para esta história ser contada. Poderia ter sido eu mesma a contá-la e comecei a fazê-lo noutro lugar, mas acabei por a interromper por motivos de saúde e depois, outras situações se desenrolaram que me levaram a interrompê-la. Agora sei que a tenho de terminar, porque não posso partir sem a deixar escrita e contada. Por isso pedi para que ela fosse publicada assim que os Contos Secretos reabrissem. Posso cá estar ainda quando ela começar a aparecer aos vossos olhos, não sei se ainda estarei quando ela chegar ao último capítulo.
Se daqueles que tiverem oportunidade de ler, alguém se identificar com o que falo, seja homem ou mulher, não esqueçam que alguns pormenores aqui e ali não fazem uma história completa e esta é apenas a minha, a vossa somente se cruza com ela em alguns pontos.

Sou Ana. Ou Anna.
Quem sou eu?
De onde vim?
Para onde vou?
Real ou imaginação?
Vida ou personagem?
Que história terei para contar?
Quererei contá-la?
Que segredos se escondem?

O que é a minha história? Serei capaz de voltar quase dois anos atrás e recordar como nasci e vivi durante esse período?
Por que metamorfoses passei?
Em quem me transformei ou que personagens vivi estes dezoito meses?
E as pessoas que foram passando pela minha vida e foram conhecendo a ‘Anna’, que terão elas pensado, conhecido, sentido?
Há perguntas para as quais nunca terei resposta.
Nem sei porque sinto esta necessidade de a ver reflectida no papel, divulgada, falada, contada. Uma forma de exorcizar a ‘Anna’?
Talvez o início desta história seja o fim. Não o meu fim, mas o ‘dela’, ou o meu também, já nem sei.

Capítulo I

Nasci no dia 18 de Outubro de 2007.
Com 27 anos.
Morena, meio citadina, alegre, trabalhadora por conta de outrem, a viver na zona de Cascais, lugar conhecido como Pai do Vento, calmo e modesto, sozinha num pequeno apartamento, palco de histórias escondidas, recordações imaginadas.
Nasci nesse dia, porque foi quando entrei num mundo até então desconhecido para mim. Esta era eu, com o habitual receio de me revelar na totalidade, adoptando a imagem real-ficcionada de Anna. Estava dado o primeiro passo.
A curiosidade deste mundo era enorme. Mas a necessidade de manter a identidade secreta, maior ainda. E assim fui seguindo, no meio de imagens a três dimensões, sons, música, risos, diálogos. Acima de tudo fui conhecendo cada canto, cada pessoa, ainda um pouco naif para o meio em que estava.
Logo no primeiro dia quis descobrir mais, quis ver o que havia para oferecer naquele universo até então desconhecido. Ávida de aprender mais e mais, deixei-me guiar por quem me levaria mais tarde a caminhos mais profundos do prazer.
Esse primeiro dia/noite foi estranho, mas trouxe como que uma lufada de ar fresco para as noites que se haviam tornado nos últimos meses, sempre iguais. Tal como gostei, fiquei, regressando nos dias seguintes. Todos os dias, a cada momento que me era possível.
Fui criando a minha imagem, entrando mais dentro da personagem e, ao mesmo tempo, sendo cada vez mais ‘eu mesma’.
Contraditório? De modo nenhum. Somos o que queremos ser, mas por mais que interpretemos personagens imaginadas por nós mesmos, sempre serão compostas pelo que somos, vivemos e sentimos, nunca poderemos ser tão diferentes assim da realidade.
O mundo alargou-se e os conhecimentos também. O início da loucura que me fazia mergulhar noite após noite estava à espreita. Ignorei-o, pensando que nunca seria mais forte que eu. Tão tola que eu fui.
Se me enganei? Agora rio ironicamente da minha ingenuidade.


A.

11 Responses to “História de Ana – I”

  1. Wolfheart Says:

    Porque será que nos rimos sempre com ironia da nossa ingenuidade passada?
    E porque será que não percebemos que na altura em que o fazemos estamos, muitas vezes, a ser ingenuos?

    O Lobacho


  2. escorpiao Says:

    Apenas um bj. Continuas linda.


  3. feiticeiro.oz Says:

    ...hum!!interessante, conta mais!fosse eu psiquiatra e diria que tens aí nessa tua sublime Ana material para muitas horas bem passadas no sofá!Naïf ou talvez não…


  4. Cornelius Says:

    Fiquei embriagado pelas palavras, escreves maravilhosamente.


  5. Loverboy Says:

    É um prazer ver que a magia das palavras não se perdeu por aqui. beijos


  6. Pedro Says:

    Ainda há dias te enviei um pedido pelo hi5 e já estou fascinado com a maneira como escreves, miúda, és um estouro com as palavras, escreve mas é um livro. Beijinho


  7. Luis v. Says:

    Venha o resto da história dessa que conheço um pedaço e que espero como tu que não termine da maneira que tememos.


  8. analuis Says:

    fiquei feliz hoje quando aqui cheguei e vi que tinhas voltado só não entendi se és tu a escrever esta historia ou não.


  9. Magician Says:

    Este regresso é por minha culpa, agradeçam-me porque fiz uma magia para ela volta Grin


  10. Sutra Says:

    Como disse no outro, eu posso responder por mail desde que deixem o vosso mail na caixa de comentários e me indiquem alguma coisa que queiram ver respondida.
    À analuis eu respondo já porque pode haver mais quem tenha a pergunta por fazer, que é assim: não posso nem quero falar muito sobre isto, pois não me pertence fazer isso, só posso dizer que esta história não foi escrita por mim mas por uma pessoa que está muito ligada e prometi-lhe que a colocaria aqui, mas uma grande parte do que ela me entregou veio só em rascunho e eu transformei no que vão ler até ao fim. Estas partes e quase até meio é escrito por ela.

    Beijo doce*


  11. Telmo Says:

    Acabei de ler esta primeira parte e penso que começo a compreender um pouco da história, algo com se alguem entrassem num novo mundo desconhecido a que não estava habituado mas que ao mesmo tempo estava hipnotisado pelo prazer do que estava a viver nessa nova vida, estou curioso por ver que se passou a seguir…e quais as consequências que levou a dar importância a este conto…bjs


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