Noite de Coktails – I
Posted by Sutra on Friday May 13, 2005 Under DiárioGuardo na memória o dia em que os nossos olhares se cruzaram por cima do balcão daquele bar, um qualquer bar, num qualquer lugar.
Os pêlos da nuca eriçaram-se e o seu olhar percorreu o meu corpo, despindo-o de sentidos, de presenças, de roupas.
Ele e eu sós naquele bar cheio de desconhecidos. Desconhecidos como nós.
Seguiu-se um pedido de bebida, que ele trouxe juntamente com uma base para copos, antes de a assentar em cima do balcão de madeira, os seus olhos abandonaram os meus levando-me a seguir o seu olhar até ao pequeno papel que havia deixado debaixo da base de cartão que fazia publicidade a uma qualquer marca de Gin.
Sorri, olhando-o da forma como me sentia – sedutora, insinuante, desejosa de o ter, das suas mãos, corpo, boca. Não lhe peguei, prolongando o prazer do mistério, a inquietude da descoberta. Relanceei o olhar pelo bar, pelos corpos que se movimentavam, pelas bocas que mexiam em diálogos acesos.
Terminei a bebida, peguei no pequeno papel, soprei-lhe um beijo e um sorriso malicioso e saí.
Entrei no carro, desdobrei-o e vi o número. Dez minutos depois liguei-lhe.
A voz rouca, profunda, máscula que atendeu, fez-me sentir fora de mim, com as pernas que nem geleia.
Ele disse apenas: – “és tu. Sinto-te“.
Nesse momento soube que aquela seria uma noite diferente das outras.
(...)
© Sutra 2005
—continua—



