História de Ana – VI

Posted by Sutra under História de Ana on Friday Nov 13, 2009

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Capítulo VI

Mare, o meu professor de castelhano, homem maduro, experiente, de voz quente e sensual. Um latino cavalheiro, dos tais que oferecem flores às mulheres, daqueles que fazem agrados, dos que nos rodeiam de todas as atenções, nos miram de longe, nos olham dentro dos olhos profundamente e nos acariciam só com o deslizar desses olhares. Era assim Mare, com perfume a maresia e sorriso nos lábios. A sua voz era uma promessa, as suas palavras uma sinfonia de paixão. A amizade transformou-se em atracção, depois em paixão, em desejo. Aliado ao facto de eu já me encontrar livre, o que lhe permitiu avançar para o que ele desejara desde o momento em que nos conheceramos (palavras suas).
Também eu tentei ensinar-lhe algumas palavras em português mas não fui tão feliz como professora como ele foi comigo.

Mare ria e dizia:
- Anna, Anna, eres una mujer que necesita vivir ‘ like a bird’.

Esta sua mistura entre o espanhol e o inglês devia-se ao facto de ser a única forma de conseguirmos manter um diálogo de modo a que nos entendêssemos minimamente. O que eu não conseguia fazer-me entender em português, dizia em inglês e ele respondia-me em espanhol ou inglês, conforme eu o entendesse ou não.
Ele fingia buscar um passatempo, mas queria uma companheira. Eu fugia da prisão de um relacionamento que não me deixasse ‘voar’, naquela época, e desejava ficar a seu lado. Eram as contradições que me deixavam confusa, as minhas e as dele. Na verdade, nenhum dos dois sabia bem o que pretendia do outro, ou o que existia entre nós. A atracção forte, a paixão intensa sem dúvida que sim, a amizade também. Um beijo ou outro fugidio e nada mais. Músicas dedicadas como esta:




Curiosamente demorámos bastante tempo até colarmos os nossos corpos nus, o que veio a acontecer apenas em meados de Janeiro de 2008. Os nossos encontros eram recheados de riso, música, alegria, beijos quentes, palavras sedutoras, toques que ferviam na pele, que derretiam os sentidos e me faziam suspirar e ansiar o fim da espera que ele prolongava, propositadamente ou não. A promessa de uma noite inteira a seu lado ia sendo adiada de dia para dia, por dificuldades horárias de um ou de outro, além do constante saltitar de ambos por outras flores. Não deixava de me enervar, de certo modo, aqueles desencontros constantes.


Enquanto isso, ia mantendo o affair fortuito com OPeter, e conhecendo outras pessoas, homens na sua maior parte. Não, não me relacionei com nenhum deles, nem meros casos de uma noite só, nem sequer um beijo.
Apenas um surgiu ainda antes do fim do ano que veio mais tarde a tornar-se uma das três pessoas mais importantes que conheci naquele meio.
Falo de Edu. Este nome ainda me faz sorrir. Durante meses a chamá-lo de Edu até ao dia em que tudo mudou e me revelou o seu nome verdadeiro.


Aproveito já para falar um pouco sobre ele. O momento em que o conheci não foi o mais importante. Foi o facto de o conhecer, o que ele mudou em mim, o que me fez sentir e as loucuras que quase me fez cometer, como por exemplo colocar a possibilidade de virar costas ao meu país e partir para outro, a milhares de quilómetros daqui. Mas como surgiu ele na minha vida?
Devido ao conhecimento com Mare, passei a frequentar locais onde encontrava outras pessoas do mesmo idioma que o seu. Foi assim que passei a conhecer mais gente oriunda dos quatro cantos do mundo.
Entre essas pessoas conheci um dia Edu. Aproximou-se, apresentou-se e começámos a conversar, numa daquelas noites em que eu já estava de novo com os nervos em franja pelos aparecimentos e desaparecimentos de Mare. Atitude habitual nele, como passei mais tarde a verificar e a deixar de dar relevância. Muito mais tarde, aliás. Edu era divertido, simpático, meigo e extremamente atencioso. Apresentava-se de olhos esverdeados, olhar atrevido, sorriso malandro e cabelo sempre meio despenteado. E claro, sempre rodeado e solicitado pelas amigas que se derretiam perante aqueles olhos verdes de um homem tão guapo. Se estás a ler-me agora, lembras-te disto?


A segunda ou terceira vez que nos cruzámos, passámos a noite juntos. Na praia, à beira-mar. Poucas palavras trocadas, principalmente porque nenhum de nós estava familiarizado com o idioma do outro. Imaginem uma portuguesa e um espanhol (bem, ele não era espanhol, apenas falava espanhol, mas vou omitir a sua nacionalidade, pleo menos por agora), a tentarem fazer sexo usando as expressões típicas de cada país. Assim, foi melhor o quase silêncio, naquela aproximação da ‘primeira vez’.
Foi bonito, foi carinhoso, começou por uma bela amizade colorida. Ele tinha várias, conforme me contou dias depois, enquanto eu sorria e lhe respondia: ‘e agora uma portuguesa’. Amigos coloridos? Agradou-me a ideia.


Foi assim que o ano de 2007 chegou ao fim e deu lugar ao grande ano de 2008.
2008. O início da caminhada na direcção do que sou agora e do que tenho. Ganhei mais do que perdi nesses doze meses que foram o ano de 2008, mas ainda hoje quando fecho os olhos e penso nos momentos passados, quase posso sentir as mesmas emoções que vivi, os mesmos odores, os toques, as músicas e as imagens que desfilaram perante os meus olhos.
Venci e fui derrotada. Ganhei e perdi. Do que ganhei, voltei a perder mesmo antes do ano findar. Sem querer perder, dei cada passo na incerteza do que fazia. Julguei que lutava por manter comigo o que me era importante e apenas movi os dedos num gesto de afastamento, sem que me desse conta. Sem que o desejasse.
Há recordações que nunca se esquecerão, palavras que ficarão para sempre gravadas na memória e que fazem de mim o que sou, com todas as reacções inconstantes que já nem sei bem se são minhas ou da Anna.
Amei, vivi, chorei, ri, apaixonei-me vezes sem fim e aprendi a verdade do que é o Amor. E amar não é apenas sorrir, é sentir dor, é lutar, é querer agarrar cada minuto do tempo que se tem para viver, é colocar a felicidade do outro antes da nossa.
2008. O ano de todas as emoções, do crescimento, do conhecimento, da verdade, do salto para a realidade.

A.

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Votação – a terminar

Posted by Sutra under Diário on Friday Nov 13, 2009

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Eu tinha dito que a votação terminava aos 100, porque pensei que seria automático e não permitiria mais votos além desse número.

Estive fora e só regressei ontem e, por isso, a votação tem continuado.

Terminará esta noite às 00h00m.

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Votação

Posted by Sutra under Notas on Thursday Nov 5, 2009

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Reparei que Vªs Exªs andam a votar mais que uma vez…

Isso é batotice!...

A escolha é só uma vez! Vá, olhem lá para a Poll e vejam como estão os resultados – www.contossecretos.com

E termina quando chegar aos 100 votos.

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História de Ana – V

Posted by Sutra under História de Ana on Wednesday Nov 4, 2009

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Capítulo V

Ainda o ano de 2007 não tinha terminado, e, além de estar com OPeter mais uma vez, fui conhecendo melhor o Mare, de quem já falei, e ainda Edu – alguém que viria a tornar-se das pessoas mais importantes que ali conheci. Ambos tinham aquele idioma ‘muy caliente’, latino de palabras muy dulces, romantismo num âmbito todo ele direccionado para sexo.

Com OPeter era divertido, era muito erótico, era puro sexo com muito tesão. Mas, nada mais que isso. Não me dava ‘tesão intelectual’ coisa que tinha tido com Alex. Essa era uma das falhas de OPeter. Mas, eu também não era nada exigente em relação a ele nesse aspecto. Usávamo-nos um ao outro. Ou melhor, os nossos corpos, diálogos apenas o essencial. Conversas de interesse tinha-as durante horas com Mare, apesar da dificuldade do idioma. Ou tinha-as com outras pessoas com quem gostava de partilhar conhecimento, opiniões, sobre os mais variados temas, sem que soprasse no ar o clima de sexo.

Esse foi um tempo de muita loucura e muitas madrugadas arrojadas que se prolongaram até ao fim do ano e um pouco mais por Janeiro de 2008 dentro.

Comecei a ver alguns nomes que já me pareciam conhecidos, os quais, vim mais tarde a confirmar, pela relação com o local (site) onde a minha história será colocada, eram de alguma forma conhecidos: uma Moura, uma Fada, um Amante sedutor e outros mais que por lá deambulavam, mais alguns dos quais reservo o seu nome, outros que não me recordo sequer. Movidos pela curiosidade, numa procura sempre igual: prazer, sexo, aprendizagem de algo novo, preenchimento de horas vagas.

Dividia-me entre o conhecimento com outras pessoas, de outros países, em conversas mais ou menos longas, em descobertas de lugares novos, durante o dia ou à noite até certa hora. Depois, pela entrada na madrugada, OPeter e sexo.

Não quero iniciar o relato do que aconteceu em 2008, logo desde o início do ano, sem que antes, fale um pouco sobre mim e sobre uma ou outra pessoa que lá conheci. Talvez a necessidade de uma espécie de retrospectiva quanto aos factos mais importantes a reter até agora.

O que aqui relato teve o seu início em meados de Outubro de 2007, como já referi, na data em que nasci. O tempo que vivi nesse espaço, cerca de 12 meses, na verdade foram vividos como se fossem 12 anos. O tempo passava muito depressa, uma vez que a acção decorria num espaço exíguo, onde cada dia significa muito mais que simplesmente 24 horas.

Quando a minha história começa, conheço alguns rostos sem nome, sem importância nessa altura, até ao dia em que conheço Alex, o meu primeiro amor, se é que se pode atribuir esse significado tão único, à chama, paixão, amizade, que existia entre nós.

Enquanto estava com Alex conheci Mare e Edu (ainda não falei dele até agora, mas não por esquecimento). Nem um nem outro foram mais que uma amizade (o primeiro) e um conhecimento fugaz e superficial (o segundo) nessa época. Enquanto estive com Alex, nunca estive com mais ninguém. Estes viriam a ser importantes mais tarde, já depois de terminar o relacionamento com Alex. Muito importantes, principalmente o segundo.

O fim da relação com Alex foi o caso de uma noite com OPeter. Já estava anunciado há algum tempo que a relação teria o seu fim, mas esse foi o passo que o determinou.

Nessa altura a minha vontade passou a ficar dividida numa confusão de desejos e caminhos a seguir. A liberdade de poder estar com OPeter quando me apetecesse, ou outro qualquer? Mare? Ou ainda Edu, com quem tive uma experiência ainda em Dezembro? Ou, por fim, a terceira personagem que surgiu nos primeiros dias de Janeiro de 2009?

A somar ainda ao facto de me deslocar e passar a residir noutra parte do país. Note-se que eu (ou ela?) – Anna – agente imobiliária, passaria a ser dona da minha própria imobiliária em finais de 2007, inícios de 2008, com mais dois sócios, mudando-me de malas e bagagens para o Algarve. Esta a história perfeita que inventara para poder travar os desejos de quem queria ultrapassar limites. Os limites que eu havia imposto. E, apesar de o vício daquele lugar já se ter entranhado no meu corpo e na minha mente, consegui sempre manter firmemente esses limites. Mas para os manter necessitava de criar defesas e a distância era a melhor defesa. Porquê tão longe? Por ser uma oportunidade única. Porque era assim tão boa? Porque era uma sociedade. Desculpa perfeita!

Conheci por lá algumas pessoas das quais guardo memórias com carinho: duas amigas do Brasil, uma delas com quem contacto regularmente, um ou outro amigo, com quem nunca existiu outro tipo de aproximação que não o de uma amizade, um conde, por exemplo.

Os próximos capítulos irão falar de outro relacionamento, de outra personagem [caricata, digamos] e do desenrolar de emoções e relacionamentos cruzados.

A única coisa que posso ainda acrescentar é que, o fim desta história, coincidirá com quase um ano após o abandono daquele lugar, e poderá culminar com uma revelação surpreendente [para alguns].

A.

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