Mistura de Sabores – III
Posted by Sutra under Contos on Friday Mar 27, 2009O fim de uma melodia dá lugar à seguinte. O homem africano, dono do bar, aproxima-se do balcão, olhando de víes para o canto onde os dois casais pararam no tempo. Pat pega no copo e leva-o aos lábios. Os seus seios elevam-se ritmadamente, revelando a respiração ofegante. A excitação que, nem na presença do estranho diminui. Pelo contrário. Observou o corpo masculino, elegante no caminhar. Predador, insinuante. Dominador. Arrepiou-se e, no seu cérebro, a pergunta: será verdade o que dizem dos homens negros? Olhou para o baixo-ventre masculino e sentiu-se ruborizar com os pensamentos.
Bárbara sentia-se envergonhada como se tivesse sido apanhada em flagrante a fazer o que apenas a sua imaginação praticava.
Bruno deu um gemido entredentes. A excitação que a boca de Pat lhe causara e a repentina intrusão deixaram-no de caralho teso e dorido pela não satisfação. Incapaz de o meter dentro das calças, limitou-se a tapá-lo com a camisa. De soslaio, observou o rosto de Bárbara e pensou: ‘esta está a precisar de perder a timidez’.
Luís remexia-se inquieto na cadeira. O intruso só viera atrapalhar o que já imaginava que poderia acontecer. A sua vontade era aproximar-se mais do outro casal e estava quase a dar esse passo. Para isso bastaria convencer Bárbara a fazer algo idêntico que eles faziam. Seria a partilha de voyeurismo que os aproximaria deles. Luís fantasiava com uma relação a quatro. Com uma troca de casais. Olhou com raiva para o dono do bar e engoliu o resto da bebida que tinha no copo. – Sónia, dá-me uma imperial – esperou que a barmaid se aproximasse, observando-lhe o corpo magro, de pernas altas cobertas pelas calças negras, para lhe perguntar – que se passa ali no canto? – Exactamente o que estás a pensar. Antes de entrares estava aqui uma bela cena de sexo. – E tu estavas a gostar de ver, já vi – e fez um gesto para os seios de Sónia, de bicos erguidos e nus debaixo da t-shirt. – Impossível ficar indiferente, mas tu vieste estragar tudo. Pararam logo. – Ai foi? – e, num só gesto bebeu o resto da imperial, entrando em seguida para dentro do balcão. – Então, vamos dar-lhes uma razão para continuarem o que estavam a fazer.
Agarrou-a por um braço, puxando-a contra si, segurou-lhe o pescoço com a outra mão e beijou-a sofregamente.
- Que te deu?
Num primeiro instante, Sónia ficou sem reacção perante a invasão avassaladora da boca carnuda de Dário, o patrão. Depois, deixou-se apenas conduzir pelo fogo do desejo que se havia acendido no corpo, enquanto permanecia como mera espectadora da cena desenrolada pelos dois casais. Os dedos masculinos cravaram-se na sua cintura e ergueram-na até a sentar no balcão, enquanto as coxas dele a forçavam a abrir as pernas, para se encaixar de encontro ao calor do sexo de Sónia.
Espanto. Dúvida. Confusão. Tudo passava pela mente de Sónia que não conseguia evitar a vontade de o sentir dentro de si. Já mais que uma vez imaginara como seria sentir aquele corpo masculino a invadi-la. Nunca havia feito sexo com nenhum homem de raça negra e pensava se a fogosidade de que tinham fama, corresponderia à verdade ou seria um mito. Enquanto sentia a sua língua deslizar-lhe pelo pescoço, apertava as coxas em redor das pernas de Dário e puxava-o contra si, sentindo o grande volume que a fazia estremecer. Queria sentir aquele pénis entre os dedos, sentir-lhe o calor. Queria prová-lo. Sentir a sua dureza entre os lábios. Queria senti-lo a fodê-la. Perturbada, quase esquecia aqueles que agora tinham tomado o lugar de observadores, enquanto se afastava dele, permitindo que ele a despisse da blusa, fazendo saltar os seios avantajados, nus, soltos e deitava o corpo para trás, no balcão.
Apercebeu-se de onde estava quando ouviu um gemido surdo e um pequeno riso nervoso. Ergueu a cabeça, olhou o espelho por cima do ombro de Dário e o que viu fê-la sorrir, deitar de novo o corpo no balcão e fechar os olhos, entregando-se à luxúria e prazer.
Dário deslizava os dedos compridos pelo corpo que se contorcia com as carícias, descendo-os para as calças que desapertou. A sua meta era aquele sexo húmido que adivinhava rosado, onde pretendia mergulhar o rosto, invadindo-a com a língua, saboreando o gosto de mulher excitada.
O reflexo do espelho mostrava quatro pessoas estáticas que não perdiam um movimento do que se desenrolava no balcão do bar.
A mão de Pat tornou a deslizar para as coxas de Bruno.
Luís olhou o rosto de Bárbara e pediu em silêncio que ela tivesse a coragem de se deixar levar.
O jogo estava prestes a começar para aqueles três pares que se viam, repentinamente, naquela partilha inusitada. Estavam lançados todos os dados para uma experiência que nenhum deles havia experimentado alguma vez.
Hesitações. Receios. Excitação. Febre do desejo. Paixão. Luxúria.
Um. Dois. Três.
Começa a descida vertiginosa ao encontro da volúpia do sexo.
Quem irá dar o próximo passo?
(continua)
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