Num qualquer lugar
Posted by Sutra under Excertos de Colectânea on Monday Sep 29, 2008
(...)
- Não digas nada.
Ele não disse.
E ela optou por esquecer que tinha acabado de o conhecer e tocou-lhe o peito, aproximando o corpo do dele, pedindo em silêncio mais um beijo. Mais outro. E outro.
Os beijos deram lugar à pressão suave das mãos sobre os seios femininos, ao entrelaçar de pernas, enquanto os corpos se estendiam na areia, alheios aos grãos de areia que se agarravam à pele que se ia descobrindo à medida que a paixão aumentava o fogo do desejo e a necessidade de sentir pele contra pele. Minutos depois, Joana protestou pela agressiva fricção da areia debaixo de si.
- A areia…
Ao ouvir o balbuciar dela, Tiago ergueu-se e, puxando-a por uma mão, subiu para uma parte plana da rocha, onde tirou o blusão que colocou no chão, antes de se sentar sobre ele. Puxou-a para si fazendo com que se sentasse no seu colo, as coxas envolvendo a sua cintura, o calor do sexo feminino de encontro ao volume do seu pénis intumescido.
Pressionando os seios contra o peito masculino, Joana sentia as ondas de prazer subirem pelo seu corpo, abalroando os seus sentidos, aniquilando qualquer resquício de racionalidade. Já nada poderia fazer a não ser deixar-se levar por aquele doce desconhecido que o mar lhe havia trazido naquela tarde.
Queria senti-lo dentro de si, desejava que ele a preenchesse com o seu corpo, invadindo as suas entranhas com a sua masculinidade.
Sentiu as mãos dele desapertarem o casaco de malha, enquanto os lábios passeavam algures entre o pescoço e o colo, delineavam o queixo, subiam à sua boca e resvalavam até ao lóbulo da orelha. A t-shirt juntou-se ao casaco e à camisa dele e o sutiã não demorou a fazer parte do mesmo monte de roupa.
As mãos dele apertaram-se nas suas nádegas, enquanto a boca acolhia um dos seios, delineando o mamilo com a língua quente, fazendo-a arrepiar ao sentir o contacto quente na pele.
Suspiro dela.
E, como se tivessem vida própria, os dedos femininos deslizaram pelo estômago masculino, descendo e aproximando-se da cintura das calças que desapertou para darem espaço à curiosidade de sentir na palma da mão o desejo dele, imponente, revelador.
Suspiro dele.
As mãos deslizavam inquietas, sentindo o calor que se soltava da carne masculina, conhecendo cada centímetro de pele, tocando cada pulsar de desejo.
O barulho das ondas contra as rochas de uma maré que subia, fechava-os num planeta de apenas dois habitantes. A brisa que lhes açoitava a pele suada não era mais que o eco do tesão que os alucinava.
Rod brincava ao longe, saltando entre a espuma das ondas que vinham beijar a praia, como se adivinhasse que aquele momento era íntimo demais para ter a sua presença. As roupas ficaram esquecidas e os corpos nus dançavam, entrelaçados, nadando em prazer e gozo, suspiros e gemidos que se cruzavam nas bocas coladas, de línguas que se envolviam na doce tortura de mais um gesto. As mãos pressionavam-se entre si, na força da tempestade orgásmica que se aproximava, os dedos colocavam o preservativo e a força do desejo intensificava-se.
O corpo de um dentro do outro, envolvidos na nuvem voluptuosa da luxúria. Movimentos mais rápidos, mais lentos, mais rápidos de novo. E o grito em uníssono. O gemido. O suspiro. A capitulação mútua na batalha dos sentidos.
Permaneceram abraçados, ele dentro dela, ela entrelaçada no suor dele, aspirando o perfume do sexo acabado de fazer. Olharam-se e trocaram mais um beijo, de lábios trémulos, suavidades extremas, dedos que afloravam delicadamente peles húmidas.
(...)
© Sutra 2008
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