Dádiva feminina

Posted by Sutra under Imagem-Texto on Sunday Jun 29, 2008



Fotografia de Autor Secreto


- Uma dádiva. – O quê? – Sim. É só o que te peço. O fruto doce. Sumarento. Senti-lo entre os meus lábios. Degustar o seu paladar. Provar como se abre perante o toque suave da minha língua. O seu estremecer espremido na minha boca e poder usufrui-lo, no intenso gemido que te fará capitular. – Serás merecedor? – Apenas tu o podes dizer. Serei? – Depende do que fizeres para o teres entre os teus lábios. Envolvido na tua carne. Penetrado pela tua paixão. – Revela-me como. – Segredar-to-ei.


Brilha na cor da paixão o fruto que se estende no limiar dos dedos que o desejam. Lábios cerrados. Vigiam as pontas curiosas que se aproximam para os tactear. O fruto não se recolhe. Não se retrai. O anseio de se abrir para receber a carícia quase vence a batalha. Ai a luxúria que consome o fruto vermelho. Ai a dor do prazer que se obriga a prolongar. A carne doce que tanto quer derreter-se na boca estendida. Aguarda. Numa espera agridoce. Os dedos avançam. Tacteiam a humidade sumarenta. Terminou o tempo de esperas e os lábios entreabrem-se como que chamando pela sensualidade de um beijo que não se equipara a qualquer outro. Desejo. A curiosidade é mais forte e é preciso conhecer o interior do fruto. Penetram. Sentem o envolvimento quente, fresco dos lábios que os beijam, fechando-se sobre esses dedos perscrutadores. Não há vacilações. Simplesmente avanços. Recuos. Reconhecimento da carne sumarenta e vermelha. Plena de vida. Palpitante. A boca aproxima-se para o toque de mestre no fruto que o aguarda entre suspiros e gemidos. Quer sentir-se derretido entre aqueles lábios que o vão devorar. Apertado na língua que o vai saborear. Deixar escorrer o sumo voluptuoso que sai do seu âmago, enquanto se sente invadido pelos dedos ansiosos que levam à boca o manjar desejado. Geme. Abre-se sem receios para receber todo o prazer com que sonhou. É um corpo separado de toda a eventualidade de um ser. Um fruto vermelho. Doce. Sumarento. De lábios abertos. Entregue na boca que o toma para si. Fruto possuído. Desfeito no prazer de ser degustado. Num trejeito apenas seu, de fruto, os lábios sorriem na luminosidade do néctar que ainda desliza até à boca que recebeu a dádiva.


- Ganharei esse fruto. – Já o tens.

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The Life – XII

Posted by Sutra under The Life on Friday Jun 27, 2008


1999
18 anos
Namorado: Luís – ainda.
Não posso deixar de recordar alguns episódios com o Luís que ainda hoje me fazem sorrir e sentir uma emoção suave e bonita.
Como por exemplo aquele que aconteceu cerca de uma semana depois de termos feito amor pela primeira vez – e já depois de termos repetido a dose mais umas quantas – numa noite muito quente, a fazer vibrar desejos. Eu faria os 19 anos nesse mesmo mês – Julho – quando isto aconteceu.
Passeávamos junto à praia, de mãos dadas, com silêncios intercalados por beijos, quando resolvemos sentar no muro e, sentada de lado no seu colo, iniciámos uma sucessão de carícias que mais não fez que nos incendiar os corpos que, a essa altura, estavam ainda – ou já – em lume brando. Lembro bem da sua mão a subir pelas minhas coxas, acariciando a pele, apertando a carne, fazendo com que se abrissem, involuntariamente, dando passagem aos seus dedos para que tocassem o meu sexo que os chamava. Quase consigo sentir o modo como os seus dedos acariciavam por cima do tecido, a sua língua gulosa enlaçada na minha, o seu pénis duro por baixo do meu rabo, roçando-se nele, e o desejo de fazer amor ali mesmo, apesar das pessoas que passavam esporadicamente, olhando-nos de relance.
Ficámos ali por longos – ou curtos – minutos, até que, não aguentando mais o desejo mútuo, olhámo-nos fixamente e o Luís fez-me levantar do seu colo, puxou-me por uma mão e atravessámos a estrada para junto daquela moradia mesmo ali em frente.
Aquele louco queria que saltássemos o muro para darmos a queca lá dentro. ‘Está doido’ – pensei eu. E quase que a excitação desaparecia naquele minuto. Mas, a verdade é que acabou por me excitar ainda mais a aventura. O receio do perigo corria nas veias, fazendo o desejo crescer mais ainda. E, lá demos a volta até encontrar o portão baixo que saltámos que nem dois doidos, rindo, depois de ele me garantir que não estava ninguém dentro da casa naqueles dias. Não sei se assenti por ter acreditado mesmo ou porque não quis pensar em esperar mais para satisfazer o desejo.
Estavamos já lá dentro e era o que interessava! Demos a volta à moradia e, da parte da frente, havia um jardim pequeno, apenas com relva fofa e um arbusto baixo – não sei que espécie de árvorezinha, eu lá estava preocupada com as espécies da nossa flora, a minha preocupação era outra… flora. Além disso, era noite escura e a única luz que tínhamos era do candeeiro público a uns 50 metros.
Beijámo-nos e fomos baixando os corpos até nos deitarmos na relva. Depois de alguns minutos de carícias, das suas mãos nos meus seios, bocas coladas, da minha mão a afagar o seu sexo por cima das calças, ele ficou de joelhos, olhando as minhas pernas nuas, afastadas, a saia enrolada na cintura e, desapertando as calças, colocou o pénis erecto para fora; depois tirou-me a tanga vermelha que levava vestida, atirando-a para o lado, e, puxando-me pelas nádegas, fazendo com que levantasse o rabo do chão, entrou em mim com golpes sucessivos, penetrando-me profundamente. Cruzei as pernas na sua cintura e puxei-o mais para dentro do meu corpo, querendo senti-lo em toda a sua plenitude.
Momentos depois recordo que as minhas pernas já estavam nos seus ombros enquanto ele, de joelhos, continuava a empurrar o seu corpo dentro do meu, em movimentos cada vez mais rápidos e desenfreados, levando-nos à loucura. Viémo-nos assim, entre suspiros, gemidos e palavras apaixonadas.
No final, ele guardou a minha tanga vermelha no bolso das calças e disse que ficava com ela. Fui nua debaixo da saia até à casa de férias que os meus pais tinham alugado. Se eles estivessem acordados, nem sei como me sentiria, só de imaginar como eu estava.
Foi dos orgasmos mais fortes que tivemos juntos. O receio de que alguém passasse junto ao muro e nos ouvisse, ou se fôssemos apanhados lá dentro, fez subir a adrenalina, dando-nos mais prazer.
Foi aí que comecei a adorar aquela posição de colocar as pernas nos ombros. Foi a primeira vez mas não a últimas que a fizemos. Sempre me deixou completamente louca essa posição.
Há ainda outro episódio que já contei [mas vou contar de novo] com o Luís. Digamos que foram aqueles mais marcantes, apesar de terem existido outros que contarei um dia.

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Projecto

Posted by Sutra under Diário on Thursday Jun 26, 2008

Quem me tem acompanhado neste percurso, neste tempo de existência, uns há mais tempo que outros [o tempo não tem relevância] sabe que raramente utilizei qualquer imagem ou fotografia que não fosse as minhas próprias fotografias.
Existiram algumas experiências, nomeadamente a Oferta dos riscos do TCA e a Ilustração de contos da BM do Perfect Noire que foi interrompida pela ausência da própria, com muita pena minha, pois os seus desenhos são extraordinários.
Noutros casos fui colocando uma ou duas imagens relacionadas com o conto ou texto.


O último artigo publicado foi um mero exemplo de algo que está a nascer neste momento. Uma experiência a dois. Desafios. Eu recebo uma fotografia da autoria da pessoa que vai partilhar comigo esse projecto. E escrevo o que essa fotografia me inspira. Até ao momento em que a recebo no mail, nada sei sobre ela. Nada me é dito sobre ela. Será simplesmente a minha interpretação do que vejo e interiorizo. O resultado será publicado aqui. No artigo anterior, a fotografia é da autoria de Edward Weston, no entanto, as fotografias que farão parte deste projecto serão todas do mesmo autor. Deste meu parceiro de projecto falarei a seu tempo.


Nada do que tem sido feito até aqui ficará para trás [exemplo disso é um The Life que virá mais logo]. O que já existe continuará, e outras coisas novas surgirão muito em breve.


Espero que gostem.


Para os mais incautos fica o aviso de que, além de os meus textos se encontrarem devidamente registados na IGAC (Inspecção Geral das Actividades Culturais), aliás como sempre, as suas fotografias fazem parte de um trabalho registado na SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), pelo que, qualquer cópia integral ou parcial dos mesmos é totalmente proibida e punível.

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Contorcionismo de Sentidos

Posted by Sutra under Imagem-Texto on Wednesday Jun 25, 2008



Fotografia de Edward Weston


Parada. Como que abandonada pelo mar e pelo vento.


Sou a concha que se enrola em si mesma e esconde o rosto esculpido pelas emoções de paixão. Deixo uma fresta aberta no ventre. Porque te espero. Encosta o teu ouvido na minha pele e escutarás o silêncio de todas as palavras que tenho por revelar. Nem sei porque o digo ou porque o faço. Apenas sinto este ardor incessante da espera do teu toque arrastado pelo vento.


Abandonada na maré de um sentimento perdido em ondas de espuma. Finco-me firmemente na rectidão de uma linha que só poderá ser ultrapassada pelos dedos que me descobrirem.


Não tenho panos para desfraldar. Somente sonhos por revelar. Torço o pescoço. Enrolo-o um pouco mais como se pudesse com os lábios tocar-me a nuca. Por dentro. Tento alcançar o mais distante de mim para me entender. Quando o conseguir expor-me-ei sem barreiras. Peito desnudo, ventre revelado. Nele te acolherei e encerrarei as portas para que não se esfume o momento. Tu ficarás dentro de mim. Nas ondas de prazer que me permitirei conceder-te. Na paixão com que me olharás por dentro.


Até lá apenas espero.


Parada. Como que abandonada pelo mar e pelo vento.

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13º Dia


3ª Feira.
12:46 horas.
Rebolou na cama, relembrando ainda a noite anterior. Supostamente era o dia em que não recebia ninguém, mas o telemóvel tocara e o nome que aparecia no visor fizera-a mudar de planos. O Sr. I. Uma marcação para essa noite, para ele e para o seu amigo, o Sr. W. Não pudera recusar. Principalmente ao recordar-se da noite no Clube, três dias antes, dos olhares deles e das mãos do Sr. I.
Combinara com ele para daí a três horas, cerca das 20h, o que lhe permitiria sair para algumas compras e ainda preparar o ambiente adequadamente para mais uma noite de luxúrias.
Sentia ansiedade pelo que seria aquela noite, com aqueles dois homens charmosos. Shiva não vendia o corpo. Ela trocava prazeres. Dava prazer e recebia em troca prazer e dinheiro. O corpo era a sua moeda. A dos clientes, as notas chorudas que deixavam ficar, após aqueles momentos de luxúria.
Shiva sempre retirava prazer com o que fazia, com a forma como o fazia. Os detalhes, as escolhas, a decoração, a preparação para cada noite. Tudo era previamente pensado e realizado.
A música fazia lembrar o Oriente, acordes que entoavam languidamente pelas paredes do quarto, os lençóis em cores quentes do deserto, o incenso com perfume a canela e jasmim, junto da janela encoberta por uma cortina em tons quentes. Num canto uma mesa redonda com um Don Perignon Blanc de 1998 e algumas entradas de marisco, queijo e caviar que preparara. Tudo havia sido cuidado ao mínimo pormenor. Incluindo o modo como se vestir: um diáfano caftã em tons de amarelo, laranja e vermelho, num desenho que fazia lembrar murais de arte Latino-América. O cabelo solto em ondas avermelhadas pelas costas seminuas que o tecido meio caído do ombro permitia revelar. Os olhos acentuados pelo traço negro, tornando-os maiores e penetrantes. Os lábios cheios, brilhantes, gulosamente provocadores. O perfume era suave e quente. Sedutor. Como Shiva.
O soar da campainha na hora marcada, confirmou mais uma vez a pontualidade britânica: o Sr. W tinha origens londrinas. – Sinto-me a entrar no palácio secreto de uma princesa das Arábias – cumprimentou o Sr. I.
Shiva sorriu e fez um gesto para que entrassem. – Melhor que uma princesa das Arábias. Shiva a mais bela acompanhante de Lisboa – respondeu o Sr. W. – Cortesã – corrigiu o Sr. I – pressinto que a Shiva gosta de ser tratada por cortesã, fazendo recordar tempos memoriáveis da corte, dos favores aos homens da realeza. Tenho razão Shiva? – Apenas não gosto de seguir padrões, de que me enquadrem em grupos, mesmo sabendo que isso acontecerá sempre. – Um detalhe. – Um capricho, talvez. – Às belas mulheres esses caprichos são um acessório que as adorna. Belas como tu, Shiva.
Estava habituada aos galanteios. Às palavras sedutoras. Apesar de ser contratada para um serviço, ser paga para dar prazer aos seus clientes, a verdade é que eles sempre sentiam aquela necessidade da conquista, da sedução e do galanteio. E de a presentear com perfumes, flores, alguma lingerie, os mais ousados, e até ofertas de viagens e estadias.
O Sr. I e o Sr. W traziam-lhe um ramo de rosas em tons salmão.
Os primeiros instantes foram de diálogo, conhecimento, trocas de olhares, conhecimento do terreno por parte deles, apreciação do desejo masculino, por parte dela. Da sala, passaram ao quarto e as roupas eram agora o empecilho do aguçar do desejo. Shiva aproximou-se do Sr. W e ajudou-o a despir o casaco. Depois puxou-lhe pela gravata, olhando-o nos olhos fixamente, desafiando-o a desviar o seu. Encostou o corpo no dele, envolvendo-o com o seu perfume e sentindo a proeminência do sexo encostar-se-lhe na coxa. Ele baixou o rosto para a beijar. Shiva ofereceu-lhe o pescoço. A boca do homem deslizou pelo seu colo na direcção do vale entre os seios. Os seios redondos, cheios, de mamilos rosados que apreciara no show, não lhe saíam do pensamento e ansiava senti-los na sua boca. Chupá-los, lambê-los, morder-lhe a carne que imaginava suave como seda. Enquanto se deliciava na pele perfumada, ela tinha-lhe despido a camisa e desapertado as calças. Afastou-se enquanto ele terminava de se despir. O tecido de cores quentes que cobria o corpo feminino deslizara pelo ombro e deixava a descoberto um dos seios. A tentação para os olhos masculinos. Já despido, W puxou-a pela cintura e abarcou o seio desnudo com a mão quente, forte.
Atrás de Shiva o Sr. I já retirara todas as roupas e observava os movimentos entre o seu amigo e aquela deusa do sexo. Aproximou-se e ergueu-lhe os cabelos longos para encostar a boca à nuca, depositando beijos húmidos por toda a sua extensão. Deixou escorregar uma mão e tocou-lhe nas nádegas ainda cobertas pelo caftã, acariciando-as, apertando a carne rija entre os dedos longos. Encostou o baixo ventre no corpo feminino. Ouviu um suspiro. O Sr. I não soube identificar quem o teria soltado. Se Shiva, quando sentiu o seu sexo duro e latejante contra as nádegas, se o amigo W ao sentir os dedos da mulher a rodear-lhe o pénis latejante.
Dois homens excitados, dois corpos nús. Entre eles um corpo feminino tão excitado quando o deles, mas ainda coberto por aquele pedaço de tecido que rapidamente começou a ser despido, deslizando pelos ombros até à cintura, descendo pelos quadris, até cair nos tornozelos, para revelar o corpo de formas perfeitas de Shiva. Apenas uma minúscula transparência negra lhe cobria o sexo e se escondia entre as nádegas. Seria a última barreira. Prensada entre W e I, Shiva torturava-os rebolando o corpo, enquanto a boca se dividia nos beijos, ora a um ora a outro. As mãos femininas seguravam os pénis de ambos, acariciando-os, provocando. Sentia as mãos deles por todo o seu corpo, nos seios, nas nádegas, entre as suas coxas, alcançando o sexo húmido.
Empurrando W para se distanciar, Shiva começou a beijá-lo descendo pelo peito, barriga, lambendo a pele, soltando mordidas, aqui e além, que sentia deixá-lo louco de prazer. O seu objectivo era o sexo imponente do homem. Queria senti-lo na boca, queria chupá-lo como adorava fazer. Sentir aquele latejar na sua língua, entre os lábios, saborear aquele paladar que a excitava. Atrás de si, o Sr. I puxava pelo elástico do fio dental, despindo-lho. Para depois afundar o rosto entre as nádegas femininas, aspirando o seu odor.
Os gemidos intensificavam-se, a excitação subia a cada minuto. O primeiro a sentir as delícias do orgasmo foi o Sr. W, soltando o prazer quente nos seios de Shiva.
A cama veio em seguida. Com as duas bocas masculinas no seu corpo. As mãos irrequietas por cada recanto. O corpo de um enfiado no dela em movimentos alucinantes. O pénis de outro na sua boca ansiosa pela carne rígida e quente. A troca. O orgasmo dela. A invasão do seu corpo em todos os sentidos. As nádegas afastadas para receber a possessão do Sr. I. O regalo do Sr. W enquanto observava e aguardava a sua vez. A vulva quente a receber um pénis que deslizava impetuosamente, ora quase saindo, ora enterrando-se profundamente, com Shiva semi-deitada no corpo do Sr. I, os seios agarrados pelas suas mãos morenas de dedos longos que deram lugar à boca que parecia querer engoli-los. As mãos que desceram para agarrar-lhe o rabo, os dedos que se apertaram para afastar as nádegas preparando-a para a outra invasão masculina. A pausa. O toque. A entrada. A invasão. Os movimentos que a faziam gritar de prazer. O odor a sexo impregnado em todo a ambiente. Os corpos alucinados numa cavalgada de luxúria. A loucura do sexo a três. O prazer de ter dois homens proporcionando-lhe assim prazer. Os gritos. Os orgasmos. O suor deslizante pelos três corpos.
O descanso. Os suspiros.
A satisfação completa. – Extraordinária – despediu-se o Sr. W. – Ver-nos-emos mais vezes, talvez com outras fantasias – continuou o Sr. I. – Sempre que o desejem – sorriu Shiva.


Tinha sido assim na noite passada e agora sentia-se repousada, plenamente satisfeita e tiraria o seu dia de descanso. Desligou o telemóvel.


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12º Dia


6ª Feira.
22:30 horas.
Fazia nesse dia dois meses que começara a trabalhar no clube. Nesse espaço de tempo, a trabalhar duas noites por semana, já ganhara mais do dobro do que ganharia no mesmo período de tempo na casa da Madame Ludmilla a trabalhar todos os dias. Não ganhava menos de quatro mil euros por mês, sem contar com o bónus que recebera no fim do primeiro mês. O que se justificava, pois a fluência de clientela do clube aumentara consideravelmente às sextas-feiras e sábados, os dias em que trabalhava. Os donos do clube tinham, inclusive, proposto na véspera, que trabalhasse também à quinta-feira. Já decidira que iria aceitar, passando para quase cinco mil euros/mês. Em breve teria o seu carro topo de gama, a pagar de nota batida.
Estava sentada no ‘camarim’ a maquilhar-se, em lingerie e com um robe vestido, quando bateram levemente à porta. – Entre.
O Sr. Q, o homem que não lhe saía do pensamento há cerca de um mês. Ele pouco tinha estado presente desde a noite do privado e, quando lá ia, era sempre de passagem, enfiando-se no escritório com os sócios e saindo logo de seguida. – Shiva, já temos dois privados para ti esta noite. Um deles para dois cavalheiros que estiveram cá na semana passada pela primeira vez. Outro para um grupo de despedida de solteiro. – Faço apenas esses hoje, ou pode surgir mais algum? – Se houver, será só depois, mas isso logo se vê. – Vai cá ficar hoje? – Sim, vou. Porquê? Tens sentido a minha falta? – perguntou, em tom jocoso – E já te disse uma vez para não me tratares por você. Não há necessidade desse formalismo. – Sim – respondeu. – Vou entender esse ‘sim’ como uma resposta à pergunta que te fiz.
Ela sorriu enigmaticamente. A verdade é que estava habituada a que os homens a desejassem e fizessem tudo para a ter. Notava interesse nos olhos dele, mas confundia-a o facto de ele a ignorar umas vezes e persegui-la com os olhos, quando achava que ela não estava a vê-lo.
Levantou-se e passou por ele, roçando-lhe o corpo ao dirigir-se para o local onde tinha o conjunto que iria vestir para o show. Sentiu como ele prendeu a respiração e pensou consigo: ‘estamos a ir no bom caminho’. – Bem, vou deixar-te sozinha para que termines de te vestir.
‘Ainda não’ – pensou ela. – Se não se importasse… – Shiva… – Desculpa, se não te importares, ajudavas-me a puxar o fecho nas costas – e tirou o robe que mandou para cima da cadeira, revelando o corpo que ele conhecia bem à distância, mas que nunca tocara.
Queria provocá-lo, seduzi-lo, mostrar-lhe que podia usufruir de cada pedaço de pele, de cada calor da carne, do perfume de cada recanto. – Claro que ajudo.
E esperou, apreciando o corpo feminino. Sabia que a podia ter quando quisesse. Também sabia que ela o desejava e que se intrigava por ele nunca ter tentado o mínimo gesto. Mas iria fazê-la esperar pelo momento certo. Seria mais proveitoso para ambos.
Depois de vestida, virou-se de costas para ele, olhando-o por cima do ombro. Ele fechou o fato e encaminhou-se para a porta. – Costumas pedir ajuda para o fecho ou foi das saudades? – sorriu maliciosamente, fechando a porta em seguida, sem lhe dar tempo de responder.
‘Presunçoso!’
Foi o pensamento que a ofuscou em resposta ao gesto masculino.
Saiu para o palco ainda com o calor dos dedos dele na pele das costas. Com o desejo fulminante a humedecer-lhe o vale entre as coxas. Guardou para si a vontade de o fazer implorar para a possuir. ‘Hás-de querer comer-me e eu dizer que não, sacana. Cabrão’. E dançou furiosamente. Os olhos dele pareciam lanternas ao fundo da sala, atrás de um dos balcões. ‘Vou fazer-te implorar para me foderes’. Começou a despir-se. O sorriso dele queimava-lhe as entranhas. ‘Vou fazer-te gritar de prazer, mas quando eu quiser’. Continuou a despir o corpo. A mente continuou a centrar-se no Sr. Q, no desejo que a fazia sentir.
O show público terminou. Deambulou pelas mesas, parando aqui e além para conversar até chegar a hora dos privados. Seguiu para o camarim e preparou-se para eles.
O primeiro, para os dois novos clientes, decorreu sem problemas. Homens experientes naquele tipo de ambiente, habituados ao contacto com strippers, aos shows privados, nos quais existem limites que não são ultrapassados. Como o toque. O beijo. Mas com Shiva nem sempre era assim. Desde que existisse um acordo prévio, poderia haver muito mais que isso. Poderia chegar inclusive, à própria relação sexual. Nada lhe era imposto. Era apenas a sua vontade e dos clientes. Principalmente da sua, que era quem ditava as regras. Quem tinha a última palavra.
O Sr. I era um homem que não teria mais do que 38 anos, moreno, de corpo cuidado. O Sr. W, parecia alguns mais velho, talvez 45 anos, cabelos acinzentados, e, apesar de ser alto também, já deixava notar a barriga ligeiramente proeminente. Ambos com um certo charme e olhares penetrantes. Cativou-a as mãos do Sr. I. Dedos compridos, finos, unhas bem cuidadas. Imaginou-o a masturbá-la. A penetrá-la com aqueles dedos e excitou-se.
Terminou com um beijo prolongado a cada um que os deixou com vontade de mais. A pedido deles, deu o seu contacto de telemóvel e recebeu a certeza de que contactá-la-iam em breve para uma noite no seu apartamento. Queriam dar continuidade ao que tinham iniciado ali. Shiva sorriu quando exprimiram essa vontade.
Vinte minutos depois entrou no outro privado. Não correu tão bem como o anterior, mas a sua profissão tinha dias bons e dias maus. Momentos melhores e piores. Se bem que ela sempre fazia por estes últimos serem em número reduzido. Por isso era muito criteriosa nos clientes que aceitava. Mas ainda não tinha o condão de adivinhar.
Já meio regados a álcool, tentaram cometer alguns abusos e, por mais que uma vez que os chamou a atenção. O ‘noivo’ era o mais sossegado deles todos. Eram oito ao todo, mas os três que aparentavam mais idade, um deles o irmão do jovem que casaria na semana seguinte, segundo se apercebera, incomodava-a. No fundo do seu olhar cintilava um brilho de malvadez, sempre que ela se aproximava do Sr. T [o noivo]. Por mais que uma vez que estendeu a mão para lhe tocar os seios, conseguindo numa delas, apertar-lhe e torcer-lhe o bico da mama direita, magoando-a. Foi o culminar daquilo que já a fartava. Ergueu-se e começou a recolher a roupa. – Então? – Já vais? – Mas como?...
Eram as vozes de protesto. – Calma lá, ainda não terminaste – rosnou a besta que a magoara. – Já terminei, sim.
E saiu, fechando a porta.
Avisou o segurança e refugiou-se no camarim, enquanto eles eram acompanhados à mesa com um aviso para não repetirem a façanha com mais nenhuma menina, ou seriam expulsos.
Deu por finda a noite pelas três da manhã. A caminho de casa tudo desapareceu da sua mente. Excepto o Sr. Q.


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11º Dia


3ª Feira.
18:30 horas.
Para aquela noite tinha quatro clientes e o primeiro daí a meia hora. Fora o dia destinado às compras e chegara a casa há cerca de uma hora, tomara um duche e já arrumara o quarto. Agora só desejava beber um chá e relaxar até à hora do primeiro cliente chegar.
Sabia que não ia ser fácil o início da noite. Tinha como primeiro cliente o senhor Z, alguém com um feitio difícil, sendo que, para piorar a situação, tinha uma dificuldade enorme em atingir o orgasmo. Aliás, ela apenas o tinha conseguido fazer vir ainda uma vez, e já era seu cliente há dois meses, em encontros quinzenais.
Uma das vezes em que o atendera, vinha furioso com um negócio que lhe correra muito mal e no qual perdera bastante dinheiro. O resultado fora descarregar nela mesma parte da sua frustração e fúria. Começara por exigir que ela apenas desfilasse nua à sua frente, durante uma interminável meia hora, enquanto ele se masturbava, o corpo gordo e flácido, estendido na poltrona no meio do quarto. Ao fim desse tempo, o membro mantinha-se semi-erecto, o que o irritara ainda mais. – Anda cá e chupa-me – tinha sido a ordem cuspida entre dentes.
Baixou-se à frente dele, agarrando-o o pénis entre os dedos. – Ajoelha-te, puta – há muito que não ouvia chamarem-na assim. A última vez havia sido na casa da Madame Ludmilla, meses antes de sair.
Chupara, lambera, mas o membro não atingia a sua proporção, o orgasmo não vinha. Minutos depois ele ergueu-a, empurrou-a para cima da cama e, depois de colocar o preservativo desajeitadamente ele mesmo, tentara entrar nela, o que conseguiu com alguma dificuldade, devido à falta de rigidez do membro.
Rugia que nem um urso enquanto se movimentava, mas o cansaço acabou por o vencer, fazendo-o deitar-se para o lado. – Fode-me, caralho! Que raio de puta és tu que não me fazes vir? – outra vez a mesma palavra que quase a fez soltar uma gargalhada.
Montara-o, mas nada resultava naquela noite. Já passava de uma hora com ele, mas sabia que isso não seria preocupaçao para aquele bolso recheado que não se importava de gastar fortunas para seu próprio prazer. Continuara a esforçar-se. Agora com a boca.
Até que o ouviu gemer baixinho, de forma constante. Notou que o corpo se sacudia em pequenos soluços e apercebeu-se de que ele chorava. Parou. – Deixa-me – ouviu-o sussurrar e obedeceu.
Sentou-se na cama a observá-lo enquanto ele se encolhia em posição fetal, os dedos gordos a esconderem o rosto contorcido num esgar de dor.
Deixou-o acalmar-se um pouco e depois perguntou-lhe se queria falar o que o atormentava. Foi como que o soltar de uma torrente tempestuosa. Durante pouco menos de meia hora contou-lhe um pouco do que era a sua vida e do que se havia passado naquele dia. Além do negócio que correra mal, descobrira que a filha consumia drogas. Daí aquele estado de raiva, fúria, frustração. Perguntara-se sobre o que ele sentiria mais: a situação da filha ou a perda do dinheiro no negócio.


Nessa noite, ele seria o primeiro cliente e esperava que não estivesse com o mesmo espírito, pois seria um mau começo e ainda tinha mais três clientes logo de seguida.
A campainha tocou, respirou fundo e encaminhou-se para a porta. Abriu-a e deparou-se com o Sr. Z, de sorriso meio escondido atrás de um cesto de frutas e flores.
A noite começava bem.




Vídeo de autoria de Wolfheart, um dos visitantes do meu site, músico profissional e um expert nestas coisas.

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Dia M

Posted by Sutra under Diário on Thursday Jun 19, 2008


Há orientações que nos fazem mudar. Estou num impasse. A vontade do desdobramento em todas as pétalas que me compõem. Desfolhar uma a uma. Como um malmequer. Eu. Ela. Reflexo. Pensamento. Eu Ela. Reflexo. Pensamento.
Sempre fui assim. Olho para trás e revejo o que interrompi. Um ano. Dois anos. Recheados de rios, vales e curiosas palavras que se desenrolam e transformam. O passar do tempo fez-me perder o repartir de tudo o que sou.
Regressarei. Notar-se-á o volte face?
Seguro com a pena nas palavras escritas numa época anterior e solto-as cuidadosamente no livro amarelecido pela espera.
Conto os minutos para o dia M.
Até lá permaneço. Impávida e serena. Sem mudanças. Sem retornos.
O tempo certo será aquele que ainda está por determinar.
Sei que o dia M amanhecerá radioso. Sei porque sim.

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The Life – XI

Posted by Sutra under The Life on Wednesday Jun 18, 2008


1999.
18-19 anos
Namorado: Luís. O ‘tal’. O que me arrebatou o coração, o corpo e… a virgindade.
Bastante moreno, de olhar cálido, não muito conversador, mas sabendo transmitir em cada gesto o que sentia, pensava e queria. Foi aquele que me fez desejar perder a virgindade e sentir o prazer de fazer amor pela primeira vez. Eu tinha 18 anos, quase 19, ele tinha 20. Já nos conhecíamos há muito tempo, nem sei dizer quanto, mas a verdade é que nem tudo é contabilizável. Tínhamos amigos em comum, invariavelmente saíamos juntos quando eu estava de férias, mas nunca nada faria imaginar que resultaria numa relação que durou cerca de ano e meio, com muitas idas e vindas, separações e recomeços. E numa dessas noites em que saímos, tudo começou. Não me lembro do nosso primeiro beijo, nem onde ou como. Estranho, não é? Mas recordo apenas ele, os momentos que passámos, soltos, sem qualquer ligação cronológica.
Recordo a primeira vez que fizemos amor – a minha primeira, não a dele – e foi doce, terna. Talvez porque escolhemos aquela noite de antemão, porque decidimos qual o local onde queríamos que acontecesse. Desejávamos a noite perfeita. A dor foi rapidamente esquecida pelos seus afagos, pelo carinho e paciência com que me tratou.
Depois de sairmos do bar habitual, passámos pela casa de um amigo comum, onde fomos buscar toalhas de praia. Fomos à farmácia onde comprámos preservativos numa máquina.
Depois, seguimos pelo passeio junto ao muro, a caminho da praia. Demorámos mais de uma hora a chegar ao destino, entre beijos, abraços, risos e carícias – as areias banhadas pela Lua e as águas quase a tocar nossos pés, onde mergulharíamos em seguida.
Assim que chegámos, estendemos as toalhas na areia, juntas, semi-sobrepostas, para nos proteger dos grãos incomodativos. Despimo-nos lentamente, olhando um para o outro, com timidez, receio, e paixão, muita paixão. Ele colocou a caixinha de preservativos em cima da toalha e aproximou-se de mim, tocando o meu rosto e começando por me beijar os olhos, rosto, testa, lábios, com toques suaves que nem penas. Tudo era suavidade entre nós. Fez-me deitar na toalha e deitou-se a meu lado e as carícias continuaram, tocando cada centímetro de pele, fazendo-me sua. Recordo apenas o quanto tremia de desejo e antecipação, e o quanto ele estava excitado e quente. Apaixonados.
A lua iluminava-nos e ao longe alguns carros passavam, talvez com mais alguns casais que se espalhavam pela praia em noites como aquela – fim de Primavera, início de Verão.
Ele foi delicado e penetrou-me com suavidade, tentando, esperando, forçando de novo e, a pouco e pouco foi entrando em mim, fazendo com que me habituasse à sua presença dentro do meu corpo e ao calor que dele emanava. A dor foi desaparecendo e foi dando lugar ao prazer. Até que ele não conseguiu conter-se mais e teve um orgasmo desenfreado que o fez tremer inteiro. Não parou de me acariciar com os dedos e minutos depois levou-me a mim ao cume do prazer, fazendo com que a minha primeira vez fosse mágica e bela.
Depois, tomámos banho nas águas calmas que nos aguardavam e com vontade de nos termos novamente, ele foi buscar mais um preservativo, colocou-o e fizemos amor de novo dentro de água.
Foi mágico porque o desejava. Mágico porque o adorava, porque me fazia sentir mulher e porque me excitava terrivelmente.
Tivemos mais alguns episódios dos quais já falei aqui, mas que vou recordar de novo, dentro de dias.

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Detalhes

Posted by Sutra under Diário, Fotografia on Tuesday Jun 17, 2008


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Férias…

Posted by Sutra under Diário on Tuesday Jun 17, 2008

Ainda não sei quando vou de férias…
Estou indecisa sobre o ‘quando’ e ‘onde’.
Sugestões?
E vocês?

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The Life – X

Posted by Sutra under The Life on Monday Jun 16, 2008


1998 – Verão.
18 anos.
Quem? Miguel. Um romance que durou tanto tempo como qualquer romance de Verão deve durar. Uma época. Entre o calor do sol e as águas frias do mar. Entre as manhãs quentes e as noites longas de prazer.
Conheci o Miguel num bar na Praia da Rocha. Estive por lá três semanas de férias e, numa das noites de deambulação com um grupo de amigos pelos bares, cruzei-me com o olhar daquele moreno de estatura mediana, olhos escuros e cabelo meio revolto. Não era o tipo de homem de chamar a atenção de imediato, mas tinha um sorriso meio tímido que encantava. Encantou-me a mim. Nos meus 18 anos recém-atingidos, tudo fiz para lhe chamar a atenção, desde soltar risos num tom um pouco mais elevado, levantar-me do meu lugar e ir ao balcão pedir alguma coisa quando ele estava sem atender ninguém, olhar pelo cantos dos olhos em busca do seu olhar, até que acabei por me sentar num banco alto, ao balcão, depois de lhe ter pedido uma infinidade de coisas – leia-se atenção.
Quanto mais o sentia resistir, mais vontade sentia em provocá-lo: a eterna dança da caça e do caçador. Mas a resistência não demorou muito a ser quebrada e, nessa noite, pouco mais de duas horas depois de ter saído do bar, trazia comigo o seu número de telemóvel e deixava com ele o meu. Qual de nós iria ligar primeiro?
Esperei um dia, dois, três. E ao quarto dia resolvi telefonar-lhe. Mais que isso: resolvi ir ao bar nessa noite. Só tinha de convencer alguém a ir comigo. Cheguei da praia com a ideia de lhe ligar, mas quando tirei o telemóvel do saco, deparei-me com uma sms sua a dizer: ‘nunca mais cá voltaste, estás boa? sabes quem sou?’. É claro que sabia quem era. Embora o interesse tivesse esmorecido um pouco com os novos conhecimentos daqueles últimos três dias. Mas, a ideia de o ver de novo causou aquela excitação usual da ansiedade pelo que é novo. Respondi, também por sms, que aparecia lá nessa noite.
Fui com uma das amigas, a Cláudia, e lá seguimos até ao bar, eram umas 23 horas. Ficámos ao balcão até que apareceram os nossos amigos mais tarde e fomos todos para uma mesa. Quando eram quase duas horas eles resolveram ir a outros lados e eu optei por ficar. E sentei-me de novo ao balcão. – Não vais com os teus amigos? – perguntou-me. – Não, agora estou interessada em conhecer um novo amigo.
Ele sorriu e avisou: – Só saio daqui por uma hora, mais ou menos. – Não faz mal, eu espero. De preferência de garganta molhada – e pedi mais uma Cola.
Uma hora depois saímos e fomos caminhar pelo passeio junto da praia. E foi nessa mesma noite que nos abraçámos e beijámos pela primeira vez. Mas foi o início de algo muito intenso, muito erótico, muito sexual. Muito sexo… oral. Nada de penetrações: ainda estava sinalizado com ‘sentido proibido’. E ele, nos seus vinte anos, respeitou.
A grande característica-qualidade do Miguel era a sua boca, a sua língua. Céus! Mas que maravilhas ele sabia fazer com aquela boca. Eram minetes que me deixavam completamente sem forças dos orgasmos que me fazia sentir. Um verdadeiro ‘lambedor profissional’ o que fazia com que eu ficasse húmida só de pensar nele. Agora imaginem quando estava junto dele e sentia o seu cheiro, o seu toque, a sua boca. Ele beijava-me e o meu corpo ficava tenso como as cordas de um violino, prontas para o toque mágico dos seus dedos. A sua habilidade em arrancar-me orgasmos seguidos era impressionante para os vinte anos que tinha. Anos depois e, à medida que fui tendo outra experiência em outras relações, ainda me questionava sobre a sua experiência ou o seu empenho. Ou ambos. Cheguei a conhecer homens mais velhos, mais experientes, que não tinham a mesma perfeição no uso da língua e dedos.
Eu adoro sexo oral, adoro sentir uma língua a explorar todos os recantos do meu sexo, a afastar os lábios com os dedos, para permitir a passagem da língua, o apertar do clítoris com os lábios, puxando-o levemente. A penetração profunda da língua, o movimento lento acariciando a carne macia, ou rápido e ansioso, recebendo na boca o néctar que sai de dentro de mim sem parar. Sentir como me lambem, ou a penetração de um dedo, enquanto os lábios chupam o clítoris. Os movimentos alternados entre urgente e suave. E depois… vir-me e sentir como me bebem e pedem mais. E a repetição, a insistência. Novo orgasmo.
O Miguel, jovem algarvio, de 20 anos, ficou na minha memória para sempre. E na do meu diário. Como todas as coisas boas que sempre ficam.
Quando terminei essas semanas de férias, voltei a casa – nessa época, vivia em Setúbal – e voltei ao Algarve uma semana depois para mais duas semanas de férias. O romance terminou no fim dessas semanas.
Foi um romance tão quente como aquele Verão.

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Que calor…

Posted by Sutra under Diário, Fotografia on Saturday Jun 14, 2008

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O Sexo e… a Mulher!

Posted by Sutra under Actualidades on Friday Jun 13, 2008


Faz-me sempre uma certa confusão quando se afirma que as mulheres portuguesas se identificam com esta ou aquela personagem de um qualquer filme ou novela.
Mais grave, quando vejo, leio, whatever, mulheres a afirmarem-se como seguidoras de ‘esta’ ou ‘aquela’ personagem. Como tendo uma vida ‘igual’, ‘idêntica’, que se ‘identificam’ com a forma como ‘vivem’ as personagens.
Personagens ‘não vivem’. Personagens ‘não existem’. São fruto de imaginação, muitas vezes [d]escritas por quem pouco conhecimento tem do mundo feminino.
Cada mulher é ‘ela mesma’, não o prolongamento de uma personagem, não é feita à ‘imagem de uma criação para tv ou cinema’.
Afirmar isso é dizer que não se passa de uma boneca articulada que apenas ‘imita a vida de uma das personagens da sua série favorita’.
‘O Sexo e a Cidade’ não trouxe maior liberdade sexual às mulheres. A sua necessidade de se libertarem sim!
Mas que mania de rotularem sempre as atitudes femininas por algo que lhes é exterior e não por si mesmas!
Gravíssimo quando elas próprias afirmam que se moldam ao que lhes é estranho.
Posso dizer que nunca segui a série ‘O Sexo e a Cidade’. Um episódio ou outro, aos quais nunca dei muita importância, em que os dedos de uma mão chegam para contar todos quantos vi.
Acrescento ainda [e por maior sucesso que tenha a série ou o filme] que parece existir grande futilidade em toda a história: vidas meio fúteis, com algumas nuances de um certo histerismo aqui e além, pontuadas com sexo [nem tanto como o nome do filme indica] e grandes quantidades de sapatos.
Esta sempre foi a minha opinião, não é de agora. Por isso mesmo é que nunca liguei à série.
Credo! A generalidade das mulheres não é assim!
Olhem para vocês e perguntem-se: são mesmo assim como alguma delas?
Serei só eu a pensar assim?

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The Life – IX

Posted by Sutra under The Life on Thursday Jun 12, 2008

1997
17 anos
Namorado: Rudolfo. Com os 17 anos veio o anseio pela maturidade, ou pela aparência dela. Aquele ano de quase-maioridade foi repleto de inconstância, de dedicação a estudar, e de pouca vontade para prisões. Apesar disso apareceu o Rudolfo, um namoro um pouco morno, sem grandes paixões, mais por amizade e companheirismo do que outra coisa. Do grupo mais chegado do ‘liceu’ éramos os únicos que não andávamos. E, por tanta insistência e tentativa de armar de ‘casamenteiros’ por parte dos nossos colegas, lá acabámos por começar a namorar. Nunca cheguei nem perto da vontade de fazer amor. Decididamente, se não tinha sido antes com o André, não seria com o Rudolfo. Uma relação pontuada por muitos abraços, menos beijos e algumas carícias que nunca avançaram mais do que pelos seios, por baixo da roupa, ou pelos sexos, por cima da roupa. ‘Sem sabor’, ‘insonsa’! Um ‘andar por andar’.
O facto de estar mais preocupada em estudar levou a que permanecesse com ele mais tempo do que seria de esperar para um namoro tão desprendido. Acho que ele também não estava muito interessado em alterar alguma coisa na nossa relação. Estava acomodado. Aliás, estavamos ambos.
Mas o Verão de 1998… hum…

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Deco, Ronaldo e Quaresma – 3 – ora toma!

Posted by Sutra under Diário, Fotografia on Wednesday Jun 11, 2008

Foto? Onde?
Foste tu que pediste foto, Rui?

Já tá! Oops!



E Viva Portugal! E o espírito tuga que, apesar de à beira do colapso, ainda nos vamos sentindo [aparentemente] felizes quando a Selecção ganha um jogo.
Nada como uma distracção para entorpecer dos problemas diários.

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Socorro! – Uma boleia, please?…

Posted by Sutra under Diário on Wednesday Jun 11, 2008

Interrompe-se a emissão para um comunicado urgente:

SOCORRO!!
Vou ficar sem gasosa no carro! Shock

Raio do portuguesinho alarmista que corre para as bombas a atestar o depósito!
Assim não admira que o combustível acabe, caramba!!
Até os condutores de domingo vão encher o depósito!
Livra!
Esta mentalidade alarmista é que me f…! Evil

Vou precisar de boleia! Shock

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10º Dia


Sábado.
02:30 horas.
Fazia nesse dia um mês que se iniciara no clube privado de strip, propriedade do Sr. V, do Sr. J e de um terceiro sócio que ainda nunca lhe tocara com um dedo, mas que a atraía de uma forma intensa e alucinante.
Nessa noite sentira os olhos dele cravados em cada um dos seus movimentos, enquanto serpenteava pelo palco ao ritmo dos desejos que se reflectiam nos olhares do público presente. O suor gotejava pela sua pele e sentia vontade de o olhar directamente, mas sabia que não podia. Muito menos naquela noite em que a mulher dele resolvera aparecer com um grupo de casais amigos. Quando tirara a última peça de roupa, sentira uma vontade incontrolável de a atirar para cima da mesa deles, mas contivera esse ímpeto e brindara um grupo de homens numa despedida de solteiro com a sua peça mais íntima e perfumada com o seu calor.
Quando entrou no seu espaço privado para se vestir e se preparava para fechar a porta, uma mão impediu-a de o fazer. Não se tinha apercebido de que ele tinha vindo atrás de si. O Sr. Q. – Shiva – começara. Apesar de saberem o seu nome, sempre a tratavam por aquele com que era conhecida – Temos um serviço para ti. – Um privado? – Sim, para um grupo de amigos meus casais. Na verdade, eu também vou estar presente com a minha mulher. Espero que isso não te iniba. – De forma alguma – respondeu, estremecendo por dentro, mas sem o revelar, como tão bem havia aprendido em todos esses anos de experiência. Mas, esse homem mexia demasiado com ela. Talvez por nunca ter querido tocá-la. – Então prepara-te que eu vou levá-los para o privado agora. Estás pronta daqui a 15 minutos? – Sim, lá estarei. O que é permitido? – Tudo – e sorrira, enigmático.
Apesar do acordado no início, Shiva trabalhava duas vezes por semana e não apenas uma. Nas duas primeiras semanas fizera vários shows, apenas de apresentação, para se dar a conhecer, mas depois passara a fazer unicamente dois. No entanto, shows privados, fazia quantos houvesse para fazer, até às 4:00 horas da manhã. Naquela noite, seria o primeiro, e talvez o último, devido ao avançado da hora e ao grupo especial.
Entrou no privado e viu-o sentado a um canto, ao lado da esposa, o rosto na penumbra da sala mal iluminada. As sombras desenhavam-se nos rostos extasiados de 12 pessoas, incluindo-o a ele.
Dançou, tocou nos rostos de todos, acariciou-os a eles, a elas, sentindo como os corações batiam acelerados. Despiu-se. Fê-los ajudarem-na a despir. Tocou-lhes nos volumes pronunciados e revelados pelas calças. Enfiou dedos debaixo de saias, para encontrar coxas que se abriam ao seu toque, sexos húmidos de desejo. Sentou-se em colos excitados. Roçou os seios nas bocas gulosas que os abocanharam.
Mas sempre foi evitando tocá-lo a ele. E à esposa. Até que reparou como ela a olhava, como se se perguntasse a razão de os evitar. E aproximou-se, com um sorriso. Chegou o rosto junto do daquela mulher e observou como ela entreabriu os lábios. Beijou-a e sentiu o adocicado da boca feminina. Tocou-lhe nos seios avantajados e sentiu o estremecimento debaixo da palma da mão. Ergueu-lhe a saia e ajoelhou-se à sua frente. Afastou a tanga que a Srª Q tinha vestida e afundou o rosto entre as suas coxas, concedendo-lhe um minete que a fez gemer e gritar minutos depois, num orgasmo intenso. O olhar dele de espanto era indisfarçável. Pelo menos, para ela. Não dissera que tudo seria permitido? Mas a ele não se atrevia a fazer o mesmo e continuou a ronda pelos restantes presentes.
Respirava-se excitação, sentia-se a luxúria. Provocou, seduziu, beijou, tocou, acariciou e levou ao orgasmo qualquer um dos presentes, transformando um mero show em horas de orgia, que se traduziu no envolvimento entre si das pessoas presentes. Viu-o a ele a beijar a esposa, a acariciá-la, a penetrá-la e a fazê-la gemer, atingir o cume do prazer. Desejou estar no lugar dela um dia.
Como previra, a noite terminou ali. Quando tudo acabou, tomou um duche, vestiu-se, despediu-se de todos e rumou a sua casa. No caminho desligou o telemóvel. Não era hábito marcar com clientes no seu apartamento para aquelas noites. Mas costumava deixar o telemóvel ligado, caso algum dos melhores clientes lhe ligasse. Mas não daquela vez. Além de cansada, estava demasiado confusa com o que lhe passava pelo pensamento.
O melhor seria mesmo dormir.


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Shiva.
Uma mulher bastante vistosa e com uma beleza singular, de olhos grandes e rasgados, cor esverdeada, pestanas longas e enroladas e sobrancelhas bem delineadas. Os cabelos desciam-lhe pelas costas em cascatas arruivadas com uma ondulação bastante natural da qual cuidava com esmero. Nada que uma ou duas horas de cabeleireiro por semana não cuidassem.
No seu 1, 72m de altura, balanceava o corpo de formas perfeitas quando caminhava. Parecia uma deusa – dizia-se.
Até o nome que usava era o de uma Deusa – Shiva, deusa hindu. Não interessa revelar aqui o seu verdadeiro nome, basta ser ela – uma cortesã.
[...]
Não tinha falsos moralismos ao fazer-se rodear de todo o luxo que o dinheiro pago pelos seus clientes lhe permitia usufruir.
Era o seu corpo que servia de moeda de troca para obter o que queria, oferecendo-o a quem nele se queria saciar.
Não podia dizer que tinha sido por necessidade que abraçara aquela profissão. Crescera no seio de uma família que lhe pôde proporcionar a melhor educação, tendo chegado à Universidade na qual tirara o curso de História, apenas para que os pais pudessem mostrar aos amigos o diploma da filha única. Como se isso, para ela, tivesse algum significado.
[...]
Desprezava as convenções, o materialismo da sociedade podre, hipócrita e fatalista. Gozava a vida em todo o seu esplendor e adorava o sexo. Fora esse o motivo de ter enveredado por aquele caminho: aquele que lhe proporcionava prazer e dinheiro. O prazer que sentia por poder dominar o desejo e volúpia dos homens, eram como que a ginja em cima do bolo. Adorava a sensação de poder, nem que fosse em cima de lençóis de cetim negro.


Desde o Sr. M que adorava ser dominado por uma mulher, ao Sr. S, uma individualidade política, candidato a um dos cargos políticos de maior destaque, passando ainda pelo Casal L, ou o Sr. B, o cliente que a visitava todas as semanas, perdidamente apaixonado, ou ainda as dificuldade orgásmicas do Sr. A, de 60 anos Shiva guardava uma quantidade de experiências, episódios, alucinantes e interessante. Curiosos, alguns. Admiráveis, outros.
Trabalhou na casa da Madame Ludmilla durante bastante tempo, a par da actividade no seu próprio apartamento, um local de luxo, situado nuam zona distinta de Lisboa. Até ao dia em que recebeu um convite para trabalhar em exclusivo num clube de strip, com condições que nunca imaginaria. Aliciada, aceitou. Mas sem abandonar o que mais prazer lhe dava: o sexo. No seu apartamento. Os seus clientes, os seus prazeres. A sua luxúria que enebriava corpos, desejos e vontades.


Esta tem sido a vida de Shiva. Cuja publicação é retomada apenas agora, apesar de muito ter sido escrito nos últimos meses, como já disse algumas vezes.


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2 – 0

Posted by Sutra under Diário, Fotografia on Sunday Jun 8, 2008

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