1994-95
Dos 14 aos 15 anos.
Namorado: João. Meio arruivado, com umas sardas no nariz que o incomodavam a ele mas que eu considerava darem-lhe um ar de graça rebelde, muito natural. A troca tímida de olhares era a constante nos intervalos das aulas. Não éramos da mesma turma, mas as nossas salas de aula ficavam no mesmo pavilhão, no mesmo piso. Por isso, o encontro era constante e os amigos em comum. Uma primeira festinha de aniversário foi o princípio de tudo entre nós. A proximidade, a música. Dos risos aos toques de mãos. Do abraço ao beijo. A curte. Muitos beijos, muitos abraços, encostar de corpos, roçar de peito. Entrelaçar de pernas.
Essa foi a primeira vez que curtimos, mas não a última, antes de começarmos mesmo a namorar. Aliás, na escola éramos considerados um ‘parzinho’ muito antes de ele se virar para mim e perguntar: ‘queres namorar comigo?’. Parecia daquelas coisas à ‘antiga’, eu que achava que já nem era preciso pedir, bastava demonstrar a vontade.
Nessa semana, na escola, trocámos mais uns beijos num dos intervalos. Duas semanas depois, outra festa e curtimos de novo.
Depois, uma festa de Carnaval e lá nos enrolámos de novo em abraços, beijos, toques de mãos. De cada vez, a exigência era maior na busca de sensações.
Pouco antes de começarmos a namorar, veio a experiência curiosa e excitante com mais quatro colegas: Paula, Diogo, Carlos e Glória.
Era uma tarde chuvosa. Eu, fechada no sótão, olhava pela pequena janela redonda a chuva que caía incessantemente. Não tinha havido aulas nesse dia e os meus pais tinham ido trabalhar, deixando-me só em casa, com a senhora que vinha fazer a limpeza diariamente. Na verdade, ela vinha apenas algumas horas por dia e eu ficava sozinha a seguir ao almoço e até à hora de a minha mãe chegar pelas 17 horas.
O João telefonara na hora de almoço para saber o que eu ia fazer de tarde e se queria passar pela casa dele, mas recusei. Não me apetecia sair do meu canto, principalmente com o dia assim. Disse-lhe para vir ele e que poderíamos ficar no sótão na conversa ou entretidos com algum jogo. Disse-me que esperava o Carlos, a Glória, a Paula e o Diogo, e que não sabia se eles quereriam ir.
Eram 14h30m quando tocaram à campainha, já a D. Natércia tinha ido embora, fazendo com que saísse junto da janela e descesse as escadas apressadamente. Eram eles cinco, abrigando-se debaixo de guarda-chuvas.
Fiquei super contente com a sua vinda e, rumámos directamente para o sótão, depois de ir buscar algumas camisolas e casacos para trocarem pelas molhadas.
Já com roupas secas, resolvemos jogar à verdade ou consequência, como fazíamos muitas vezes nas casas uns dos outros e até nos intervalos das aulas. Mas, naquele dia tudo parecia diferente. O ambiente, as palavras., os sorrisos, as perguntas, as insinuações e… as consequências.
O Diogo começou por mandar a Glória despir a camisola, como consequência. Seguiu-se o João a mandar-me tirar o casaco. Depois, a Paula que tirou as botas, o Carlos que despiu a camisola, o João, o Diogo. E não demorou muito para estarmos apenas com t-shirts.
O ambiente estava quente e não apenas por o aquecedor estar ligado, mas pelos nossos corpos e pela aventura que estávamos a viver. Pensando bem, hoje, não era nada de especial, mas naquela altura era algo tão diferente, tão… novidade. Provocávamo-nos continuamente e estávamos num impasse se continuávamos a despir ou não. A curiosidade atraía-nos e, sem nos questionarmos, continuámos o jogo.
Meia hora depois estávamos apenas em lingerie, nós raparigas, e eles em boxers. A excitação era notória nos bicos dos seios ainda em crescimento e naquele volume que eles tentavam disfarçar, mas ao mesmo tempo se orgulhavam. Um misto de vergonha e de vontade de mostrar a sua masculinidade. Os nossos rostos corados de excitação e vergonha. Mas com vontade em ver ainda o que dali poderia surgir. Separámo-nos dois a dois, espalhando pelo espaço, eu ao colo do João, a Glória quase deitada nas pernas do Carlos, a Paula no meio das pernas do Diogo. Houve beijos, línguas entrelaçadas, roçar de dedos em seios, coxas apertadas contra coxas. Calor, desejo. E nada mais.
Ficámos assim naquele ambiente excitante por mais alguns minutos. Eram quase 17 horas e a minha mãe estava quase a chegar e foi o que nos fez parar. Se tivéssemos continuado, não sei que mais teria acontecido.
Poucos dias depois, já bem no fim de Fevereiro, em mais uma tarde no meu sótão.Eu estava de cabeça deitada no colo dele enquanto ele me mexia nos cabelos. Uma manta cobria-me até ao pescoço e ele estava enrolado noutra, já que o tapete, apesar de grosso, não evitava que passasse o frio do chão. E as suas mãos desceram para o pescoço onde ficaram a fazer festinhas durante alguns minutos, não interrompendo a conversa. Falávamos sobre a escola, sobre as dificuldades, professores, colegas, os namoros deste e daquela. E as mãos desceram mais um pouco, já roçando a elevação dos seios. Seios… algo pequeno ainda que mal fazia volume, mas que já sabia denunciar perfeitamente quando me excitava. Como naquele momento. E ele brincava com os bicos que sentia mais rijos, já que os seus dedos haviam passado para debaixo da camisola. Suspiro aqui, suspiro ali e a conversa ficou esquecida, dando lugar ao encostar de lábios e entrelaçar de línguas. Beijos lentos, tacteadores. Beijos de eternas descobertas. Até que me virei e fiquei semi-deitada no seu colo, enquanto ele me abraçava pelas costas. Voltámos a falar quando a respiração voltou ao normal.
E ele pediu-me em namoro. Não recordo agora o diálogo, nem cheguei a anotar as palavras. Só as sensações. O gosto doce da boca dele na minha. Nesse dia permanecemos no sótão até depois da minha mãe chegar a casa. Pela primeira vez tocou-me entre as coxas, acariciando com a palma da mão, por cima da roupa. As sensações que passavam pelo meu corpo sempre que ele descia a mão e a apertava contra o meu sexo, eram indescritíveis. Também o toquei no volume acentuado do sexo. Acariciei, a palma da mão a subir e descer por aquela dureza que que latejava.
Aproveitámos para estar languidamente deitados nos braços um do outro enquanto estivemos sozinhos, para depois estudarmos quando a minha mãe chegou. Foi a forma de passarmos mais tempo juntos sem ela se aperceber do que se passava. Vim a saber algum tempo depois, que ela se apercebeu desde o início.
O tempo que usufruímos juntos foi muito bom e bonito. Mas também terminou um dia, meses depois, já eu estava com 15 anos. Em Outubro, quando ele conheceu uma outra miúda e se interessou por ela. Fiquei triste na altura, senti-me abandonada, trocada. E, como acontece nestas idades, extrapolamos tudo ao máximo, parecendo que o mundo vai acabar só porque um namorado nos troca por outra. Mas, na verdade, foi só um namoro que terminou. Um namoro de adolescente.
Atenção ao próximo
© Sutra 2008
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