The Life – IV
Posted by Sutra under The Life on Wednesday Apr 30, 2008
Anos 90 [ainda].
Foi também aos 12 anos que dei o primeiro beijo de língua. Já falei aqui de como foi essa experiência, mas revendo:
Aos 12 anos trocava aqueles beijos fugidios, de brincadeira e experiências com os coleguinhas de escola. Entre os 9 e os 12 anos, moravamos em Évora e aí, era algo mais pacato, também não tão ambientada, pois nem fiquei por lá muito tempo – apenas esses dois anos.
Foi na ida para Portalegre, nesse ano e poucos meses em que lá ficámos. Novos colegas, novas malandrices, brincadeiras e inovações sem parar. Ávida de descobertas, recordo que não hesitava quando era para experimentar algo novo, embora tenha tido sempre alguma tendência de me rodear de algumas cautelas. Questões da educação que os meus pais me deram.
Paulo era um colega com uns olhos enormes, azuis. Tinha um sorriso atrevido, apesar de alguma espécie de timidez quando falava comigo. Tenho uma fotografia dele – daquelas de grupo da escola, sabem? – e lá está ele com ar de rufia, ao lado dos seus dois companheiros habituais – o Tó e o Miguel – tenho os nomes escritos na parte de trás da fotografia, para nunca esquecer.
E, uma tarde, com sol quente e céu quase limpo – estavamos em início de Junho – andávamos a trocar bilhetinhos no intervalo – daqueles que dizem «quem gosta de quem» – e veio parar às minhas mãos um que dizia – «O Paulo gosta de ti e pediu para falar contigo».
Lembro que senti o rosto muito quente quando li aquilo. E depois fui à procura dele, seguindo as indicações do Tó. Estava sentado nos degraus da entrada para o refeitório, que naquela hora estava fechado.
E muito envergonhado, o Paulo pediu-me namoro, ao que respondi «sim», mas sem eu própria saber muito bem o que significava aquele compromisso, ou resposta ao seu pedido. Era giro dizer que tinha namorado e assim foi.
E demos um beijinho mas só na cara.
Mais tarde, na hora de ir para casa é que despedimos com um beijinho nos lábios, assim muito envergonhado – qual de nós o mais corado.
E foram muitos dias de apenas beijinhos assim. Foram tantos que duraram até ao final do ano lectivo, altura em que nos despedimos, dizendo que continuaríamos a ser namorados no ano seguinte – promessas engraçadas estas, aos 12 anos.
Um mês depois fiz os 13 e ele veio à minha festa de anos e depois lá nos encontrámos de novo no início das aulas. Ficámos na mesma turma mais uma vez e o namoro recomeçou.
Mais ávida de aventuras, desejava experimentar aqueles beijos que via na televisão e nos casais de namorados – aqueles bem demorados.
E foi fácil – o Paulo queria-o tanto como eu e lá vai disto! – experimentámos envolver as nossas línguas a primeira vez. Não sabíamos exactamente como era, embora ele já tivesse experimentado um com uma miúda mais velha, uns meses antes de começarmos o «namoro». Abrimos os lábios, encostámo-los e lá começou a exploração. Toques de língua uma na outra, tacteando, experimentando e depois o envolvimento, o sentir que aquilo era bom.
Dava um friozinho na boca do estômago, assim uma sensação que amolecia e me fazia sentir tão bem.
E assim foi o meu primeiro namorado e o primeiro beijo de língua.
Namoro em que as bocas nunca foram mais longe que o pescoço e as mãos ficaram por carícias na cintura e costas. Nada de toques nos seios que ainda mal despontavam, nem em qualquer outra zona íntima. Mas não esqueço a sensação da excitação do adolescente que me abraçava e se encostava ao meu corpo.
Não durou muito tempo – dois meses depois eu disse que tinha de ir embora por causa do trabalho do meu pai e ele arranjou outra namorada, mais velha um ano. Eu, arranjei outro namorado meses depois, em Lisboa – o Carlos, da mesma idade que eu, mas com uma experiência maior que a minha – não muito, afinal, com 13 anos não se pode ter assim muita experiência.
Corria o ano de 1993.
Em 1994, o namorado já era outro.
E estou a aproximar-me da idade em que se iniciaram outras experiências…
© Sutra 2008











