[...]achei o swing (através da reportagem) demasiado escondido, snob, as mulheres sempre bem apresentáveis, os homens também. se calhar, com vinhos caros e cocktails num bar, etc, etc.
mas, fiquei satisfeito pela referência ao “não”. saber dizer não é fundamental. quem não sabe dizer não, arrisca-se a ser escrava e não livre[...]
Jorge Vicente
Escondido? Sim. Porque as pessoas sabem que estamos inseridos numa sociedade que rejeita e critica, que vai apontar o dedo a quem não tiver qualquer pudor em dizer que é swinger.
Se é snob, não sei (ou sei?), mas olha que isso de as mulheres e homens sempre bem apresentáveis, também deve ser para ficarem bem na reportagem. Estou a brincar, mas suponho que assim acontece porque os casais se vestem para ‘seduzir’ para ‘conquistar’. E sim, eu acredito no snobismo e já tive oportunidade de o comprovar numa ou noutra pessoa.
Mas, repara, as pessoas é que são snobs já de si mesmas, independentemente de serem ou não swingers. Porque quem não o é, não é pelo facto de se swinger que se vai tornar snob. Mas acho que isso acontece em qualquer grupo que se sinta de certa forma, à margem da generalidade por alguma razão. Tornam-se num grupo fechado, nada receptivo a quem não faça parte do ‘seu mundo’, acabando por ser eles a isolarem-se dos restantes e a considerarem-se superiores. Estou a falar na generalidade, mas a verdade é que só conheço uma ou duas pessoas swingers que são assim. De resto, não tenho o qe dizer. E, como disse, não é por serem swingers que as pessoas são assim, mas porque já faz parte do seu feitio.
Quanto ao ‘não’ nem poderia conceber-se de outra forma. No entanto, parece que se a parte emocional ficou um pouco por revelar [ou muito]. Talvez propositdamente. O que sentem as pessoas com o ‘não’? Um casal está com outro e, aparentemente, existe empatia, no entanto e a dada altura, quando se atinge a fronteira entre o ir e o ficar, apenas um dos cônjuges sente atracção e vontade. O que sente o elemento do outro casal quando é, de certa forma, rejeitado? Não é o que diz para as câmaras, nem sequer o que diz para o outro casal. É aquilo que realmente sente.
Sabendo que há pessoas swingers que me estão a ler, eu dirijo-lhes a questão: o que sentiram quando foram rejeitados? Algum será capaz de me responder aqui?
[...]Tenho a sensação que o meio swinger em Portugal e muito fechado, não permitindo que as pessoas possam ir ver o ambiente sem que tenham conhecidos no meio e os que vão são quase “obrigados” a entrar. Veja-se os exemplos dos foruns, temos que nos expôr em webcams a terceiros para que possamos ler e escrever sobre o assunto. Os jornalistas nessas reportagens só falam dos casos em que as pessoas se dão bem, e os outros em que a coisa dá para o torto?[...]
Ribeiro
Eu também acho que é demasiado fechado. E vou dar-vos um exemplo: eu registei-me no site de swingers para conhecer mais sobre este meio, porque gosto de saber, de conhecer. Porque sou uma curiosa. Já me disseram que para aceder ao site eu tenho de ser ‘aprovada’ através do msn, ligando a minha webcam. Quem já está habituado a ler-me e me conhece há muito tempo, sabe o quanto sou ciosa da minha privacidade e considero impensável ter de passar por uma prova para ser admitido.
Afinal quem é que está a colocar-se como um grupo fechado e como algo que deve ser considerado secreto?
Não deveria ser algo natural?
Entendo que existam muitas personalidades no meio político, desportivo, etc, que façam parte do mundo swing e que necessitem de manter o seu anonimato, daí o facto de ser tão escondido. Mas eu também. Entendo também que existam homens a quererem apenas aceder para se deliciar e até finjam ser mulheres. E, não será assim que continuam a colocar o swing como algo que não deve ser falado normalmente? Algo que deve ficar sempre atrás de portas zelosamente guardadas?
[...]O Swing não passa duma prática (ou opção) sexual como outra qualquer, por isso não é preciso encará-lo como um bicho de sete cabeças ou algo muito à frente porque não o é.[...]
Shakermaker
Eu até concordo contigo, mas acho que é a própria comunidade swinger que se afasta, se fecha e se esconde, ela própria não considerando como uma prática sexual normal. Quando o deveria ser.
Depois temos de diferenciar entre os swingers que se dedicam à prática de modo privado, entre casais que vão conhecendo, e a existência de clubes que convidam não apenas ao swing mas também à orgia e aos menáges, entrando já depois por outras nuances bem diferentes. Incluindo a existência de acompanhantes que são pagas para estar com este ou aquele casal.
Tudo seria normal, se fosse encarado como tal. Será que o é pelos próprios?
[...]Nem sei se será bom este tipo de publicidade… mas também é verdade que a reportagem foi mais factual do que outra coisa, com comentários de psicólogos que não adiantavam muito…
Tem tanta coisa que se lhe diga, o Swing, nas suas múltiplas formas e sem ser entendido como apenas trocas mas sim satisfação de ambos[…]
Shelyak
Shelyak, depois do que já disse, não tenho muito mais a acrescentar e parece que já entendeste o meu ponto de vista.
Também não sei se a publicidade terá sido boa. Parece-me mais que não. Porque foi mostrado um lado demasiado cor-de-rosa, onde tudo parece perfeito, onde os casais se dão todos bens, onde não há ciúme, não há divórcios, separações. Apesar do secretismo foi quase como um convite para se juntarem à comunidade.
Porque sim… acima de tudo é a satisfação de ambos e não apenas a troca.
Com sinceridade… a mim não me convenceu nada. Talvez porque eu sempre procure respostas, principalmente as palavras não ditas.
[...] só abordou o swing dos clubes, fala superficialmente da importância da internet, nem sequer aborda os blogs. além disso, existem pessoas que fazem swing sem recorrer a nada disso e é impossível contabilizá-las. Também acharia importante focarem a questão da protecção contra doenças e gravidezes indesejáveis[...]
carpe vitem
Pois é e por isso eu fiz aqui referência a ele, mais acima. Poderiam ter referido esse swing, e tentar recolher testemunhos. Mas parece que a reportagem foi simplesmente virada para os clubes. Por outro lado, dá a ideia de que o swing existe há pouco tempo em Portugal, quando ele existiu desde sempre pelo mundo.
Quanto ao que falas de ‘gravidezes’ e doenças indesejáveis parece que se trata de um cuidado já implícito em qualquer prática sexual que envolve troca de parceiros, sem ser necessário fazer-lhe referência detalhada [embora relembrar nunca seja demais, também é certo].
© Sutra 2008
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