Soltas

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Tuesday Feb 13, 2007

Quero soltar o teu fulgor dentro de um baú a que chamo desejo. No teu peito sei que resido na vontade de sobrevoar o meu corpo em ânsias de azul.
Sou o teu dia e a tua noite. Sou. Apenas sou.
Um voo. Um sorriso.
E as pernas abertas do tempo, à espera que tu, momento fugaz, atravesse o portal e me sussurre que o ontem se entrelaça com o amanhã em bebedeiras de vento.
Ser, ter, querer. Eu o baú do tempo. Tu o tesouro do destino.
Sinto-te na foda literária que trocamos como se fôssemos apenas letras soltas que se desfazem sopradas nos sussurros mordidos nas peles suadas de paixão.
Queres-me como te quero.
Desejo-te desfalecido nas entranhas do beijo. Do nosso beijo.

© Sutra 2007

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Se…

Posted by Sutra under Diário, Poesia e Pensamentos on Thursday Nov 9, 2006

Se eu conseguisse alguma vez identificar o que me fazes sentir.
Se eu pudesse por um só momento saber o que estás a pensar.
Se fosse possível esquecer-me de mim e entregar-me ao que apenas vislumbro, mas que me revolve as emoções e as faz submergir em águas revoltas, espalhando-se nos braços abertos de corais tão belos quanto fatais.
Se me fosse permitido mergulhar contigo nas águas de um oceano sem fim e, de dedos entrelaçados nos teus, presos com algas, deambulasse pelo fundo do mar em busca de tesouros perdidos.
Se as palavras a mais pudessem ser apagadas da memória e não ficassem a calcar sentimentos em constante turbulência, eu sorriria mais uma vez só para ti e, contigo, partiria à descoberta do eu que perdi na última viragem do pensamento.
Se eu soubesse o que se esconde do outro lado do espelho, cravaria nele o punhal da ânsia, partindo-o e desnudando o segredo encoberto.
Se eu não me penalizasse por palavras ditas e não ditas, não segredadas, rasgadas, sentidas, choradas.
Se eu…
Se tu…
Se

© Sutra 2006

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Um toque singelo

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Monday Oct 23, 2006



Só, no meio da Natureza, não resisto a semicerrar os olhos e pensar na forma como me olhas, tocas e deslizas o teu pensamento na concavidade do meu, juntando-se num só em delícias tumultuadas do desejo.
Quase sem me dar conta, os movimentos da minha mão, transportam os dedos numa viagem pelo meu corpo que entrego no esconderijo do teu olhar.
Fazem descair um pedaço de tecido que cobre a pele nua e entreabrir as pernas para a passagem da curiosidade expressa de dedos que finjo serem teus.


Toco-me.
Sinto-me.
Desejo-me.
Desejo-te.
Sinto-te.
Toco-te.


Apenas com o meu pensamento que sei estar em comunhão com o teu, apesar de não estares aqui, mas sim do lado de lá do obstáculo que a minha paixão urge em transpor.


Suspiro.
Ouve-me.
Gemo.
Abraça-me.
Deliro.
Ama-me.


Ficarei aqui, na paz verdejante de um momento único que usufruo.
Espero-te de corpo singelo, boca expectante e braços em repouso, aguardando que te deites entre eles, para te abraçar e sentir em mim, de corpos entrelaçados, entregues à paixão.
E renasceremos assim, um no outro.

© Sutra 2006

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Espinhos

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Thursday Sep 7, 2006


Se procuras o toque da minha pele, aveludada como uma rosa, terás de suportar também os espinhos…
Atreves-te sem receios?
Posso ser tão macia como seda, mas tão selvagem quanto o pico que se te entranha na carne…
Arriscas?
Receberei nos lábios a seiva que corre depois da minha mordida… se me tocares…
Deseja-lo?
Então ousa… e eu serei tua rosa inteira…


© Sutra 2006

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Banho de rosas

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Sunday Sep 3, 2006


Adoro quando deixo a água tépida envolver o meu corpo e as pétalas de rosas perfumarem a minha pele.
Cada gotícula entranha-se nos poros que respiram prazer e depois… penso em ti. E desejo-te, desejo-me, toco-me como se fosses tu e deixo que o pensamento do teu cheiro penetre a minha essência e me eleve em ondas que me transportem até aos teus lábios, para que me beijes profundamente…
E nesta languidez, deixo-me ficar… à espera que venhas retirar-me das águas, enrolando-me no teu corpo quente, limpando-me nos teus lábios…
Depois, faremos amor…


© Sutra 2006

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Regaço

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Saturday Aug 19, 2006


No meu regaço
repousam pétalas
da nossa paixão
Vermelhas
rubras de sangue
Regaço que te deseja
Pele que te beija
E te espera


© Sutra 2006

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Praia

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Wednesday Aug 2, 2006

Gosto do mar e de sentir as ondas beijarem-me os pés.
Gosto de caminhar na areia e sentir os pequeninos grãos contornarem os dedos e alojarem-se em cada recanto, aí permanecendo escondidos e salvaguardados do sol.
Gosto ainda de brincar a fazer castelos de areia, com as formas da minha memória que se ergueram e aí ficaram.
Desenho corações na areia molhada, que revelam o sonho adolescente sempre vivo.
Sorrio para o azul esverdeado das ondas que dançam entrelaçadas com a espuma branca.
E vivo cada momento como uma infância revisitada e uma adolescência vivida em búzios com o som do mar.
Gosto da praia, de passear ou apanhar sol, de mergulhar nas águas e ficar deitada a aguardar ociosamente, que o mar venha ter comigo de mansinho.
Na verdade… eu gosto é de viver…

© Sutra 2006

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Envolvências

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Sunday Jul 2, 2006

Revelo-me em palavras como tantas outras vezes o fiz.
Umas vezes as imagens, do meu corpo, da minha pele, sem enganos, sem ilusões, deixando que julguem que sou o que não sou.
Sou eu mesma.
Como sempre o fui.
Gosto do calor que sinto nos dedos ao desenhar as letras que vos dirijo. Sinto o perfume da tinta que utilizaria se de uma carta se tratasse.
Sou a neblina que te envolve. Sim a ti.
Abraço-te na noite, sem que me vejas, mas apenas sentindo o meu corpo que se oferece aos teus olhos, entregando a pele entre os dedos com que quero que me acaricies.
Tocas-me um seio e bebes dele a suave tentação que te lanço.
Porque eu não quero que me resistas.
Quero-te entregue de olhos semicerrados e sentidos alerta, para que saibas que este meu desejo é teu.
Como são tuas as coxas que se abrem para te envolver entre elas, num abraço que ambos desejamos.
Desejo, oh como desejo, ouvir os teus gemidos no meu ouvido.
Imagino o que me dirias, mas nada se compara ao que tu mesmo me dirás, quando te aprofundares na minha carne quente.
A humidade envolvendo a tua força e poder, desfazendo pensamentos sobre um mundo que ultrapassamos num só momento.
Queres-me?
Eu quero-te.
Basta uma palavra… uma só palavra, para que te vista com a minha pele e te inunde com o meu ardor.
Estou à espera que ma digas.

© Sutra 2006

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Saudade

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Monday Jun 19, 2006

A saudade que veste o meu corpo como um vestido acetinado, retiro agora a cada minuto, desfazendo dobras onde se esconde sedução, palavras, beijos e carinho. Desenrolo-me qual borboleta que vai soltando asas de dentro de um casulo que se desfaz e permite que surja o meu corpo, sempre sedento de paixões.
Sinto uma letra que baila no meu ombro, beijando-o até ao cotovelo, desliza até aos dedos e cai na folha de papel, juntando-se a outras, desenhando palavras que ofereço para matar essa saudade que sinto.
Agora aqui, pronta para vos entregar um pouco mais de mim nos vossos olhos, deixar que me abracem em letras de erotismo, sinto que este é o meu lugar, nas horas em que me deixo diluir em corpos que me não pertencem.
Entrego-me.
Nua.
Apenas eu.
De saudade construída.

Nota:Amanhã começarei a contar sobre as minhas férias e a visitar-vos, porque estou com saudades.

© Sutra 2006

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Dia Mundial da Poesia

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Tuesday Mar 21, 2006

Mais um artigo que não é ainda a continuidade do Conto.
Mas, não poderia deixar passar em branco o Dia Mundial da Poesia sem colocar aqui um poema de alguém que muito admiro e da qual já publiquei aqui antes – Maria Teresa Horta.


Gozo VIII


Em cada canal
a sua veia


o veio que entumesce
no fundo da sua teia


Em cada vento
o seu peixe
no tempo que a água tenha


sedosa na sua sede
viciosa em sua esteira


Da seda
o tacto e o suco
dos lábios à sua beira


como se fosse um beiral
do corpo
p’ra língua inteira


ou o lugar para guardar
o punhal
que se queira


Em cada punho
o seu ócio


um cinzel
de lisura


com a doçura do pranto
da prata e bronze
a secura


O travesseiro não apoia
as pernas já afastadas
mas ajusta as ancas dadas


Escalada
que se empreende na pele das tuas nádegas


Em cada corpo há o tempo
no gozo da sua adaga


Mas só no teu há o espasmo
com que o teu pénis
me alaga


Maria Teresa Horta

Mais logo, terão o V Acto do Conto…

© Sutra 2006

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Sentada em pensamentos

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Wednesday Mar 8, 2006


Sempre gostei de me sentar de olhar perdido no horizonte, mesmo que a linha de visão pare apenas no parapeito da minha janela, ou na clarabóia do meu sótão de onde vejo o céu e as nuvens e me permito voar.
Ergo as pernas, abraço os joelhos e fico assim até sentir as pernas dormentes e a necessidade de mudar de posição.
Parece o oposto da minha hiperactividade, mas são estes momentos, embora fugazes, que me permitem ser como sou e viver da forma intensa e louca como vivo.
Nota – amanhã coloco o que prometi sobre a tarde de hoje, agora já não dá, que o cansaço é muito Smile

© Sutra 2006

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Sexta-feira, 13

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Friday Jan 13, 2006



Noite de assombrações.
Hoje é Sexta-feira, 13 e noite de lua-cheia.
E eu solto a loba que há em mim,
A bruxa que está no meu corpo e
que te leva à loucura.
Estou dentro do teu corpo
Possuindo-o
Devorando cada pedaço da tua carne
Fazendo-a meu manjar
Entre meus lábios, boca e língua
«Apetecia-me senti-lo na boca»
Dizes-me tu do meu seio,
do mamilo excitado entre os teus dedos
E agora sou eu que percorro o teu corpo
Devoro-te por dentro
Deslizo os dedos na tua pele
Descendo pelo teu peito, barriga
Enquanto os dentes te mordem o pescoço
Qual Drácula sedenta de sangue
E tu Lobisomen a quereres fazer-me tua
E o meu pensamento remexe a poção mágica
Que te darei a beber dos meus lábios
Um pouco de erotismo
Uma pitada de sensualidade
Uma chávena de paixão
Uma colher de tesão
Uma aranha para te prender na minha teia
Sento-me na minha vassoura,
Atravesso a lua cheia que ilumina a noite
E vou em busca de ti
Sedenta de penetrações
E de uma noite intensa,
Alucinante de emoções
Como ambos queremos
E merecemos
Esperar-me-ás
Enquanto a lua iluminar a noite
Nesta noite de intensidades
Desejos, paixões
Emoções que já não se reprimem mais
Aqui vou
Com o sibilar do vento

© Sutra 2006

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O Erotismo

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Friday Jan 13, 2006

É a lembrança da sua pele, trazida por uma imaginação sem limites que me faz parar o passo e estacar na imensidão desta fronteira que sou eu.
Entre a sensualidade e erotismo, pendo para um lado e outro, qual balança.
E volta a recordação do passado que não existiu. Sendo ou não um futuro que não existirá.
Mas é o espaço que separa a minha boca da sua, o que me faz estacar de novo.
O gosto poético do deslizar de lábios que se tocam e encostam uma primeira vez.
Procuram o gosto da pele macia, tentando absorver os sabores que por ela passaram.
E, numa tentativa que vai mais além, uma língua insinua-se, matreira e curiosa.
Desliza como uma pequena cobra, mordendo e deixando o veneno do desejo.
Esse veneno que ambos buscam, como antídoto para aquela fome alucinante que os faz encolher o estômago.
De prazer, não de falta de alimento. E que melhor alimento senão o do desejo que, de contido passa solto por cada poro, sem pudor.
Desejo como um pequeno serviçal, ao dispor de corpos que deliram de febre.
E a boca passa a deslizar pela pele âmbar dele/dela, dele/dela.
Esta memória do seu corpo que me inunda, mesmo sem nunca o ter visto, ou encontrado.
Mas tacteado em cada corpo que roçou o meu.
Olhos semicerrados, peito arfante, respiração que se solta em sussurros de luxúria, e palavras de paixão.
Não sou eu. É ele. Não. É ele. Não é ele. Sou eu. Eu.
Seremos nós?
Um corpo que penetra outro na ânsia de encontrar o seu eu mais profundo, a seiva que traz de novo a realidade aos olhos abertos, fixos nos rostos.
O seu rosto, difuso, passa rapidamente na frente dos meus olhos.
Estendo a mão para os seus cabelos meio ondulados e ela acaba por cair no seu peito.
Melhor. Assim, poderá deslizar como uma pena, levemente. Enquanto a boca traça o mesmo caminho, retornando aos pontos em que o aroma se mistura com o gosto agridoce do desejo.
Possuem-se, gemendo. Em uivos que duelam com os lobos perdidos na noite.
Ah, prazer que se espalha nas entranhas e se derrama em lava ardente, do dele para o dela, que o aperta, entre si e dentro do seu corpo.
Cai a noite. Escurece.

© Sutra 2006

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Chat 14

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Friday Jan 6, 2006

E hoje é apenas para vos dizer que amanhã/hoje é dia de CHAT - a partir das 23 horas – 6ª feira e com este aviso deixo-vos mais um poema erótico que eu gosto. É de Ana C. Pozza, brasileira.


Tirando a roupa


Gosto de tirar a roupa
E sentir o teu caralho duro
Enchendo de prazer a minha boca
Deixando-me louca de tesão
Enquanto vou sendo beijada com sofreguidão…


Gosto de tirar a roupa
Virar-me de costas
E oferecer-me por inteiro
Pedindo sorrateira
A tua entrada no meu traseiro.


Gosto de tirar a roupa
E me sentir lambuzada
Inteiramente desejada
Pronta para comer
E ser comida…


Gosto de tirar a roupa
Abrir as minhas pernas
E ficar te sacaneando
Oferecendo a minha vagina quente
Cheia de vontade de ficar molhada.


Gosto de tirar a roupa
E me sentir uma puta
Pronta para ser abusada
Penetrada, amada
Tonta de tesão e dor.


Gosto de tirar a roupa
E sentir as tuas mãos me envolvendo
O teu dedo no meu cuzinho
A tua língua na minha pombinha
E a minha boca no teu pau.


Gosto de tirar a roupa
E de gritar como uma maluca
Com o prazer doidivanas
Que tu provocas no meu corpo
Quando entra em mim ereto.


Gosto de tirar a roupa
E ser obscena
Ser a tua pequena
Ser a tua tarada
Sempre pronta para tirar a roupa…


Ana C. Pozza

© Sutra 2006

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Masturbação

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Tuesday Jan 3, 2006

Mais um poema de Mª Teresa Horta, uma poetisa dos nossos dias, extraordinária.


Masturbação


Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam – correm
e voltam sem cessar


e então são os meus
já os teus dedos


e são meus dedos
já a tua boca


que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo – conduzo
pensando em tua boca


Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde


E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde


E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios


que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma


Maria Teresa Horta

© Sutra 2006

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Acordar quente

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Friday Nov 18, 2005

Nasce o dia e ele abre os olhos
Ela vira-se na cama e sente-o acordado
Roça-se no seu corpo e espera paciente
Ele ergue uma mão e toca o seu rosto com a ponta dos dedos
Ela não espera
Morde-o num ombro e sussurra desejos
Ele quer senti-la diluir nas sensações
Ela quer senti-lo diluir dentro de si
Ele beija-a
Ela destapa os corpos febris do tesão
Ele ergue-lhe uma das pernas e puxa-a contra si
Ela diz-lhe ao ouvido:
- Hoje sou a tua puta!
Ele responde, tocando na sua humidade
Ela envolve-o nos dedos
Ele geme
Ela afasta-se por segundos
Move o corpo e deita-se sobre o dele
Ele sente o toque da pele das coxas dela nas faces
Ela abocanha-o e dá-lhe prazer
Ele retribui
As paredes do quarto gemem também
Urros, uivos,
gemidos indefinidos
Os odores entrechocam-se no ar
E escorrem salivas de bocas ofegantes
Abrem-se pernas
Entrelaçam-se desejos
Penetram-se corpos
Lençóis da cama que se revoltam
Movimentos que fazem parar o mundo
Deslizam fluidos por carnes febris
Escorrem como rios na gruta de volúpia
E eis que chega
O grito em uníssono antes do beijo final:
- Estou-me a vir!!

© Sutra 2005

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Gozo VI – Maria Teresa Horta

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Wednesday Sep 28, 2005

Para me despedir por esta noite, deixo-vos este poema de uma das mais exuberantes e extraordinárias escritoras e poetisas do nosso tempo, que desenha erotismo transformado em letras:


Gozo VI


São de bronze
os palácios do teu sangue


de cristal absorto
encimesmado


São de esperma
os rubis que tens no corpo
a crescerem-te no ventre
ao acaso


São de vento – são de vidro
são de vinho
os liquidos silencios dos teus olhos


as rutilas esmeraldas que
sózinhas
ferem de verde aquilo que tu escolhes


São cintilantes grutas
que germinam
na obscura teia dos teus lábios


o hálito das mãos
a língua – as veias


São de cupulas crisálidas
são de areia


São de brandas catedrais
que desnorteiam


(São de cupulas crisálidas
são de areia)


na minha vulva
o gosto dos teus espasmos


Maria Teresa Horta

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À tua espera

Posted by Sutra under Diário, Fotografia, Poesia e Pensamentos on Thursday Sep 22, 2005

Sentada neste muro, abraço a saudade e espero por ti.
Tu, alguém sem rosto, sem corpo. Que apenas baila na minha imaginação em cada toque que recebo, em cada corpo que desejo e possuo.
És aquele que me dá prazer. És cada rosto que toco, cada boca que beijo, cada pele de onde absorvo o aroma a luxúria e prazer.
És todos e não és nenhum. És apenas um homem que me preenche e me traz satisfação.
Ao corpo e à alma.
Não és ninguém definido de quem tenha saudades. És apenas um corpo.
E espero por ti sentada todos os dias. Parte deles tu vens e enches-me de beijos, toques e possessões.
Desnudas-me e entras em mim com a força de um trovão e o rugido de um leão.
Possuis-me e deixas-me deitada em lençóis de seda.
Amanhã outro rosto, outra pele. Outro gosto, outro cheiro.
Outra possessão.
E espero sempre.


© Sutra 2005

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Criem e nós decidimos

Posted by Sutra under Diário, Poesia e Pensamentos on Thursday Aug 25, 2005

Lembram-se do poema que o Passos me dedicou? Smile
Era um poema ainda sem título, e na altura eu disse-lhe que gostaria que fossem vocês a escolher o título.
Aqui fica o desafio – dêem um título ao poema do Passos e nós escolheremos o melhor Smile
Está aqui:

http://www.contossecretos.com/?p=170

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Coreografia

Posted by Sutra under Poesia e Pensamentos on Thursday Aug 11, 2005

Deixo aqui um poema…
Porque me apeteceu!
E, porque não sabendo escrever poesia, só me posso socorrer daquela que é escrita pelos outros. Smile


Coreografia


No palco da noite bailado de corpos
Cenário de sombras
esculpidas em nu
Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez
Eu sou dimensão
que dança em teu espaço
Não temos cansaço
Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta
Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca
E danço contigo
E esqueço a memória
Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor
Nós somos a mesma
Mulher-Repetida.


de Manuela Amaral

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