História de Ana – VI

Posted by Sutra under História de Ana on Friday Nov 13, 2009

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Capítulo VI

Mare, o meu professor de castelhano, homem maduro, experiente, de voz quente e sensual. Um latino cavalheiro, dos tais que oferecem flores às mulheres, daqueles que fazem agrados, dos que nos rodeiam de todas as atenções, nos miram de longe, nos olham dentro dos olhos profundamente e nos acariciam só com o deslizar desses olhares. Era assim Mare, com perfume a maresia e sorriso nos lábios. A sua voz era uma promessa, as suas palavras uma sinfonia de paixão. A amizade transformou-se em atracção, depois em paixão, em desejo. Aliado ao facto de eu já me encontrar livre, o que lhe permitiu avançar para o que ele desejara desde o momento em que nos conheceramos (palavras suas).
Também eu tentei ensinar-lhe algumas palavras em português mas não fui tão feliz como professora como ele foi comigo.

Mare ria e dizia:
- Anna, Anna, eres una mujer que necesita vivir ‘ like a bird’.

Esta sua mistura entre o espanhol e o inglês devia-se ao facto de ser a única forma de conseguirmos manter um diálogo de modo a que nos entendêssemos minimamente. O que eu não conseguia fazer-me entender em português, dizia em inglês e ele respondia-me em espanhol ou inglês, conforme eu o entendesse ou não.
Ele fingia buscar um passatempo, mas queria uma companheira. Eu fugia da prisão de um relacionamento que não me deixasse ‘voar’, naquela época, e desejava ficar a seu lado. Eram as contradições que me deixavam confusa, as minhas e as dele. Na verdade, nenhum dos dois sabia bem o que pretendia do outro, ou o que existia entre nós. A atracção forte, a paixão intensa sem dúvida que sim, a amizade também. Um beijo ou outro fugidio e nada mais. Músicas dedicadas como esta:




Curiosamente demorámos bastante tempo até colarmos os nossos corpos nus, o que veio a acontecer apenas em meados de Janeiro de 2008. Os nossos encontros eram recheados de riso, música, alegria, beijos quentes, palavras sedutoras, toques que ferviam na pele, que derretiam os sentidos e me faziam suspirar e ansiar o fim da espera que ele prolongava, propositadamente ou não. A promessa de uma noite inteira a seu lado ia sendo adiada de dia para dia, por dificuldades horárias de um ou de outro, além do constante saltitar de ambos por outras flores. Não deixava de me enervar, de certo modo, aqueles desencontros constantes.


Enquanto isso, ia mantendo o affair fortuito com OPeter, e conhecendo outras pessoas, homens na sua maior parte. Não, não me relacionei com nenhum deles, nem meros casos de uma noite só, nem sequer um beijo.
Apenas um surgiu ainda antes do fim do ano que veio mais tarde a tornar-se uma das três pessoas mais importantes que conheci naquele meio.
Falo de Edu. Este nome ainda me faz sorrir. Durante meses a chamá-lo de Edu até ao dia em que tudo mudou e me revelou o seu nome verdadeiro.


Aproveito já para falar um pouco sobre ele. O momento em que o conheci não foi o mais importante. Foi o facto de o conhecer, o que ele mudou em mim, o que me fez sentir e as loucuras que quase me fez cometer, como por exemplo colocar a possibilidade de virar costas ao meu país e partir para outro, a milhares de quilómetros daqui. Mas como surgiu ele na minha vida?
Devido ao conhecimento com Mare, passei a frequentar locais onde encontrava outras pessoas do mesmo idioma que o seu. Foi assim que passei a conhecer mais gente oriunda dos quatro cantos do mundo.
Entre essas pessoas conheci um dia Edu. Aproximou-se, apresentou-se e começámos a conversar, numa daquelas noites em que eu já estava de novo com os nervos em franja pelos aparecimentos e desaparecimentos de Mare. Atitude habitual nele, como passei mais tarde a verificar e a deixar de dar relevância. Muito mais tarde, aliás. Edu era divertido, simpático, meigo e extremamente atencioso. Apresentava-se de olhos esverdeados, olhar atrevido, sorriso malandro e cabelo sempre meio despenteado. E claro, sempre rodeado e solicitado pelas amigas que se derretiam perante aqueles olhos verdes de um homem tão guapo. Se estás a ler-me agora, lembras-te disto?


A segunda ou terceira vez que nos cruzámos, passámos a noite juntos. Na praia, à beira-mar. Poucas palavras trocadas, principalmente porque nenhum de nós estava familiarizado com o idioma do outro. Imaginem uma portuguesa e um espanhol (bem, ele não era espanhol, apenas falava espanhol, mas vou omitir a sua nacionalidade, pleo menos por agora), a tentarem fazer sexo usando as expressões típicas de cada país. Assim, foi melhor o quase silêncio, naquela aproximação da ‘primeira vez’.
Foi bonito, foi carinhoso, começou por uma bela amizade colorida. Ele tinha várias, conforme me contou dias depois, enquanto eu sorria e lhe respondia: ‘e agora uma portuguesa’. Amigos coloridos? Agradou-me a ideia.


Foi assim que o ano de 2007 chegou ao fim e deu lugar ao grande ano de 2008.
2008. O início da caminhada na direcção do que sou agora e do que tenho. Ganhei mais do que perdi nesses doze meses que foram o ano de 2008, mas ainda hoje quando fecho os olhos e penso nos momentos passados, quase posso sentir as mesmas emoções que vivi, os mesmos odores, os toques, as músicas e as imagens que desfilaram perante os meus olhos.
Venci e fui derrotada. Ganhei e perdi. Do que ganhei, voltei a perder mesmo antes do ano findar. Sem querer perder, dei cada passo na incerteza do que fazia. Julguei que lutava por manter comigo o que me era importante e apenas movi os dedos num gesto de afastamento, sem que me desse conta. Sem que o desejasse.
Há recordações que nunca se esquecerão, palavras que ficarão para sempre gravadas na memória e que fazem de mim o que sou, com todas as reacções inconstantes que já nem sei bem se são minhas ou da Anna.
Amei, vivi, chorei, ri, apaixonei-me vezes sem fim e aprendi a verdade do que é o Amor. E amar não é apenas sorrir, é sentir dor, é lutar, é querer agarrar cada minuto do tempo que se tem para viver, é colocar a felicidade do outro antes da nossa.
2008. O ano de todas as emoções, do crescimento, do conhecimento, da verdade, do salto para a realidade.

A.

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História de Ana – V

Posted by Sutra under História de Ana on Wednesday Nov 4, 2009

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Capítulo V

Ainda o ano de 2007 não tinha terminado, e, além de estar com OPeter mais uma vez, fui conhecendo melhor o Mare, de quem já falei, e ainda Edu – alguém que viria a tornar-se das pessoas mais importantes que ali conheci. Ambos tinham aquele idioma ‘muy caliente’, latino de palabras muy dulces, romantismo num âmbito todo ele direccionado para sexo.

Com OPeter era divertido, era muito erótico, era puro sexo com muito tesão. Mas, nada mais que isso. Não me dava ‘tesão intelectual’ coisa que tinha tido com Alex. Essa era uma das falhas de OPeter. Mas, eu também não era nada exigente em relação a ele nesse aspecto. Usávamo-nos um ao outro. Ou melhor, os nossos corpos, diálogos apenas o essencial. Conversas de interesse tinha-as durante horas com Mare, apesar da dificuldade do idioma. Ou tinha-as com outras pessoas com quem gostava de partilhar conhecimento, opiniões, sobre os mais variados temas, sem que soprasse no ar o clima de sexo.

Esse foi um tempo de muita loucura e muitas madrugadas arrojadas que se prolongaram até ao fim do ano e um pouco mais por Janeiro de 2008 dentro.

Comecei a ver alguns nomes que já me pareciam conhecidos, os quais, vim mais tarde a confirmar, pela relação com o local (site) onde a minha história será colocada, eram de alguma forma conhecidos: uma Moura, uma Fada, um Amante sedutor e outros mais que por lá deambulavam, mais alguns dos quais reservo o seu nome, outros que não me recordo sequer. Movidos pela curiosidade, numa procura sempre igual: prazer, sexo, aprendizagem de algo novo, preenchimento de horas vagas.

Dividia-me entre o conhecimento com outras pessoas, de outros países, em conversas mais ou menos longas, em descobertas de lugares novos, durante o dia ou à noite até certa hora. Depois, pela entrada na madrugada, OPeter e sexo.

Não quero iniciar o relato do que aconteceu em 2008, logo desde o início do ano, sem que antes, fale um pouco sobre mim e sobre uma ou outra pessoa que lá conheci. Talvez a necessidade de uma espécie de retrospectiva quanto aos factos mais importantes a reter até agora.

O que aqui relato teve o seu início em meados de Outubro de 2007, como já referi, na data em que nasci. O tempo que vivi nesse espaço, cerca de 12 meses, na verdade foram vividos como se fossem 12 anos. O tempo passava muito depressa, uma vez que a acção decorria num espaço exíguo, onde cada dia significa muito mais que simplesmente 24 horas.

Quando a minha história começa, conheço alguns rostos sem nome, sem importância nessa altura, até ao dia em que conheço Alex, o meu primeiro amor, se é que se pode atribuir esse significado tão único, à chama, paixão, amizade, que existia entre nós.

Enquanto estava com Alex conheci Mare e Edu (ainda não falei dele até agora, mas não por esquecimento). Nem um nem outro foram mais que uma amizade (o primeiro) e um conhecimento fugaz e superficial (o segundo) nessa época. Enquanto estive com Alex, nunca estive com mais ninguém. Estes viriam a ser importantes mais tarde, já depois de terminar o relacionamento com Alex. Muito importantes, principalmente o segundo.

O fim da relação com Alex foi o caso de uma noite com OPeter. Já estava anunciado há algum tempo que a relação teria o seu fim, mas esse foi o passo que o determinou.

Nessa altura a minha vontade passou a ficar dividida numa confusão de desejos e caminhos a seguir. A liberdade de poder estar com OPeter quando me apetecesse, ou outro qualquer? Mare? Ou ainda Edu, com quem tive uma experiência ainda em Dezembro? Ou, por fim, a terceira personagem que surgiu nos primeiros dias de Janeiro de 2009?

A somar ainda ao facto de me deslocar e passar a residir noutra parte do país. Note-se que eu (ou ela?) – Anna – agente imobiliária, passaria a ser dona da minha própria imobiliária em finais de 2007, inícios de 2008, com mais dois sócios, mudando-me de malas e bagagens para o Algarve. Esta a história perfeita que inventara para poder travar os desejos de quem queria ultrapassar limites. Os limites que eu havia imposto. E, apesar de o vício daquele lugar já se ter entranhado no meu corpo e na minha mente, consegui sempre manter firmemente esses limites. Mas para os manter necessitava de criar defesas e a distância era a melhor defesa. Porquê tão longe? Por ser uma oportunidade única. Porque era assim tão boa? Porque era uma sociedade. Desculpa perfeita!

Conheci por lá algumas pessoas das quais guardo memórias com carinho: duas amigas do Brasil, uma delas com quem contacto regularmente, um ou outro amigo, com quem nunca existiu outro tipo de aproximação que não o de uma amizade, um conde, por exemplo.

Os próximos capítulos irão falar de outro relacionamento, de outra personagem [caricata, digamos] e do desenrolar de emoções e relacionamentos cruzados.

A única coisa que posso ainda acrescentar é que, o fim desta história, coincidirá com quase um ano após o abandono daquele lugar, e poderá culminar com uma revelação surpreendente [para alguns].

A.

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História de Ana – Diálogos

Posted by Sutra under História de Ana on Friday Oct 30, 2009


Diálogo entre Anna e o meu eu [Ana]


- ( ocorrido em inícios de 2009, muito tempo depois de ter abandonado «o lugar» ) –



- Importas-te de parar com isso?

- Porquê? Incomodo-te?

- Já cá faltava o discurso habitual e a palavrinha do costume. Porque não sais de mim?

- Tu és a Anna.

- Não, estás enganada. Tu és a Anna, eu apenas fui a Anna durante um tempo. Mas não tinhas o direito de permanecer.

- Sim tinha todo o direito, porque em tempos gostaste de ser eu. Agora, sou eu quem te domina.

- Não quero que o faças! Não te apercebes que por me fazeres ser tu levas a que esteja a perder um dos amigos mais importantes para mim nos últimos tempos?

- Eu? Achas mesmo que fui eu? Ou foste tu com todos os teus medos?

- A Anna és tu, não eu.

- A Anna era quem tu querias que ela fosse. A personagem que criaste há pouco mais de um ano deixou de ser tua propriedade. Desprezaste-a durante muito tempo, achando que ela já não te faria falta.

- E não faz.

- Então porque a foste buscar de novo? Porque me acordaste novamente e me fizeste entrar em ti? Para agora quereres fugir?

- Não posso agir de outra forma. Tu assustas-me quando te tornas nessa figura que desconheço. Eu não te fiz assim.

- Fizeste, quando me criaste, mesmo sem te dares conta. Agora és minha. Tu és a minha marioneta.

- Não, Anna.

-Sim… Anna.

- Não quero!!

- Então, luta contra mim! Mostra o que realmente queres.

- Não posso…

- Porquê?

- A tua face estragou tudo, o teu feitio, essa personalidade estranha que me atormenta e deixa os outros sem saber quem sou ou…

- Mas eu sou como me moldaste. Na altura convinha-te, não te recordas?

- Mas não devias ter invadido a minha vida nesta altura. Vieste estragar tudo!

- Eu? Ahahahah!! Estragar o que já estava estragado? O que nunca existiu?

- Pára! Pára!

- És patética…

- Mas sou sincera!

- És mesmo? Então porque me usaste? Porque usaste a Anna? Porque te convinha seres a Anna?

- Por dentro nunca fui a Anna, sempre fui eu mesma.

- E quem sou eu afinal? O monstro que tu criaste?

- …

- Sabes o que acho mais engraçado e me faz sorrir mais no meio de tudo isto? O facto de que quem teve o [des]prazer de te conhecer, ou a Anna, a personagem que criaste, eu, poder pensar que és bipolar! Ahahah! Ou ainda: que és louca! Onde já se viu alguém conversar com a sua personagem? Ou complexa!

- Eu sei que podem pensar isso… por isso, sai de mim, por favor. O que fizeste hoje foi demasiado. Ultrapassaste todos os limites da sanidade.

- Eu não, minha querida. Foste tu. Não esqueças que tu és a Anna. Ahahah!

- Só o sou porque tu não me deixas em paz! Por favor… desaparece! Deixa-me viver.

- Hum… vou pensar! Talvez te ofereça um presente de… Carnaval?

- Por favor…

- Mas deixa-me fazer-te uma pergunta: se eu te deixar, vais assumir-te como tu mesma? Vais deixar a Anna desaparecer de vez? Não me vais chamar novamente?

- Não o quero. Não tenho gostado nada de me ver reflectida no espelho nos últimos dias. E isso é porque te vejo a ti, Anna.

- Vou pensar.

- Então, pensa, reflecte. E faz a melhor escolha, deixando-me ser feliz, sem o tormento de te ter dentro de mim. Agora acho melhor sairmos daqui, Anna, porque nós já estamos em 2009 e esta história ainda vai em Dezembro de 2007.

- Está bem, Anna.

- Não, Anna, não.

- Ok, TU.

A.


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A História de Ana – IV

Posted by Sutra under História de Ana on Monday Oct 26, 2009

Capítulo IV

Pensei em escrever esta história cerca de um ano depois dos primeiros factos, um ano após o meu nascimento como Anna. Mas fui adiando dia após dia, até que resolvi fazê-lo em definitivo agora, cerca de um ano e poucos meses depois desse mesmo início. Porque tenho necessidade de o fazer. Algo definitivo acontecerá depois de a escrever e não quero, nem vou, vacilar perante decisões que já tomei a esta altura da minha vida.

Devido a ter decorrido todo este tempo, tenho alguma dificuldade, por vezes, em descrever de modo correcto e sequencial, todos os acontecimentos. Nem sempre é fácil situar-me no tempo. Acontecia tudo tão rapidamente naquele lugar que me perco, por vezes, andando para diante e recuando, tentando interligar os factos e as datas em que ocorreram, sem contudo conseguir sempre com o êxito que gostaria. Na verdade, o facto de ter mantido um contacto regular com alguns dos personagens, ajuda a que me confunda nas datas. Além do mais, as palavras vão sendo escritas à medida que saem aos borbotões da minha memória. Não as contenho nem tampouco as analiso.

Por isso, recuando um pouco, deixem que me recorde dos acontecimentos até ao fim da relação com Alex.

A noite com OPeter foi combinada com um ou dois dias de antecedência. Disse-lho abertamente que não queria virar as costas sem estar com ele durante algumas horas e ‘saborear’ aquilo que fazia com que algumas mulheres corressem para ele e o considerassem um ‘deus’. De pés de barro, acreditem, eu disse logo no início que eram meras aparências. Abria a boca e, por mais que se espremesse não saía nada que despertasse interesse para uma boa conversa. Sexo e nada mais. Nisso ele era bom, ou razoável, no resto, bem, era melhor manter a boca fechada.
Não há dúvida que foi uma noite extraordinária, principalmente o facto de sentir a sua voz quente a roçar o meu ouvido. Sabia como conduzir ao prazer, sabia como tocar em cada nervo, como suscitar mais interesse, mais vontade. O meu corpo foi um instrumento nas suas mãos, onde se regalou a dar-me um prazer alucinante. Eu, deixei-me conduzir pelos seus dedos, pelo seu prazer e toquei cada pedaço da sua pele; a minha boca provou o seu gosto, os meus sentidos dançaram ao seu ritmo e atingi picos de prazer extraordinários. Mas o tesão que sentimos não se ficou por ali e no dia seguinte, a vontade em repetir era imensa.

Alex ficou a saber com quem tinha sido e chateámo-nos naquela noite. No entanto, para mim, já tudo tinha passado. Na altura em que ele me deixava plantada e seguia em busca dos abraços das amigas, ou da amiga em especial, não se incomodava com o facto de desaparecer e deixar-me só. Essa sua atitude foi matando silenciosamente qualquer sentimento que existia em mim. É essa a minha forma de reagir. O que me magoa, mata o sentimento e, silenciosamente, vou retraindo o que sinto, vou-me afastando mesmo que não fisicamente, mas sinto que me vou distanciando. Para não permitir a continuidade da mágoa. A Anna é assim. Eu também. É uma das muitas coisas que temos em comum.

A atitude de Alex, demonstrando a sua raiva, fez-me afastar ainda mais e aproximar de OPeter. Porque o que queria eram risos e não discussões ou amuos. Era muito mais que machismo, era raiva e ódio, porque ele não podia suportar que tivesse sido OPeter aquele com quem eu queria estar. Detestei essa atitude, principalmente porque, na aparência, davam-se bem. Homens!!
O certo é que me pediu um tempo para pensar. E, para variar, eu não dou ‘tempos’. As coisas que têm de se resolver têm de o ser de imediato, pela via do diálogo. Não de outra forma. Não com a distância, em que cada um fica a pensar e a interpretar a seu modo. A Anna nem sempre concorda comigo neste aspecto. Mas eu sou assim. Mesmo sendo eu a Anna.
Esse foi o fim do relacionamento com Alex e, quando lhe disse que não havia volta a dar e que era melhor ficarmos assim como amigos, pediu para não me precipitar e que ele apenas tinha ficado magoado, mas que lhe passaria. Para mim era já tarde demais. Além disso, estava a saborear o prazer da liberdade.

Por mais importante que Alex tenha sido para mim, o relacionamento além da amizade era impossível ser reatado. Guardo até hoje, com imenso carinho, todas as lembranças que ele me deixou, porque é uma pessoa extraordinária. Levá-las-ei comigo para onde eu for, quando for.


A.

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História de Ana – III

Posted by Sutra under História de Ana on Thursday Oct 22, 2009

Capítulo III

As escapadelas com Alex, até à praia mais isolada não eram raras. Num ápice chegávamos, dávamos uns mergulhos, nadávamos lado a lado, entre beijos, abraços e muito carinho. Depois corríamos pela areia, estendíamo-nos na nossa cama e dávamos início à viagem pelos contornos dos nossos corpos. O meu prazer na sua boca, o seu na minha pele, latejante, voluptuoso. As palavras dançantes entre bocas que se devoravam. A experiência dele – casado, professor, pai – a minha, imaginariamente, recém-saída de uma relação difícil e traumática. As suas mãos nos meus seios, a boca que me mordia, o pénis que me invadia, a forma como me agarrava e me fazia enrolar as pernas na sua cintura, a sua rigidez dentro do meu corpo, insistente, tudo me fazia delirar e querer cada vez mais do que ele me oferecia. No fim as conversas, abraçados carinhosamente.
Assim seguia Anna – eu – pelos caminhos da paixão, da insanidade pecadora; traições, fantasias, luxúria, actos cometidos ao abrigo da escuridão das madrugadas. Todos traíam alguém, nem que fosse a si mesmos. Cada vez estendendo-se por mais horas. O início do mergulho no vício, aquele que eu dizia que nunca iria atingir mas que começava a tomar conta de mim.
Os sons das vozes arfantes, os gritos de orgasmos, femininos e masculinos. Os meus e os dele. Até aí intervenientes apenas nas relações a dois, mais tarde também como voyeurs em salas aglomeradas de gente que assistia a sessões de sexo ao vivo.
Anna e Alex.
Não me leves a mal se vieres aqui e te reconheceres nestas palavras, poucos ou nenhuns saberão que és tu aqui retratado. Mas esta é a minha história e apenas eu a posso contar, porque só eu a conheço assim. Real. Verdadeira. Única.

É tão curioso ver como cerca de ano e meio de vida muda tanta coisa. Neste momento, Alex já nem faz parte da minha vida. Da Anna. Para ele sair não demorou mais do que apenas alguns meses. Talvez porque a forma como se vivem algumas relações é tão intensa que se torna fugaz. Demasiado fugaz.
Naquele tempo era a loucura que inundava o corpo e a mente. O corpo primeiro, pela luxúria, pelo percorrer dos dedos na pele, o desejo que brilhava nos olhos imaginados de cada um de nós.
Mas o relacionamento alterou-se com a sua demonstração de ciúme. A sua possessividade.
Se no início me incomodava sempre que buscava as suas amigas e me deixava plantada sozinha à sua espera, no final, era-me totalmente indiferente o que dizia ou fazia.
- Volto já, deixa-me só ir cumprimentar a fulana X, Y, Z, não saias daqui!
Era o que me dizia. E lá partia de modo rápido, enquanto eu esperava placidamente, como uma boa menina. Normalmente a amiga era sempre a mesma: a sua anterior paixão, a que o marcara como tendo sido o seu primeiro amor ali. Tal como ele era o meu.
Mas cansei-me de todas estas suas atitudes e, em pouco tempo, deixaram de me irritar, de me incomodar. O culminar desta situação foi no dia em que me comunicou que gostaria ainda de passar uma noite com a dita ‘amiga-ex-amor’. Decidi que seria essa a última vez que me atingiria. Se fiquei indiferente? Não. Apenas passei a silenciar o sentimento e a retirar o máximo proveito do que mais importava: o desejo e a paixão.
Amor? Não existia. Somente a relação de duas pessoas que se davam muito bem como amigas, entre as quais existia paixão e desejo. Anna apaixonada? Seria de rir. A Anna não foi feita para se apaixonar. Apenas para existir, viver, usufruir.
Implacavelmente, a mudança ocorreu em ambos, mas em sentidos opostos. À medida que me desligava mais do que ele fazia ou não nas suas horas vagas com as amigas, mais ele se prendia a mim, tornando-se mais possessivo, mais ciumento. As minhas palavras passaram a sair da sua boca e não da minha. Os meus gestos passaram a ser os seus.
Era o princípio do fim e nenhum de nós tinha consciência disso.

A par da instabilidade da relação com Alex, surge Mare que me arrasta pela aprendizagem do seu idioma quente. O castelhano penetrou-me a alma e fez-me querer aprender mais e mais. Gostava de saborear cada palavra que, com ele, aprendia. Recordo a primeira vez que me dirigiu a palavra. A música tocava alto e eu dançava à beira da pista, numa dança que interiorizava muito do que sentia na altura. De olhos semi-fechados, deixava-me embalar pelos sons que saíam de cada canto e movia o corpo ao seu ritmo. Não recordo o que me perguntou, apenas que trocámos algumas palavras, poucas, sem que eu saísse de onde me encontrava.
No dia seguinte encontrámo-nos de novo. E nos outros a seguir. Surgiu como uma pequena amizade que se foi estendendo ainda durante o relacionamento com Alex, transformando-se mais tarde em atracção, desejo, sexo. Mas muito mais tarde. Todo aquele ambiente era propício a isso.
Mas na altura em que estava com o Alex, sempre existiu apenas amizade entre mim e Mare. Com ele, fui aprendendo o castelhano, falado e escrito, com horas intermináveis em que a sua paciência parecia inesgotável, para me ensinar e corrigir todos os erros que cometia.

O fim do que tínhamos, Alex e eu, surgiu inesperadamente quando a imagem de OPeter como homem sexualmente atraente, regressou à vida de Anna. À minha, portanto.
E o que se passou em certo dia pôs termo à relação que tinha com Alex.
Sentia vontade de abandonar aquele espaço. Sentia uma espécie de cansaço que não sabia determinar e andava indecisa se deveria sair ou não. Por outro lado poderia manter-me apenas como mera observadora e não participante. Decidi, por fim, que seria esta a solução. E, quando o decidi, comuniquei-lhe que iria fazer a minha despedida.
Mas, tal como ele, Alex, queria fazer a minha despedida com alguém sobre o qual tinha ganho alguma curiosidade, dado que a primeira vez nem tinha apreciado bem a sensação e, apenas com o decorrer do tempo me pareceu que poderia ou não ser algo mais erótico, forte, sexual, do que o romance apaixonado que tivera com Alex. Claro que ele se insurgiu com a ideia e ficou amuado. Tipicamente masculino, machista. Limitei-me a ser sincera e a expressar o que sentia vontade, tal como ele fizera pouco mais de um mês antes dessa data. Não gostou, tal como eu não havia gostado. Com a diferença que eu nunca lhe disse para não o fazer, ao contrário do que as suas palavras continham.
– Entendes agora o que senti da outra vez, Alex?
– É a tua vingança?
– Não, não é. É uma vontade, curiosidade. Somente isso, nada de paixão, de coração a bater mais forte.
– Então não me digas com quem o queres fazer.


Não lho disse antes.
Mas ele soube-o mais tarde.
– Era a última pessoa com quem podias ter ido, foste logo com ele: o que tem a mania que é garanhão.
– Sim, fui com ele.

Era por ele que sentia curiosidade: OPeter.
Fui e gostei. Foi divertido, foi erótico. Satisfez-me o corpo, foi uma noite louca até de madrugada. Desejei-o e tive-o. Disse-me que há muito que tinha vontade de estar comigo mas que a minha relação com Alex sempre o tinha impedido de dar o primeiro passo. Provavelmente as mesmas palavras que dizia a qualquer mulher que se atravessava no seu caminho. Mas isso pouco me importava porque não nutria qualquer sentimento amoroso por ele. Era um corpo de homem que me satisfazia. Apenas isso.

O tempo do relacionamento com Alex foi o mês de Novembro e pouco se estendeu por Dezembro. Foi nesse último mês de 2007 que terminou o relacionamento com Alex, já depois de lhe comunicar que iria viver e trabalhar em Lagos. Falso. Foi uma forma de evitar o aprofundamento de um relacionamento que ele desejava e eu não. Com a situação causada pela noite com OPeter, estava ditado o fim definitivo.


A.

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História de Ana – II

Posted by Sutra under História de Ana on Monday Oct 19, 2009

Capítulo II

Conheci o OPeter naquela primeira noite. Foi o meu primeiro contacto, o meu guia. O meu professor. Com ele descobri alguns dos encantos do lugar, mas não me seduziu. No dia seguinte já nem recordava o seu nome.
Convenhamos, o seu nome não era OPeter. Nem sempre direi os nomes reais, aqueles pelos quais conheci as pessoas com quem me cruzei. Mas andarei tão próximo, como talvez a inicial do nome, quem sabe até poderei enganar propositadamente com a verdade. Não é de me reconhecerem a mim que tenho receio, nem o de se reconhecerem a si mesmos, caso algum dia se cruzem com estas linhas e as leiam na sua totalidade. É o de serem reconhecidos por outros que por aqui passem. Ver-nos reflectidos pelas palavras, pelos sentidos dos outros pode ser o céu ou o inferno. E confesso que nem sempre terei boas palavras para falar de cada um daqueles que se cruzaram no meu caminho, ao longo deste tempo em que tenho sido eu, a Anna.

O OPeter era o típico homem habituado a seduzir, criando uma imagem de cavalheiro amável, atencioso, espirituoso, alegre, simpático. Não que não o fosse. Era-o. Mas com a singularidade de pretender evidenciar ainda mais essa sua faceta.
Amavelmente dispunha-se a acompanhar cada corpo feminino virginal nas deambulações por ruas desconhecidas. Jovens que se entusiasmavam com guia tão sedutor, viril e de conversa aparentemente interessante. Mas aparência apenas. Lá está, nunca nos devemos guiar pelo que apenas o olhar fugidio capta. O que realmente interessa só com um olhar observador se atinge.
Neste caso, a sua conversa interessante era, infelizmente, de curta duração, com vocabulário limitado e nível de diálogo ainda mais reduzido. As conversas não podiam ser muito duradouras, devido ao risco de repetição de tema, das mesmas frases, das mesmas palavras. Mas pelo menos em sexo, ainda escapava. Do tipo conversador, provocador, incitante. Era o que lhe valia.
Mas, como disse, após o primeiro encontro, a primeira noite, até do seu nome esqueci. Viria a recordá-lo mais tarde. O OPeter teve um papel preponderante durante algum tempo, mas não desde logo.

Nessa primeira noite, senti mais o prazer da curiosidade satisfeita do que o do conhecimento daquele que me havia guiado.
Iniciava-se a descoberta. Iniciava-se o tempo. O meu tempo.
Estava a dar os primeiros passos da minha existência ali, num lugar.
Após a primeira experiência com o OPeter, logo surgiram as buscas por novos focos de interesse. Entradas e saídas de edifícios, jogos de palavras, nomes soltos, lugares, idades.
‘De onde és?’ ‘E tu?’ Passeios pelas ruas, encontros nas esquinas, seduções e um deambular por todos os cantos possíveis e imaginários. Estava a descobrir um novo mundo que, até então, não imaginava existir. Ria-me para mim mesma ao pensar o quanto estava em atraso relativamente a algumas tecnologias, a alguns espaços por onde se descobriam centenas de pessoas de várias nacionalidades. Não que não tivesse ouvido falar já de outro idêntico, muito mais conhecido, mas era naquele que tinha entrado e era aquele que estava a explorar.
Fui tímida a início, mantendo-me mais reservada no que tocava a fantasias, a desejos, a curiosidades. Mas fui sendo enredada na mesma teia que a todos envolvia: luxúria, volúpia, desejo e sexo. Muito sexo. Um sexo diferente, mas que importava isso ali, se todos procuravam o mesmo? A descoberta!

Conheci o Alex, na altura ainda apaixonado por uma mulher que o deixara doido, mas com a qual mantinha apenas uma amizade actual. Envolvemo-nos uma primeira vez. Gostei de estar com ele. Mais carinhoso, atencioso, conversador, preocupado pela busca do meu prazer. Na verdade, o homem que todos nós desejamos: bom de cama, bom de conversa e, para finalizar, um homem protector e que me rodeava de mil atenções.
Começámos a seguir juntos todos os caminhos, a experimentar algumas loucuras mas sempre e só a dois. Atraiu-me, envolvi-me e não me imaginava já naqueles lugares, sem a sua presença, sem o seu corpo, o beijo, o toque e o abraço quente.
Até que o ciúme começou a dominar-me a pouco e pouco, como uma erva daninha. Essa sou eu mesma. Dizia-me que não havia razões para tal, quando eu sabia que existiam verdadeiramente. A sua antiga paixão era uma presença constante nos nossos dias, nas nossas conversas, nos mesmos caminhos que trilhávamos. Incomodava-me de um modo que nem eu mesma conseguia controlar. Surgiram algumas discussões, curtas, rápidas de resolver. Nunca fui de ressentimentos. Nunca fui de amuos demorados. Os meus duram breves minutos e desaparecem com carinho e beijos.
Alex era o preenchimento dos meus dias. A minha paixão.
Até ao dia em que algo mudou.

A.


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História de Ana – I

Posted by Sutra under História de Ana on Thursday Oct 15, 2009


Nota Inicial da Autora:
Ao contar a minha história não quero ferir susceptibilidades de quem conheceu o que eu conheci, ou viveu algo idêntico ao que vivi. Tenho consciência que vou mencionar nomes que se podem cruzar com o lugar onde pedi para esta história ser contada. Poderia ter sido eu mesma a contá-la e comecei a fazê-lo noutro lugar, mas acabei por a interromper por motivos de saúde e depois, outras situações se desenrolaram que me levaram a interrompê-la. Agora sei que a tenho de terminar, porque não posso partir sem a deixar escrita e contada. Por isso pedi para que ela fosse publicada assim que os Contos Secretos reabrissem. Posso cá estar ainda quando ela começar a aparecer aos vossos olhos, não sei se ainda estarei quando ela chegar ao último capítulo.
Se daqueles que tiverem oportunidade de ler, alguém se identificar com o que falo, seja homem ou mulher, não esqueçam que alguns pormenores aqui e ali não fazem uma história completa e esta é apenas a minha, a vossa somente se cruza com ela em alguns pontos.

Sou Ana. Ou Anna.
Quem sou eu?
De onde vim?
Para onde vou?
Real ou imaginação?
Vida ou personagem?
Que história terei para contar?
Quererei contá-la?
Que segredos se escondem?

O que é a minha história? Serei capaz de voltar quase dois anos atrás e recordar como nasci e vivi durante esse período?
Por que metamorfoses passei?
Em quem me transformei ou que personagens vivi estes dezoito meses?
E as pessoas que foram passando pela minha vida e foram conhecendo a ‘Anna’, que terão elas pensado, conhecido, sentido?
Há perguntas para as quais nunca terei resposta.
Nem sei porque sinto esta necessidade de a ver reflectida no papel, divulgada, falada, contada. Uma forma de exorcizar a ‘Anna’?
Talvez o início desta história seja o fim. Não o meu fim, mas o ‘dela’, ou o meu também, já nem sei.

Capítulo I

Nasci no dia 18 de Outubro de 2007.
Com 27 anos.
Morena, meio citadina, alegre, trabalhadora por conta de outrem, a viver na zona de Cascais, lugar conhecido como Pai do Vento, calmo e modesto, sozinha num pequeno apartamento, palco de histórias escondidas, recordações imaginadas.
Nasci nesse dia, porque foi quando entrei num mundo até então desconhecido para mim. Esta era eu, com o habitual receio de me revelar na totalidade, adoptando a imagem real-ficcionada de Anna. Estava dado o primeiro passo.
A curiosidade deste mundo era enorme. Mas a necessidade de manter a identidade secreta, maior ainda. E assim fui seguindo, no meio de imagens a três dimensões, sons, música, risos, diálogos. Acima de tudo fui conhecendo cada canto, cada pessoa, ainda um pouco naif para o meio em que estava.
Logo no primeiro dia quis descobrir mais, quis ver o que havia para oferecer naquele universo até então desconhecido. Ávida de aprender mais e mais, deixei-me guiar por quem me levaria mais tarde a caminhos mais profundos do prazer.
Esse primeiro dia/noite foi estranho, mas trouxe como que uma lufada de ar fresco para as noites que se haviam tornado nos últimos meses, sempre iguais. Tal como gostei, fiquei, regressando nos dias seguintes. Todos os dias, a cada momento que me era possível.
Fui criando a minha imagem, entrando mais dentro da personagem e, ao mesmo tempo, sendo cada vez mais ‘eu mesma’.
Contraditório? De modo nenhum. Somos o que queremos ser, mas por mais que interpretemos personagens imaginadas por nós mesmos, sempre serão compostas pelo que somos, vivemos e sentimos, nunca poderemos ser tão diferentes assim da realidade.
O mundo alargou-se e os conhecimentos também. O início da loucura que me fazia mergulhar noite após noite estava à espreita. Ignorei-o, pensando que nunca seria mais forte que eu. Tão tola que eu fui.
Se me enganei? Agora rio ironicamente da minha ingenuidade.


A.

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História de Ana

Posted by Sutra under História de Ana on Thursday Oct 15, 2009


Esta história foi escrita este ano e terminada no dia 5 de Setembro último. Chegou até mim no dia 8. Quem a escreveu já aqui não está. Desapareceu nesse dia para não regressar mais. Não sou a autora da história. Sou apenas aquela que a transmite porque assumiu o compromisso de o fazer.

Porque é a forma de alguém, que não eu, exorcizar fantasmas, quebrar elos, desatar amarras, separar vidas e percorrer caminhos que se modificaram com o tempo. Porque alguém planeou morrer nesse entretanto e não há retorno na morte. Apenas uma paz, cálida e serena. Na verdade, esta é também parte da sua mensagem como um último adeus.

Como possuidora do canal que será usado para o que a autora da história tem a contar, desejo que o seu adeus não alcance um nível mais avançado e se fique apenas pelo que as palavras revelam numa interpretação textual e não extensiva.

Ao longo do relato irão assistir a palavras dela e minhas, entrelaçadas numa composição que tentei, acima de tudo compreender, para poder transmitir, baseada a certa altura, em meros rabiscos apontados em folhas que denotavam uma escrita apressada para chegar ao fim. No entanto, na sua maior parte estará como originalmente foi escrita pela autora.

O alcance é muito maior do que eu conseguiria explicar ou vocês compreenderem. Não tentem fazê-lo e limitem-se a ler e a conhecer apenas mais uma história como qualquer outra.

© Sutra 2009

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