The Life – XVIII
Posted by Sutra under The Life on Tuesday Aug 31, 20102003 – 23 anos.
Filipe [continuação].
Do restaurante seguimos para um bar na zona do Cais do Sodré, onde permanecemos até cerca da uma da manhã. Durante esse tempo aumentou o número de vezes que as suas mãos roçaram as minhas, que os seus joelhos encostaram nos meus por baixo da mesa, que os nossos olhos se cruzaram em silêncio, mas num entendimento do que ambos sentíamos e desejávamos. A atracção passou a um enorme tesão que aflorava os sentidos e me fazia sentir aquela vontade de experimentar o que a sua boca me prometia. Até que colocou a sua mão em cima da minha e entrelaçou os dedos, puxando-me e fazendo com que me debruçasse sobre a mesa na sua direcção. Inclinou-se e roçou os seus lábios nos meus, fazendo com que semicerrasse os olhos.
- Apetecia-me fazer isto há muito tempo.
– Não me vais dizer que é desde o primeiro dia que nos vimos, pois não? – tentei brincar, para disfarçar a respiração meio descontrolada, por efeito do beijo.
- Não, desde aí não, mas no dia a seguir, desde que bebemos café.
– Hum.
– Hum. Já vi que tens esse hábito quando estás na dúvida. – riu-se – mas é verdade. Foi desde o segundo dia.
Sentou-se ao meu lado e trocámos mais um beijo, um simples roçar de lábios que fazia aumentar o ritmo das batidas cardíacas.
- Por mim, íamos embora daqui para outro lugar. Se quisesses, claro…
– Quero – respondi-lhe.
Chegados ao parque de estacionamento, esperou que eu abrisse a porta do meu carro, disse-me para entrar e debruçou-se para me dar mais um beijo, os dedos deslizando pelo meu pescoço. Desta vez, o simples toque de lábios transformou-se num devorar de bocas, num entrelaçar de línguas que nos deixou a ambos sem fôlego.
- Posso levar-te a conhecer a minha casa?
– Sim, vamos – respondi, demonstrando que não importava o lugar, só queria mesmo estar com ele.
- Mas aviso já que ainda não tenho fogão.
– Eu também não estou com intenções de comer. Pelo menos, comida…
– Não? Então? – perguntou, adivinhando a resposta, mas mostrando que a queria ouvir da minha boca.
- Não… comer mesmo, só a ti. E já sinto fome…
– Não nos vou fazer esperar mais. Vamos.
Meia hora depois de percorrer algumas avenidas e ruas de Lisboa, indicou-me que estacionasse o carro e esperasse por ele. Entrou na garagem de um prédio, onde deixou o carro e regressou minutos depois para me vir buscar. Subimos no elevador alguns andares, não recordo em qual parámos, até porque só lá regressei mais uma vez na semana seguinte e também só de noite, e, quando saímos.
Depois de porta fechada recordo-me de ter pegado em mim ao colo e eu de ter abraçado a sua cintura com as pernas. Foi assim a primeira vez que fizemos sexo: de pé, encostados à parede, numa urgência louca de satisfação. Na verdade, isso parece ter-se tornado a nossa constante: sexo de pé. Foi assim a maior parte das vezes que o fizemos. Fosse no apartamento dele, fosse no meu. Ele adorava pegar em mim ao colo e fazer-me descer sobre o seu membro duro, que entrava em mim profundamente e me preenchia como eu gosto de sentir. Um dos seus grandes fetiches era que eu fosse ter com ele, sempre sem lingerie e de saia. Para que bastasse erguer-me e penetrar-me rapidamente. Depois uma sucessão de movimentos loucos e um orgasmo ainda mais louco. Podia ser numa rua estreita, num estacionamento automóvel, abrigados pelas sombras da noite. Foi um caso tão curto quanto alucinante. Durou cerca de um mês e acabou porque assim tinha de ser. Ambos sabíamos que a única coisa que nos ligava era sexo e boa conversa. Mas que era bom, sem dúvida.
Encontravamo-nos uma ou duas vezes durante a semana e passavamos os fins de semana a experimentar todas as variantes. Na cama dele ou na minha. No chão da sala dele ou no da minha. Mas principalmente de pé no meio da sala, do quarto ou da cozinha… na minha casa ou na dele.
Não sou assim tão saudosista a ponto de ficar presa aos acontecimentos do passado, mas o certo é que foi muito intenso. Bom. Muito bom.
A seguir vou recuar no tempo e falar-lhes do Ricardo.
Sutra
é para não me perder… 


