Carta Sétima
Amor meu,
A noite, minha companheira, traz-me a inquietação da tua invisível presença, que me arremessa contra os desejos de um corpo que permanece preso de um encantamento e ao sabor do vento que sopra sussurros de paixão, trazidos de ti e plantados em folhas brancas.
O sonho embala o meu sono, mas a tua sombra mágica deambula sobre o meu espírito, acordando os meus sentidos e trazendo à tona os meus sentires que deixo fluir de encontro aos teus, continuando o percurso de luxúria que iniciámos juntos…
Depois, Filipe…
Quero sentir-te dentro de mim mais uma vez…E digo-te ao ouvido como quero que me possuas desta vez. E tu, ajoelhas-te diante de mim, afastas as minhas pernas com mãos carinhosas e debruças-te mais uma vez para me saboreares, dançando com a língua em redor do botão centro do prazer, chupando-o devagar, sentindo como ele está inchado e sensível depois dos orgasmos sentidos, tocas-me com os teus dedos, enterrando um deles na carne macia, e depois outro. E, dentro de mim, tacteias e massajas, deixando-me louca de novo. Tiras os dedos, agarras no teu membro e roças a cabeça na minha humidade, esfregas nos lábios, enterras um pouco e tornas a tirar e a passar em redor, numa tortura que nos deixa loucos aos dois. Peço-te que me penetres. Que me fodas, que te enterres todo em mim, porque te quero sentir a encher a minha carne. Estou louca e ávida de sentir o que os teus gemidos prometem nos meus ouvidos e que o teu corpo cumpre – sei-o!
E tu não esperas mais e enfias o teu membro duro na minha humidade, avançando sem pudor. Sinto-o alojado no meu interior, pulsando ansioso como um animalzinho a querer libertação.
Ajoelhado, agarras os meus quadris, teus dedos morenos enterrados nas minhas nádegas, e puxas-me de encontro a ti, fazendo com que erga minhas pernas até aos teus ombros, para te sentir mais profundamente. É assim que quero que me fodas, entrando o mais profundamente que os corpos permitem, enterrando a tua carne fremente no meu corpo, completamente, até à base e depois iniciando movimentos rotativos com o corpo, investindo uma e outra vez, sem parar.
Nessa posição, podemos olhar-nos e ver o gozo um do outro explícito nos nossos rostos. Peço-te que não pares e sabendo tu que te permito tudo, avanças com um dos teus dedos para o meu cuzinho, massajando-o e iniciando uma penetração suave, o que me faz impulsionar os quadris para cima, de encontro ao teu membro devastador que me arrasa totalmente. Assim, pressionada pelo teu sexo por um lado e pelo teu dedo por outro, sinto que estou quase a vir-me. Quero esperar, quero sentir-te ao mesmo tempo e peço-te para te vires comigo.
Apressas os teus movimentos, agora de forma desenfreada, entre gemidos, gritos e pedidos de «fode-me» e «dá-me tudo» e «toma», sinto o meu orgasmo invadir-me, a respiração ficar entrecortada, o coração a pulsar no pescoço como se fosse sair pela boca, uma pressão enorme nas têmporas e, finalmente… o teu leite a escorrer dentro de mim, uma e outra vez, enquanto o grito preso na garganta se solta num rugido de prazer, que entoa nas quatro paredes deste quarto, palco da luxúria dos nossos pensamentos. Investes novamente e entre gritos de «toma», «toma, amor», vais deixando sair o teu néctar que me invade, enquanto o torpor começa a invadir os meus músculos…
Baixas as minhas pernas e deitas-te sobre o meu corpo, sem saíres de dentro de mim.
Abraço-te…
E depois…
Ah, Filipe, depois…
Adormeço de dedos húmidos impregnados de mim, depois de imaginar o teu toque no meu corpo, a tua pele na minha, a tua boca na minha carne, os corpos unidos num só corpo, dançando ao som dos nossos gemidos de paixão.
Tua
Sara
© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores
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