Cartas de Paixão – Epílogo

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Thursday Jul 20, 2006

Cap. anterior


(...)
A areia daquela praia guarda a marca das nossas pegadas lentas. Lentas porque não nos queremos separar. Lentas porque tememos o caminho que desconhecemos. Mas, no fundo, ambos sabemos que a história que estas cartas contam poderemos nós, os co-autores, reescrevê-la um dia… olhos nos olhos, mão na mão…

E depois…
Ah, Sara, depois… apenas nos resta guardar esta paixão e aguardar o desconhecido…

Epílogo


Na linha divisória do tudo e do nada


Filipe e Sara…


Dois seres presos num papel de carta cujos destinos são desenhados por mãos de fadas e anjos. Não haverá história contada, mas apenas vivida.
O encontro entre os dois parece eminente mas, ao mesmo tempo, inalcançável. O destino não está entre os seus dedos, para ser moldado como gostariam. Mas duas vidas que se cruzam assim, por linhas de novas tecnologias, soltando sonhos e desejos, não poderão ficar em suspenso na linha ténue do sonho.
Transformar-se-ão as cartas alguma vez em realidade?
Quem o poderá dizer?
Filipe e Sara não saberão responder, pois não são os autores dessa carta. Não são mais do que duas peças nesse tabuleiro de xadrez, que é a vida.
Sabiamente deixarão suas promessas e desejos entregues ao futuro, para que ele decida a próxima jogada.
Connosco, fica o sonho de ambos.
Com eles, ficam as emoções vividas.

FIM


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – XX

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Friday Jun 30, 2006

Carta Vigésima


Sara, Sara, Sara…


Sinto ainda o sabor salgado da tua lágrima, misturado com o doce dos teus lábios… mas é o sorriso que se desenha nesses lábios que amo, que retenho na memória.
O que nos reservará o destino?
Poderemos nós seduzir a razão?
Saberemos saborear isto que sentimos, não secando a paixão que brotou em nós?
A areia daquela praia guarda a marca das nossas pegadas lentas. Lentas porque não nos queremos separar. Lentas porque tememos o caminho que desconhecemos. Mas, no fundo, ambos sabemos que a história que estas cartas contam poderemos nós, os co-autores, reescrevê-la um dia… olhos nos olhos, mão na mão…


E depois…
Ah, Sara, depois… apenas nos resta guardar esta paixão e aguardar o desconhecido…



Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

Nota: A última carta, mas…

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Cartas de Paixão – XIX

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Friday Jun 9, 2006

Carta Décima Nona


Filipe, minha paixão,


Ecoam em mim tuas palavras doces, sofridas, que voam de encontro às minhas para se abraçarem num só sentimento, numa só emoção.


E depois, Filipe…


Enquanto os teus olhos me penetram a alma, em sintonia com a invasão do meu corpo pelo teu, sinto o coração apertar com o sentimento que leio nos teus olhos.
O ritmo de nossos corpos aumenta e, entre gemidos, sussurro o quanto te adoro e como o teu corpo dentro do meu é tudo quanto sempre desejei.
A emoção que continha, não a consigo segurar mais e solto-a num grito em coro com o teu, tendo como pano de fundo, o som das ondas que batem de encontro às rochas mais além a perder de vista. Sinto a tua paixão derramar-se em mim e o teu sopro no meu ouvido: Sara… Sara…
Dos meus lábios, saem as palavras que não me cabem dentro do peito.
Os meus olhos enchem-se de lágrimas que seguro com força, mas uma delas mais teimosa, desliza pela minha face. Vens bebê-la nos meus lábios, em silêncio.
Sabes o que sinto. Sei o que pensas.
Temo as relações complicadas.
Erguemo-nos, unidos num abraço e de sorriso desenhado nos lábios e lágrima presa no olhar, abandonamos a praia, deixando sinais num lento caminhar que procura um adiamento desconhecido…


E depois…
Ah, Filipe, depois…


Da amizade à paixão. Da paixão… a algo que desconhecemos. Aguardemos pelo futuro, por um destino incontornável, porque apenas ele poderá mostrar se as nossas palavras se transformarão em actos, amordaçando a razão que, por ora, fala mais alto.


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

Nota: Esta é que é a penúltima. LOL

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Cartas de Paixão – XVIII

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Wednesday Jun 7, 2006

Carta Décima Oitava


Querida Sara,


Estranhas palavras estas, que nos queimam por dentro e nos projectam para horizontes de paixão e loucura, ao mesmo tempo que nos fazem perceber que este não é o nosso momento.
Doces palavras que nos unem num abraço apertado e infindável… cruéis escritos que alimentam em nós o desejo que não podemos, por agora, satisfazer. Mas, algures entre a doçura e a crueldade, fica este lugar de sonho onde encontro sempre o teu sorriso, onde os teus olhos me acolhem, onde o teu corpo me ama…


E depois, Sara…


Depois a paixão toma de novo conta de nós. Desta vez de forma serena, deitados na areia que nos aconchega docemente. O meu corpo penetra o teu em movimentos lentos e carinhosos, como que apostado em eternizar um momento que ambos sabemos ser fugaz e dificilmente repetível.
Ainda não conseguimos despir-nos das nossas vidas e dar largas a esta paixão tão avassaladora que nos abala o espírito e nos faz tremer os corpos. O som ritmado das ondas marca a cadência das minhas investidas no teu sexo quente e húmido que aperta o meu. Não desvio os meus olhos dos teus. Preciso de decorar esse teu olhar para te guardar na minha retina e te recordar todos os dias… até que algum dia as palavras cedam e a razão se distraia.


E depois…
Ah, Sara, depois…


Fico à espera das tuas palavras, gozando este calor que sinto no peito e que provam à saciedade quão especial é esta nossa relação. Da amizade à paixão.


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

Nota: As Cartas estão quase no final. É a antepenúltima.

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Cartas de Paixão – XVII

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Tuesday Jun 6, 2006

Carta Décima Sétima


Querido Filipe,


A paixão com que me amas, deixa-me mergulhada num misto de prazer, doçura e temor. Sinto cada palavra apaixonada como fogo no corpo, desejando momentos de concretização dessa paixão que sentimos e, em simultâneo temendo que ela nos absorva e domine além do que é racional…
Mas anseio o toque dos teus lábios na minha pele, a possessão do meu corpo pelo teu… mesmo quando as nossas vidas se encontram em caminhos opostos…


E depois, Filipe…


Seguimos viagem, passeando à beira-mar, observando o oceano que, em tons de azul, nos chama e provoca em ondas que sussurravam laivos de paixão.
Paramos e descemos pelo areal, de mãos entrelaçadas, até nos aproximarmos das ondas que nos beijam os pés desnudos. Sorrimos um para o outro, sentindo o prazer da companhia mútua. Eu, tu e o mar, naquela praia isolada. Puxas-me para ti num abraço caloroso e deito a cabeça no teu ombro, sentindo-me amada e profundamente desejada. A paixão que partilhamos é única, transcendental, ilusória…Rodeio o teu pescoço com os meus braços, encostando-me ao teu corpo que sinto em cada curva do meu.
Mantemo-nos em silêncio, fazendo das respirações que vão acelerando ao ritmo dos corações, a nossa única linguagem. O desejo mora dentro de cada um de nós e acende-se o rastilho da luxúria que sempre nos invade quando estamos assim, nos braços um do outro. – Desejo-te, paixão, desejo-te – são palavras que se repetem nos nossos ouvidos.
A minha vontade é amar-te sem fim, despindo-nos de nossas vidas, como roupas espalhadas pela areia ainda morna do sol que já partiu e, deixar que o teu corpo me penetre, como as ondas se enrolam nos grãos de areia.


E depois…
Ah, Filipe, depois…



Cada momento, cada palavra, que nos mantém à distância um do outro, une-nos e separa-nos. Da amizade à paixão foi um passo, do desejo à satisfação, pode ser outro.
Felicidade? Loucura? Medo? Início ou fim?
Um tremor percorre o meu corpo…


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

Nota: As Cartas estão quase no final, por isso hoje deixo-vos mais uma, antes de regressar ao meu Diário.

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Cartas de Paixão – XVI

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Monday May 29, 2006

Carta Décima Sexta


Amor, paixão, deusa dos meus sonhos…


Estes dias de ausência impediram-me de te responder mais cedo por escrito.
Mas sei que sentiste, nestes dias, como estás gravada a fogo no meu íntimo e o quanto te desejo…
Cada palavra que aqui te escrevo é um daqueles beijos com que cobri cada centímetro do teu corpo, como me pedias na última carta.
E as palavras todas vão de novo transportar-te pelo sonho do nosso sentir…


E depois, Sara…


Enquanto o teu pé acaricia o meu membro por debaixo da mesa do restaurante, fazendo-o agora desajeitadamente pela excitação que toma conta de ti, levo a minha mão ao teu rosto e acaricio com o polegar os teus lábios entreabertos.
A tua boca fascina-me e reduz à mais completa insignificância cada uma das iguarias que celebrizaram aquele restaurante. Não há prato, por mais sofisticado que seja, que se compare ao sabor sobrenatural desses lábios doces, dessa língua sempre irrequieta e exploradora.
A tua expressão de tesão, o teu olhar lânguido, a voz rouca com que dizes coisas imperceptíveis, fazem-me abstrair do local onde nos encontramos. Felizmente, tenho o discernimento de o recolher antes de me levantar para me chegar perto de ti e te beijar apaixonadamente, deixando os empregados com um sorriso de satisfação pelos efeitos que o repasto afrodisíaco estava a produzir… enfim, boa publicidade sempre dá jeito…
Abstraídos do que nos rodeia, permitimos que as nossas línguas se enrolem uma na outra em carícias inadiáveis que saciam momentaneamente o nosso desejo.
Quando me sento de novo, olhas-me de forma sedutora e dizes-me que queres mais. Levantas-te sem desviar os teus olhos dos meus e diriges-te para as casas de banho. Apesar de não ser normal, resolvo abandonar a mesa e seguir-te pouco depois. Louco pela excitação do jantar e com a cena do bar ainda no pensamento, vagueio no hall das casas de banho quando sou puxado por ti para dentro do wc feminino. “Quero-te”, dizes-me à medida que afastas apressada a tanguinha preta desnudando parcialmente o teu sexo que brilha e escorre de excitação.
Fecho a porta por dentro para não sermos surpreendidos, sento-te no lavatório e penetro-te de imediato, numa rapidinha que o não foi porque os preliminares haviam começado assim que saímos de casa… aquela caminhada provocadora na rua, o desvio para o bar cheio de homens cujos olhos
faiscaram quando te viram, os dois que te desejaram em simultâneo, deixando-te excitada como não imaginaras que te acontecesse numa situação dessas, a vontade de repetirmos aquele jogo, a sedução ao jantar… cada imagem do que se tinha passado nesse fim de tarde / noite, passava pelo nosso pensamento ao ritmo das estocadas que me levavam cada vez mais ao fundo de ti, sentindo-te contrair e apertar o meu membro como se o quisesses segurar em ti a todo o custo. Era demasiado tesão acumulada e por isso explodimos rapidamente num orgasmo delicioso.
Beijámo-nos mais uma vez e saímos cautelosamente dali, regressando à mesa.
Duplamente saciados, saímos do restaurante com um sorriso estampado no rosto e dirigimo-nos para o carro.


E depois…
Ah, Sara, depois…


Deixo aqui as palavras com que, de novo, te amei. Cansado, vou agora repousar imaginando o teu corpo nu junto ao meu… o teu cheiro que tantas vezes me acelera e agora me relaxa…
E adormeço sonhando com o dia em que os meus dedos te possam tocar e a minha boca possa percorrer o corpo que já sei de cor…


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – XV

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Sunday May 21, 2006

Carta Décima Quinta


Amor meu,


São quase incontroláveis os impulsos para te tocar, além de apenas as palavras. Tentas-me eu não sei se deva ceder à tentação que constituis para mim. As tuas palavras são dedos acariciantes que me percorrem o corpo em frémitos de prazer e anseio… ah, como anseio… a tua carne junto à minha. O teu corpo enrolado no meu num só movimento… De prazer…


E depois, Filipe…


Entramos no carro enquanto eu solto uma gargalhada rouca e tu me enlouqueces ao sussurrar «temos de repetir».
O carro desliza calmamente pelas ruas da cidade que vai repousando depois de mais um dia de azáfama, levando-nos até à zona Norte, onde a cidade foi reabilitada desde a Expo 98. O pequeno restaurante fica numa rua estreita onde dificilmente é encontrado por quem não o conhece. Deixamos o carro mesmo em frente e dirigimo-nos para o seu interior aconchegante.
Não tem mais do que cerca de dez mesas para dois e escolhemos uma ao canto, longe da montra de vidro. Sou eu quem a escolhe, pensando nos meus planos para aquele jantar.
A comida é agradável, mas por mais que digam que é afrodisíaca, são os nossos desejos que eu considero como tal. Os nossos sentidos despertos pela vontade. Pelos olhares que se cruzam recordando as horas passadas desde a véspera e o episódio recente no bar.
Descalço um sapato e cruzo a perna, aproximando um pé dos teus joelhos onde repousa por instantes, subindo depois calmamente pela tua coxa, numa carícia suave até encontrar o volume já notório do teu membro excitado.
Nos teus olhos observo o brilho do desejo, denunciador daquilo que sentes.
Nada comentas sobre o meu gesto. Continuamos a comer e a conversar, como se o que se passa debaixo da mesa fosse outra Sara e outro Filipe. Insisto com os dedos dos pés, massajando o teu membro, percorrendo-o provocadora. Sem parares de conversar, pousas os talheres, seguras o guardanapo com o qual limpas os lábios e, enquanto levas o copo de vinho à boca com a mão direita, deixas escorregar a esquerda para debaixo da mesa, onde agarras no meu pé, pressionando-o contra o teu sexo duro. Esse sexo que anseio sentir dentro de mim, pulsando.
Protegido pela posição em que te encontras, de costas para o resto do restaurante, e pela toalha que cobre um pouco das coxas, abres o fecho das calças e soltas o teu membro que, ao sentir-se livre, se encosta ansioso de encontro ao meu pé, apenas coberto pela meia.
Sinto o calor da tua carne na minha pele e fico alucinada, tentando manter um diálogo natural, já sem saber de que assunto falávamos. Fazes-me perder a noção de onde estou ou de quem sou…


E depois…
Ah, Filipe, depois…


Estico os meus pés na continuação deste sonho escrito em palavras que te envio. Desejo que me cubras de beijos como imagino que apenas tu o saibas fazer. E que me respondas rapidamente, incentivando este tremor, mas acalmando a ânsia da curiosidade que me invade, por desconhecer qual a continuidade que darás ao nosso sentir…
Espero-te…


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – XIV

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Wednesday May 17, 2006

Carta Décima Quarta


Querida paixão,


Solto as asas do meu desejo e levo-te comigo em voos de luxúria e prazer… Abre-te, paixão. Abandona-te nos meus braços, fecha esses teus olhos doces, entreabre os lábios sensuais e recebe estas palavras que te escrevo como um beijo apaixonado…


E depois, Sara…


De mão na tua mão, sigo os teus passos decididos em direcção ao elevador, olhando-te de alto a baixo. Não me canso, Sara. Não me canso de te apreciar, de te avaliar, de quantificar o teu valor, num exercício tão minucioso quanto inútil.
Como se pode avaliar uma obra prima? Que termos de comparação usar? Não, amor. Não dá para avaliar… apenas me é possível contemplar, como se contempla uma jóia única e irrepetível…
Perdido nestes pensamentos, só desperto com o solavanco do elevador ao parar no rés-do-chão. Sorrindo para mim, sobes pelo meu tronco e beijas-me enquanto a porta se abre, revelando a nossa paixão aos olhos dos vizinhos que esperavam o elevador. Disfarçamos mal o embaraço e dirigimo-nos à saída do prédio rindo da situação.
Caminhamos agora pela rua, em direcção ao carro estacionado lá mais à frente, e peço-te que te adiantes para que te possa olhar melhor. Estás deslumbrante, Sara. O vestido preto fino que deixa perceber o teu corpo sensual, as pernas realçadas pelas meias de liga, o salto alto que te empina os quadris e te confere um ar de fêmea provocante e dominadora…E eu não consigo disfarçar duas coisas: o sentir-me vaidoso por estar com uma mulher assim, cobiçada por todos os olhares, masculinos e femininos, que se cruzam connosco na rua, e o alto nas minhas calças que te suscita um sorriso maroto.
Como tu adoras estas situações potencialmente excitantes… o seres desejada por estranhos na rua, o não passares despercebida, acelerando as hormonas alheias. Sem vulgaridade, mas com muita classe. Chegados ao carro, resolves não parar e continuar a caminhar. Estamos numa zona bem frequentada da cidade de Lisboa e os transeuntes são, essencialmente, homens e mulheres de negócios que deixam os seus escritórios dirigindo-se a casa no final de mais um dia de intenso trabalho.
Enquanto caminhas, olhas para trás e lanças-me um olhar lascivo… como que um prenúncio de algo que farás para me deixar louco de tesão. Quase te perco de vista quando entras repentinamente num bar onde se encontram alguns homens, aparentemente executivos que ali se haviam reunido para descomprimir do stress daquele dia. Dirijo-me ao balcão enquanto tu procuras uma mesa livre e te sentas esperando ser atendida. Pedes uma bebida refrescante e, ostensivamente, cruzas as pernas permitindo o teu vestido curto uma visão perturbadora das tuas pernas e coxas, revelando mesmo a renda das meias de liga.
Simultaneamente, o ruído das conversas quase desaparece e os olhares, mais ou menos disfarçados, convergem na tua direcção. Percebendo a situação, esboças um sorriso que descontrai o ambiente, voltando a ouvir-se as conversas agora entrecortadas por alguns risinhos bem reveladores da excitação que se instalara no ar. Entretanto, percebes os olhares de dois homens que aparentavam cerca de trinta anos e que se encontravam numa mesa em frente à tua. Eram simpáticos e sorriam-te de forma sedutora. Fingindo-te distraída, resolves descruzar e voltar a cruzar as pernas lentamente, qual Sharon Stone, deixando-os ver durante alguns segundos, de olhos brilhantes de desejo, o tecido preto e delicado que a custo te ocultava o sexo palpitante. Os bicos dos teus seios nus espetavam-se por debaixo do vestido fino, denunciando a tesão que tudo aquilo te estava a causar, e olhavas-me provocadora, fazendo-me sentir um calor no peito e um arrepio na espinha.
Acabada a bebida, levantas-te e sais passando junto à mesa deles. Sentindo as pernas bambas e um fio do teu suco que desce agora, encharcando literalmente a cuequinha, esboças um sorriso que os deixa boquiabertos e sem capacidade de reacção, impossibilitados de se levantarem pelo volume que se havia formado nas suas calças. Nunca antes tinhas experimentado a sensação de seres assim cobiçada por dois homens em simultâneo… e num par de segundos a tua excitação subiu a níveis demasiado elevados para quem tinha que se suster de pé. Saímos apressadamente daquele bar e dirigimo-nos ao carro com a respiração ofegante, gozando toda aquela adrenalina e ansiando pelo toque um do outro…


E depois…
Ah, Sara, depois…


Devolvo-te agora as palavras para que as acaricies e derrames nelas todo o desejo que te queima de novo as entranhas, construindo novas palavras feitas de outros sentires. Imaterialidades tão palpáveis. Ficções tão reais. Imaginações tão sentidas… na pele que se arrepia ao toque de cada sílaba…


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – XIII

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Sunday May 14, 2006

Carta Décima Terceira


Meu querido,


Acendo a vela perfumada para me acompanhar enquanto derramo letras no papel que lerás em breve. O perfume a rosas envolve-me e penso no pedido que me fazes implicitamente.
Sim, amor, vestir-me-ei para ti, tal como me despes tu de pudores e roupagens. Sabes como?...
Assim…


E depois, Filipe…


Sentado na cadeira do quarto, já vestido, observas enquanto eu retiro cada peça de lingerie preta da gaveta da cómoda, depois o vestido fino preto que fica por cima das coxas.
Tiro as meias de liga para cima da cama, e os sapatos pretos de salto alto ali prontos para calçar.
Pego no fio dental e, enquanto te olho vou subindo-o pelas coxas, até tapar a carne macia e ainda húmida de prazeres. Ajeito-a de costas para ti, enquanto olhas como o tecido se centra no meio das minhas nádegas, escondendo-se entre a carne.
Seguro agora o sutiã, mas ao invés de o abotoar eu e depois o girar para vestir, aproximo-me de ti e peço-te que mo abotoes. Mas quando vais para apertar o fecho nas minhas costas, inicias um trajecto de beijos pelas minhas costas que me deixam louca. Depois, passas a língua, humedecendo a minha pele, enquanto avanças com uma mão para os meus seios, palpando a carne, apertando o bico rijo entre os dedos, fazendo-me gemer.
Avanças com a outra mão e agarras-me os dois seios, apertando-os enquanto continuas a lamber as minhas costas, fazendo com que te deseje de novo. Sento-me no teu colo e esfrego-me no teu membro que evidencia alguma reacção. Sei que temos de ficar por aqui agora, mas a minha vontade de te ter de novo a enterrares-te no meu corpo é uma loucura que me invade sentidos.
Sussurras palavras que são um imperativo para me conter e eu assim obedeço, apesar da humidade que se revela cada vez mais entre as minhas pernas, atingindo já o tecido que acabei de vestir.
Deslizo os dedos para o meu sexo, passo-os por baixo do tecido, esfrego-os na minha humidade e dou-te a provar o meu mel, mostrando-te como estou. Sorris e lambes os meus dedos. Depois trocamos um longo beijo e pedes-me entredentes para eu não levar sutiã. Deixo-o em cima da cama e vou terminar de me vestir. As meias de liga que vão cobrindo a pele das minhas pernas com lentidão, para te provocar. Depois o cinto de ligas que prendo, sem deixar de te olhar, percebendo o teu desejo.
E, finalmente o vestido que enfio pela cabeça e deixo que escorregue pelo meu corpo, apertando o fecho de lado.
Calço os sapatos e aproximo-me de ti.
«Vamos» digo-te.
Penteio os cabelos rapidamente, dou-te a mão e saímos. No meu pensamento a vontade de fazer uma loucura qualquer na rua, daquelas que nos façam subir a adrenalina…
Só não sei o quê...


E depois…
Ah, Filipe, depois…



São loucuras as que me passam pelo pensamento. Mas todos teremos de ser loucos se queremos alcançar a felicidade. Ama-me e leva-me nas asas do teu desejo, amor.


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – XII

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Thursday May 11, 2006

Carta Décima Segunda


Minha amada,



Também eu aguardo esse dia em que as minhas mãos registem a textura sedosa e quente da tua pele, em que o meu abraço te envolva e a minha boca te saboreie… aguardo ansioso, ora acreditando, ora duvidando que alguma vez aconteça.
Sabes bem que para mim tudo isto parece um sonho. Apesar de já te conhecer. Apesar de saber de cor o teu corpo, de ter a forma dos teus lábios gravada nas minhas memórias, apesar de olhar nos teus olhos quando fecho os meus, ou de conhecer o teu perfume de tanto snifar a amostra que consegui naquela perfumaria, seguindo as tuas indicações acerca da marca e fragância que usas. Meses de um sonho gostoso que me embala as noites e que me faz derramar no papel palavras intensas, feitas de sentires bem reais… como as que deixei cair logo aqui por baixo…


Depois, Sara…


Adormecemos assim a meio da tarde, ainda melados dos nossos sucos que não quisemos limpar, numa atmosfera impregnada de sexo e de luxúria. Dois amantes extenuados… e, finalmente, serenos…
Uma hora depois acordamos com um sorriso nos lábios e passamos pelo duche. Voltas a ficar acesa quando pego no chuveiro e dirijo a água sob pressão para os teus mamilos que, rapidamente, acordam ficando salientes e durinhos. Vendo o efeito da minha brincadeira, passo-lhes a língua para os acalmar, mas apenas consigo que enrijeçam mais um pouco, ao mesmo tempo que a tua boca se entreabre deixando escapar a tua língua gostosa que rodeia os lábios em movimentos voluptuosos e provocantes.
Alarmado com a situação, decido concentrar-me no teu sexo dedicando-lhe a máxima atenção para que o duche não demore muito mais e percamos o controle dos acontecimentos. Aponto o chuveiro ao triângulozinho adorável cujo vértice inferior parece querer clicar no teu “enter” do prazer… depois desço e o meu alvo passa a ser essa pontinha de ti que reage da mesma forma que os mamilos… inchando e endurecendo… A tua boca agora abre-se em gemidos de prazer, as tuas pernas fraquejam, e tu esclareces-me que não há nada a fazer. Já não dá para voltar atrás, para arrefecer, para controlar… puxas-me para cima, enfiando a língua na minha boca num beijo sufocante, viras-te de costas para mim, enquanto a minha mão desce e os meus dedos procuram, e encontram, o teu clitóris, tocando-o repetidamente em movimentos circulares e cada vez mais fortes, alternados com a penetração dos dedos que te encontram de novo babadinha de tesão…
Agarrando-te firmemente a mim para não caires, acolhes um fantástico orgasmo que depois explode em ondas que me contagiam também… o meu membro erecto há muito que se esfregava nas tuas nádegas e não resistiu à maravilha de te ver e de te sentir a atingir o clímax, deixando sair o líquido quente e espesso que testemunhava, uma vez mais, a loucura de estar contigo.
Terminámos o duche bem juntinhos, lavando cada um o corpo do outro, e resolvemos tomar ar saindo a passear naquele entardecer primaveril e aproveitando, depois, para jantar fora.
Como sempre, irias caprichar na indumentária vestindo-te de forma sedutora… sabias que não tiraria os olhos de ti…


E depois…
Ah, Sara, depois…


Devolvo-te a pena para que, com a leveza de quem ama as palavras, continues esta descrição apaixonada. Aguardo a tua carta como quem espera a retribuição de um beijo, adivinhando o sabor dos teus lábios de mel que as palavras não vão conseguir esconder… Antes pelo contrário…


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – XI

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Monday May 8, 2006

Carta Décima Primeira


Meu doce amor,



A falta que me fizeram as tuas palavras envolventes que me embrulham em todos prazeres, atando nos meus lábios um laço de paixão que se alimenta dos nossos sentires…
Amas-me com letras enfeitadas de rosas perfumadas, seduzes-me com o teu calor do desejo que não conténs entre linhas.
Desfaço-me nas tuas palavras e entrego-me na sua continuidade que são as minhas…


Depois, Filipe…


Sussurro que te adoro e como adoro o que me fazes meigamente, docemente, e com ânsia, desejo, calor, levando-me a navegar em meio de tormentas de luxúria.
Digo-te para não parares e que estou quase a vir-me, peço-te para te vires comigo, que sinto o teu membro a latejar anunciando a vontade de derramar a tua seiva no meu corpo.
Mexo-me mais contra ti, empurrando os quadris contra os teus, enquanto tu me agarras nas ancas e me puxas com força. E, com os meus dedos a massajar o clitóris, sinto as ondas intensas a invadir-me o corpo, a respiração ofegante que me tira a voz e ao mesmo tempo o grito na garganta que se quer soltar.
E sinto finalmente a chuva de estrelas que se abre diante dos meus olhos semicerrados, enquanto corre dentro de mim, o líquido quente do teu orgasmo. Sinto como te vens copiosamente, enquanto te enterras no meu corpo uma e outra vez, sempre a derramar em mim o teu mel, que acaba por sair e juntar-se ao meu que me escorre pelas coxas…
Os nossos gritos em uníssono, o suor que escorre pelos nossos corpos… são a imagem do puro deleite, do máximo prazer…
Mordes-me o ombro e sussurras… Sara… Sara… abraçando-me com força quando tudo termina…
Sais de dentro de mim e repousamos abraçados da loucura desta paixão…
A vontade de tomarmos um duche é suplantada pela de repousarmos mais um pouco…


E depois…
Ah, Filipe, depois…


Paro de escrever com vontade de continuar… não posso, por ora, dar largas ao meu sentir, à fome que corre em minhas veias, de apertar o teu corpo, mesmo que apenas numa folha de papel que te envio diariamente…
Aguardo ansiosamente o dia… o dia…


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – X

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Friday May 5, 2006

Carta Décima


Querida Sara, doce paixão,



Que suplício estes dias de intenso trabalho que não me deixaram espaço. Espaço para passar ao papel as palavras que cruzam o meu cérebro sem cessar. Espaço para verbalizar as sensações que percorrem o meu corpo e o meu ser, apenas com a ideia de ti. Para deixar sair pelo toque dos dedos neste teclado inerte, toda a emoção de te sentir sem te ter, de te moldar o corpo
com as minhas mãos, como um oleiro afaga carinhosamente o barro, sem contudo te poder tocar.
Como te desejo, Sara… como te sonho… como te como, em pensamentos luxuriosos que não controlo…
Solto os meus dedos apaixonados e deixo-me conduzir pela nossa fantasia, de corpos fundidos e almas unidas…


Depois, Sara…


sinto que te ajustas, que descontrais rendida à sensação de prazer que vai substituindo a dor inicial. Acolhes-me docemente e eu sinto-me no limiar da felicidade. Faço-te minha. Totalmente. Meigamente. Com mais um movimento de ancas completo a penetração. Pergunto-te se estás bem, se é bom. Nada me dizes… apenas gemes sem conseguir articular palavras, e começas tu um vai-vem delicioso, engolindo e soltando o membro latejante… engolindo… soltando.
Enquanto isso, os meus dedos não param e apesar de o teu sexo estar agora mais apertado pela pressão do membro que desliza no rabinho, são tantos os teus sucos que os dedos penetram facilmente numa dança frenética que desperta todos os teus terminais nervosos em choques contínuos. Ocupada a massajar o clitóris duro e inchado de prazer, abres-te inteiramente para mim. O membro duro penetra-te avidamente e sem cuidados, na urgência de te devorar.
Viras o rosto para mim. Tens a boca aberta, a respiração ofegante, os olhos fechados… Beijo-te, segredando-te depois o quanto te adoro… chamo-te de “doce miragem”, “catraia deliciosa”, “sonho”...
Olhando-me extasiada, voltas o rosto para o lado encolhendo-te sobre ti própria e projectando depois as nádegas contra mim, procurando sentir-me ainda mais fundo enquanto os meus dedos enlouquecem no teu sexo pleno de tesão…


E depois…
Ah, Sara, depois…


Sinto a excitação crescer em mim a ponto de ter de parar… de escrever… não posso continuar para além do que me foi permitido neste intervalo. Os colegas estão a chegar do café e eu tento agora disfarçar o sorriso estampado no meu rosto… aquele sorriso de quem está noutra, a milhares de anos luz da realidade… Sei que vais continuar estas linhas, neste delicioso jogo de sedução e de
paixão. E fico ansioso imaginando com que palavras me vais amar…


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – IX

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Monday May 1, 2006

Carta Nona


Meu querido,


Semicerro meus olhos e toco-te em pensamentos, enquanto te debruças sobre as teclas, nesse lugar longínquo, que ainda mais nos afasta. Retenho na minha boca o gosto da tua, em palavras suspiradas e sentidas.
Sinto o teu perfume másculo como se tivesse dividido contigo espaços exíguos, permitindo que o teu cheiro se impregnasse na minha pele. Deambulo pelas letras e em cada curva que elas desenham, vejo as curvas do teu corpo que abraço.


Depois, Filipe…


Sinto-me enlouquecida, querendo partilhar todo o meu corpo contigo, desejando que me faças tua de todas as formas, jeitos e feitios. Desejando entregar-me nas tuas mãos, diluindo meu corpo no teu, à tua mercê… deixar que me faças o que a tua vontade comanda e teu corpo deseja, proporcionando prazer a ambos.
E, sentindo a tua hesitação, sussurro um pedido… que continues… suplico-te entre suspiros de desejo, que não pares e invadas o meu corpo com a tua força e volúpia.
E tu, Filipe, com cuidado, tacteando, tornas a roçar o teu membro no meu suco, humedecendo-o totalmente, para facilitar a entrada, encostas a cabecinha no meu rabinho e começas a iniciar uma penetração. Tento descontrair o corpo para te acolher sem dor, mas deixo escapar um gemido.
Sinto como o meu corpo se abre para ti, abrigando a tua carne quente que me invade sem temor, mas com ternura e luxúria, enquanto um ardor se espalha por todo o meu corpo. Páras um pouco apenas com a ponta introduzida e deslizas os teus dedos para junto dos meus que acariciam o clitóris. Penetras-me com os teus dedos, fazendo com que ondas de prazer me invadam de novo. E insistes mais um pouco com o teu membro, penetrando um pouquinho mais e parando de novo, enquanto me beijas a nuca, ombros e pescoço. Os teus dedos confundem-se com os meus na humidade do meu sexo que os envolve, ora entrando, saindo, ora acariciando o clitóris, esfregando-o, apertando-o.
Soltas o meu nome por entre lábios que molhas com a língua. Olho-te por cima do ombro e aproximo a minha boca da tua, a minha língua no interior da tua boca, explorando o doce recanto que adivinho.
Sinto a vontade do teu corpo em continuar a conquistar o meu.
Penetras mais um pouco o teu membro e…


E depois…
Ah, Filipe, depois…


Tenho de interromper estas palavras antes que enlouqueça de prazer… antes que o meu corpo se desfaça de novo em suor, orgasmos e suspiros meus. Desejo-te, Filipe e esta ânsia consome-me em cada dia que passa, seja em que local for. Estou no trabalho agora e não resisti a responder à tua carta que me deixou húmida de desejo por ti. Toco-me por cima da saia, mas a vontade é subi-la, descobrindo as coxas, e tocar essa humidade com os meus dedos, prová-la, saboreá-la, como se da tua boca se tratasse.
Não posso. Os colegas estão nas secretárias em frente, mal sabendo a volúpia que atravessa o meu corpo neste momento.
Mais tarde… quando estiver só…


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – Carta VIII

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Thursday Apr 27, 2006

Carta Oitava


Doce paixão,


Sentado frente ao teclado de um pc nesta manhã, no ponto da acesso à internet da FNAC no Gaia Shopping, deixo cair os meus dedos sobre as teclas para continuar a nossa história ardente.
Viajo contigo no pensamento, imaginando de que forma te vou amar com as palavras, e aproveito este tempo antes de reuniões no Porto e em Viana do Castelo para levar até ti o ardor da minha paixão…


Depois, Sara…


Deito-me ao teu lado prolongando o abraço. Trocamos sorrisos de felicidade, os olhos a cintilar, as bocas unidas em beijos suaves e calmos. Os corpos não resistem e deixamo-nos dormir, mergulhados em sonhos doces e prazerosos.
Quando acordo de manhã, vejo que durante a noite encaixaste o corpo nu em mim. Estamos deitados de lado e tu estás na posição que tanto adoras, sentada em mim. Ao sentir o teu corpo quente, a macieza da tua pele, todos os meus sentidos vão acordando. Separo-me, então, de ti. Sem te acordar, contemplo o corpo feminino que amei nessa noite e, instintivamente, aproximo a minha boca do teu sexo deliciosamente exposto. Afasto-te suavemente os lábios, provocando-te um estremecimento que quase te acorda. Paro, apenas te tocando com o calor da minha respiração. Fico a olhar a humidade que ainda se mantém entre a tua carne tenra, testemunho da nossa paixão. Cada inspiração minha invade o meu olfacto com o aroma enlouquecedor do teu sexo. Não resisto mais e começo a tactear-te com a minha língua ávida de ti.
Lentamente vais acordando, num rebolar de ancas que denuncia o acordar da tua líbido. Gemendo docemente, vais inundando a minha boca com o teu néctar. E eu volto à posição inicial, com o meu membro já duro… de lado e por detrás, vou-me encostando a ti e vou-me alojando entre as tuas nádegas, entre as tuas coxas, sentindo o teu sexo escorregadio e ainda mais quente do que o meu. Ao mesmo tempo beijo-te os lábios, fazendo-te partilhar do sabor excitante do teu sexo que acabara de lamber e chupar.
Estás completamente acesa. O suave deslizar do membro rígido nos lábios e no clitóris deixa-te louca de tesão. Queres-me dentro de ti. Quero-me dentro de ti. Pego nele com a mão e encaminho-o para a entrada do teu sexo latejante, enquanto com os teus dedos abres os lábios que te escapam de tão encharcados. Pedes que te possua assim de lado e aproveitas a posição para massajares o clitóris exposto. Adoras foder nessa posição, sentindo-te invadida e podendo acariciar-te a ti própria, comandando o crescendo da tua excitação.
Os teus gemidos, os teus gritinhos de “come-me”, “não pares”, “fode-me assim”, deixam-me louco. Levo os meus dedos curiosos ao teu cuzinho alagado e pressiono, introduzindo primeiro um e depois dois. Estimulada no clitóris e penetrada nos dois orifícios, atinges um orgasmo que te faz tremer todo o corpo. Mas eu continuo a foder-te em duplicado, fazendo-te recuperar rapidamente a tesão.
Deixando-me comandar pelo instinto e pela excitação, retiro os dedos do teu anelzinho e não resisto a encostar-lhe a cabeça dura, suave e húmida do meu membro. Estou fora de mim, mas controlo-me.

E depois…
Ah, Sara, depois…


Levanto agora os olhos do teclado, voltando à realidade e olhando os que me olham sem se aperceberem do teclado em brasa que denuncia tão excitante escrita.
E parto para uma alucinante jornada de trabalho, aqui no Norte, contigo no meu pensamento e com o sorriso de um menino feliz… espero que me passe antes da primeira reunião…


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – Carta VII

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Wednesday Apr 26, 2006

Carta Sétima


Amor meu,


A noite, minha companheira, traz-me a inquietação da tua invisível presença, que me arremessa contra os desejos de um corpo que permanece preso de um encantamento e ao sabor do vento que sopra sussurros de paixão, trazidos de ti e plantados em folhas brancas.
O sonho embala o meu sono, mas a tua sombra mágica deambula sobre o meu espírito, acordando os meus sentidos e trazendo à tona os meus sentires que deixo fluir de encontro aos teus, continuando o percurso de luxúria que iniciámos juntos…


Depois, Filipe…


Quero sentir-te dentro de mim mais uma vez…E digo-te ao ouvido como quero que me possuas desta vez. E tu, ajoelhas-te diante de mim, afastas as minhas pernas com mãos carinhosas e debruças-te mais uma vez para me saboreares, dançando com a língua em redor do botão centro do prazer, chupando-o devagar, sentindo como ele está inchado e sensível depois dos orgasmos sentidos, tocas-me com os teus dedos, enterrando um deles na carne macia, e depois outro. E, dentro de mim, tacteias e massajas, deixando-me louca de novo. Tiras os dedos, agarras no teu membro e roças a cabeça na minha humidade, esfregas nos lábios, enterras um pouco e tornas a tirar e a passar em redor, numa tortura que nos deixa loucos aos dois. Peço-te que me penetres. Que me fodas, que te enterres todo em mim, porque te quero sentir a encher a minha carne. Estou louca e ávida de sentir o que os teus gemidos prometem nos meus ouvidos e que o teu corpo cumpre – sei-o!
E tu não esperas mais e enfias o teu membro duro na minha humidade, avançando sem pudor. Sinto-o alojado no meu interior, pulsando ansioso como um animalzinho a querer libertação.
Ajoelhado, agarras os meus quadris, teus dedos morenos enterrados nas minhas nádegas, e puxas-me de encontro a ti, fazendo com que erga minhas pernas até aos teus ombros, para te sentir mais profundamente. É assim que quero que me fodas, entrando o mais profundamente que os corpos permitem, enterrando a tua carne fremente no meu corpo, completamente, até à base e depois iniciando movimentos rotativos com o corpo, investindo uma e outra vez, sem parar.
Nessa posição, podemos olhar-nos e ver o gozo um do outro explícito nos nossos rostos. Peço-te que não pares e sabendo tu que te permito tudo, avanças com um dos teus dedos para o meu cuzinho, massajando-o e iniciando uma penetração suave, o que me faz impulsionar os quadris para cima, de encontro ao teu membro devastador que me arrasa totalmente. Assim, pressionada pelo teu sexo por um lado e pelo teu dedo por outro, sinto que estou quase a vir-me. Quero esperar, quero sentir-te ao mesmo tempo e peço-te para te vires comigo.
Apressas os teus movimentos, agora de forma desenfreada, entre gemidos, gritos e pedidos de «fode-me» e «dá-me tudo» e «toma», sinto o meu orgasmo invadir-me, a respiração ficar entrecortada, o coração a pulsar no pescoço como se fosse sair pela boca, uma pressão enorme nas têmporas e, finalmente… o teu leite a escorrer dentro de mim, uma e outra vez, enquanto o grito preso na garganta se solta num rugido de prazer, que entoa nas quatro paredes deste quarto, palco da luxúria dos nossos pensamentos. Investes novamente e entre gritos de «toma», «toma, amor», vais deixando sair o teu néctar que me invade, enquanto o torpor começa a invadir os meus músculos…
Baixas as minhas pernas e deitas-te sobre o meu corpo, sem saíres de dentro de mim.
Abraço-te…

E depois…
Ah, Filipe, depois…


Adormeço de dedos húmidos impregnados de mim, depois de imaginar o teu toque no meu corpo, a tua pele na minha, a tua boca na minha carne, os corpos unidos num só corpo, dançando ao som dos nossos gemidos de paixão.
Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – VI

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Tuesday Apr 25, 2006

Carta Sexta


Minha paixão,


Impregnaste de tal modo o meu ser, que jamais conseguirei disfarçar a tua presença no meu dia-a-dia. Quando sorrio, quando os meus olhos brilham, quando fico de olhar meio perdido a tomar café numa esplanada desta linda cidade, sei que se percebe à distância que anda paixão no ar.
Desde que nos cruzámos há sete meses, naquele chat, que passaste a fazer parte de mim. Encontro-te no meu cérebro, povoando os meus pensamentos. Vislumbro-te no meu coração, aquecendo-me o peito. Pressinto-te no sangue que corre o meu corpo renovando a vida a cada segundo.
Sara querida, minha paixão… deixo-me guiar pelas palavras que te amam intensamente e prossigo, mais abaixo, amando-te também eu com elas…


Depois, Sara…


Desespero com a tortura que me fazes, sentindo a tua respiração quente bem na ponta do meu membro latejante. Confundes-me. Ainda não o acolheste na boca e já sinto o calor da tua carne húmida. Ainda não o apertaste entre os teus deliciosos lábios e já sinto esse beijo doce.
Ainda não o sugaste entre a língua e o céu da boca e já me sinto no paraíso. Olhas-me nos olhos (de novo o teu olhar…Wink, sorrindo o teu sorriso desconcertante… provocas-me com a ponta da língua que se insinua no buraquinho, por onde vai escorrendo aquele néctar meloso e incolor que tanto adoras… e eu, de mãos atadas, completamente à tua mercê, suplico-te que não prolongues a tortura e o introduzas na boca, até ao fundo, que o chupes avidamente, que me fodas com essa tua boquinha com que eu tanto sonho…
Confiro agora o que tinha imaginado antes… o calor da tua carne húmida, o beijo doce entre os teus lábios deliciosos… um vaivém em que te aplicas, percorrendo-o de alto a baixo e sentindo-o crescer e enrijecer cada vez mais. Apetece-me prolongar eternamente esse momento, ficar para sempre nesse ritual louco de paixão… mas se continuasses acabaria por te inundar de sémen… e eu não queria… ainda.
Correspondendo ao meu pedido abres a tua boca e libertas-me as mãos, trocando de posição comigo. Agora sou eu que te prendo as mãos e também os pés, ficando tu em X, de braços e pernas abertas, mas de barriga para baixo, ao meu inteiro dispor.
Em jeito de vingança, apetece-me devolver-te a tortura… e é isso que faço. Impedida de te mexeres e de antecipar o que vai acontecer, vais sentindo o que te parecem pequenos choques eléctricos quando a minha língua quente e húmida te surpreende tocando levemente nos mais diversos pontos do teu corpo. No pescoço. Agora na articulação do joelho, por detrás. Depois na parte lateral do tronco. A seguir, na parte interna das coxas, quase tocando o teu sexo cujo aroma e cuja visão dos lábios sedosos me embriagam. No lóbulo da orelha. Na cintura. A seguir, percorrendo a espinha desde o cóxis até à nuca deixando um rasto de saliva e um arrepio que te eriça os pelos. Depois, desenhando as tuas nádegas, percorrendo as virilhas, fazendo-te levantar o rabo em busca da minha língua que desejas nos teus lábios, no clitóris. Mas surpreendo-te, ao abrir-te as nádegas com as mãos e ao efectuar movimentos circulares com a língua à volta do teu orifício anal. Tu sabes como me excita essa parte de ti e, instintivamente, começas a fazer contracções à medida que a tesão te invade. Não resisto a esse piscar provocador e penetro-te com a língua, quase te descontrolando com um vaivém suavíssimo e quente que incendeia o teu desejo. Desço então para o teu sexo encharcado, bebendo o teu néctar de sabor inconfundível. Projectas ainda mais as ancas para trás e para cima, oferecendo-me o clitóris que chicoteio agora com a minha língua, lambendo, chupando, mordiscando. Durante alguns minutos, alterno entre o clitóris e o cuzinho, lambendo um e enterrando a língua no outro, enquanto dois dedos se escondem no teu sexo. Guloso de ti, faço-te vir várias vezes nos meus dedos e na minha língua.
Liberto-te então e perdemo-nos num abraço apertado. Saboreias-te na minha língua, nos meus lábios ainda húmidos de ti. O meu sexo duro e quente roçando a tua carne tenra, húmida e sensível pelos orgasmos que acabaste de sentir.
E depois…


Termino este dia guardando-te no meu pensamento, sentindo ainda o teu sabor e os espasmos de prazer que a minha imaginação te fez sentir. E vou fechar os olhos cansados, na ânsia de te reencontrar amanhã nas palavras que soltares para mim…


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – Carta V

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Saturday Apr 22, 2006

Carta Quinta

Amor meu,


Permanece no meu espírito a pergunta sem resposta… terás tu conseguido disfarçar? Ou será que o sorriso de prazer ficou desenhado nos teus lábios enquanto o teu pensamento de mim te acompanhou por todas as horas do teu dia?...
Acompanho os teus passos, caminhando a teu lado, um suspiro, um gemido e a continuação desta paixão avassaladora…


Depois, Filipe…


Enquanto te sinto ainda dentro de mim, digo-te que quero mais e que a fome que tenho do teu corpo ainda não foi saciada. Começo a mexer de novo as ancas até sentir que endureces dentro de mim.
Ah, como te sinto tão quente investindo na minha carne que te abraça o sexo, sugando-o, empurrando-o, sugando-o e empurrando de novo, enquanto me seguras as nádegas, os dedos cravados na carne, para me apertares contra ti fortemente, como se quisesses trespassar-me e não me deixar fugir…
Mas agora não quero que me tenhas assim… Não já…
Quero saborear de novo o teu corpo, mas milímetro a milímetro e, tirando-te de dentro de mim, começo a beijar-te pelo peito, palmilhando a tua pele, provando o gosto do teu suor.
Prendo-te as mãos à cabeceira da cama, com um lenço, para não me poderes tocar e volto a encostar a boca à tua pele, junto de um mamilo. Toco-lhe com a ponta da língua, depois mordo levemente, sigo para o outro mamilo e lambo-o, até senti-lo erguido contra a minha língua que o rodeia. Chupo-o. As mãos vão descendo até te tocar as virilhas, onde se detêm acariciando, sem te tocar no membro.
Desço mais o meu corpo e lanço-me em suaves mordidas pela tua barriga, acompanhando os pêlos que descem até ao baixo-ventre, onde descanso a língua molhada, percorrendo toda a carne quente que se me oferece como um manjar afrodisíaco… o melhor de todos…
Desço um pouco mais e lambo a pele sensível das tuas virilhas. O odor a sexo, aos nossos néctares, deixa-me embriagada, mas resisto a engolir o teu membro.
Não ainda… Quero que mo peças…
Beijo-te as coxas e vou descendo até percorrer as tuas pernas com a minha boca, deixando a tua pele molhada da minha saliva. Torno a subir e, agora sim.
Ah, Filipe, o teu membro tão duro, tão bom encostado ao meu rosto.
Sinto a maciez da pele, a humidade que o envolve, fruto da tua excitação, e do mel dos nossos orgasmos. Rodeio a cabeça com a ponta da língua, sinto o gosto meio doce, meio salgado, desço até à base e torno a subir dando lugar às minhas mãos que seguram naquela haste pronta a penetrar os meus lábios…
Mas quero que mo peças… pede… pede…


E, depois…
Ah, Filipe, depois…


Deito-me na minha cama de lençóis alvos e penso em ti e de como consegues fazer-me mergulhar num labirinto do qual nem sei se quero encontrar a saída. Anseio[te] corpo da minha imaginação, espírito da minha paixão, em carícias liquefeito…
Tua pele, minha pele, tuas palavras, minha excitação…


Tua
Sara


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – Carta IV

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Saturday Apr 22, 2006

Carta Quarta


Doce Sara,


A tua carta alimentou a minha noite, mas não saciou a minha fome de ti.
E pego de novo nas palavras, devolvendo-te as carícias que com elas me fizeste. O fogo intenso da nossa paixão apaga a minha incredulidade, meu doce… e a linguagem dos corpos encontra o ardor das almas…


E depois, Sara…


Depois… a loucura que toma conta de mim. A distância que vou sentindo, como se me soltasse do meu corpo e observasse a cena que não poderia estar a passar-se comigo… quem estaria ali com a doce Sara?... não poderia ser eu…
Mas o teu olhar penetrante desmente a minha incredulidade. Suavemente, sobes para o corpo masculino, sentas-te em mim e introduzes-me em ti sem nunca desviar o olhar… e são os teus olhos, meus velhos conhecidos, que me dizem tudo, que me fazem acreditar que o sonho é real…
O teu calor palpitante aconchega a minha carne… a catraia torna-se ainda mais irrequieta, como se quisesses sugar-me até ao tutano com o teu sexo adorável… perco-me em ti… enterro-me até ao fim… chupo agora a tua língua ao mesmo ritmo que o teu sexo se contrai no meu… mãos unidas… os teus seios contra o meu peito…
Empurrando-me, deitas-me na cama sem me soltares de ti nem por um segundo que seja… de cada vez que sobes as tuas ancas deixas de fora quase todo o meu membro, cada vez mais lambuzado de ti, e brincas rodando sobre a cabeça em movimentos que me fazem morder os lábios para segurar o orgasmo cada vez mais próximo… inebriado de ti, pego-te na mão e levo-a até esse paraíso de paixão, confirmando com os nossos dedos ávidos a união dos nossos corpos, dos nossos seres… tacteando deliciados o vaivém que nos arrepia em ondas intermináveis de prazer…
Alucinada pela carne que te invade o sexo e pela dança dos nossos dedos, queres sentir-te ainda mais possuída… e gemes ao meu ouvido um pedido que me excita de uma forma que não me parecia ser já possível… levo então o meu dedo médio, encharcado do teu mel, até ao teu anelzinho e massajo suavemente fazendo-o relaxar até acolher a pontinha do meu dedo… consigo sentir no dedo o meu membro excitado navegando pelo outro canal… todos os teus sentidos estão agora despertos, numa confusão de sensações de prazer que percorrem o teu corpo em espasmos violentos que me contagiam… e gritando palavras desconexas, dessa vez não conseguindo dominá-las como tantas vezes fazemos ao escrever, vimo-nos copiosamente num orgasmo latejante que nos deixa prostrados, corpos suados, almas fundidas…
E depois…
Ah, Sara, depois…


Depois… este sorriso colado aos meus lábios, que me fará agora sair do gabinete para ir almoçar com o ar estranho de quem se cruzou com a felicidade… o ar dos amantes… dos apaixonados… conseguirei disfarçar?


Teu
Filipe


© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – Carta III

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Friday Apr 21, 2006

Carta Terceira


Querido Filipe,


A noite espalha-se lá fora e a lua vem beijar-me o rosto enquanto leio as tuas palavras e imagino o seu seguimento. Mais do que a continuação de ideias, é o prolongamento destas emoções que me fazes sentir. Sigo o plano traçado pelas tuas letras…


E depois, Filipe…


O sentir as ondas de prazer subirem pelo meu corpo, soltando-se no espaço em fragmentos de um orgasmo sentido nas pontas dos teus dedos, denunciado pelos frémitos do meu corpo. Descaio o meu corpo sobre o teu peito, satisfeita, ofegante, pele suada que escorrega na tua ávida de prazeres. E deixo-me cair até ao chão, ajoelhada a teus pés transformada em odalisca que, submissamente, te concederá os teus desejos.
Ergo o rosto e debruço-me sobre o teu colo, não para descansar a minha cabeça, mas para que a minha boca vá de encontro ao teu membro excitado, aspirando o aroma a sexo que sinto invadir a minha alma.
De olhos fechados, encosto os meus lábios à pele macia que envolve a carne ardente e ansiosa onde veias mostram o furor do sangue que corre.
Toco-lhe com a ponta da minha língua, humedecendo a pele que se me oferece à boca perscrutadora e percorro caminhos invisíveis, enquanto os dedos te acariciam de forma sincronizada.
Gemes e o teu gemido penetra-me o corpo como os teus dedos momentos antes. Abro os olhos e admiro a tua carne pulsante que deseja o meu interior húmido.
Anseio também por ele de forma avassaladora, desejando que me penetre de forma alucinante, e que me faças tua uma e outra vez.
Querido, se soubesses quanto anseio teu toque, teus beijos, tua carne na minha…
Ergo meu corpo e sorrio-te… Sabes o que desejo… o que quero… e tu pedes-me com o teu olhar…
E depois…
Ah, Filipe, depois…


Entrego o meu corpo nestas linhas que te escrevo e envio-me em partes, para que as unas e me ames, fazendo do meu corpo teu manjar pela noite dentro.
Esperarei pelo teu fogo, pelo penetrar de corpos, pelos caudais que escorrerão entre pernas em lava ardente.


Tua
Sara

© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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Cartas de Paixão – Carta II

Posted by Sutra under Cartas de Paixão, Diário on Thursday Apr 20, 2006

Carta Segunda


Querida Sara,


As palavras contidas na tua última carta, penetraram no meu cérebro e impregnaram o meu espírito de tal forma, que me senti diluir nelas e seguir o caudal do teu pensamento, nesse «depois» que deixaste no ar…


E depois, Sara…


Embriagado pelos movimentos da tua boca nos meus dedos, esquecer-me do mundo concentrando-me apenas nos teus doces lábios que aconchegam a minha carne… O meu sexo não parando de dar sinais de excitação, reclamando a doçura das tuas carícias. O fecho que se abre, as calças que caem inertes, libertando o membro erecto, quente e húmido, que seguras com a mão, sentindo o pulsar do meu desejo… hum… os movimentos de vaivém que inicio sem esperar pelas tuas carícias…
Ah, Sara, e a língua que não seguro, que se enrola na tua para depois descer aos mamilos durinhos e iniciar uma dança alucinante à volta de cada um… a tua mão no meu sexo, a minha língua nos teus seios, os meus dedos deleitando-se de novo na tua humidade, as respirações ofegantes, os ritmos cardíacos descontrolados.
Aquele momento único, em que ficamos vazios de tudo para nos saciarmos um do outro… numa urgência carnal e espiritual feita de plenitude, de absoluto.
Partilhamo-nos. Sugamo-nos.
Os sexos buscando-se mutuamente. Ávidos. Desenfreados…
E depois…
Ah, Sara, depois…


Interrompo aqui, esperando que continues, paixão… apesar de virtual, a tua presença incendeia-me como se estivesses aqui… sinto-te nas palavras, nas descrições, nas sensações e emoções que elas transmitem. Nunca pensei que tal fosse possível… aguardo-te… ansiosamente…


Teu
Filipe

© Sutra 2006
Escrito em colaboração com um dos leitores

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