Continuação da fantasia do «Kind».
Aqui fica:
«Eles»
Ela sorriu, ao reconhecer aquele nome. Na verdade, o seu corpo reconhecera-o primeiro, mesmo sem nunca o ter visto. Os lábios movimentaram-se incontrolavelmente, e beijou os seus dedos, mordendo-lhe a ponta de um deles, sorrindo de forma provocante. Sentiu que ele se retraiu perante o gesto, como se algo tivesse abalado seu corpo.
As estações passavam sem que se apercebessem, até que segundos antes de entrarem na gare do Rossio, ela disse que saía ali.
- Eu também – respondeu-lhe ele.
- Não querias ir para os Anjos? – perguntou sorrindo.
- Queria. Corrijo: devia! Mas encontrei outro anjo no caminho e a este não o quero perder de vista.
Ela soltou uma gargalhada.
Já na rua, ele pegou no telemóvel e ligou para o edifício onde tinha a reunião daí a pouco mais de uma hora. Enquanto isso, ela pegou também no telemóvel e desmarcou a sua reunião. Sabia que estava a ser inconsequente, esquecendo o trabalho para ficar junto dele, mas não queria desperdiçar aquela oportunidade de o ter junto de si e poderem conversar, ouvir-se, olhar-se nos olhos.
- Onde vamos? – perguntou ele, mal desligou a chamada e, verificando que ela já tinha feito o mesmo.
- Quero levar-te ao Castelo de S. Jorge. Lembras que te falei nisso? – Como podia esquecer?
E, de corpos bem juntos, foram caminhando e conversando, pelas ruas estreitas da cidade, até chegarem ao Castelo, onde se detiveram, junto da muralha, admirando a vista de uma das colinas de Lisboa.
Em silêncio, aproximaram-se um pouco mais, ele agarrou-lhe a mão e sussurrou-lhe ao ouvido:
- Nem imaginas como sonhei com este momento. – Eu não sei o que sonhei, nem o que desejei. Apenas sei o que me tens feito sentir e o que sinto agora.
Olharam-se nos olhos e aproximaram as bocas, sem desviar o olhar. E tocaram-se pela primeira vez, permitindo que, no meio daquela paisagem, os desejos secretos de ambos se concretizassem, prosseguindo num beijo que simbolizava um reencontro, como se se tivessem conhecido noutro tempo, noutro espaço. As bocas devoravam-se, enquanto as línguas entrelaçadas buscavam o gosto uma da outra, conhecendo, reconhecendo, aspirando o odor a excitação e prazer que da pele lhes saía.
Encostando-a à muralha, V. abraçou Su e apertou o seu corpo contra o dela, fazendo-a sentir o seu grau de excitação. De forma imperceptível, ela deixou que o seu corpo, languidamente se submetesse ao dele, deslizando pelos contornos do corpo masculino, enquanto gemia junto da sua boca.
Enlaçou o seu pescoço e apertou-se mais contra aquele corpo que a fazia sentir como se nada mais existisse. Nem sequer os turistas que passeavam, de máquina ao pescoço, sorrindo ao ver aquele casal perdido em carícias, alheados do mundo.
Insinuando uma perna entre as coxas dela, V. não parava de lhe sussurrar ao ouvido o quanto ela o fazia sentir um adolescente, enquanto a boca lhe deslizava pelo pescoço, deixando um rasto de fogo até ao vale entre os seios, que a blusa dela deixava adivinhar.
A sua vontade era pegar nela ao colo, sentá-la no muro e fazê-la sua naquele momento. Possuir aquele corpo vezes sem fim, até ficarem ambos extenuados pelo prazer satisfeito.
Um braço rodeava-a pela cintura, e a sua mão fazia carícias nas suas costas, em movimentos circulares, ascendentes, descendentes, aproximando-a das suas nádegas que apertou contra o seu corpo. A outra mão passeava pelo lado do corpo dela, aflorando levemente o seio, descendo até à anca e voltando a subir, provocando-a.
Ao ouvirem vozes ali perto, olharam-se e soltaram uma gargalhada, ao mesmo tempo que o rubor das faces era ainda mais notório, numa mistura de desejo e vergonha, como se fossem dois miúdos apanhados em flagrante.
Ele encostou a sua testa na dela e ficaram assim por longos minutos, apenas abraçados, permitindo que as respirações voltassem ao normal.
Tempo depois, de mãos dadas, seguiram pelo jardim, pararam na esplanada para tomar uma bebida e ficaram a conversar até a noite começar a descer sobre a cidade, e os pequenos pontos de luz se acenderem aqui e além.
Desceram ao centro da cidade e decidiram jantar não muito longe dali. Ele aproveitou para telefonar para casa, avisando que não poderia ir naquele dia, que ficaria a pernoitar em Lisboa, regressando apenas no dia seguinte a meio da tarde.
Foram até ao hotel na Avenida, para que ele reservasse um quarto para aquela noite. Entrou com ele na recepção, e quando o empregado lhe perguntou que tipo de quarto ele queria, V. olhou para Su, como se lhe perguntasse com o olhar, algo que apenas ela lhe poderia responder. Como se o tivesse lido nos olhos dela, respondeu:
- Uma suite, por favor.
Recebeu a chave e disse que iria subir para deixar a pasta e refrescar-se um pouco. Ela preferiu esperá-lo na salinha de espera junto à recepção.
Dez minutos depois ele regressou e saíram em busca de um restaurante sossegado, íntimo, onde pudessem sossegadamente conversar sobre tudo o que haviam guardado ao longo daqueles meses, e repetir tudo o que haviam já dito mas, desta vez, olhando-se nos olhos. As mãos tocavam-se por cima da mesa, os joelhos roçavam por baixo dela. A cumplicidade entre os dois era imensa, apesar de tanto que os poderia separar.
Os receios haviam desaparecido, levados pelo vento. As dúvidas haviam-se dissipado desde que se tinham cruzado naquele dia.
A paixão cruzava o ar que respiravam e era palpável a vontade que ambos tinham de esquecer de tudo o que os poderia impedir de sentir o que sentiam naquela hora.
O jantar decorreu com muita calma, como se não houvesse pressa em saírem dali, e o prolongamento do tempo de espera, agudizava o desejo que os possuía, antecipando no que culminaria naquela noite.
Não muito tempo depois, subiam o elevador que os levava à suite do hotel.
Mal entraram, ele encostou-a à porta e beijou-a suavemente, acariciando-lhe a face, os cabelos, deixando escorregar os dedos pela lateral do corpo dela, sentindo como estremecia aquele ser em seus braços.
Ela aconchegava-se no seu corpo, deslizando as mãos pela sua cintura, subindo pelo seu peito, enroscando-as no pescoço quente dele. Começou a desapertar-lhe a camisa que trazia vestida, expondo o pescoço que a atraía a depositar um beijo quente na pele, deixando um rasto húmido pelo peito dele, enquanto ía desabotoando a camisa, tirando-a de dentro das calças. A sua boca parou junto do umbigo, onde se deteve languidamente numa carícia aveludada. Ele puxou-a e dando alguns passos pela suite, fê-la sentar no sofá, ajoelhando-se à sua frente, enquanto a agarrava pelo pescoço com doçura, beijando-a com um ardor contido, fazendo-a suspirar.
Desapertou-lhe a blusa, despindo-a em seguida, olhando como ela estava bela, à luz difusa do quarto, com aquele sutiã que mal lhe escondia os seios excitados. Tirou-lho, mostrando os mamilos erguidos, excitados, ansiando pelo toque dos seus dedos, da sua boca, o que satisfez em seguida. Não parando por ali, continua a beijá-la pelo corpo, devorando cada pedacinho de pele, enquanto suavemente a ía despindo da saia que ela trazia, deixando-a apenas com a pequena tanga. Vermelha, como ele imaginava.
Ergueu-se, pegou nela ao colo e levou-a para a cama, afastando a colcha que a cobria. E, começando pelo pé, iniciou um percurso de beijos, qual alpinista subindo pela montanha mais atraente, passando pelo joelho, deslizando pela pele suave do interior das suas coxas e parando junto às virilhas.
Ela gemia, pedindo baixinho que ele não parasse, enquanto meneava o corpo, em movimentos sensuais, provocando-o a continuar, querendo mais, cada vez mais.
Ele levantou-se e terminou de se despir, exibindo o corpo em todo o seu esplendor aos olhos daquela mulher que o esperava.
Não podia esconder a sua excitação, o estado em que ela o deixava, e reparou como o olhar dela se detinha no seu membro excitado, erguido.
Ajoelhou-se entre as pernas de Su e baixando-se foi depositando pequenos beijos na barriga feminina, agarrando depois no elástico da tanga com os dentes, puxando-a, aspirando o perfume de mulher, despindo-a.
Sabia que não aguentaria muito mais sem a possuir e deitando-se sobre ela, beijou-a de forma incontrolável, enquanto acariciava os seus seios e pressionava o seu membro no sexo feminino, até que a ouviu sussurrar:
- Quero-te agora!
E, enquanto a ouvia gemer de prazer, agarrou-lhe nos quadris e entrou no seu corpo, primeiro suavemente, depois com a intensidade que a urgência de tomar aquele corpo fazia sentir.
Corpos que se moviam freneticamente, mãos que se entrelaçavam, bocas que se procuravam, suspiros, gemidos que entoavam pelas paredes, palavras sussurradas de prazer.
E, subindo por espirais de prazer, não demoraram a atingir um orgasmo que os deixou sem fôlego, tremendo, corpos suados e apertados num abraço.
Sabiam que aquilo era apenas o início.
Amaram-se o resto da noite, entremeando com conversas, carinhos e silêncios cúmplices.
O dia amanheceu cinzento, mas naquela suite, brilhava um belo arco-íris.
Abraçados, corpos satisfeitos, sabiam que dali a umas horas seria a despedida.
Não sabiam até quando.
FIM
© Sutra 2005
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