Fantasia da Mery – 2ª Parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Tuesday Jul 10, 2007


(continuação)

– Mery… – Desejei tanto esse encontro, Filipe. – Desejámos…
E abraçaram-se finalmente. Quando se afastaram foi para se olharem de novo, antes de aproximarem os lábios um do outro, provando finalmente o gosto da boca do outro, que tantas vezes haviam sonhado. Depois desse, outro. Mais outro. E outro. Como se pudessem recuperar em instantes o tempo de distância desses quatro anos. A chuva miudinha deslizava por eles, indiferentes a tudo o que não fosse a presença do outro. – Vamos caminhar? – Com essa chuva? – riu-se Mery. – Não foi o que sempre desejaste? Aproveita agora – respondeu. Sorrindo.
Desceram os degraus que os levaram à praia e, de mãos dadas foram caminhando pela areia molhada, parando de vez em quando para trocarem mais um beijo, um abraço e uma ou outra carícia. Os toques iam ficando cada vez mais reveladores do desejo que os invadia, atrevendo-se a invasões de dedos por baixo do tecido das roupas que os cobriam. Ao chegarem ao fundo da praia, contornaram a rocha que ali se encontrava e depararam-se com o paredão que servia de acesso à praia seguinte. Estacaram, trocando mais um beijo, abrigados dos olhares que eventualmente pudessem existir, o que não parecia muito provável.
A camisa cinza caiu ao chão, revelando uns belos seios, cobertos por um sutiã preto com uma renda suave que se ajustava à carne tenra. A boca de Felipe passeava pelo pescoço de Mery, enquanto a apertava entre si e a parede fria, molhada, e introduzia uma coxa entre as dela, pressionando conforme podia, apesar da saia apertada. – Felipe, desejei tanto sentir-te assim. – És muito mais do alguma vez imaginei, Mery. Sente como te desejo.
Mery levou a mão ao volume no baixo ventre do homem que a abraçava, sentindo como o membro pulsava de desejo, rijo, parecendo querer soltar-se da prisão das calças. Movimentando os dedos para abrir o fecho, libertou-o da prisão do tecido e sentiu-o na sua mão, acariciando-o em toda a sua extensão e sentindo o perfume embriagante que se soltava do sexo dele. Sentiu as mãos de Felipe puxarem-lhe a saia para cima e afastou mais as coxas, para o abrigar entre as suas pernas, sentindo a rigidez do pénis esfregar-se contra o seu sexo húmido, ainda coberto pelo fio dental preto. – Adorei que te tivesses vestido de preto. – Foi para ti.
A intensidade da chuva era proporcionalmente inversa ao desejo exalado pelos poros dos dois corpos que se [re]conheciam agora.
Ele investiu, ela acolheu-o no seu ventre. Ele tocou, ela abraçou, ele movimentou o corpo, ela abraçou a sua cintura com as coxas, apertando-se de encontro a ele, suspirando, os gemidos e sussurros entrelaçando-se e espalhando-se pela praia com o vento.
O orgasmo veio e a brisa tratou de o fazer deslizar nas ondas do mar que fustigava a areia.
O suor que lhes escorria pelos corpos confundia-se com as gotas de chuva que ainda deslizavam por eles.——————————————————————————————————————————————————————-
Meia hora depois entravam no apartamento dela, pensando no duche que iriam tomar juntos.
Felipe, ao passar pelo quarto viu em cima da cama uma barra de chocolate e sorriu. – O chocolate é para comer depois? – Não, amor. É para comer durante – riu Mery, olhando-o insinuante.
Felipe soltou uma gargalha e tornou a perguntar: – Vais derretê-lo? – Claro… derreter, depois barrar… e em seguida… comer… – Sugestivo… queres mesmo realizar todas as fantasias que idealizámos, não queres? – Claro. Não posso deixar fugir a oportunidade.
Encaminharam-se para o duche, sabendo que aquela noite seria longa, muito longa. E maravilhosa.

Fim

Editado – Alterei o nome dele para Felipe para ser o nome real. Porque esta é uma fantasia que espero que se realize em breve.
Um beijo para ambos.

© Sutra 2007

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Fantasia da Mery – 1ª Parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Monday Jul 9, 2007

Quatro anos decorridos. Quatro longos, curtos, anos que encerram muito mais do que imaginara sentir. E tudo se resumia agora a um só pensamento: o pulsar do coração na garganta, o sangue que corria como louco, veia acima, veia abaixo. A ansiedade do momento tão aguardado que se aproximava rapidamente, como o anunciava o relógio na parede da sala, onde tentava distrair-se com um livro em que mal tocara.
Faltavam duas horas. Somente 120 minutos a separavam do instante em que veria o seu rosto, ouviria a sua voz. Olhou pela janela e perdeu-se nas gotas que deslizavam pelo vidro, esperando que o tempo se evaporasse como elas, entrelaçando-se com a brisa que a levaria mais perto dele.
Felipe. Sussurrava o nome que tantas vezes tinha desenhado no monitor, enquanto conversava com ele horas a fio, como se lhe sentisse um gosto diferente daquele que sentia quando ainda achava que encontrar-se com ele era apenas uma fantasia sua. Ou de ambos.
Fechou os olhos e mergulhou nas recordações das longas conversas, das palavras carinhosas que haviam trocado ao longo dos últimos quatro anos em que sentira aquela paixão crescer, mês após mês. O receio dele, a complicação de suas vidas, a amizade que surgira entre eles e que se aprofundara com os dias, semanas, meses, permitindo que Felipe conhecesse o seu íntimo como antes não havia permitido a ninguém. Depois a atracção que aumentava de dia para dia, e a expressão desse desejo vezes sem conta.
Finalmente e, após tantas hesitações, iriam dar o passo que faltava.
Ergueu-se do cadeirão, aproximou-se do espelho e penteou o cabelo com os dedos nervosos. O relógio marcava agora 15 horas e 30 minutos; faltava meia hora para o ver. Pegou na mala e saiu de casa, indiferente à chuva miudinha que continuava a cair, pincelando o dia em tons de azul e cinza.
Caminhou em passos rápidos até ao carro, entrando e colocando-se em andamento. Tinha um trajecto de cerca de dez minutos até ao local de encontro. Vestia uma saia preta e uma camisa cinza, sem mangas, pois o dia mantinha-se quente, propício à época do ano. Por baixo, a lingerie preta que sabia ele iria gostar de ver, tocar e… tirar. Sorriu e começou a procurar um lugar para o carro.
Cinco minutos depois estava encostada ao muro à beira da praia. Tirando um casal que caminhava à beira da água, e um cão que farejava do outro lado da praia, não se via mais ninguém. Estremeceu ao sentir uma gota de chuva que caíra do chapéu-de-chuva no decote da camisa. Sonhara com um dia assim para o seu encontro, mas nunca imaginara que viria a acontecer exactamente como desejara e como tinha confessado a Felipe.
Olhou para o seu lado direito e vislumbrou ao longe um vulto que caminhava apressado na sua direcção, de ombros encolhidos. Notou os cabelos castanhos ondulados e o seu coração começou a bater fortemente. Era Felipe, só podia ser ele. Não esperou que ele chegasse junto dela e caminhou até ele. Estacaram, olhando-se com um sorriso emocionado. Ficaram parados, olhando-se nos olhos, sem mexer um músculo, durante segundos que pareceram minutos.

(continua)

Nota – utilizei o nick/nome da Mery e outro nome que eu mesma escolhi.
Editado – Alterei o nome dele para Felipe para ser o nome real. Porque esta é uma fantasia que espero que se realize em breve.
Um beijo para ambos.

© Sutra 2007

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Pedido de desculpas – fantasias comigo

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Monday Jul 2, 2007

Deixo um pedido de desculpas à Mery porque lhe garanti que publicaria na semana passada a fantasia que eu escrevi para ela.


Foi no ano de 2006 que criei o espaço Correio da Sutra para onde enviavam pedidos de fantasias comigo.
Foi algo que gerou moda e que tem sido passado de blog em blog – a moda pegou mesmo Razz
Deixei algumas por escrever desde essa altura. E a da Mery foi uma delas. Numa troca de mails da semana passada, garanti-lhe que a publicaria, mas não o pude fazer. Esta semana fá-lo-ei.
E aproveito para dizer que a rubrica reabriu.
É altura de gritarem com histerismo! LOL
Sim, sim, vou voltar a escrever as fantasias… que me pedirem… comigo… ou sem mim… o que preferirem…

© Sutra 2007

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Fantasia do «Kind» – 2ª Parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Wednesday Jun 21, 2006

Continuação da fantasia do «Kind».

Aqui fica:

«Eles»



Ela sorriu, ao reconhecer aquele nome. Na verdade, o seu corpo reconhecera-o primeiro, mesmo sem nunca o ter visto. Os lábios movimentaram-se incontrolavelmente, e beijou os seus dedos, mordendo-lhe a ponta de um deles, sorrindo de forma provocante. Sentiu que ele se retraiu perante o gesto, como se algo tivesse abalado seu corpo.
As estações passavam sem que se apercebessem, até que segundos antes de entrarem na gare do Rossio, ela disse que saía ali.
- Eu também – respondeu-lhe ele.
- Não querias ir para os Anjos? – perguntou sorrindo.
- Queria. Corrijo: devia! Mas encontrei outro anjo no caminho e a este não o quero perder de vista.
Ela soltou uma gargalhada.
Já na rua, ele pegou no telemóvel e ligou para o edifício onde tinha a reunião daí a pouco mais de uma hora. Enquanto isso, ela pegou também no telemóvel e desmarcou a sua reunião. Sabia que estava a ser inconsequente, esquecendo o trabalho para ficar junto dele, mas não queria desperdiçar aquela oportunidade de o ter junto de si e poderem conversar, ouvir-se, olhar-se nos olhos.
- Onde vamos? – perguntou ele, mal desligou a chamada e, verificando que ela já tinha feito o mesmo.
- Quero levar-te ao Castelo de S. Jorge. Lembras que te falei nisso? – Como podia esquecer?
E, de corpos bem juntos, foram caminhando e conversando, pelas ruas estreitas da cidade, até chegarem ao Castelo, onde se detiveram, junto da muralha, admirando a vista de uma das colinas de Lisboa.
Em silêncio, aproximaram-se um pouco mais, ele agarrou-lhe a mão e sussurrou-lhe ao ouvido:
- Nem imaginas como sonhei com este momento. – Eu não sei o que sonhei, nem o que desejei. Apenas sei o que me tens feito sentir e o que sinto agora.
Olharam-se nos olhos e aproximaram as bocas, sem desviar o olhar. E tocaram-se pela primeira vez, permitindo que, no meio daquela paisagem, os desejos secretos de ambos se concretizassem, prosseguindo num beijo que simbolizava um reencontro, como se se tivessem conhecido noutro tempo, noutro espaço. As bocas devoravam-se, enquanto as línguas entrelaçadas buscavam o gosto uma da outra, conhecendo, reconhecendo, aspirando o odor a excitação e prazer que da pele lhes saía.
Encostando-a à muralha, V. abraçou Su e apertou o seu corpo contra o dela, fazendo-a sentir o seu grau de excitação. De forma imperceptível, ela deixou que o seu corpo, languidamente se submetesse ao dele, deslizando pelos contornos do corpo masculino, enquanto gemia junto da sua boca.
Enlaçou o seu pescoço e apertou-se mais contra aquele corpo que a fazia sentir como se nada mais existisse. Nem sequer os turistas que passeavam, de máquina ao pescoço, sorrindo ao ver aquele casal perdido em carícias, alheados do mundo.
Insinuando uma perna entre as coxas dela, V. não parava de lhe sussurrar ao ouvido o quanto ela o fazia sentir um adolescente, enquanto a boca lhe deslizava pelo pescoço, deixando um rasto de fogo até ao vale entre os seios, que a blusa dela deixava adivinhar.
A sua vontade era pegar nela ao colo, sentá-la no muro e fazê-la sua naquele momento. Possuir aquele corpo vezes sem fim, até ficarem ambos extenuados pelo prazer satisfeito.
Um braço rodeava-a pela cintura, e a sua mão fazia carícias nas suas costas, em movimentos circulares, ascendentes, descendentes, aproximando-a das suas nádegas que apertou contra o seu corpo. A outra mão passeava pelo lado do corpo dela, aflorando levemente o seio, descendo até à anca e voltando a subir, provocando-a.
Ao ouvirem vozes ali perto, olharam-se e soltaram uma gargalhada, ao mesmo tempo que o rubor das faces era ainda mais notório, numa mistura de desejo e vergonha, como se fossem dois miúdos apanhados em flagrante.
Ele encostou a sua testa na dela e ficaram assim por longos minutos, apenas abraçados, permitindo que as respirações voltassem ao normal.
Tempo depois, de mãos dadas, seguiram pelo jardim, pararam na esplanada para tomar uma bebida e ficaram a conversar até a noite começar a descer sobre a cidade, e os pequenos pontos de luz se acenderem aqui e além.
Desceram ao centro da cidade e decidiram jantar não muito longe dali. Ele aproveitou para telefonar para casa, avisando que não poderia ir naquele dia, que ficaria a pernoitar em Lisboa, regressando apenas no dia seguinte a meio da tarde.
Foram até ao hotel na Avenida, para que ele reservasse um quarto para aquela noite. Entrou com ele na recepção, e quando o empregado lhe perguntou que tipo de quarto ele queria, V. olhou para Su, como se lhe perguntasse com o olhar, algo que apenas ela lhe poderia responder. Como se o tivesse lido nos olhos dela, respondeu:
- Uma suite, por favor.
Recebeu a chave e disse que iria subir para deixar a pasta e refrescar-se um pouco. Ela preferiu esperá-lo na salinha de espera junto à recepção.
Dez minutos depois ele regressou e saíram em busca de um restaurante sossegado, íntimo, onde pudessem sossegadamente conversar sobre tudo o que haviam guardado ao longo daqueles meses, e repetir tudo o que haviam já dito mas, desta vez, olhando-se nos olhos. As mãos tocavam-se por cima da mesa, os joelhos roçavam por baixo dela. A cumplicidade entre os dois era imensa, apesar de tanto que os poderia separar.
Os receios haviam desaparecido, levados pelo vento. As dúvidas haviam-se dissipado desde que se tinham cruzado naquele dia.
A paixão cruzava o ar que respiravam e era palpável a vontade que ambos tinham de esquecer de tudo o que os poderia impedir de sentir o que sentiam naquela hora.
O jantar decorreu com muita calma, como se não houvesse pressa em saírem dali, e o prolongamento do tempo de espera, agudizava o desejo que os possuía, antecipando no que culminaria naquela noite.
Não muito tempo depois, subiam o elevador que os levava à suite do hotel.
Mal entraram, ele encostou-a à porta e beijou-a suavemente, acariciando-lhe a face, os cabelos, deixando escorregar os dedos pela lateral do corpo dela, sentindo como estremecia aquele ser em seus braços.
Ela aconchegava-se no seu corpo, deslizando as mãos pela sua cintura, subindo pelo seu peito, enroscando-as no pescoço quente dele. Começou a desapertar-lhe a camisa que trazia vestida, expondo o pescoço que a atraía a depositar um beijo quente na pele, deixando um rasto húmido pelo peito dele, enquanto ía desabotoando a camisa, tirando-a de dentro das calças. A sua boca parou junto do umbigo, onde se deteve languidamente numa carícia aveludada. Ele puxou-a e dando alguns passos pela suite, fê-la sentar no sofá, ajoelhando-se à sua frente, enquanto a agarrava pelo pescoço com doçura, beijando-a com um ardor contido, fazendo-a suspirar.
Desapertou-lhe a blusa, despindo-a em seguida, olhando como ela estava bela, à luz difusa do quarto, com aquele sutiã que mal lhe escondia os seios excitados. Tirou-lho, mostrando os mamilos erguidos, excitados, ansiando pelo toque dos seus dedos, da sua boca, o que satisfez em seguida. Não parando por ali, continua a beijá-la pelo corpo, devorando cada pedacinho de pele, enquanto suavemente a ía despindo da saia que ela trazia, deixando-a apenas com a pequena tanga. Vermelha, como ele imaginava.
Ergueu-se, pegou nela ao colo e levou-a para a cama, afastando a colcha que a cobria. E, começando pelo pé, iniciou um percurso de beijos, qual alpinista subindo pela montanha mais atraente, passando pelo joelho, deslizando pela pele suave do interior das suas coxas e parando junto às virilhas.
Ela gemia, pedindo baixinho que ele não parasse, enquanto meneava o corpo, em movimentos sensuais, provocando-o a continuar, querendo mais, cada vez mais.
Ele levantou-se e terminou de se despir, exibindo o corpo em todo o seu esplendor aos olhos daquela mulher que o esperava.
Não podia esconder a sua excitação, o estado em que ela o deixava, e reparou como o olhar dela se detinha no seu membro excitado, erguido.
Ajoelhou-se entre as pernas de Su e baixando-se foi depositando pequenos beijos na barriga feminina, agarrando depois no elástico da tanga com os dentes, puxando-a, aspirando o perfume de mulher, despindo-a.
Sabia que não aguentaria muito mais sem a possuir e deitando-se sobre ela, beijou-a de forma incontrolável, enquanto acariciava os seus seios e pressionava o seu membro no sexo feminino, até que a ouviu sussurrar:
- Quero-te agora!
E, enquanto a ouvia gemer de prazer, agarrou-lhe nos quadris e entrou no seu corpo, primeiro suavemente, depois com a intensidade que a urgência de tomar aquele corpo fazia sentir.
Corpos que se moviam freneticamente, mãos que se entrelaçavam, bocas que se procuravam, suspiros, gemidos que entoavam pelas paredes, palavras sussurradas de prazer.
E, subindo por espirais de prazer, não demoraram a atingir um orgasmo que os deixou sem fôlego, tremendo, corpos suados e apertados num abraço.
Sabiam que aquilo era apenas o início.
Amaram-se o resto da noite, entremeando com conversas, carinhos e silêncios cúmplices.
O dia amanheceu cinzento, mas naquela suite, brilhava um belo arco-íris.
Abraçados, corpos satisfeitos, sabiam que dali a umas horas seria a despedida.
Não sabiam até quando.

FIM

© Sutra 2005

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Fantasia do «Kind» – 1ª Parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Wednesday Jun 21, 2006

Esta é a fantasia do «Kind», enviada para o Correio da Sutra. E a sua fantasia consistia num encontro em Lisboa, numa das suas vindas em trabalho. Ele deu o mote – que o encontro seria no Metro, por acaso, e a partir de um toque dos seus dedos nos lábios, eu continuaria, deixando vaguear a minha imaginação. E ela vagueou demais. De tal forma, que não consegui escrever menos do que o texto que irão ler. Fui obrigada a dividi-lo em 2 capítulos, bastante extensos. Mas, como eu não estarei por cá no fim de semana, deixo-vos leitura para digerirem com tempo até 2ª feira. Amanhã de manhã publicarei a 2ª parte e última, antes de viajar.

Desta vez coloquei um nick que eu própria criei e o V. mencionado no texto é fictício.

Aqui fica:

«Ele»



Dirigiu-se à máquina automática dos bilhetes e, depois de procurar nos bolsos, colocou uma moeda na máquina, obtendo um bilhete de ida. Era quanto necessitava. Passou no obliterador e encaminhou-se para as escadas que o levariam ao metro, de forma calma, compassada, ao contrário das pessoas que passavam numa azáfama à qual não estava diariamente habituado. Vinha várias vezes a Lisboa, em trabalho, e continuava a caminhar sempre sem aquela pressa tão característica dos citadinos que, de rostos sisudos, correm como se a vida fosse parar minutos depois, querendo absorver tudo num único tempo. Também ele residia numa cidade, numa das mais belas e tradicionais cidades portuguesas, mas mais calma, onde nos rostos dos transeuntes se espelhavam sorrisos, e as palavras de saudação saíam com a maior facilidade.
Esperou alguns minutos e logo surgiu do fundo do túnel, a composição que o levaria até à estação da Alameda, onde mudaria para outra linha. O seu destino era os Anjos, onde tinha agendada uma reunião para daí a duas horas, num dos edifícios centrais da Avª Almirante Reis – a razão de ter vindo a Lisboa.
Eram poucos os passageiros naquela carruagem e sentou-se junto à janela, não que visse alguma paisagem, com excepção da pequena passagem na zona das Olaias, mas porque gostava de estar assim recolhido naquele canto, em sossego com os seus pensamentos.
E, estes, levaram-no até às últimas semanas que tinha vivido, e à troca de mails com aquela desconhecida que o deixava num misto de letargia e excitação, como há muito não sentia. Fazia nesse dia dois meses que se «conheciam», sem se conhecerem na realidade. Que se «ouviam» sem falar, «que falavam» sem se ouvir. Mas, todos os seus sentidos se alteravam apenas de imaginar se algum dia a veria, ou a teria tão perto de si, como aquela jovem que estava sentada na sua frente – uma adolescente que mascava pastilha elástica e abanava a cabeça ao som da música que se soltava dos «headphones».
E, rapidamente se apercebeu que já estava na Alameda, saindo apressadamente da carruagem, antes que as portas se fechassem e a composição recolhesse ao fim da linha.
Encaminhou-se, sempre no seu passo calmo, de homem seguro de si, e da experiência que a vida lhe tinha concedido e encaminhou-se para a outra linha.
Olhava cada rosto feminino, como se buscasse aquelas feições que havia decorado, dia após dia, naqueles dois meses de convívio virtual.
Parou na gare, aguardando pela composição que se dirigia para o Cais do Sodré, e eis que lhe pareceu ver aquele corpo que conhecia apenas de fotografia. Sorriu, abanando ligeiramente a cabeça, pensando consigo mesmo – «estás a ficar alucinado, concentra-te no que tens de fazer daqui a umas horas». E entrou na carruagem que parou à sua frente, pensando se valeria a pena sentar-se, já que eram poucas as estações.
Acabou por o fazer, colocando a pasta no colo. E perdeu-se de novo em pensamentos, imaginando onde estaria aquela mulher que não lhe saía da mente, atormentando-o nos momentos mais inusitados do dia. Ela estaria algures num canto daquela cidade, e como seria maravilhoso cruzar-se com ela naquele momento. Não tinha como a contactar, apenas o acaso poderia juntá-los. Semicerrou os olhos e começou a imaginar como seria esse encontro, se alguma vez acontecesse. Imerso nesses pensamentos, não se apercebeu que a estação dos Anjos era a seguinte e que um sorriso desenhado no rosto, despertava a atenção dos mais curiosos.
Deu-se conta, repentinamente, que já tinham decorrido alguns minutos e quando olhou pela janela, viu que a composição já estava em andamento, partindo da estação dos Anjos. Ía para se erguer, quando olhou para a sua frente. E viu-a.
Reconheceu os lábios que conhecia de cor, o narizinho com o qual brincava quando «conversavam» por mail, as curvas daquele corpo. Ficou estático, sem saber o que fazer naqueles primeiros segundos. Aclarou a garganta e tentou dizer qualquer coisa, mas a voz não saía, até que lá conseguiu dizer algumas palavras, sem nexo, fazendo-o sentir absurdamente envergonhado. Como é que ele, um homem que tão bem sabia sempre o que dizer, em cada momento, via desaparecer agora as palavras certas?

«Ela»



Aquele era mais um dia de trabalho, mas parecia que tudo lhe corria mal naquele dia.
Adormecera, mesmo depois de o despertador ter tocado. Claro, mas quem lhe mandava a ela desligá-lo vezes sem conta, até se levantar? Naquele dia não resultara e, ao carregar no botão errado, desligara-o de vez.
Depois, aquele acidente logo após a ponte Vasco da Gama que a fizera perder ainda mais uma hora, antes de conseguir entrar na via que a levava directamente à zona onde fica a sua empresa. Quase meia hora para conseguir estacionar o carro – estava para breve a mudança de sede da empresa e deixaria de ter esse problema, mas até lá era o mesmo suplício todas as manhãs.
Faltara à primeira reunião da manhã, que teve de ser adiada para a 2ª feira seguinte, teve de dar formação, sem ter preparado alguns diapositivos que não conseguira terminar na noite anterior, devido ao cansaço daquela semana. E, para culminar, quando se dirigia para a reunião da tarde, o carro empanara no caminho e tivera de chamar o reboque, preferindo entrar no Metro, do que esperar por um táxi que teria de enfrentar o trânsito da tarde. Não era dia 13, mas era sexta-feira e não lhe parecia a melhor forma de terminar a semana – ou de entrar no fim-de-semana.
E agora ali estava, sentada naquele canto da carruagem, olhando o relógio no pulso e, apesar de ter avisado que iria chegar atrasada à reunião, irritada porque não gostava quando a vida lhe pregava aquelas partidas. Não quando brincava com o seu lado profissional.
Lembrou-se que hoje não havia recebido o mail «dele», que habitualmente chegava na hora de almoço. Mas sabia que assim seria. Ele avisara-a na véspera que viria para Lisboa em trabalho. Não lhe pedira para se encontrarem, provavelmente com receio que ela negasse de novo. E ela não lhe dissera que poderiam fazê-lo.
Olhou mais uma vez as horas e, erguendo o rosto, deparou-se com aquele homem sentado à sua frente, que sorria, como se estivesse no meio de um sonho que o transportava para a Terra do Nunca.
Olhando as suas feições, sentiu um arrepio na espinha, sem saber porquê. Não o conhecia, mas parecia que lhe era familiar. E acabou por sorrir, no meio do seu nervosismo, devido ao sorriso prazeiroso que ele mantinha colado no rosto. Desviou os olhos e tentou concentrar-se nas folhas que tinha na mão, tentando dar uma última vista de olhos, antes de chegar à estação de destino, no Rossio.
Segundos depois, ouviu um pigarrear vindo do homem à sua frente, e pensou consigo que ele devia ter acabado de acordar do tal sonho. Sorriu para si mesma, antes de ouvir:
- Desculpe, distraí-me e acabei por deixar passar a estação. Qual a melhor forma de voltar para trás? – perguntava-lhe ele, em voz rouca.
Ela não entendia a questão. Parecia óbvia demais a resposta – sair na estação seguinte e voltar para trás. Achou que, das duas uma, ou ele acordara mesmo de um mundo perdido na memória, ou estava a tentar dizer-lhe algo e não sabendo como, fora a primeira frase que lhe saíra. Lá lhe explicou como fazê-lo, mas sentiu-se enrubescer pois ele não retirava o olhar dos seus lábios. Até que, esticando um braço, lhes tocou com a ponta dos dedos, sussurrando, enquanto a fazia estremecer:
- Su? – Sim… quem és? – V…

(continua)

© Sutra 2005

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Fantasia sem nome

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Tuesday May 23, 2006

Hoje deixo mais outra fantasia das pedidas para o Correio da Sutra.
Esta fantasia de hoje é para alguém que deambula pelos domínios da informática. Mas poderia ser de qualquer pessoa.


Era raro ela ligar o msn, mas naquela noite apetecia-lhe apenas ficar por ali, a conversar com alguém que estivesse online. Sentou-se confortavelmente na cama, encostada nas almofadas, portátil no colo, o som da televisão em tom médio a ouvir o MTV e nada mais.
Apesar da noite fria, o seu quarto estava quente devido ao ar condicionado que se encontrava ligado há mais de uma hora, por isso vestia apenas uma delicada camisa de noite de cor branca, com decote em «v» e que lhe chegava até meio das coxas.
Ligou o portátil, aguardou que iniciasse, fizesse a conexão à Internet e clicou no ícone do msn.
Sim, ele ali estava. Sorriu.
Os seus encontros virtuais eram algo esporádicos, mas podiam prolongar-se durante horas, quando ali se encontravam, em amena cavaqueira.
«- Olá!
… Silêncio. – Olá – repetiu. – Olá, mas que te deu hoje para apareceres, logo tu que raramente andas por aqui? – Apeteceu-me vir conversar um pouco. – E eu era o único disponível, queres ver? – retrucou ele, no seu jeito directo e brincalhão que ela aprendera a conhecer. – Não, não és o único, mas foi a ti que quis cumprimentar em primeiro lugar. Afinal, já não conversamos há algumas semanas. – Semanas? Tens a certeza que não são meses? – e apareceu o «lol» habitual deste tipo de conversação. – Tenho a certeza que não são meses. Não me provoques – e exprimiu o seu riso em palavras. – Eu não conseguiria provocar-te, pois não? – perguntou ele, de forma que a ela já não lhe pareceu a brincar. – Eu não apostaria nisso – respondeu.
E, mudando de assunto: – Tens ido muito para fora em trabalho? Já é tão raro ver-te pelos blogs. Não me digas que tens passado os fins-de-semana todos a caminho do Norte. – Os últimos fins-de-semana tenho mesmo saído mais em trabalho, o que é bom, o trabalho tem vindo a acumular. – É bom saber isso, é sinal que houve uma reviravolta em poucos meses. – É verdade – respondeu ele. – E quando me fazes uma visita, numa dessas tuas viagens? – É difícil, mas podias tu fazer uma visita num dia em que estejas com vontade de passear. – Agora? – riu ela – Agora apetecia-me passear. – Passear até aqui? A esta hora? – ria ele, por sua vez, sabendo que ela estava apenas a brincar. – A noite ainda agora começou. – Atrevias-te? – provocou ele. – Fecha os olhos e deixa-te ficar assim por alguns minutos. Quando os reabrires… estarei aí. – Hoje estás muito divertida e misteriosa. Mas não te sabia com poderes mágicos. – Ficarás a saber agora – respondeu ela – Fecha os olhos e espera-me.
Ele fechou os olhos, encostou-se para trás na cadeira e, nessa posição, esperou alguns minutos. O cansaço de mais um dia de trabalho começou a tomar conta do seu corpo e deixou-se mergulhar num estado letárgico, já muito perto do sono, não se apercebendo que os poucos minutos se haviam transformado em dez minutos, depois em quinze.
Até que sentiu sobre o rosto a respiração de alguém. Abriu de imediato os olhos e deu um salto repentino da cadeira: à sua frente, sentada na secretária estava ela, de sorriso atrevido que lhe inundava lábios e olhos, perna traçada, enquanto balançava um pé descalço e a esconder o corpo, apenas uma camisa de noite branca que deixava adivinhar os mamilos rosados em seios pequenos e arredondados. O rosto muito perto do seu tinha uma expressão que fazia adivinhar uma vontade férrea. – Mas… como? – balbuciava ele no seu espanto, sem saber se estava a sonhar ou acordado. – Sou eu mesma. Não querias uma visita minha? – Sim, mas… como é que… – Não penses, não fales. Desfruta. Sente.
E, descruzando as pernas, aproximou-se mais dele, repousando os seus pés descalços nas coxas masculinas.
Os olhos dele não se descolavam dos femininos, numa ânsia da qual ele nem se dava conta. «Se isto é sonho, não quero acordar tão cedo» – pensava, enquanto subia as mãos até ao rosto daquela mulher quase sentada em seu colo.
O beijo surgiu por fim e foi apenas o início da dança voluptuosa de corpos impregnados do doce perfume da paixão.
Amaram-se em silêncio. Ele no corpo dela, ela incorporada no dele. O chão abrigou os dois amantes cujos corpos unidos rebolavam, acariciando-se. Luxúria. Paixão. Sonho.
Buscavam o infinito na pele de cada um e foram além do limite do prazer.
Adormeceram nos braços um do outro. Os cabelos escuros dela espalhados pelo peito masculino. Os braços dele em redor do corpo feminino, uma mão repousando na coxa macia.
O sono deu lugar à luz do novo dia. Ele acordou e olhou em seu redor. Estava sentado na cadeira frente à mesa de computador. No monitor uma mensagem dela: – Gostei de ter penetrado no teu sonho. Dorme bem.
Hora: 01.23.

© Sutra 2006

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Fantasia do Fire – 2ª parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Wednesday Apr 19, 2006

(continuação)

– Ateei um fogo onde? – perguntei provocando-o, sabendo já ao que se referia. – E vejo que gostas de brincar com ele. – Com… ele?... Gosto… mas a que «ele» te referes? – Ao fogo. Não era disso que falávamos? – perguntou enquanto se erguia para se aproximar de mim. – Claro que sim, pois… era… – Sabes que tenho a leve sensação que te conheço? Algo em ti é-me familiar, mas ainda não consegui identificar o quê. – Não achas que essa já é velha? – Essa quê? – perguntou, confuso. – Essa forma de abordagem, que mais seria? «Não nos conhecemos de algum lado?» é uma pergunta já demasiado batida, não achas? – Achas que ainda te estou a abordar? – e soltou uma gargalhada rouca. – Diz-me tu o que estás a fazer – e sorri-lhe. – Estás a alimentar ainda mais o fogo. Mas a sério: eu reconheço algo em ti que não te sei dizer o que é – ele insistia e eu desconfiava do que ele falava. – Costumas andar pela net? Ver blogs e tal… – Costumo! Tu tens algum?... Ah! Espera! Há um blog que tenho o hábito de ler de vez em quando: da Sutra. És tu?
Respondi-lhe apenas com um sorriso. – É claro que és tu e é a boca que me é familiar! A boca que vejo sempre no cimo do teu blog. E claro, alguns traços mais do corpo, pelas fotografias que lá colocas. Nunca imaginei vir encontrar-te aqui! – Porque não? – Bem, tu és de Lisboa, não és? E estás um bocado afastada da tua zona. Que andas a fazer por aqui? – Vim descansar o fim-de-semana e como já uma vez tinha estado por cá, vim aproveitar e conhecer o que me tinham falado e que não tive tempo de conhecer da outra vez. – Estás a gostar? – Do que vi e aproveitei até agora, sim. É um local extraordinário, onde se sente paz. Mas espero aproveitar ainda mais até ao final do dia. O lugar e… até a companhia. – Estou ao teu dispor – respondeu, sorrindo e abrindo os braços. – Acho que vou aproveitar tudo isso que me ofereces – insinuei enquanto descia o olhar pelo seu corpo. – Incendiária…
As insinuações continuaram e as brincadeiras também. Irresistivelmente o seu ar descontraído, provocador e divertido, atraíam-me e faziam com que desejasse beijá-lo.
Pouco depois, a vontade de nos atirarmos à água era imensa, mas eu não podia esquecer que estava sem biquini. Ele entendeu a minha hesitação e disse que se afastava até eu estar dentro de água, o que aceitei, embora pensando que, na realidade não adiantava de muito, já que mesmo dentro dela, via-se tudo. Mas, preferi ignorar isso e descontrair.
Brincámos durante algum tempo, mergulhando, nadando, sem nunca parar de nos provocarmos um ao outro. E foi no meio de uma das brincadeiras que nos detivemos de olhar preso, respiração ligeiramente ofegante e de corpos bastante próximos.
Bastou um suspiro meu e senti quase de imediato os seus lábios tocarem os meus, encostando-se apenas ligeiramente, aquecendo a pele com a sua respiração. Depois, a língua que contornou, atrevida, os meus lábios, desenhando-os até que se abriram, ansiosos por sentir a sua língua na minha. O tremor que senti subir pelo meu corpo, não era do frio da água, mas antes do calor que me invadia.
Eram as chamas do prazer que nos incendiavam. Encostei o meu peito nú ao seu, os mamilos rijos endurecendo ainda mais, em contacto com a sua carne e, ao sentir as suas mãos que me agarravam a cintura com força. O beijo tornou-se mais forte, mais voraz, as línguas dançando freneticamente nas nossas bocas, provando-se, sentindo paladares.
Senti a sua perna insinuar-se entre as minhas e apertar-se de encontro ao meu sexo. O seu, eu sentia-o duro, excitado contra a minha barriga, e esfregava-me contra ele, excitando-o ainda mais, demonstrando o quanto desejava que ele não parasse aquela loucura.
Senti como a sua boca descia pelo meu pescoço na direcção dos meus seios, desejando o toque urgente da sua boca na minha carne. E o frémito de prazer que me percorreu, junto com a humidade que sentia entre as pernas, denunciavam o tesão que eu sentia.
Deslizei a mão pelo seu peito, até tocar o membro por cima dos boxers, e acariciei a sua carne rija, por cima do tecido, antes de deslizar os dedos pelo elástico, agarrando a sua carne quente e húmida. Ouvi-o gemer contra a minha pele e a sua boca sugou mais fortemente o mamilo onde se deliciava, enquanto os seus dedos haviam descido até ao fio dental, afastado o tecido para o lado, e acariciavam a minha carne tenra e húmida da água e do néctar que já escorria de mim.
E, de repente, agarrou-me as nádegas e ergueu-me o corpo, fazendo com que abraçasse a sua cintura com as minhas pernas, o seu membro erguido fora dos boxers, em contacto com o meu sexo. Beijámo-nos desenfreadamente, enquanto ele me apertava as nádegas e eu rebolava contra ele. – Quero-te – ouvi-o sussurrar. – Eu também. Mas… tens protecção? – Está no bolso das calças. – Vamos – pedi-lhe.
Na beira da água, despi o fio dental enquanto ele largava os boxers e procurava o preservativo. Ía para o colocar quando lhe pedi para não o fazer ainda e ajoelhei-me na sua frente. Ele sabia a carícia que eu lhe queria fazer e sorriu, acariciando os meus cabelos e puxando ligeiramente o meu rosto de encontro ao seu membro.
Toquei-lhe com os lábios, beijando-o e deslizando a língua em toda a sua extensão, lambendo a sua pele, sentindo o seu gosto, chupando de leve, e acolhendo a sua carne na minha boca, fazendo com que gemesse. Acariciei-o assim durante alguns segundos, até me pedir para parar, porque não queria terminar ainda.
Coloquei-lhe o preservativo e puxei-o para o chão, onde nos abraçámos e beijámos de novo.
Depois foi a sua vez de me fazer loucuras com a sua boca, descendo para o centro do meu prazer, afastando as minhas coxas e deitando-se entre elas. A sua língua deliciava-me, deixando-me à beira do orgasmo e depois interrompendo as carícias, fazendo com que ansiasse por mais. Pedia-lhe para não parar, até que ele me acariciou, lambeu, mordiscou, fazendo-me vir copiosamente na sua boca, enquanto gemia, mas com uma vontade louca de gritar alto.
Só então se preparou para me penetrar.
Senti o seu membro invadir-me profundamente, iniciando depois movimentos de vaivém que faziam subir ondas de calor. O seu corpo incendiava o meu e propagava o fogo por todo o meu ser.
As carícias continuaram e fizemos amor várias vezes até ao final da tarde. Depois, vestimo-nos e saímos dali na direcção da povoação, onde nos separámos para ir tomar um banho – ele a casa e eu à residencial.
Jantámos juntos e dormiu no meu quarto nessa noite, continuando a loucura iniciada naquela tarde na cachoeira.
Felizmente que não teve nenhuma chamada urgente.
Até porque o único incêndio que havia para apagar era o nosso.

Fim

© Sutra 2006

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Fantasia do Fire

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Tuesday Apr 18, 2006

Hoje deixo mais uma fantasia das pedidas para o Correio da Sutra – e aviso que vai em atraso de alguns meses.
Esta fantasia de hoje é para o Fireman. Ou simplesmente Fire. Espero que ele goste da forma como a escrevi, até porque ele deixou ao meu critério sobre o que seria.
Fica a primeira parte, porque me deliciei a descrever e acabei por deixar a parte da fantasia propriamente dita, para a segunda parte, a publicar ao fim da noite de 3ª feira.


Desejei durante toda a semana escapar durante aqueles dois dias de descanso e ir até algum sítio repousante, sossegado. O tempo quente de fim de Maio convidava a locais frescos, em contacto com a Natureza, por isso escolhi a zona centro, distrito de Coimbra, num dos concelhos mais conhecidos da zona, Arganil. Resolvi que seria o local para dormir, o que me permitiria passear por aquela zona verdejante – já não tanto devido aos incêndios sofridos nos últimos anos, mas ainda assim uma zona bela – e encontrar aquelas cascatas que me haviam falado alguns amigos.
Fui logo na 6ª feira, depois de ter saído do trabalho um pouco mais cedo e ainda fui jantar a Arganil, ficando por ali, já que a semana havia sido bastante tumultuada e cansativa.
Tencionava levantar-me cedo na manhã seguinte e foi o que fiz.
O dia estava quente naquele final de Primavera e lá me meti no carro, começando a deambular por estradas e caminhos. A dada altura, encontrei um pequeno largo onde estavam já dois carros estacionados e deixei também lá o meu, seguindo a pé pelo caminho estreito que vi ali mesmo. Ouvi algumas vozes e continuei o meu caminho. Na verdade, apetecia-me mesmo era estar sozinha e tirando um «bom dia» ou «boa tarde», preferia manter-me assim só, apreciando cada minuto da minha própria companhia.
As vozes ficaram mais próximas e ao subir um pouco mais, contornando uma pedra enorme, encontrei um casal que brincava amorosamente. Sorri, passei por eles dizendo bom dia e após troca de cumprimentos educados, segui o meu caminho, embrenhando-me de novo no silêncio do arvoredo, apenas cortado pelo som longínquo de água que corria.
Devia estar perto do riacho que me tinha indicado na residencial e segui na direcção daquele som, aproximando-me cada vez mais. E, finalmente o encontrei, um riacho de águas perfeitamente límpidas, cristalinas e que convidavam a molhar os pés. Segui pela margem, descendo mais um pouco, pois parecia que ouvia a água cair com mais força, um pouco mais abaixo.
Quando constatei do que se tratava nem queria acreditar – uma espécie de cascata formada por uma pequena queda de água de outro riacho que ali vinha juntar-se, formando uma pequena lagoa onde não caberiam mais do que uma meia dúzia de pessoas e cuja profundidade não deveria ser além da cintura.
A vontade de mergulhar naquelas águas foi tal, que não perdi tempo, despindo-me de imediato, descalçando e entrando na água com cautela. Não tinha trazido roupa, pelo que, estava apenas com a lingerie, a parte de baixo, um minúsculo fio dental.
A água, apesar de fria, convidava a nadar no pequeno espaço que mal dava para três ou quatro braçadas, e tal como previra, não chegava para me cobrir os seios. O fundo era de areia fina misturada com pedras miudinhas, algumas coloridas.
Saí e, limpei-me com uma toalha que havia trazido para me sentar. Vesti os calções e a t-shirt e deitei-me à beira da cascata a ler, enquanto mastigava uma maçã. Fiquei assim por mais de uma hora, relaxando, e aproveitando totalmente as horas de lazer.
Tinha sido uma excelente ideia ter fugido de Lisboa para aquela zona do país menos explorada – pelo menos por mim.
Os raios de Sol que queimavam a minha pele, por entre a folhagem das árvores, fez com que me despisse de novo e, mais uma vez, me deleitasse nas águas límpidas. Mergulhei, nadei, mergulhei de novo, adorando sentir o contacto da água fria na minha pele quente que, entretanto arrefecera, ao contacto.
E, repentinamente, ouvi o som de passos e vozes. E realmente estava a achar demais ter aquele paraíso só para mim num Sábado com um calor como estava. Lembrei-me que estava só com um fio dental vestido – ou despido, porque quase nada tapava – e ainda fui para sair da água e enrolar-me na toalha. Mas era tarde demais, dois vultos saíram de trás de uma das árvores e ficaram tão espantados quanto eu, ao encarar comigo ali, escorrendo e tentando manter o corpo mais ou menos coberto pela água transparente. – Desculpe… eu… nós… não sabíamos que estava aqui alguém – balbuciou o mais velho dos dois homens, que vinham vestidos de bombeiros. – Não tem importância… quer dizer… – eu nem sabia que dizer. – Não se preocupe, nós vamos já embora – acrescentou o mais novo de olhar divertido. – Mas, passa-se alguma coisa? Algum incêndio por aqui perto? – o facto de estarem assim vestidos, fez-me lembrar que poderia estar em perigo, embora não tivesse sentido cheiro a queimado. – Não, pode estar descansada que não há nenhum incêndio, apenas andamos a proceder a algumas limpezas e verificação das matas, antes da época deles – explicou o mais velho, enquanto o outro percorria o meu corpo com o mesmo olhar de divertimento. – A não ser que queira dar início a algum agora mesmo – gozou, cruzando os braços. – Cala-te e vamos trabalhar, que a Maria espera-me para almoçar – ralhou o outro – até mais ver, menina, e aproveite a natureza que o dia está para isso. – Boa tarde e obrigada – respondi-lhe. – Até mais ver, incendiária… – riu o outro.
E foram embora.
Esperei alguns minutos, até ouvir as vozes deles ao longe e saí rapidamente da água. A minha pele já estava toda arrepiada de frio – e do olhar insinuante daquele homem provocador?!
Vesti-me de novo e sentei-me a comer as bolachas que levara e a beber o sumo de pacote.
Depois, deitei-me e fiquei apenas a ouvir os sons da mata, da água. E fui entrando num torpor delicioso, entre o dormir e o estar acordada. Assim fiquei durante algum tempo, não sei precisar quanto. Mas, descobri mais tarde ter sido mais de duas horas.
E fui surpreendida por uma voz que me fez sair daquele estado semi-adormecido: – Olá de novo, incendiária!
Claro que reconheci aquela voz. Estava sentado a cerca de cinco metros de mim, encostado ao tronco de uma árvore. Não sabia há quanto tempo ali estava, mas disse-me horas depois que não tinha sido mais do que uns dez minutos. – Porque me chama incendiária?
A sua resposta foi uma pequena gargalhada e, depois de um breve silêncio: – Queres mesmo saber? – perguntou, tratando-me por tu. – Se perguntei… o que achas? – tratando-o do mesmo modo. – Porque ateaste um fogo e agora preciso de saber como o apagar.

(continua amanhãWink

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Fantasia do Penetrador

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Monday Mar 13, 2006

Esta fantasia é para o Penetrador. Ele apenas disse para eu escrever algo com base no que conhecia dele.
Há muito que estava para ser publicada. Uma vez escrevi e perdi tudo, depois tentei de novo e não estava a sair como queria. resolvi fazer uma pausa e escrever quando viesse a ideia que eu entenderia ser a melhor.
E aqui está ela.


Exasperada porque nada funcionava no computador, acabou por o desligar desolada, com vontade de pegar nele e atirá-lo pela janela. Sabia que não era a solução certa, mas que fazer quando tudo lhe corria mal num só dia?
Tinha um trabalho urgente para terminar ainda nessa noite e já eram 21 horas, imaginava que teria uma noite em claro por causa disso. Primeiro havia faltado o papel e teve de ir a Lisboa, à empresa, buscar o papel timbrado – havia sido um atraso de quase duas horas pelo qual não se conseguia perdoar. E agora, surgia aquela configuração estranha que lhe alterara todo o teclado, trocando-lhe as letras de forma assombrosa. Já havia desligado várias vezes e tudo voltava ao mesmo; tentara retirar o teclado e colocar um mais velho que tinha e nada adiantara.
Azar pior, era o facto de ter emprestado o portátil e só o voltar a ter no dia seguinte. Seria tarde demais.
E a uma hora daquelas quem lhe iria valer? Nem sequer encontrava um cyber aberto o tempo suficiente para terminar o que ainda tinha para fazer. Tentar a casa de algum amigo? Nem sequer o apartamento em Lisboa a safava porque havia mandado desligar a Internet para mudar de servidor e só voltaria a ter daí a duas semanas.
Lembrou-se repentinamente de quem a poderia ajudar – bastaria que o encontrasse online no msn ou enviar-lhe-ía um mail para tentar saber. Seria necessário também que ele não estivesse muito longe de si, naquela noite. Será que conseguiria?
Ligou o computador mais uma vez e, após verificar que ele não estava no MSN, com alguma dificuldade lá digitou uma mensagem breve, perguntando se ele estava no computador, e se estivesse se teria dois minutos para falar com ela no MSN, enviando-o de seguida.
Enquanto esperava foi preparar um chá de ervas que havia trazido de casa de seus pais e quando regressou ao computador, o sinal a piscar anunciava que tinha resposta no mail. Cruzou os dedos, desejando que fosse um mail dele a dizer que estava ali mesmo.
E era.
Dizia-lhe que estava online mas não por muito tempo, pois estava em casa de um primo, em Lisboa, e só tinha vindo consultar os mails e fazer uma verificação para um trabalho do dia seguinte.
Ela ligou o MSN de imediato e sorriu quando o viu online. Contou-lhe o problema, e depois de tentar ajudá-la por ali, chegaram à conclusão que o problema não poderia ser solucionado dessa forma. Ele insinuou que poderia ir até à casa dela, se ela o quisesse, e ela quase pulou de contentamento, pois era algo em que estava a pensar mas não tinha ainda tido coragem de lhe pedir.
Explicou-lhe onde deveria ir ter e ela iria buscá-lo, pois a sua casa não era nada fácil de localizar.
Dava-lhe tempo a ela, de deixar algo preparado para comerem quando voltassem – ela ainda nem havia jantado – tomar um banho e esperar pelo sinal dele.
Quarenta minutos depois, uma sms vibrou no telemóvel e, pegando nas chaves de casa e do carro, saiu porta fora, correndo até à viatura estacionada no pátio, que colocou a trabalhar. Em menos de 10 minutos chegou ao local combinado e ele lá estava, à sua espera. Apenas o tinha visto uma vez, pela fotografia que ele lhe havia mostrado pelo MSN, mas reconheceu o rapaz moreno, de imediato, que lhe provocou um arrepio na espinha. Cumprimentaram-se e, metendo-se cada um em seu carro, lá seguiram para casa dela.
Depois de chegarem, ela levou-o até ao pequeno escritório onde estava o computador, e de imediato assumindo a sua compenetração profissional, ele foi verificando todos os fios e ligações.
- Vou preparar algo para comermos, eu ainda nem jantei. E tu? – Comi qualquer coisa rápido, estava a pensar sair com o meu primo para ir comer alguma coisa mais consistente. Mas não te incomodes. – Não é incómodo, eu já tinha tirado uns bifes para fazer. É só fazer um molho e fritar umas batatas. – Já consegues cozinhar? – perguntou ele, rindo.
- Uns bifes e umas batatas fritas, já me desenrasco bem – respondeu ela, piscando o olho, e saindo do escritório em direcção à cozinha.
Meia hora depois, ele entrou na cozinha, mesmo quando ela estava a desligar o bico do fogão, terminando de fazer o jantar.
Eram 23 horas, mais coisa menos coisa.
- Não sei como fizeste, mas aquilo era um problema de configuração. Não andaste a mexer em nada dos programas? – perguntou ele.
- Não sei, eu não entendo nada de informática, nem sei se mexi nalgum botão que não devia. Mas conseguiste resolver tudo? – sorriu ela.
- Sim, já está tudo ok. – Então, vamos jantar que já é tarde. – Diz-me só onde posso lavar as mãos, que acabei por andar a mexer nos fios. – Vem comigo – e seguiu à frente dele, bamboleando as ancas cobertas pela saia vermelha que descia até ao meio das coxas – a casa de banho é aqui – disse, abrindo a porta e mantendo-se no corredor estreito, obrigando-o a quase roçar o corpo pelo dela.
Ela esperou do lado de fora até ele sair.
- À minha espera? – perguntou ele, de voz rouca, pois a proximidade do corpo feminino, tirava-o do sério, e havia começado a fazer das suas ao seu próprio corpo.
- Estava com medo que te perdesses – sorriu ela maliciosamente e encostando o seu corpo no dele – se te quiseres perder, que seja em mim, e não nos corredores. – E tu gostavas que eu me perdesse… em ti? – a voz baixa evidenciava o efeito que a insinuação estava a fazer no ser masculino.
- O que achas? Descobre-o por ti… – e passou um dedo pelos lábios dele.
Sem resistir mais, ele baixou a cabeça e tocou nos lábios dela com os seus, beijando-a delicadamente, a princípio, e sofregamente, à medida que o beijo se aprofundava e prolongava. Ela abraçou-o pelo pescoço e encostou-se ainda mais a ele, empurrando-o até o pressionar contra a parede. Tinha tido vontade de o beijar desde que o tinha visto naquele parque de estacionamento, mas não imaginava que o beijo a deixaria assim louca de desejo, querendo mais.
As mãos dele deslizavam pelas costas femininas, agora cobertas apenas por uma blusa de manga curta e decote generoso, e foram descendo pela cintura até tocar no rabo que se remexia contra si, em busca do contacto do seu membro excitado e palpitante.
Perdido naquele emaranhado de sensações, sentiu o corpo dela descer pelo dele, até se ajoelhar, enquanto as mãos femininas buscavam abrir as suas calças, para soltar o seu sexo túrgido, a carne quente que encerrou entre os dedos aproximando-o dos lábios para depositar um beijo que o fez gemer e encostar a cabeça para trás, contra a parede.
Parecia-lhe um sonho o que estava a acontecer. Talvez fosse acordar daí a poucos minutos e verificar que tudo não havia sido mais que a sua imaginação.
Mas em vez de acordar, sentiu que ela se erguia de novo para o beijar, dando-lhe a provar o gosto dele através da língua entrelaçada na sua.
- Su… – Vamos para a sala – sussurrou ela.
- Sabes o que gostava de conhecer? – perguntou ele, nem soube como, tal era a intensidade do desejo.
Entre risos, ela respondeu, enquanto lhe agarrava na mão:
- Sei. O meu sótão. Anda.
Subiram as escadas que levavam ao primeiro andar e, ao fundo do corredor, a escada em caracol que levava ao sótão.
Os bifes com molho, acompanhados com batatas fritas, ficaram esquecidos. Mais que alimentar um estômago, havia a urgência de alimentar e satisfazer desejos.
Os desejos dele e dela.
Chegados ao sótão, não demoraram a despojar-se das roupas, admirando-se um ao outro, de pé no meio daquele espaço cuja iluminação difusa lançava ondas mágicas sobre a pele.
Abraçaram-se agarrando o mundo entre ambos.
Peles suadas, escorregadias, entre mãos ansiosas. Corpos que foram descendo até fazerem do chão, coberto de almofadas, o seu leito de prazer.
Boca na boca, línguas entrelaçadas, pernas afastadas para receber as coxas fortes, másculas, corpos serpenteando, seios de bicos erectos, apertados entre mãos.
Suspiros.
Gemidos.
E uma intensificação do desejo, fazendo ressoar naquele pequeno quarto, sons que não se faziam ouvir por ali há algum tempo.
Depois, um corpo que se aprofunda dentro de outro, invadindo um espaço até então desconhecido, investindo, numa descoberta da sensualidade feminina.
As mãos dele dos lados do corpo dela, apoiando-se, enquanto o membro duro e húmido, penetra mais fundo no sexo dela.
As pernas dela erguidas, cruzando-se na sua cintura, enquanto as mãos se agarram aos seus braços, erguendo as ancas a cada investida masculina.
Ritmo que acelera em busca do prazer mútuo, do orgasmo que os fará suspirar.
E eis que ele chega.
Não de modo suave, mas como um tornado, invadindo tudo, derrubando defesas, tomando conta dos corpos e tornando a mente turva.
Ficaram de corpos em repouso, um sobre o outro, sentindo a respiração voltar ao normal.
Ela desceu alguns minutos depois para preparar um tabuleiro com o comer e encaminhou-se de novo para o sótão.
Permaneceram na troca de carinhos, sexo, diálogo, conhecimento, sexo, durante mais cerca de três horas. Até que se despediram à porta da casa dela, combinando que haveriam de se encontrar de novo.
Ele seguiu no seu carro, e minutos depois, enquanto atravessava a ponte, olhou para o que estava em cima do assento do lado – o fio dental vermelho dela – e sorriu, recordando aquela noite que nunca esqueceria.
Ela regressou ao interior da casa, pensando consigo que ainda tinha um trabalho por fazer.
- E sempre tenho de fazer directa – riu alto, mas sabendo que tinha sido uma noite maravilhosa e que não a teria trocado por nada.
Que bela surpresa havia sido.

© Sutra 2006

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Dormir sem roupa – dúvida de leitor

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Wednesday Feb 22, 2006

Durante este meu tempo em que tenho estado um pouco mais cansada e desviada do site e dos mails, recebi um mail que me pedia um conselho. E vinha na sequência de eu dormir nua, gostar de o fazer e realmente ser uma mania minha de Verão ou de Inverno.

E dizia ele:


Pode estar o frio que for, vc dorme sem roupa?
Tento fazer com que minha esposa tenha esta mania, mas ela disse que não consegue
Dê mais algumas dicas para que ela consiga tal feito


Caro leitor – LOL bem ao estilo revista Maria
Respondendo à sua primeira pergunta, eu explico – além de residir numa zona com pouca humidade, a minha sala tem lareira, o que também ajuda a manter a casa seca e, principalmente, aquecida.
No entanto, e como o calor da lareira não chega ao meu quarto, situado no andar superior e na ala oposta à da sala, eu prefiro usar o ar condicionado nas noites mais frias, ou quando não tenho companhia que me aqueça o corpo, por dentro e por fora.
Então, eu ligo o ar condicionado cerca de uma hora antes de me deitar e, mesmo quando estou na cama a ver televisão, ou de portátil no colo escrevendo aqui no blog, e vestida com camisa de dormir e robe, eu acabo por tirar antes de dormir.
Porquê? Porque a roupa me incomoda e eu gosto de sentir o lençol macio de encontro à minha pele, deslizando numa carícia.
Sinto o corpo mais solto e mais sensível e já me habituei assim, desde que comecei a morar sozinha, há alguns anos.
Quanto ao problema principal que o levou a enviar a sua dúvida para o Correio da Sutra, eu acho que tem de partir de si esse incentivo, levando a que ela aprecie o contacto dos dois corpos durante a noite, o facto de estarem juntinhos, um sentindo o outro.
É verdade que não me falou se ela é muito convencional ou mais liberal, mas suponho até que possa ser mais próximo do primeiro caso, e daí a relutância em aceder ao seu pedido. Mas, com pedidos carinhosos, e com o intuito de o seu corpo aquecer o dela, nada mais necessitando, talvez a convença que realmente é mesmo muito bom. Mas, olhe que as mulheres têm uma vontade férrea, terá de saber ter paciência e não desistir facilmente.
Caso persista alguma dúvida, terei todo o prazer em tentar ajudá-lo.
Beijo doce e felicidades

© Sutra 2006

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Numa sexshop – 2ª parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Tuesday Jan 17, 2006

(continuação)

De olhos fechados, respiração acelerada, ali fiquei, encostada para trás, enquanto tu, ajoelhado, deitavas o rosto nas minhas coxas e fazias pequenas carícias na minha pele.
Ri-me pela nossa loucura e tu apenas perguntaste:
- Mudamos de filme? – de sorriso malicioso.
Sentaste-te a meu lado, erguendo uma das minhas pernas que passaste sobre a tua. A escolha do filme recaiu num que continha várias cenas de ménage – duas mulheres e um homem e, dois homens e uma mulher. Tu sabes que um ménage com outra mulher é uma experiência que me deixa curiosa e que gostaria de experimentar um dia, quando sentir mais preparada para isso. Já o outro tipo de ménage não me seduz como interveniente, mas não deixa de me excitar o facto de ver uma mulher ter dois homens para lhe darem prazer.
Debaixo da minha mão inquieta, o teu membro latejava, duro, excitado. Desapertei-te as calças e tirei-o para fora, continuando a acariciá-lo, massajando-o, enquanto os meus olhos, tal como os teus, não se descolavam do ecrã, onde se desenrolavam as cenas mais excitantes. A tua respiração entrecortada disse-me que não aguentarias muito mais as carícias da minha mão e, levantando-me, foi a minha vez de me ajoelhar a teus pés, entre as tuas pernas. Levei as mãos às tuas calças e puxei-as para baixo, junto com os boxers, deixando a tua carne latejante completamente livre para lhe tocar com a minha boca e mãos.
Apenas ouvindo os gemidos que saíam do vídeo e os teus sussurros, baixei o rosto e comecei a beijar o teu membro, de pele macia. Latejava na minha língua e eu continuei a deslizar os dedos por todo ele, enquanto lambia a tua carne adocicada. Sentia a humidade que anunciava a proximidade do teu orgasmo e diminuí o ritmo das carícias.
Ergui-me, levantei a saia e sentei-me de costas para ti. Agarrei no teu caralho e fui introduzindo-o no meu corpo cujo néctar escorria. Vibrei quando o senti entrar e alojar-se no mais profundo de mim. Encostei-me para trás, enquanto uma das mãos se dirigiu para o meu clitóris, massajando-o e a outra agarrava num seio. Assim, ambos podíamos ir vendo o filme enquanto fodíamos como víamos no filme. Com a diferença que eu não te estava a dividir com ninguém.
Os nossos gemidos confundiam-se com os que se soltavam das colunas, os nossos corpos suados faziam aquele som característico de corpos que se roçam freneticamente.
O teu caralho deslizava para dentro e fora da minha gruta a um ritmo louco, deixando-me completamente fora de mim.
O orgasmo não demorou a chegar e ficámos recostados depois de todo aquele prazer.
Ficámos mais alguns minutos, para nos recompormos e tentar sair sem que se apercebessem do que se tinha passado dentro da cabine do fundo.
O rapaz que estava ao balcão era o mesmo e sorriu maliciosamente quando saímos. Fiquei dividida entre sair rapidamente ou perguntar se é hábito as cabines serem frequentadas assim por casais. Mas, foi melhor ter saído logo, não fosse ele responder que não – que tínhamos sido os primeiros – e, depois ainda saía mais envergonhada.
Envergonhada mas plenamente satisfeita.
Meu querido, foi das melhoras fodas que já alguma vez dei em toda a minha vida. Tu és único, sabias?
Foi uma fantasia fantástica que adorei realizar contigo e que nunca imaginei pudesse nos trazer tanto prazer.
Quando repetimos?

© Sutra 2006

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Numa sexshop – 1 ª parte

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Monday Jan 16, 2006

Esta fantasia começou por sê-lo, mas já foi concretizada, entretanto. De qualquer forma, não pude deixar de escrever sobre ela e publicá-la aqui. Durante algum tempo, esta fantasia foi sonhada, falada, tendo entrado em pormenores de como fazer, onde ir, de que forma sentar e tudo isso. Já conhecia esta sexshop, mas conhecê-la desta forma com outra pessoa que me soprava no ouvido o que pensava e desejava fazer durante semanas e depois concretizar esse desejo, foi algo de sublime. Aqui fica para ele – não apenas uma fantasia, mas também como algo do meu diário.


Foste buscar-me a casa e viemos até Lisboa, onde me querias levar a lanchar a um local especial. Estacionaste o carro sem me explicares a que pastelaria ou café iríamos naquela tarde. Desconhecia que naquela zona houvessem pastelarias, mas como conheces a cidade melhor que eu, achei que poderias ter descoberto uma nova. De resto, a única mais perto era mesmo aquela perto do Marquês, mas ficava um pouco distante do local onde deixámos o carro.
Abraçaste-me e descemos pelo passeio, enquanto trocávamos pequenos beijos que íam ateando aquele fogo no meu corpo, que tu tão bem sabes acender. A verdade é que me conheces a ponto de saber que eu me excito facilmente e não tenho qualquer problema em escondê-lo sob falsos recatos. Fizeste-me parar para trocar um beijo mais demorado e, no final, puxaste-me por uma mão, fazendo-me entrar num estabelecimento. Quando me vi no interior nem queria acreditar e não consegui conter aquela gargalhada que tanto gostavas de ouvir. Sabias que me irias provocar um tesão enorme. Várias vezes nos havíamos perguntado como seria fazer amor numa cabine de uma sexshop e ali estávamos. – Vieste comprar alguma coisa? – perguntei-te. – Também, mas não só – riste baixinho.
Disseste para eu esperar um pouco, aproximaste-te do empregado que estava ao balcão e falaste com ele em tom de voz baixo. Vi que mexias em dinheiro e entendi que trocavas notas por moedas. Pegaste-me na mão e seguimos para o interior. A entrada do lado esquerdo, depois virámos à direita e seguimos o corredor até ao fundo, passando por várias portas e buscando a última, verificando que estava desocupada.
No interior, um banco de assento mais ou menos largo, de cor vermelha, onde cabiam duas pessoas, bem juntinhas. Um recipiente de lenços de papel e um caixote eram os únicos acessórios daquele espaço. Em frente, um ecrã de visualização de filmes.
Eu nem queria acreditar que iríamos realizar esta fantasia que nos alucinava sempre que dela falávamos. Sentaste-te e eu sentei-me ao teu colo, de lado, erguendo a saia – entendi agora porque me tinhas pedido para vestir esta saia e um camiseiro e não trazer sutiã.
O filme começou e na primeira cena surgiu uma jovem bibliotecária que, sentada a uma secretária, conversava com o director. Em poucos segundos, já ela estava deitada em cima da secretária, pernas afastadas e o rosto do homem mergulhado no meio delas, fazendo-a gemer.
Os teus dedos atrevidos já haviam desaparecido debaixo da minha saia, em busca da cuequinha vermelha, húmida, que afastaste para um lado. Pressionaste o clitóris e começaste a massajá-lo, enquanto a tua boca passeava pelo meu pescoço. Eu continuava a olhar o filme enquanto me remexia no teu colo, sentindo o teu membro duro contra o meu rabo.
Ergueste o rosto e, sem parares de me acariciar o sexo, viste um pouco mais da cena que se desenrolava no pequeno ecrã. E, quando o actor introduziu dois dedos no sexo da mulher deitada na secretária, tu fizeste o mesmo no meu, introduzindo um dedo e fazendo-me gemer. Não consegui conter um pedido:
- Mete mais…
No que imediatamente obedeceste, introduzindo mais um dedo e mais profundamente.
Queria ir ao meu limite de tesão e ao teu. Queria-te de forma sôfrega e louca como sabia que tu me querias.
Desapertei o camiseiro para sentir a tua boca nos meus seios e não te fizeste rogado, introduzindo um bico rijo na boca e chupando suavemente. Que arrepios que me dava a tua boca no seio. Mas, os meus olhos não se descolavam do ecrã e via agora o caralho dele erecto, imponente, preparando-se para penetrar naquela gruta molhada, ansiosa por o prender no seu interior. E de uma só estocada ele entrou no corpo feminino. Gemi mais alto ao sentir que os teus movimentos no meu sexo se aceleravam e a boca se tornava mais sôfrega nos meus seios, abocanhando, chupando, lambendo e puxando com os dentes o mamilo endurecido de prazer.
Meti a mão na boca para conter o som dos meus gemidos, mas tu não quiseste. – Deixa-te levar, ninguém nos ouve – e aumentaste o volume do filme.
E, retirando-me do teu colo, ergueste-te, sentaste-me no pequeno sofá, puxaste as minhas cuequinhas pelas pernas, retirando-as e afastaste as minhas pernas, ajoelhando-te entre elas. – Delicia-te com o filme – e mergulhaste a tua boca no meu sexo, fazendo com que soltasse um grito de prazer quando a tua língua tocou a carne quente, molhada do meu néctar que ias lamber.
Chupavas-me o clitóris de forma extraordinária, mordendo ao de leve e passando depois a língua, enquanto um dedo ia massajando os lábios e introduzindo-se de vez em quando na minha gruta. Sentiste as minhas contracções e que o meu orgasmo estava perto, e aceleraste o ritmo dos dedos, agora dois dentro de mim, e da língua que chicoteava o meu clitóris. – Vem-te, paixão – sussurraste.
E eu vim-me copiosamente, ao mesmo tempo que ouvia um grito de prazer, vindo da tela onde passava o filme.

(continua)

© Sutra 2006

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Fantasia do «S»

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Thursday Dec 29, 2005

Esta fantasia é especial porque sendo a fantasia de alguém – «S», ela é também a minha fantasia. Escrita a meu gosto, conforme ele me pediu que o fosse, tendo em conta o que dele conhecia e tenho conhecido ao longo do tempo em que temos contactado.
Para ti, que sabes quem és, fica esta fantasia – a segunda de duas que escrevi para ti, a primeira a publicar – e que tu reconhecerás como sendo a tua ou nossa! Escrevi-a como se a vivesse.


Conhecemo-nos aqui mesmo no meu site, recordas-te como foi? As tuas primeiras palavras aqui nunca me fariam adivinhar o que surgiria depois, muito depois.
Nem tu pensavas ou imaginavas algo assim. Mas, semanas e semanas depois de marcares a tua presença em palavras, passaste a marcá-la fisicamente, desde o nosso primeiro encontro, numa qualquer esplanada, a tomar um simples café.
O que me fazias sentir pelas tuas palavras, depressa se transformou em algo ainda mais intenso, marcante. Os encontros para tomar café sucederam-se e passámos a ver-nos quase todos os dias, durante duas semanas loucas de sedução. Até que não resistimos mais e fugimos uma tarde, esquecendo trabalho, colegas, casa, procurando um motel daqueles de que tanto ouvimos falar.
Nesse dia foi a nossa primeira vez, e outras mais fugas a meio da tarde aconteceram, essas outras para o meu apartamento, palco de suspiros e gemidos nossos. Fazia-nos vibrar e não nos cansávamos um do outro. Pelo contrário, era como se uma espécie de vício se tivesse apoderado de ambos – vício um do outro. Vício de corpos, mentes, bocas, palavras e carinhos.
Naquele dia, enviaste-me uma sms, enquanto eu almoçava, que apenas dizia – «Procura no mail uma surpresa». Mal podia esperar para chegar ao escritório, fechar a porta do gabinete, sentar-me em frente ao computador e ler o teu mail.
E a surpresa estava lá – os passos que eu havia de dar para te esperar:
«- Vai para o teu apartamento e retira da caixa do correio o envelope que lá deixei; deixa a chave da porta debaixo do tapete de entrada. Prepara um balde de gelo, coloca-o naquela mesa baixinha da sala, e estende a toalha vermelha de seda em cima da mesa de jantar. Despe-te e deita-te em cima da mesa, colocando o presente que tinhas na caixa de correio. Depois, espera por mim.»
Eu assim fiz. E às 16 horas daquela tarde, deitei-me em cima da mesa, com a venda negra nos olhos – o presente na caixa de correio – para esperar por ti. Pela sala, espalhados em alguns pontos estratégicos, castiçais com velas coloridas e perfumadas que desenhavam arabescos nas paredes.
Minutos depois, senti passos na escada e comecei a tremer. Sentia-te tão perto. A porta da rua abriu-se e tu entraste. Não disseste uma palavra e depois de alguns passos o silêncio total.
Segundos depois, comecei a ouvir o remexer de roupas, e senti um arrepio ao imaginar que te despias para mim. Novo silêncio e finalmente, a tua boca tocou o meu ombro. Quente, meiga, macia, de lábios que deslizaram até ao meu pescoço aquecendo a minha pele com o bafo quente. Tocaste-me os lábios com um dedo, quando tentei pedir-te um beijo, como que a silenciar-me, pedindo calma. Suavemente, foste tocando o meu corpo com os teus dedos acariciantes e que me excitavam. Dedos que rodearam um seio, aflorando levemente um mamilo, depois outro, deixando o anterior livre para a tua boca. Eu suspirava por mais, mas sabia que tu irias prolongar a espera. Senti que te afastavas por momentos e, como não te podia ver, limitei-me a esperar ansiosamente pelo teu gesto seguinte.
E senti aquele pedaço de gelo contra o bico do meu seio, arrebitado de desejo. Ficou ainda mais rijo e apelativo.
Sei que gostas de me ter assim… À tua mercê… e tu brincando com a minha pele, os meus tremores.
Fazendo-me gemer e pedir por mais – por aquilo que insistias em não me dar para prolongar o prazer.
Deixaste cair algumas gotas na pele e arrepiei-me, remexendo o corpo. Com a língua empurraste as gotas na direcção do meu umbigo, enquanto os dedos levavam a pedra de gelo aos meus lábios, introduzindo-a na minha boca.
Vieste depois com a tua boca absorver o gelo entre os meus lábios e trocámos um beijo fazendo derreter mais um pouco a pedra entre as nossas línguas. Seguraste no que restava dela com a tua boca, e fizeste-a deslizar por entre os meus seios, barriga, umbigo, descendo mais um pouco e depositando-a no meu sexo, fazendo com que ela o penetrasse.
Céus… como me sabes excitar… E como eu senti aquele pedaço de gelo penetrar no meu íntimo, e ainda mais a tua língua que veio buscá-lo de novo.
Os teus lábios seguraram o meu clitóris de encontro ao pedacinho pequeno de gelo que ainda sobrara fazendo com que eu me sentisse nas nuvens e ansiando pelo momento em que tu me penetrarias o corpo com o teu membro duro e excitado.
Pedi-te para me tomares como tua, sentia que te rias baixinho e continuavas sem atender as minhas súplicas.
Os teus lábios sugavam o meu clitóris, a língua penetrava-me loucamente e os dedos faziam magias ora nos meus seios, ora agarrando-me as nádegas e apertando-me de encontro ao teu rosto.
As minhas mãos que antes impediste de te tocar continuavam a procurar o teu corpo; agarraste uma delas e levaste-a ao teu sexo erecto, húmido. Os meus dedos iniciaram uma profusão de carícias na tua carne, fazendo com que gemesses de prazer.
Ainda com a venda nos olhos, sentei-me na mesa, tacteando o teu corpo e deslizando a boca pelo teu peito. As minhas pernas puxaram-te de encontro ao meu corpo e senti o teu membro tocar o meu sexo que escorria de prazer.
Queria-te tanto.
Ainda te quero.
Escorreguei da mesa e fui descendo a boca pelo teu corpo, ajoelhando-me na tua frente e introduzindo o membro na minha boca, devagarinho. Lambendo primeiro, depois acariciando com os dedos, deslizando a língua em todo o seu redor, para cima e para baixo…
Tu quase enlouquecias.
Meti-o uma última vez na boca, sugando-o um pouco. O suficiente para te levar à loucura, sem que atingisses o orgasmo.
Queria ter-te dentro de mim.
E pedi-te que me fodesses, como tu gostas de me ouvir dizê-lo: sussurrando ao teu ouvido.
Puxaste-me para a beira da mesa, pelas nádegas, enquanto trocámos um beijo, num bailado de línguas que me deixou sem fôlego.
Agarrei no teu membro e encostei-o ao meu, fazendo-o introduzir um pouco. Olhaste-me nos olhos e puxaste-me com força, introduzindo-te dentro de mim de uma vez só, fazendo-me arquejar com o ardor da nossa paixão.
Começámos a movimentar os nossos corpos na procura ardente da satisfação.
Deitei-me para trás e tu ergueste as minhas pernas nos teus ombros.
Hum… como adoras esta posição! – eu também.
Continuavas a penetrar-me o corpo e o meu sexo a apertar o teu, querendo devorá-lo.
Adoras que te faça isto, eu sei.
Pedia-te continuamente: «fode-me, amor» deixando-te louco, como eu sei que ficas.
Não demorou muito para que os movimentos se tornassem mais rápidos até atingirmos o orgasmo de uma forma intensa, como nunca o havia sido.
A realização desta tua fantasia deixou-te louco, fora de ti.
A mim também.
«Adoro-te»
«Também te adoro»

E repousámos os nossos corpos, enrolados na toalha vermelha, deitados no tapete da sala.

© Sutra 2005

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Fantasia do «T»

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Tuesday Nov 22, 2005

Esta é a fantasia de «T», enviada para o Correio da Sutra. E a sua fantasia consistia num encontro com a Sutra, deixando ao meu critério a escolha de como seria o encontro.
Espero que gostes de como saiu. Gostei particularmente de escrever este texto, porque saiu do registo em que escrevo habitualmente.


Sentou-se na esplanada a tentar aproveitar os últimos raios de Sol naquele final de tarde de Outono. Olhava o rio a uns 30 metros de distância, enquanto os dedos levavam à boca a chávena de café que a ajudava a aquecer. Mas, apesar do frio não lhe apetecia sair daquela apatia deliciosa que se lhe instalara no corpo. Gostava de se sentir assim uma vez ou outra. A letargia invadia-lhe o corpo e a mente, levando-a simplesmente observar o cão que farejava em busca de umas migalhas de bolo, o idoso que caminhava pela calçada apoiando-se na bengala que levava na mão direita, enquanto na esquerda segurava um ramo de margaridas. Provavelmente para oferecer à esposa que aguardaria em casa, na sua cadeira de balanço. Na mesa mais recuada, um indivíduo fumava uma cigarrilha, enquanto se debruçava na leitura de um livro. Por trás do balcão dois jovens que conversavam alegremente, enquanto esperavam que algum cliente os chamasse. O que havia de comum em todos eles? O frio que aparentavam sentir no corpo, denunciado pelo tremor das mãos que esfregavam de vez em quando e pelas vestes quentes que trajavam.
Ela mantinha o olhar fixo em nada e observador de tudo, captando e guardando na sua memória, cada retalho daquele momento. Ouviu passos que se aproximavam e sentiu que alguém se sentava numa mesa próxima da sua. Tratava-se de um indivíduo cuja idade não conseguia definir, mas decerto se situaria acima dos 45 anos, de ar distinto, transportando na mão apenas um bloco de apontamentos e parecendo totalmente alheio ao frio que os rodeava. Ela olhou para cima da sua própria mesa e viu o seu caderno de notas aberto numa página em branco, com a caneta de cor preta atravessada, em compasso de espera. Gostava de escrever a negro. Como se as letras negras no papel branco pudessem depois sair dançando, de braço dado.
Chamou o empregado de mesa que saía de junto da mesa daquele indivíduo e pediu mais um café. Em chávena escaldada.
A sua voz rouca fez com que o estranho erguesse a cabeça do caderno onde entretanto concentrara a sua atenção. Ficou a olhá-la. Mais que olhar, tentava ver dentro dela. Achava que a conhecia e não conseguia descortinar de onde. Ou porquê.
Ficou assim largos minutos, já sem saber se a olhava, se a via ou se penetrava além dela. Procurava a resposta a perguntas que não tinha coragem de formular. Havia dias que pensava naquela desconhecida com quem ía conversando de forma singular. Apenas uma vez haviam falado por telefone e fora ela quem lhe ligara. Recusara-se a dar-lhe o contacto. E ele, sem saber como a encontrar permanecia nessa longa espera de um toque de telemóvel. Haviam sido uns escassos cinco minutos aqueles que ouvira a sua voz. Uma voz que o fizera estremecer e aquecer por dentro. Desde que o som do fim da ligação havia soado, que o frio lhe penetrara corpo e alma. Já se sentia imune ao frio exterior, bastante inferior comparado ao que o invadia as entranhas de homem só.
Ela rodou a cabeça e apanhou-o a observá-la. Ficou sem jeito e sentiu-se pequenina, exactamente da mesma forma como se sentira há dias atrás ao falar com o «T» por breves minutos. Não sabia que lhe havia dado, mas depois ele havia dado o seu número de telemóvel, quando conversavam pela Internet e, após duas semanas, ela resolver ligar-lhe. Queria apenas dizer-lhe que não era tão miúda como ele pensava que seria, mesmo sendo-o na idade, não se sentia como tal.
Balançou os cabelos tentando afastar aquele pensamento. Nem sabia porque se havia lembrado dele ao olhar aquele estranho ali sentado a menos de 2 metros de distância. De repente o seu olhar recaiu em cima da mesa dele e no caderno aberto. Estremeceu ao ler as primeiras duas palavras da página em branco: «Querida Su».
Não podia ser!! – pensou, sentindo o coração bater descompassado.
Olhou o seu rosto e quis pronunciar o seu nome. Não conseguia – aquele nó na garganta não lho permitia.
Passaram segundos como se tivessem passado horas e os olhos dele permaneciam colados no rosto dela. Não sabia se ele a estava a ver naquele momento, ou se estava imerso em algum espaço somente seu. Impenetrável a qualquer terreno.
Criou coragem e chamou-o. Ele deu um salto da cadeira e ficou estático a olhar os seus lábios como se duvidasse que havia sido daquela boca feminina que saíra o som do seu nome.
Ela repetiu-o mais alto dessa vez.
Ele não perdeu tempo, ergueu-se da sua mesa e em dois passos chegou junto dela e, sem mais nada dizer, puxou uma cadeira e sentou-se ao seu lado. – És tu. – Sou eu. A «miúda». – Não quis com isso que entendesses que eu te acho uma miúda, mas comparada comigo, é-lo. E foi uma forma carinhosa de te tratar. – Eu sei, mas sabes o que penso sobre isso, não sabes? – Agora sei.
A conversa continuou e cada palavra sussurrada era uma aproximação de corpos, almas e pensamentos.
Sabiam que algo havia no ar desde a primeira troca de palavras. Ainda escritas. Algo que se aprofundava a cada minuto que passava.
Já no escuro do início da noite, levantaram-se para irem jantar a um lado qualquer.
Instintivamente caminharam de corpos encostados como que protegendo-se do frio. E protegendo algo de transcendente e irreal que se instalara entre ambos. Como uma linha invisível que os unia.
Seguiram conversando e sorrindo carinhosamente um para o outro. O cão ficou sentado no passeio a olhá-los. Os empregados do bar trocaram um olhar cúmplice de quem adivinha que um sentimento florescia entre aquele par.
Não importava a idade de um ou de outro. Tinham a mesma idade. Aquela que desejavam ter.
Ela seguia sem frio, aquecida pelo calor do corpo dele.
Ele voltara a sentir aquele estremecer, não sabia se do frio exterior se do calor do seu interior, que havia regressado.
Seguiram juntos sem se saber para onde.

© Sutra 2005

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Fantasia do Guapo

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Tuesday Nov 8, 2005

Esta é a fantasia do Guapo, enviada para o Correio da Sutra. E a sua fantasia consistia num menáge entre mim, ele e um terceiro elemento – masculino. E, quando pedem uma fantasia devem sempre esperar que ela seja escrita com base naquilo que eu própria sinto, penso e imagino como sendo possível de virar realidade.
Espero que gostes da forma como a escrevi, apesar de calcular que não fosse bem este o efeito que pretendias.


Havia bastante tempo que se comunicavam através de e-mail, depois daquele primeiro contacto pelo AFF. Ele insistia em conversarem por MSN, mas ela, relutante negava sempre, até que um dia lá acedeu e instalou o dito programa que a irritava. Abria essa concessão porque gostava de conversar com ele. Chamemos-lhe «Guapo».
Uma noite, já bem avançada, falavam sobre as fantasias de cada um e, enquanto ela lhe falava da fantasia de um menáge com outra mulher incluída, ele falou na fantasia que gostaria de realizar de menage mas com outro homem. Adoraria ter consigo uma mulher à qual pudesse proporcionar todo o prazer, rodeada de dois homens.
Só tinha algum receio pela sua masculinidade, dado o contacto com outro homem na mesma cama, mas pesando bem os prós e contras, preferia arriscar desde que tivesse absoluta confiança no homem que quisesse alinhar em tal loucura de prazer e erotismo.
Ela rejeitava essa possibilidade e apenas sorria e desviava o assunto, quando «Guapo» tocava naquele ponto. Como se fosse com ela que ele quisesse realizar tal fantasia.
Algum tempo depois daquela noite e daquela conversa, combinaram encontrar-se para tomar um café e conhecer-se finalmente. O local escolhido foi nas Docas em Santos, onde poderiam assistir a um final de dia, sentados numa das inúmeras esplanadas.
E assim foi. Dois dias depois encontraram-se. Entre algum nervoso, sorrisos e beijos de cumprimento, sentaram-se na penúltima esplanada. E conversaram sobre si mesmos, sobre a forma como se haviam conhecido e sobre um pouco da vida que tinham.
Já escurecia quando se ergueram e resolveram despedir, combinando desde logo um jantar para a semana seguinte. «Guapo», ao despedir-se, acabou por desviar os lábios e dar um beijo a Su, fazendo-a sorrir com o seu atrevimento. Tocou-lhe a face com os dedos e deixou prolongar o beijo mais alguns segundos, despedindo-se com um: «Gostei de te conhecer. Deveras.»
Após o encontro da semana seguinte, outros foram surgindo e uma intimidade solta e leve foi penetrando na relação entre os dois, havendo uma atracção que os empurrava para os braços um do outro.
Dois meses depois de se conhecerem, combinaram sair e ela disse que, nessa noite, ficaria a dormir em Lisboa, para que pudessem aproveitar a companhia um do outro toda a noite, insinuando que algo mais poderia surgir.
No resto dos dias até ao encontro, foram falando por telemóvel, por MSN, por e-mail, mantendo um contacto constante.
E nesses dias, a mente de Su foi engendrando uma surpresa para «Guapo». Ela não esquecia aquela fantasia que ele queria realizar – dois homens e uma mulher. Sorria sempre que pensava nessa possibilidade e não eram raras as vezes em que parava de trabalhar para se deter a pensar de que forma poderia realizar aquela fantasia que era dele – não dela.
E lembrou-se daquele seu amigo que não via há imenso tempo – o Paulo – aquele que a ajudava, habitualmente, nas lições de culinária. Com certeza ele poderia ajudá-la. Deveria conhecer alguém de confiança que pudesse alinhar naquela fantasia. Sabia que ele nunca o faria, já que era homossexual, além disso o «Guapo» queria que o outro homem fosse heterossexual. Mas, com certeza poderia recomendar um amigo que quisesse ajudar a proporcionar esta surpresa.
Os dias passaram e Su lá conseguiu preparar a surpresa que desejara para aquela 5ª feira à noite. Encontrou-se com «Guapo» e foram jantar à Portugália no Cais do Sodré. Estariam assim bem próximos do seu apartamento de Alcântara, onde a surpresa os aguardava.
«Guapo» parecia adivinhar que algo diferente iria conhecer nessa noite. Estava mais sedutor que o habitual, rodeava-a de atenções, fazia carinhos nas mãos, no rosto. E, vez ou outra, tocava-lhe nos lábios.
Após o jantar e enquanto caminhavam para os respectivos carros, Su perguntou se ele se lembrava da fantasia que lhe tinha contado querer realizar um dia.
Claro que ele se recordava e admirou-se por ela se lembrar daquilo naquele momento, ao que ela respondeu: – Porque eu gostava que realizasses essa fantasia e preparei esta noite para isso.
Surpreso, «Guapo» não sabia o que dizer, apenas segurando-a pelos ombros e puxando-a para si num abraço apertado, deslizando os lábios pelo pescoço quente feminino. – Onde? – perguntou com voz rouca. – No meu apartamento. Tomei a liberdade de convidar alguns amigos para tomar uma bebida connosco e, se houver química, algo se desenrolará com alguém. – respondeu ela, escondendo um sorriso malicioso e divertido.
Entrou cada um no seu carro, seguindo ela à frente para lhe indicar o caminho, enquanto ligava para o Paulo, avisando que estariam em casa dentro de 20 a 30 minutos, contando com o tempo de arrumar os carros, soltando uma gargalhada depois de desligar o automóvel.
- Nem sabes a surpresa que te espera – pensou, divertida.
Quando estacionaram os carros, encaminharam-se para o prédio onde se situava o apartamento e, ao meter a chave na porta da rua, surgiram quatro vultos que os cumprimentaram com um «boa noite» sonoro. Eram eles o Paulo, a Lena – uma amiga comum – o Rodrigo, amigo de Paulo – bissexual – e a Paula, uma dançarina de strip tease, que costumava sair com o Rodrigo e o Paulo.
«Guapo» ficou um pouco silencioso quando viu o estranho grupo, mas a alegria daqueles quatro era contagiante e poucos minutos depois, no sofá da sala de Su, já todos conversavam como se se conhecessem há anos.
Conversa daqui, conversa dacolá, e claro que o assunto foi recair em sexo e fantasias sexuais. Quem realizou as suas, quais, como, que fantasias gostaria de realizar e, por aí fora. «Guapo» falou da sua fantasia, claro e, de imediato, teve como resposta do Rodrigo:
- Estamos aqui para a realizar, não é malta?
«Guapo» assustou-se, até porque não era sexo em grupo o que pretendia, mas sim uma relação a três. – Não te preocupes, os que estão a mais, saem e vão tomar um copo – respondeu Paulo com um sorriso.
A conversa continuou a rolar e os copos a encher e despejar, enquanto a descontracção era dominante naqueles seis elementos sentados naquela sala de ambiente acolhedor, com a música suave a complementar.
Cerca de uma hora depois, era palpável o perfume do desejo, após as conversas que aqueciam cada vez mais o ambiente.
A dada altura, Paula, encontrava-se sentada no chão, encostada às pernas de «Guapo» que se encontrava no sofá. Olhando-o, ela começou a deslizar uma das suas mãos pela perna masculina, subindo em direcção à coxa forte e musculada.
O silêncio começou a pairar na sala, enquanto os restantes tomavam atenção aos movimentos femininos.
Su, encostada à janela ao lado de Paulo, segredava-lhe ao ouvido. Lena, estava de cabeça deitada no colo de Rodrigo, enquanto este lhe afagava os cabelos.
Paula, mais atrevida, ergueu o corpo e, sentando-se ao colo de «Guapo» começou a beijá-lo nos lábios, enquanto as mãos lhe desciam pelo peito, introduzindo-se por dentro da camisa.
«Guapo» fechou os olhos, sentindo o prazer invadi-lo, e começando a sentir o efeito daquela língua na sua boca, das mãos na sua pele e daquele corpo sentado nos eu, pressionando o seu membro que já dava sinais de excitação.
Puxou o corpo de Paula contra o seu e beijou-a desenfreadamente, esfregando o seu membro contra as nádegas femininas, não escondendo já o seu desejo.
Vendo o desenvolvimento do casal, Su sorriu para Paulo, e com um gesto de cabeça, assentindo, agarrou-lhe na mão, fez um sinal a Lena e Rodrigo e encaminharam-se para a saída, sendo seguidos de Lena. Su, deixou a chave a Rodrigo e saiu com Paulo e Lena.
Já na rua, soltaram finalmente a gargalhada e Su disse: – Estava a ver que nunca mais eles se enrolavam. Espero que se divirtam os três – dizia, rindo. – Acho que o «Guapo» vai ter uma surpresa quando se aperceber que o Rodrigo é Bi – respondeu Paulo. – Mas, ele respeita a vontade de cada um, por isso, se o «Guapo» não quiser experimentar a bissexualidade, o Rodrigo respeitará – disse ainda Lena. – Seja como for, eu é que nunca tive a fantasia de ter sexo com dois homens e não estava a imaginar-me naquela situação. Obrigada pela ajuda, Paulo. – De nada, minha amiga. E agora nós: para onde vamos?
- Divertir! – Divertir!

© Sutra 2005

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Fantasia do Rui

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Wednesday Nov 2, 2005

Esta é a fantasia do Rui, enviada para o Correio da Sutra. E a sua fantasia consistia num encontro no meio do trânsito e no que derivásse a partir daí.
Aqui está ela, espero que gostes, Rui.


Olhou o relógio de novo, mas apenas tinham decorrido dois minutos desde que havia visto a última vez as horas. Eram quase 9h 30m e ainda estava ali, presa no trânsito, sem se mexer, ou parecendo que nem se movia, com o andar metro a metro, de 5 em 5 minutos. Pensava que de nada adiantava estar a aborrecer-se com tão pouco, afinal, trânsito era algo que enfrentava todos os dias, mal entrava em Lisboa. Mas, naquele dia, parecia que todos tinham trazido os carros para a cidade – e nem era final do mês, ou início do seguinte, altura em que o português gosta de levar o carro para a cidade, deixando-o ficar na garagem, quem a tem, a partir do dia 15, até receber de novo o ordenado.
Distraída, olhava pela janela, enquanto ía abanando a cabeça ao som da música animada da RFM. Aproveitou ainda para retirar da mala o rímel, o lápis dos olhos e o batom. Virou o espelho retrovisor para si e, enquanto cantava um «Kiss» do Prince, lá foi colocando o risco com o lápis preto, depois o rímel, enrolando as pestanas longas, mais um arranque de um metro, ponto morto e, finalmente os lábios, com o batom de um rosa suave brilhante. Estava a terminar de o colocar quando ouviu uma apitadela de um carro e uma voz masculina que dizia do seu lado esquerdo: – Devia ser proibido a certas mulheres, pintarem os lábios no meio do trânsito. É um atentado.
Ela sorriu e respondeu: – O problema está em ser mulher, em colocar o batom ou em fazê-lo no meio do trânsito? – Em fazê-lo no meio do trânsito, porque ser mulher está muito bem assim e com esse batom ainda mais. Um homem não consegue resistir a algo assim. – E quando não consegue resistir o que faz? – Depende do homem, eu costumo fazer umas maluqueiras – ria ele, não escondendo que se estava a atirar à rapariga que seguia no carro preto.
Um toque de buzina despertou-os da conversa divertida, para que deslizassem mais um ou dois metros até parar no semáforo – de novo.
Ele, tentava manter o seu carro a par do dela, para permitir que a conversa evoluísse. – Estou tão atrasado para ir trabalhar que já nem me apetece, sabias? – já tratando-a por tu. – Sei muito bem, é como me sinto. Estava a pensar nisso mesmo quando me falaste, e já tinha desistido de chegar a horas e pensado em ir fazer umas compras. – Também não tens obrigações de horário? – perguntou ele. – Não. E já vi que temos isso em comum – respondeu a jovem, de sorriso insinuante. – Podíamos descobrir se temos mais alguma coisa em comum, o que achas?
Após a concordância dela, decidiram mudar de trajecto e seguir directo ao parque das Nações. Depois de estacionarem os carros, um junto do outro, e se apresentarem, seguiram para o Vasco da Gama, onde tomaram um excelente pequeno-almoço e onde foram cimentando o conhecimento, o que faziam, idades, onde moravam e outras coisas mais, aparentemente banais, mas que ajudava a desinibir, após aquela invulgar forma de se conhecerem.
Os sorrisos, as palavras insinuantes, atrevidas e um toque de dedos aqui e além, foram conduzindo a uma maior intimidade e a atracção estalava no ar.
O convite que se esperava, saiu naquele momento dos lábios dele: – Vamos dar uma volta pelo Parque?
Minutos depois seguiam no jardim mais a Norte, onde não se vê ninguém tirando um ou outro a andar de bicicleta ou a fazer jogging.
Foram penetrando mais e mais nos jardins, e acabaram por sentar-se num banco mais escondido, onde ficaram a conversar de forma mais íntima.
Até que ele estendeu um braço e lhe tocou o rosto, passando os dedos nos lábios dela. – Sabes o que me apetece fazer desde que te vi a passar o batom nos lábios? – Imagino – respondeu ela num sussurro.
E baixou o rosto, beijando-a, tal como desejava desde que a vira a primeira vez: lábios a delinear os femininos, como se fosse o batom, a língua a tocar suavemente, tentando penetrar na boca macia, que se abriu para a receber.
O beijo foi ficando cada vez mais intenso, perdendo-se na boca um do outro, enquanto as mãos começavam a tactear em busca do prazer do contacto de pele com pele.
Até que interromperam o beijo para respirarem e acabaram por se rir da sua figura: ela de blusa desabotoada até ao umbigo, ele com a camisa para fora das calças, rostos afogueados, e à sua volta o silêncio. Ela tentava imaginar como estava ali naquele momento, em plena luz do dia, num jardim público, quase no centro de uma cidade tão movimentada, em carícias com um homem que mal acabara de conhecer.
Mas estava a saber-lhe bem sentir o seu corpo encostado naquele corpo masculino quente e aconchegante, que a abraçava.
E deixou-se levar quando sentiu que os lábios dele lhe deslizavam pelo pescoço na direcção da sua nuca e uma das suas mãos lhe tocava a pele por cima do sutiã, enquanto a outra lhe subia pelas pernas acima, tacteando ao encontro da pele acetinada das coxas e do centro do prazer.
Ela sentia debaixo da sua mão, o coração dele que batia descompassado e contra a sua coxa, o membro excitado que latejava na sua carne. Queria senti-lo e deslizou os dedos, desabotoando-lhe as calças e introduzindo a mão dentro das mesmas, em busca da excitação masculina que demonstrava como ele se sentia – e que não era mais que um reflexo das próprias emoções dela.
Sabiam que estavam num local onde qualquer pessoa os poderia descobrir, mas desejavam-se naquele momento e queriam a satisfação imediata daquele desejo.
Ele puxou-a para o seu colo, e continuou a acariciá-la, agora no centro do prazer feminino, introduzindo os dedos e afagando a carne tenra e húmida, fazendo-a gemer.
Segundos depois, segurou-lhe o corpo e entrou nela de forma vibrante e única, fazendo com que ela soltasse um grito mudo, mordendo os lábios para aguentar os gemidos, antes que a ouvissem.
De corpos parcialmente desnudos, deslizavam em movimentos cadenciados, buscando o prazer mútuo. Movimentos que se tornaram mais rápidos, enquanto as bocas esmagadas uma de encontro à outra, afogavam as palavras desconexas e os gritos de prazer. Murmúrios saíam de entre os lábios enquanto o orgasmo chegava, avassalador.
Quando conseguiram recuperar e se recompuseram, riram a olhar as suas caras, numa cumplicidade como só existe entre dois amantes.
Deram-se as mãos e caminharam na direcção dos carros, junto aos quais trocaram contactos de telemóvel.
Prometeram voltar a encontrar-se.

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Fantasia do Zezuca

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Friday Oct 7, 2005

Esta é a fantasia do Zezuca, enviada para o Correio da Sutra. E a sua fantasia consistia num encontro no Porto, onde nos conheceríamos, com uma visita, um passeio e… o resto ficou à minha imaginação.


Não se admirem de, por vezes, não reconhecerem os nicks de quem pediu a fantasia. Muitos não deixam comentários, ou deixam-no com outro nome ou nick.

Aqui fica:


Sempre o mesmo ritual todas as manhãs, ao chegar à empresa: ligar o computador, abrir o mail e encontrar um teu que leio, devorando cada palavra, sentindo-as como se mas sussurrasses docemente ao ouvido.
Vinhas insistindo comigo para ir ter contigo ao Porto. Decidi-me a conceder aquilo que ambos desejavamos há tanto tempo. Nesse dia respondi ao teu mail, dizendo que iria daí a dois dias. Não me apeteceu ir a conduzir aquelas horas, para chegar cansada da Viagem. Chegaria logo após o almoço e pedi que me fosses buscar a Campanhã. Minutos depois, o teu sorriso transformado em letras assentia. «Esperar-te-ei ansiosamente» acrescentaste no final.
Dois dias depois, meti-me no Alfa e parti para o porto, ao teu encontro. E, lá estavas tu, vestido informalmente e de azul. Parado junto às bilheteiras, reconheci-te pelas fotografias que me havias enviado.
Cumprimentamo-nos com um beijo na face, bem perto dos lábios. O teu olhar queimava-me a pele. Agarraste-me o braço com ternura e levaste-me até ao teu carro, n o qual entrámos, seguindo para o passeio que me havias prometido.
Entrámos na Fundação de Serralves e agarraste-me a mão, fazendo-me sentir como se sempre tivesse estado assim contigo. Rimos, conversámos sobre gostos pessoais, terras, viagens, literatura, pintura, exposições, teatro e cinema.
Mas não de nós. Tacitamente, parecia existir um acordo entre ambos de não fazermos perguntas pessoais.
O fim do dia aproximava-se e estavamos já num lugar silencioso, isolado. Apenas eu, tu e o parque por onde passeavamos tranquilamente. As árvores pareciam cúmplices do desejo que entre nós crescia. Era o culminar do que sentíamos enquanto havíamos trocados mails durante as últimas semanas. A empatia agudizara-se.
As cores de Outono espalhavam-se pelo chão e, reflectiam-se nos olhos de ambos. Parámos ao fundo do parque onde as sombras se aprofundavam. Não havia ninguém já por ali. Apenas a natureza era nossa testemunha, quando me puxaste para ti, me olhaste profundamente e baixaste a cabeça na direcção dos meus lábios. Entreabri os meus quando senti os teus – quentes, suaves, dominadores. E as nossas línguas tocaram-se, enquanto as mãos começavam a tactear os nossos corpos mutuamente. Estremeci naquele abraço, antecipando o prazer que me farias sentir. Sabia-o! E ansiava ofertar-te tanto prazer como aquele que já me davas a mim, ao acariciares a minha pele, por baixo da blusa.
Encostei o meu corpo ao teu para sentir a tua excitação. E como estavas excitado! Sentia-te contra as minhas coxas, pulsante, duro!
As nossas bocas mantinham-se coladas, gulosas, devorando cada centímetro de mim, de ti.
As tuas mãos continuavam a passear pelo meu corpo, acariciando, apertando, fazendo sentir-me cada vez mais aquela vontade de nos possuirmos logo ali.
Olhaste-me e sorriste e, como se adivinhasses o meu pensamento, agarraste a minha mão e levaste-me contigo até desaparecermos atrás daquela árvore – a maior que ali estava. Aquela que nos esconderia de qualquer olhar indiscreto.
Encostaste-me de encontro ao tronco e foste desabotoando a blusa, lentamente. Até nada mais separar os meus seios do teu olhar, a não ser o pequeno sutiã de renda que tiraste num único movimento. Os teus dedos tocaram-me finalmente a pele, fazendo com que as minhas pernas quase cedessem sob o poder do desejo.
Seguraste-me fortemente, enquanto os teus lábios desciam pelo meu pescoço na direcção do alvo desejado – aquele que, também eu, ansiava que tocasses e beijásses.
E, senti então a tua boca nos meus seios, as mãos nas minhas nádegas, erguendo-me a saia, puxando-me de encontro à tua erecção, fazendo-me afastar as pernas, para entre elas te encaixares. E como encaixavamos bem os dois. Como duas peças de um único molde que voltavam ao seu lugar, unindo-se em toda a sua extensão, de forma a que não se descortinava onde começava um e terminava o outro.
Fazias-me sentir como um vulcão em erupção – lava que de mim escorria, deixando-me húmida, pronta para te receber.
Delirava enquanto tu me sussurravas aos ouvidos palavras que nem me atrevo a repetir agora, sob pena de vacilar e não conseguir continuar a escrever estas palavras.
Toquei-te com dedos trémulos, querendo fazer-te sentir o mesmo fogo que me dominava. Acariciei-te e gemeste em resposta, os lábios de encontro à minha pele.
Queria-te. Querias-me.
Despimo-nos apenas o suficiente para nos amarmos ali, numa ânsia louca de fundir os corpos, concretizando sonhos, fantasias, desejos. Tudo aquilo que pensavamos, desejavamos mas não havíamos transformado em palavras. Apenas em gestos, olhares, toques, suspiros e carícias.
O odor a sexo espalhava-se pelo ar, assim como os nossos gemidos, sussurros e as palavras que dizíamos sem saber, desconexas, que falavam do que sentíamos e queríamos. Espalhavam-se por aquele canto do parque, cúmplice do nosso desejo.
E, num uivo desvairado, trémulo e alucinante, atingimos o cume do prazer, não importando já quem nos ouvisse.
Que mal pode fazer a paixão assim demonstrada entre dois seres que se desejam?
Ficámos encostados um ao outro, ambos de encontro ao tronco forte daquela árvore, semn forças, de respiração acelerada e de desejo satisfeito. Naquele momento.
Minutos depois caminhávamos de mãos dadas na direcção do hotel. Tínhamos ainda mais uma noite para desfrutar da companhia um do outro.

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Fantasia do Passo

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Sunday Oct 2, 2005

Esta é a fantasia do Passo. Com a particularidade de ter sido ele mesmo a escrevê-la, tendo apenas alguns pequenos retoques meus, mas quase nada

Aqui fica:


Dera entrada na clínica naquele dia. Fizera o check in e fora para o quarto que lhe tinha sido reservado. Enquanto arrumava as suas coisas, ía pensando na consulta na qual a médica lhe havia dito que teriam de remover o quisto que se encontrava alojado no seu crânio. Ela, com o seu ar brincalhão do costume, só dissera que tinha de ser operado, que lhe iriam retirar algo que, por si só, seria inofensivo mas que, devido ao local onde se encontrava alojado, teria de se recorrer mesmo a uma cirurgia, pois começava a exercer determinada pressão na artéria que irrigava o cérebro e podia causar-lhe a morte. Também o advertira de que a própria operação era um risco que poderia levar ao mesmo fim, já que se tratava de u local demasiado delicado para operar. No entanto, era a única coisa a fazer.
A única coisa que tinha de bom é que a convalescença seria rápida, pois um cabeça dura como ele recuperaria depressa.
Bateram à porta e entrou uma enfermeira. Morena, olhos castanhos e cabelo preto ondulado, apanhado num carrapito, escondido debaixo da sua touca.
- Olá, bom dia, então como se sente? – Bom dia. Sinto-me bem, obrigado. – Ainda bem. É preciso é boa disposição.
Lançou-lhe um sorriso que, noutras circunstâncias o teria deixado zonzo, mas naquele momento apenas o fez sorrir timidamente.
- Vá, não fique asim. Vamos lá a dar o bracinho para tirar sangue e depois urinar aqui para o frasquinho que precisamos de saber o que tem andado a fazer nestes últimos dias.
Sentou-se e arregaçou a manga.
- Não, não. Tire a camisola que preciso de lhe tirar as medidas. Ele corou e ela deu uma sonora gargalhada. – Não precisa de ficar assim. Vejo homens nus todos os dias.
Ele corou ainda mais intensamente e ela não deixou de sorrir com ar maroto.
Ele tirou a camisola e estendeu o braço. Tirou-lhe o sangue, fez os restantes exames e, depois de terminado, vendo o seu ar preocupado, disse:
- Tem andado a abusar na cerveja, senhor Paulo? Essa barriguita precisa de um pouco de exercício, mas o resto está muito bom para um homem da sua idade. Ele não deixou de corar novamente e ela acentuou o sorriso.
- Acha? – Sim, afinal para 38 anos está muito bem conservado, tirando esse pequeno pormenor, e deve ficar muito bem de cabelo rapado. – Cabelo rapado??? – Sim ou quer que o operem à cabeça com o cabelo no local? Se quiser peço à auxiliar para lhe cortar so à volta da zona da cirurgia. – Não. Podem cortar todo. Afinal, também já não mora lá muito. Ela riu-se e ele corou novamente.
- Não seja assim. Está muito bem, esse tom de cabelo mel fica bem com a cor dos seus olhos. Aproximou-se e olhou-o nos olhos. Os seus olhos castanhos examinaram os seus esverdeados.
- Não fique tão nervoso. É uma boa equipa que o vai operar. Estará nas melhores mãos. – Obrigado, tambem faz parte da equipa que me vai operar? – Faço sim. E agora descanse. Quer perguntar algo que tenha curiosidade em saber, sobre a operação, antes de eu o deixar? – Não, obrigado. A Drª já me explicou tudo. Mas há algo que tenho tido sempre muita curiosidade em saber. – Sim?? Diga lá, então, o que é. – Bem… – corou e saiu-lhe – Que usam as enfermeiras por debaixo da farda?
Ela largou uma violenta gargalhada.
– Não se preocupe. Vai correr tudo bem. Vemo-nos mais logo.
E saiu com um andar de gata que o deixou um pouco pertubado.
O resto do dia passou-se nos preparativos para a operação. Até chegar o momento de ser levado para a sala de operações. A sua médica mais a equipa aguardavam por si, ela apresentou-os, mas de máscaras colocadas não conseguia ver os rostos. Só reconheceu uns olhos castanhos, doces e decorou um nome Ana.
O anestesista aproximou-se.
- Ora 1,75 m, 80 quilos bem isto deve chegar para o deixar a dormir umas horas.
E de repente fez-se escuro.
Sentiu o seu corpo a despertar lentamente, uma mão acariciava a sua cabeça, alguém lhe passava um pouco de água com uma esponja nos lábios. Tentou falar mas as palavras não saíam. Abriu os olhos, mas o local estava às escuras, apenas iluminado por pequenas luzinhas que piscavam. Tentou identificar a pessoa mas não o conseguiu. Levantou a mão e inadvertidamente tocou em algo firme, pareceu-lhe um seio. Retirou-a rapidamente corando. Não disse nada, aquelas mãos que lhe mexiam na cabeça pareciam tranquilizantes e sentiu-se flutuar. Foram descendo pelo seu rosto, pescoço, pelo ombros e tronco, pararam um pouco na zona da barriga e acariciaram-lha. Achou estranha a terapia mas deixou-se ficar em silêncio. As mãos desceram ao longo das suas pernas sentiu o calor a invadir o seu corpo, desceram até aos pés e brincaram com os seus dedos, subiram lentamente e tocaram o seu sexo que já começava a dar sinais de vida. Sentiu uns lábios a tocarem o seu pescoço mordiscando-o, brincando com o lóbulo da sua orelha. Lábios que se aproximaram dos seus muito suavemente, uma língua que procurou a sua matando a sua sede. A mesma língua que foi descendo lentamente pelo seu pescoço, peito, brincando com os seus mamilos. Parando no umbigo como se a sua barriguita fosse algo a explorar. Continou a descer até chegar ao seu sexo que se encontrava pulsante, duro. Beijou-o, lambeu-o fazendo-o sentir espasmos de prazer. Engoliu-o quase na sua totalidade enquanto a sua língua brincava com a glande. Ele mexeu nos seus cabelos, compridos, ondulados. Largou-o e subiu para cima dele montando-o. O seu membro duro entrou nela, que deixou expirar um pequeno gemido e foi-se mexendo lentamente. A penumbra da sala não deixava ver o seu rosto, emoldurado por uma longa cabeleira negra. As suas mãos desabotoaram-lhe a camisa e acariciaram-lhe os seios, não muito grandes, à medida das suas mãos, firmes, os seus dedos brincaram com os mamilos enquanto ela ia movimentando o seu corpo, ora para cima e para baixo, ora em círculos. Ele tentou levantar-se para lhe beijar os seios, mas sentiu uma pequena tontura e não o conseguia. Ela baixou o tronco roçando os seus mamilos na sua boca que ele mordiscou, lambeu e brincou usando a sua língua. Sugou-os. As suas mãos acariciavam as nádegas daquela mulher, ajudando-a no seu constante movimento, acompanhando-a fazendo parte do mesmo. As suas bocas ligaram-se, as suas línguas trocaram carícias, bailaram juntas enquanto o movimento acelerava, tornando-se mais frenético. Até que a sentiu estremecer, as suas mãos crisparam-se nos seus ombros e ele não aguentou mais, libertando o seu fogo no dela. O corpo feminino foi coberto por espasmos violentos, as suas coxas apertaram-no e atingiram o clímax juntos como se fossem um só. Deixaram-se ficar, ela deitada em cima dele acariciando-lhe o cabelo, beijando as suas pálpebras de olhos fechados, sentindo o bater do coração e o acalmar da respiração.
Ela saiu de cima dele, arranjou-se e preparava-se para ir embora.
- Espera. Quem és tu? Diz-me o teu nome.
Aproximou-se e, numa voz que lhe pareceu familiar:
- Chamo-me Sutra, e foi um prazer.
E saiu repentinamente, deixando-o boquiaberto. Ficou ali parado a pensar no que tinha acontecido até adormecer.
Acordou, tentou relembrar onde estava. Era de dia e estava no seu quarto, naquela clínica. E atingiu-o aquele pensamento! Teria sido sonho? Realidade?
Bateram à porta.
- Olá, bom dia. Então como se sente? Acordou bem disposto da operação? – Ola, bom dia. É Ana, não é?
Sorriu:
- Sou sim, bela memória. – Só acordei agora da operação? – Sim, porqué? – Nada, é que… tive a sensação de que já tinha acordado, ou talvez tenha sido um sonho. – Se calhar foi – respondeu, atirando-lhe um sorriso matreiro, fazendo-o corar de novo. Aquela mulher tinha esse poder de o deixar envergonhado e sem jeito como um adolescente.
- Ora deixe cá ver como está isto.
Tocando-lhe com as mãos na cabeça, fê-lo sentir um arrepio e estremecer.
- Está com frio? – Não, com muito calor até – disse, olhando-a nos seus doces e profundos olhos castanhos.
Ela sorriu-lhe deu-lhe um beijo no local da cirurgia.
- Não se preocupe correu tudo bem! Ah! E quanto à sua pergunta… é nada, as enfermeiras não usam nada debaixo da bata.
E saiu, piscando-lhe o olho, não deixando de dar uma sonora gargalhada quando ele corou que nem um tomate… mais uma vez.

Autor do texto: Paulo (Passo)

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Fantasia do Luís

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Thursday Sep 29, 2005

A fantasia do Luís era que eu fosse a cliente de um hotel, onde ele trabalhasse.

Aqui fica:


Parei na área de serviço da auto-estrada para tomar alguma coisa fresca, antes de entrar na estrada nacional. Já passava das 18 horas, mas o calor de Agosto entranhava-se no corpo, fazendo-me suar, o cabelo caído nas costas colando-se na pele.
A blusa fina revelava marcas da viagem e das gotículas que corriam entre os seios.
Depois de ter tomado um café e uma água, regressei ao carro, liguei de novo o ar condicionado e continuei a viagem. Dez minutos depois, entrei no desvio que, segundo o mapa aberto no assento do lado, me levaria ao meu destino: uma pequena vila onde iria encontrar a quinta que uns clientes da minha empresa pretendiam vender.
Necessitava de verificar o local, as condições em que se encontrava, para poder fazer uma avaliação do imóvel, antes de lhe atribuirmos um preço e a nossa comissão.
Não sei por que estradas andei, pois a dada altura, passava por placas e terrinhas, que nem conseguia vislumbrar no mapa. Comecei a recear estar perdida naquela serra, entre montes, pinheiros, algumas casas aqui e além, e umas aldeias pequenas.
Até que entrei numa espécie de vila e verifiquei o nome no mapa: RAIOS!! Estava a uma distância enorme do sítio para onde tinha de ir. Pior que isso, já não faltaria mais que duas horas para escurecer e voltar para trás em busca do lugar certo, estava fora de questão. Teria de ficar por ali e tentar no dia seguinte. Só lamentava a reserva que havia feito no pequeno hotel da tal vila para onde desejava ir.
À primeira pessoa que encontrei, um velhote de olhar sereno, perguntei se existia algum hotel ou pensão ali perto, ao que me respondeu: – Sim, menina. Siga por esta rua, vire na primeira à sua esquerda e entra numa avenida com árvores, que é a principal aqui da nossa terra. Ao fundo, está um hotel pequeno, que até é do meu sobrinho.
E, lá segui as instruções dadas por ele, encontrando com facilidade o tal hotel, estacionando o carro mesmo em frente. De fachada branca, pintura recente, janelas com portadas verdes e cortinas brancas, o hotel tinha um ar simpático. A entrada tinha uma porta em vidro e, o hall era todo em madeira. Não estava ninguém na recepção, e toquei a campainha em cima do mesmo.
Em menos de um minuto apareceu um jovem moreno, não muito alto, e com um sorriso delicioso. – Boa tarde! – disse. – Boa tarde. Necessito de um quarto para esta noite. Têm? – perguntei. – Sim. Single, duplo ou de casal? – quis saber, enquanto se sentava em frente ao computador para fazer o registo. – Estou sozinha, mas prefiro um quarto com cama de casal. – Sim, senhora. Se necessitar de alguma coisa, pode ligar para a recepção pelo telefone que tem no quarto e pedir. O meu nome é Luís.
Depois do registo feito, entregou-me a chave, perguntou se tinha bagagem, ao que lhe respondi negativamente e subi até ao quarto, ansiosa por um banho de imersão.
Hora e meia depois, desci e fui à procura de um local para jantar, o que acabei por fazer num restaurante aconchegante e típico da região.
Cansada como estava, não demorei muito para regressar ao hotel.
Ao passar na recepção, lá estava o moreno de sorriso encantador, e que seria provavelmente o tal sobrinho que o velhote me tinha falado. Ao entregar-me a chave, roçou os seus dedos nos meus, demorando-se um pouco a tocar-lhes, enquanto me olhava nos olhos, como se me quisesse ler a alma. – Vai desejar o serviço de despertar? – perguntou em voz baixa. – – ainda hesitei um pouco, sem saber se deveria dizer o que me apetecia, mas depois lá tomei uma decisão – depende do tipo de serviço de despertar que oferecem – respondi em voz rouca e de forma insinuante.
Percebi que ele me tinha entendido perfeitamente e ainda, que era esse tipo de resposta que ele pretendia, quando me disse: – É um serviço exclusivo e especial, um despertar personalizado e que não esquecerá, se o pretender. Basta que diga o que quer – e sorriu, maliciosamente. – Deixo por sua conta, Luís. Acorde-me às 7 horas, por favor – e subi as escadas, olhando para ele por cima do ombro.
- Assim será. Tenha uma noite descansada e até amanhã.
Quando cheguei ao quarto, sentia o corpo a tremer e um arrepio de antecipação a percorrer-me das pernas à nuca.
Vesti a camisa de dormir, branca, curta e deitei-me, excitada a pensar no que aconteceria dali a algumas horas e desejando que o tempo passasse rapidamente. Não sabia porquê, mas aquele homem, aquele olhar, deixava-me de pernas bambas.
Apesar da excitação, não demorei a adormecer.
Acordei sobressaltada com algo. Reparei que a luz do dia já espreitava pelos buraquinhos das portadas da janela. E ouvi de novo aquela pancada suave. Era ele. – Entra – disse-lhe.
A porta abriu e ele, entrou com uma bandeja nas mãos. Pousou-a na cómoda e reparei que tinha várias iguarias e um jarro de sumo. Trazia-me o pequeno-almoço. Mas, eu queria o aperitivo primeiro. Estava apenas vestido com uns calções e uma t-shirt de alças. Aproximou-se da cama e disse «bom dia» numa voz rouca e profunda. – Bom dia – respondi.
E, sem mais palavras, depois de pousar um pacotinho na mesa de cabeceira, colocou um joelho em cima da cama e debruçou-se sobre mim, tocando-me no rosto com os seus dedos suaves e, aproximando os lábios dos meus, beijou-me carinhosamente, num roçar de lábios que pareciam asas de borboleta. A sua língua, começou a penetrar os meus lábios que se derretiam debaixo dos seus, e em segundos, já se entrelaçava na minha, numa dança, ávida de maiores prazeres.
Descolando os lábios dos meus, deixou a boca descer pelo meu pescoço, ombros e com os dentes foi fazendo descer as alças da minha camisa, uma de cada vez, passando depois para o decote que baixou, até expor os meus seios, cujos mamilos erectos revelavam já o estado de excitação em que me encontrava. Soergueu-se e atirou com a roupa da cama que me cobria, para o chão. Despiu a sua t-shirt e voltou para junto de mim, acabando de me despir a camisa, fazendo-a deslizar pela minha cintura, ancas, coxas, descobrindo o meu corpo em gestos suaves.
Depois, baixou o seu corpo e iniciou uma carícia tortuosa nos seios, abocanhando-os, massajando com os seus dedos, mordendo a pele e deixando-me a gemer.
As minhas mãos nos seus cabelos puxavam-no contra mim e as minhas pernas tentavam tocar as suas, para o sentir. Para sentir contra mim, o seu corpo também excitado, conforme tinha percebido pelo volume debaixo dos calções. Baixei uma mão e toquei-lhe no membro erecto. Ele gemeu.
Acabámos de nos despir um ao outro e rebolando na cama, entre beijos, carícias e abraços, fiquei sobre o seu corpo. Elevei o corpo sobre o dele e foi nesse posição que o senti entrar em mim a primeira vez: forte, impetuoso, preenchendo-me em espasmos de prazer. Em movimentos de frenesim, de puro desejo, beijámo-nos de novo e agarrados um ao outro, procurámos a satisfação da paixão que sentíamos, subindo em espirais de gozo, até ao orgasmo.
Os nossos corpos descansaram alguns minutos, eu ainda em cima do seu peito, ele dentro do meu corpo.
As 7 horas da manhã, passaram a 8, 9, 10 e, apenas pelas 11 horas, ele saiu do quarto, deixando-me recostada na cama, de bandeja com o pequeno-almoço no colo.
Uma hora depois, dirigi-me à recepção, paguei a conta e parti, despedindo-me apenas com um sorriso, e um cartão na mão.
Ele tinha razão.
Nunca mais me esqueci daquele serviço de despertar.
Quem sabe se um dia regressarei ao lugar onde me perdi.

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Fantasia com a Sutra

Posted by Sutra under Correio da Sutra on Thursday Sep 22, 2005

Lembram-se de eu falar no correio da Sutra? Wink
Além do que já me foi pedido – e ainda irei analisar se posso aceder aos pedidos que já fizeram – eu quero lançar um desafio novo.


Imaginem uma fantasia que gostassem de ter comigo!
Isso mesmo – comigo! Com a Sutra – seja uma fantasia sexual, seja uma brincadeira, um passeio, o que vocês escolherem.
Vocês pedem e eu tentarei escrever, mas com certeza responderei a todos, acreditem que sim.


Só terão de enviar o pedido para o meu mail que já conhecem – se não conhecem, está ali do lado – e eu começo a escrever já na próxima semana.
E, em cada dia – ou dia sim, dia não – eu publico uma dessas fantasias.
Se não puder escrever alguma delas, eu responderei por mail das razões.
E apenas cada um de vocês, saberá que eu estou publicando a sua fantasia.


Quem vai ser o primeiro a responder a este desafio?
Não precisam confessar aqui que vão aceitar este jogo – basta que o façam no mail. Wink


No final, vocês escolherão a melhor fantasia. Smile

© Sutra 2005

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