O telefone tocou mais uma vez. Ela pegou com relutância no auscultador e colocou-o ao ouvido para escutar, mais uma vez, aquela voz irritada do seu chefe. Não sabia o que se passava com ele de há uns dias para cá, mas parecia que enfurecia minutos depois de chegar ao escritório e com o avançar do dia, ía ficando cada vez mais mal disposto, ora gritando com tudo e todos, ora fechando-se no seu gabinete e ficando mudo durante horas, sem sequer sair para almoçar. Mais uma vez pegou no bloco de notas, na caneta e entrou no gabinete do chefe.
Ele estava sentado na mesa redonda que ficava do lado direito, a qual estava atulhada de papéis, documentos, projectos, desenhos. Tinha uma reunião marcada com clientes para daí a duas horas e a proposta que ía apresentar estava por terminar. O seu sócio tinha desaparecido em mais um dos seus momentos de «necessidade de reflexão» e, ele que nunca lidava com aquele cliente, lá teria de ir para a reunião sentindo-se mal preparado. Para piorar a situação, ultimamente tinha começado a ficar cada vez mais consciente da presença de Fabiana, aquela ruiva de olhos verdes que havia começado a trabalhar há dois meses como secretária. Não sabia onde haviam desencantado aquele tesouro, mas havia sido escolhida de entre dezenas de currículos, na altura em que se encontrava de férias. No dia em que a viu pela primeira vez, havia ficado estático a olhar para ela, admirando o corpo perfeito, os seios empinados, as ancas redondas e aquele rabo perfeito que dançava a cada passo que ela dava.
Tentando afastar o pensamento, chamou-a para se sentar junto de si, evitando os seus olhos verdes claros, e dizendo-lhe para anotar alguns pontos fundamentais a ter em conta na reunião, para poder elaborar uma espécie de esquema.
Fabiana cruzou as pernas e, debruçando-se sobre a mesa, preparou-se para escrever, sem se aperceber – ou fazendo de propósito para provocar Miguel – de como o decote deixava ver o início dos seios voluptuosos.
Tentando concentrar-se, Miguel levantou-se e começou a passear de um lado para o outro, enquanto lhe ditava as ideias, que Fabiana escrevia obedientemente.
Quando fez uma pausa, sentiu como ela ergueu o rosto, olhando-o, e sentindo aquele olhar quente no seu corpo, Miguel encostou-se à secretária e chamou-a, no que ela obedeceu prontamente, aproximando-se dele. Ele retirou-lhe o caderno das mãos e, agarrando-a por um braço, aproximou o corpo dela do seu, segurou no seu rosto com a outra mão e beijou-a sem aviso.
Fabiana, que se sentia atraída pelo seu chefe desde o dia em que o tinha visto e, estremecia sempre que o apanhava olhando-a com aqueles olhos escuros penetrantes, ficou sem saber como reagir, pela surpresa. Sentia apenas a força daqueles lábios que lhe açoitavam os seus, e a língua que lhe tentava penetrar a boca. Gemeu rendida, entreabrindo os lábios e erguendo as mãos, pousando-as nos ombros dele.
Sem mais delongas, Miguel apertou a cintura feminina contra o seu corpo, fazendo-a sentir a sua excitação. Céus, como desejava aquela mulher. Queria-a ali e naquele momento, sem se importar com os que trabalhavam lá fora ou com a reunião dali por poucas horas.
Afastando os lábios, começou a acariciar-lhe o corpo, soltando a blusa de seda de dentro da saia tailleur, subindo os dedos pelas suas costas e apertando o corpo dela, enquanto os lábios desciam até seus seios que beijou e saboreou.
Fabiana gemia com o prazer que aqueles dedos e boca lhe proporcionavam, e balanceava as ancas de encontro à excitação evidente daquele corpo másculo que desejava. Beijava-o no pescoço e na pele que ía descobrindo, depois de lhe desapertar a gravata e de desabotoar alguns botões da sua camisa. Deixou escorregar uma das suas mãos, tocando o membro viril por cima das calças, fazendo-o soltar um gemido rouco.
Sem hesitar, Miguel agarrou nas nádegas de Fabiana com as duas mãos, erguendo-lhe o corpo contra o seu e sentou-se em cima da secretária, empurrando as pastas e papéis que estavam espalhados e atirando-os ao chão. Nada mais importava naquele momento a não ser satisfazer aquela ânsia louca que lhe havia tomado conta do corpo. Achava que se conseguisse satisfazer aquele desejo, possuindo-a naquele momento, tudo regressaria ao normal e, passado aquele momento, ela já não pareceria tão inatingível, fazendo-o desejá-la.
Terminou de lhe desapertar a blusa, o sutiã, soltando aqueles seios que o haviam atormentado nas últimas noites, ergueu-lhe a saia até à cintura, despiu-lhe a cuequinha branca, reduzida, e mergulhou o rosto naquelas coxas brancas, de pele macia e perfumada. Adorava beijar uma mulher e fazê-la vibrar daquele modo. Iniciou uma tortura carnal que dilacerava Fabiana de desejo, fazendo-a colocar uma mão na boca, para que não ouvissem os seus gemidos no corredor.
Segurava a cabeça de Miguel, agarrando-lhe os cabelos curtos, escuros, empurrando-a contra o seu corpo, num incentivo e demonstração do prazer que sentia com o que ele lhe fazia naquele momento.
Até que ele, erguendo o corpo, abriu uma gaveta e tirou de lá um cachecol de seda com o qual lhe prendeu os pulsos a um puxador de uma das gavetas. Era assim que a queria possuir – dominada por ele, sem possibilidade de fugir quando entrasse no seu corpo. Os olhos de Fabiana abriram-se de espanto, mas Miguel acalmou-a com o olhar e passando um dedos sobre os lábios dela, que percorreu pelo seu corpo até ao seu sexo.
Depois, desapertou as calças, tirou o membro erecto para fora e avançou para aquele corpo feminino, desejado, húmido, pulsante, que aguardava pela satisfação do desejo.
Puxou-a pelas ancas e entrou nela vigorosamente, como se fosse a última coisa que faria na vida. Fabiana gemia, tentando que não a ouvissem, agora que já não tinha a mão para tapar os sons que lhe saíam dos lábios.
Os corpos mexiam-se com prazer, vigor, numa dança erótica e rápida, buscando o orgasmo. Miguel, soltou repentinamente os pulsos de Fabiana e esta ergueu os braços e abraçou o pescoço de Miguel, soerguendo um pouco o corpo. Abraçou-lhe a cintura com as coxas e sussurrou-lhe ao ouvido que o desejava e que ele a deixava louca, o que provocou uma reacção explosiva em Miguel, fazendo-o apressar os movimentos.
Atingiram o prazer em espasmos que os fizeram esquecer de onde estavam por momentos.
Corpos suados, o dela deitado sobre a secretária, o dele deitado sobre o dela, o membro ainda na gruta quente.
Fabiana compôs os cabelos, ergueu os ombros, olhou para Miguel com um sorriso insinuante e, abrindo a porta do gabinete, disse:
- Sim, chefe, trago já.
Miguel, já de camisa composta, gravata apertada e direita, sorriu e pensou:
«- Será que tudo volta ao normal agora? Ou o melhor estará por vir?»
© Sutra 2005
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