Só assim…

Sutra 2013
Às vezes apetece-me escrever só para mim. Para nada nem ninguém em especial. Só por gosto. Por vontade. Porque necessito de soltar palavras, emoções, sem que haja um objectivo determinado. Sem um ponto de referência a não ser eu mesma. Sem um alvo. Então, eu pego nas palavras, desdobro cada uma delas e, como se fechasse os olhos, eu envolvo-as naquilo que quero transmitir de mim. Como se abrisse uma parte da comporta que é o meu ser e deixasse sair apenas uma fracção do enrodilhado de sentimentos e emoções, caindo em golfadas, rápidas, soltas numa fúria crescente a vibrar, para logo se espalhar em águas calmas e permanecer. De sorriso nos lábios. Quando escrevo assim, sou eu mesma quem vai estar no fim para ser atingida pelas minhas próprias palavras. Quem me lê nem sempre se apercebe se é só para mim que escrevo. Ou se é para alguém. Sei-o eu. Basta-me. Mesmo que exista quem pense que eu estou a pensar em alguém determinado quando escrevo esta ou aquela palavra. Pode estar certo. Mas pode estar tão errado.
Mas não hoje.
Hoje apetece-me dedicar a alguém. É o meu alvo.
Não interessa quem. Ele sabê-lo-á. Leia hoje, amanhã ou depois. Não importa.
Desejo-te. Porque sim. Não sei explicar porque isso começou por acontecer deste modo. Mas foi instantâneo, desde o primeiro momento. Já lá vão… não interessa. Tu sabes.
Se, no início, a palavra ‘desejo-te’ não saía com a mesma naturalidade com que a sentia, a verdade é que começou a ser dita cada vez com mais frequência. Tu também.
Já me perguntaste porque te desejava tanto. Admiravas-te por isso. Na altura não soube o que te responder. Talvez tivesses razão quando dizias que, possivelmente, seria por te achar inatingível. Podia ser por isso. Sempre achei um pouco difícil de chegar a ti. De te tocar. Beijar. Falar. Ou sempre me pareceste distante. Mas deixaste de ser inacessível e eu passei a desejar-te ainda mais. E passei a usar outras palavras além do ‘desejo-te’. O ‘quero-te’. Com exactamente o mesmo significado. Daquilo que existe entre nós. Apenas. Já te disse que tenho boa memória? Já. Eu recordo como e porquê. E sempre soube aquilo que existe. Sempre soube do desejo que invade, do calor que me rodeia o corpo quando te imagino. Da vontade que o meu corpo manifesta quando detalho cada toque. Cada beijo. Cada lambida. Mordida. Isto é prazer.
É prazer aquilo que o meu corpo te oferece. É prazer tudo o que quero obter do teu. Sem sustos. Sem receios. Somente degustar cada pedaço de volúpia que tu me fazes sentir. Sim, tu. Porque é teu o corpo. É tua a boca. São tuas as mãos. São teus os dedos. É teu o sexo que quero sentir excitado contra o meu corpo. Não uma parte de ti. Mas tu como um todo. Só assim eu vejo o prazer. Só assim o sinto.
Isto é desejo. É luxúria.
É desejo sempre que fecho os olhos e a tua boca me percorre o corpo. É desejo quando os teus dedos me tocam da forma como sabes que mais me excita. É luxúria sempre que a tua boca me leva ao orgasmo. Uma e outra vez. É luxúria de cada vez que te sinto a penetrares-me o corpo. Com a língua. Com os teus dedos. Com o teu sexo. Nas posições mais loucas que nos deixam ofegantes, loucos.
É desejo querer ter-te a gemer enquanto abro a boca e deixo que ma invadas com o teu sexo. É desejo olhar para ti, enquanto saboreio o teu gosto. Espera. Terei esquecido algo? Sim. Ajoelhada à tua frente. O desejo nos meus olhos. A excitação do meu corpo deixando-me a mim molhada e a ponto de ter um orgasmo naquele momento, só por te saber a ter prazer comigo. É luxúria deixar que os teus dedos se enrolem nos meus cabelos enquanto te chupo e tu gritas.
É luxúria não nos impor quaisquer limites ao prazer. Nenhum. Entre nós não há limites. Nunca houve. Lembras?
Tudo isto é prazer. Luxúria. Volúpia. Desejo.
O que te faz desejar-me tanto? – perguntas.
Saber que me desejas do mesmo modo - respondo-te sem hesitações.
Saber que damos tudo um ao outro. Entrega total - dizíamos ambos.
Saber que posso ter contigo o maior prazer. Precisamente porque não existem limites ao que queremos um do outro. Nós dois. Só nós. Mas um leque infinito de opções que nos transporte aos dois à volúpia. Ao êxtase.
Quero-te. Sim. Desejo-te. Quero a tua boca no meu corpo. Quero as tuas mãos a deslizarem na minha pele, coberta do suor dos dois. Quero os teus dedos a levarem-me à loucura. Quero ver os teus olhos repletos de desejo. De luxúria. De vontade. Quero sentir o teu sexo excitado a invadir o meu corpo, pronto para me ter.
Ter-te. Quero ter-te entre as minhas mãos. Quero ter-te a gemer no meu ouvido. Quero ter-te a penetrar-me. Fortemente. Docemente. Rápido. Lento. Leve. Profundo. Isto é querer ter-te. Isto é desejar-te.
Quero que me beijes. Que me fodas. Quero chupar-te. Quero ouvir-te gritar. Quero que a tua boca me leve ao orgasmo. Não uma, mas mil vezes. Quero que tu te venhas para mim. Quero ver-te a ter prazer. O prazer que eu te dei.
Isto, meu querido [Permite que te chame querido. Só agora]… é desejo. É luxúria. Sem receios. Sem hesitações. Sem dúvidas. Por ti. Porque tu és um todo. Tu és dono da boca que desejo, das mãos que eu quero, dos dedos que sinto, do sexo que me invade. Não desejo uma parte de ti. Desejo-te como um todo. Sempre foi assim. Não mudou em nada.
Não quero ter de medir palavras no que digo. Quero dizer tudo o que me apetece: dizer-te o prazer que me fazes sentir, dizer-te como te quero ter, como anseio estar contigo. Como a tua boca me seduz, como a tua voz me faz imaginar prazeres sem fim. Quero dizer-te que a minha vontade é que as tuas mãos me agarrem e me digas com o olhar o que queres fazer comigo. O que anseias que te faça. E quase grito um sim. A tudo.
Haverá dúvidas do que te faço? Do que te dou? Do que me dás? Do que me fazes? Do que quero e do que tu queres?
Sutra 2013
Oi!
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Desculpa a pressão, mas quando terminas aquele conto??
Estou um bocadinho em pulgas!
beijos
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Olá Su, gostei do desafio e dos finais mas não colocaste o teu final. Não o escreves?
Bj
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Sutra, gostava de ler o fim daquele conto escrito também por ti. Os outros estão muito bons mas fiquei curioso em saber a tua ideia. Faz esse gosto a este fã do contos.
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Colocadas as coisas desta forma… resolvi escrever também uma continuação daquela história.
Quem ainda não viu, tudo começou aqui – Uma história de puro desejo [Sexo] e passou para aqui, na Página de Desafios.
Em breve.
Não posso dizer que seja já hoje. Ou amanhã. Pode até ser, depende do meu mood. Or… good mood.
Até deve vir outra coisa qualquer primeiro
para o fim de semana
Sutra 2013
Foi assim o primeiro artigo do Contos Secretos.
Corria o ano de 2005.
Tinha 24 anos. Quase 25. Hoje tenho os mesmos anos com mais alguns em cima. ![]()
Era tão newbie nisto…
Fica o printscreen ![]()

Nem acredito que esqueci o dia de ontem, uma data importantíssima!!!
O Nascimento do Contos Secretos!! Fez ontem 8 anos!
Mesmo sem ser muito supersticiosa, em 2005, o dia 13 de Maio foi a uma 6ª feira. Daí, ter sido inaugurado nesse dia ![]()
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Oh!… Que emoção… tantos anos de tanto que recebi! ![]()
Obrigada a todos os que me têm acompanhado e que fizerem deste site o que ele é hoje!
Beijos doces
É bom ser-se livre. Ter-se tudo. Podermos ir e vir sem ter de prestar contas a quem quer que seja. Sermos donos do nosso próprio mundo e poder girar cada peça do puzzle como entendemos. Deixar roupa no chão. A louça do jantar para lavar no dia seguinte. Ou simplesmente enfiá-la na máquina, à espera de encher para a ligar. Depois, deitar no sofá e fazer zapping, sem parar em canal algum e sem ouvir suspiros contrariados de quem lhe apetecia ver o noticiário ou o futebol.
É bom acordar de manhã e não ter de partilhar o wc, ou esperar para poder lavar os dentes. Ou acordar com o despertador do outro, quando poderíamos dormir mais meia hora. E os pequenos-almoços em que um quer café e o outro apenas um iogurte, não deixando de se ouvir um sermão porque iogurte não é alimentação para começar o dia? Livre é não poder ouvir nada disto. Não sentir o espaço ameaçado.
É tudo. Poder tudo. Ser tudo. Ah… as maravilhosas noites acordadas a ler, sem que alguém resmungue para apagarmos a luz. Ou as vezes em que, subir as escadas para o quarto é tão difícil, optando pelo sofá. Ou ainda, dormir no tapete da sala, enrolada num edredon, só porque a lareira ainda está acesa e o calor sabe bem. Mesmo que, no dia seguinte, o corpo reclame da falta de conforto. Mas nada disso tem comparação com o poder ser tudo. Tudo.
Que me digam os que vivem sós: não é bom? Não sabe bem?
Mas… e o resto?
E as noites de aconchego num corpo quente? O abraço apertado e silencioso, quando nada mais nos apetece a não ser um momento de conforto e ternura. O beijo antes de dormir. Chegar a casa e ouvir os sons de uma casa habitada. Os passos na cozinha. A música na sala. A televisão a dar o noticiário. Até mesmo um qualquer jogo de futebol.
E a falta que faz planear um fim de semana a dois? Ou lavar a louça em meio a brincadeiras com a água e terminar a fazer amor na bancada da cozinha? Ou na mesa de refeições…
Enrolar no sofá e, juntos, ver um filme que detestamos, só porque o outro gosta. Porque sabe bem a partilha do momento. Dos gostos de cada um.
De manhã, dividir o duche e demorar mais meia hora para iniciar o dia com um sexo rápido e intenso. Não é bom calar-lhe a boca com um beijo, sempre que está prestes a iniciar um sermão porque mal nos alimentamos?
Como pode não ser bom adormecer no sofá da sala, mas, acordar na cama, só porque ele nos foi buscar ao colo, para não subirmos as escadas?
Não vos faz falta, por vezes, apenas estar abraçado a alguém, só porque apetece aquele abraço? Porque se deseja aquele calor. Ou alguém que, ao nosso lado, nos compreende, nos aceita. Ouve. Mesmo que nada do que digamos faça sentido, está ali a ouvir-nos, num abraço caloroso e meigo.
Não ter tudo isto… é bom?
Ou é nada?! Nada.
Nada é abrir a porta de casa e só ouvir o silêncio. O som dos nossos próprios passos. A nossa respiração.
A fronteira entre o tudo e o nada. A escolha é nossa?
Na verdade, o que quero dizer é que não há Romeus nem Julietas. O amor existe. O companheirismo, o respeito, o carinho, a amizade, a paixão. Mas não existem príncipes nem princesas, nem ‘foram felizes para sempre’. Não. Podem existir relações para sempre mas construídas em altos e baixos, em momentos felizes e menos felizes. Mas enquanto existir vontade de estar juntos. Enquanto se acreditar que tudo é possível, enquanto se sonhar… tudo se pode conseguir. E isso, pode ser para sempre.
Para conseguir, apenas temos de sonhar. Depois, acreditar. E todos os dias temos exemplos de que para chegar onde queremos, basta acreditar no sonho.
É preciso acreditar que se pode ser feliz, sejam quais forem as nossas escolhas.
Não é por não se conseguir uma primeira vez que vamos desistir do sonho. Perseverança. Porque os sonhos existem para se transformarem em realidade.
Apenas pensamentos. Ou nostalgia. Nada mais. Recordações que vêm à memória, satisfação por sermos quem somos, estarmos como estamos. Mas também temos sempre destes momentos. Têm o condão de nos atacar em alturas em que o organismo está mais frágil. Depois de conduzir mais de 300km no Sábado para cima [Porto], dormir não mais de três horas, a seguir, descer mais 100km, parar por duas horas. Voltar a conduzir mais 200km. E não dormir antes das 2h da manhã para acordar hoje às 7h, dá nisto. Por isso… lar, doce lar. Estou de volta ao descanso. Agora, um livro, o portátil e o meu sofá. Sem resmungos. ![]()
Sutra 2013
Depois do DESAFIO lançado aqui – Uma história de puro desejo [Sexo] – devo dizer que adorei as respostas, os comentários. Mas, ainda se mantém o desafio a quem queira ainda. É o artigo anterior. ![]()
Aos que já participaram, podem acrescentar o que entenderem e fica o agradecimento ![]()
Entretanto, já é 6ª feira, fim de semana de calorzinho à porta [dizem] e o Benfica joga amanhã com o Proença…ups… com o Porto.
Sábado é dia também de sair com os amigos, dançar, ir ao cinema, qualquer coisa daquelas que este tempo já dá vontade, sem ser ficar em casa. Já chega de mau tempo, agora é hora de sair à rua e aproveitar. E ir treinando para o Santo António que falta um mês ![]()
Beijos doces e até amanhã
ps: vá… e não tenham preguiça… olhem o desafio ![]()
ps2: e se souberem de bilhetes para os Muse dia 10 no Porto… avisem, please…
O que é uma história? Uma narração de factos que ocorreram? Um conto saído simplesmente da imaginação de alguém?
Tudo isso? Pode ser cada uma destas definições e muito mais.
Por isso esta, hoje, é uma história. Realidade ou imaginação? Passado, presente ou futuro? Um mistura para vos confundir? Entendam-na como quiserem. Fica ao vosso critério, à vossa capacidade de imaginar, interpretar. Mas, fundamentalmente, de optarem pelo que gostariam que fosse.
No entanto deixo-vos um desafio… veremos quem irá aceitá-lo. No fim de lerem o que se seguirá, direi qual é esse desafio.
Faltavam exactamente dois dias para completar ano e meio, desde que se haviam cruzado pela primeira vez. Fora um encontro ocasional, de trabalho, e que, nunca levaria a pensar que viesse a existir algo entre ambos, um dia. Uma reunião para informações como primeiro contacto e algumas outras que se seguiram com outras pessoas presentes. Nada mais. Mas não houvera atracção entre eles. Ou, pelo menos, assim o haviam julgado. Ele moreno, alto, magro, do género atlético, de quem pratica ou praticou desporto. Ela, igualmente morena, alta para a típica mulher portuguesa, mais baixa que ele, forçando-a sempre a inclinar a cabeça para o olhar nos olhos.
Algo a irritara nele, ao fim de poucos minutos de conversa: demasiado frio, demasiado racional. O olhar dele poderia congelar um rio, quando contrariado nas suas ideias. Quase poderia dizer que raiava a prepotência, arrogância. Não lhe interessando como homem, relevou aquilo que a fazia querer lidar pouco com ele, tratando de lhe dispensar o menor tempo possível e delegando competências, até que deixaram de se cruzar.
Cerca de três meses depois ela recebeu um convite para uma inauguração de uma galeria no centro da cidade. Foi sozinha. E encontrou-o lá. Ele. Aparentemente despido da sua pele de macho arrogante, munido de um sorriso atraente que a levou a aceitar o convite para jantar, uma hora depois de ter chegado à galeria.
Foi durante o jantar que ela começou a sentir-se atraída por ele. Mas continuava a vislumbrar aquela capa dura de arrogância, mesclada com uma certa dose de provocação, sedução. E machismo. Parecia o tipo de homem que sabe que tem algum sucesso no meio feminino, embora não o use a seu favor habitualmente. Mas que se pode socorrer disso quando quer. Sabia usar as palavras certas para a arrepiar. Para a fazer desejá-lo. Na verdade, ela via-se reflectida nele em partes que nem sempre admitia, nem para si mesma. Era simpático. Ela correspondia-lhe.
No fim dessa noite, e, apesar do clima sensual em que haviam mergulhado algumas das conversas, continuavam a ser dois estranhos que, supostamente, não se desejavam. Não houve promessas de novo encontro. Nem sequer de se telefonarem. Mantinham uma relação profissional e, de algum modo, ambos pretendiam manter a distância até ao fim do contrato que estava em vigor.
Mais dois meses passaram e a relação profissional que existia chegou ao fim.
E um dia, quando já pensava que não teria mais notícias dele, recebeu um mail que a deixou boqueaberta: provocador, sensual, quase erótico. Era quase um convite à entrega. Ao encontro. Ao sexo. À volúpia. Ficou dois dias sem lhe dar qualquer resposta, abismada com o que lera dele. De um momento para o outro, a imagem que tinha dele, parecia ter ficado ofuscada por aquele mail. Pelas palavras que a fizeram tremer na base.
Respondeu-lhe. No mesmo compasso. Com aquele ritmo com que ele a desafiara.
E ele voltou a responder. Ainda mais erótico.
Parecia que estavam a conhecer-se pela primeira vez. A trocar as primeiras palavras. Era desejo puro. Somente. [Sexo] Mas deixava-a louca de vontade de o ter. De o comer. De lhe agradar. De lhe dar prazer. Tanto ou mais do que o desejo que ele demonstrava ter por ela.
Em nenhum momento existiu qualquer desafio para se encontrarem. Da parte de nenhum dos dois. Tudo pareciam promessas. Trocas de fantasias. Desejos. Construções da imaginação de cada um que se via enrolado no corpo do outro, num qualquer quarto de motel. Ou na casa de um dos dois.
Três semanas depois do primeiro mail, ele enviou-lhe um diferente: curto. Uma só pergunta. O desafio para se encontrarem no fim de semana seguinte. Ela aceitou sem qualquer hesitação. Queria-o. Demasiado. Queria dar-lhe tudo o que ele prometera e ter tudo o que ele lhe havia dito que faria com ela. Para prazer de ambos. [Sexo]
Mas dois dias depois veio a decepção:
‘Fui destacado para ir para Nova Iorque. Não sei quando regresso. Podemos ver-nos hoje?’
Não. Ela não podia. E aquilo que a motivava nele também não era razão suficiente para mudar a sua vida, os seus compromissos em função de desejo. De uma foda rápida de uma noite. Não. Ela não foi.
Ele foi para Nova Iorque. E retomaram a troca de mails.
Cada mail era mais quente que o anterior. Mais provocador. Mais sedutor. Mais abrangente. Ambos na certeza de que, mal ele chegasse a Portugal, voltariam a encontrar-se e, finalmente, se entregariam. Ambos estavam conquistados um pelo outro. Não as mentes. Mas os corpos. As promessas. Os desejos. Ela desejava-o como nunca. Ele estava alucinado com ela. Pensavam nos vários modos de se satisfazerem, os mails sucediam-se com detalhes de peles, beijos e orgasmos. Principalmente orgasmos. Cada vez menos beijos.
Dez meses depois, ele regressou a Portugal, para permanecer por dois meses. Depois, partiria de novo, dessa vez para Oslo. Trazia na bagagem um pensamento: tê-la. Durante todo aquele tempo imaginara os vários modos de a ter sua. [Sexo]. A ideia de ela o comer deixava-o simplesmente louco.
Telefonou-lhe poucas horas depois de aterrar no aeroporto.
- Quando nos vemos?
- Esta semana não posso – respondeu-lhe ela – mas pode ser no outro fim de semana.
- Passa a noite comigo.
- Passo.
Desligaram.
Só uma noite? Perguntou-se ela, já que havia feito planos para tirar dois dias de trabalho, colá-los ao fim de semana e poderem ficar juntos por quatro dias. Tinha planeado para si quatro dias de prazer que ele, agora, parecia negar-lhe com aquele pedido de uma noite.
[Sexo]
Nos dias seguintes deixaram a troca de mails e falavam-se por alguns minutos à noite, por telefone. As mesmas provocações a beirar o orgasmo. Os mesmos desejos. A incessante demonstração de vontade dele de que ela lhe desse prazer. Todo o prazer. A vontade dela em dar-lho. A descrição do que ele queria dela. A descrição do que ela queria fazer com o corpo dele. O prazer dele. Ou deles.
Até que chegou o dia ansiado.
Ela preparou-se com esmero. Com um cuidado redobrado. Preparou-se para ser a mulher que ele queria que ela fosse. A mulher que ela queria ser para ele. Para o prazer dele. Ou deles.
Jantaram perto do apartamento dele, num restaurante pequeno, elegante e sossegado. Não romântico. Não. Ele não era romântico. Nem aquele encontro o era. [Sexo]
Comeram pouco. Comiam-se com os olhos. Com toques de dedos. Pés debaixo da mesa. Permaneceram a conversar assuntos que nunca mais conseguiram recordar. Mas a tortura da espera aguçava o desejo. Desejo puro.
Levou-a para o apartamento dele. Não queria esperar mais. Entraram na sala, puxou-a contra o corpo e, antes de um rápido beijo, ergueu-lhe a saia e apertou-lhe as nádegas contra si.
- Sente como estou grande.
- Quero-te. Dá-mo.
- Queres?
- Quero. Sentes como estou molhada?
- Sei-o.
Ela tocou-lhe o pénis por cima das calças. Sentiu como latejava aquela carne que queria sentir dentro de si. Bem fundo. Ele não a acariciou.
Ele despiu-a da cintura para cima e tirou-lhe a saia, deixando-a somente de meias de liga, fio dental e os sapatos de salto alto. Feminina. E um colar de pérolas a enfeitar-lhe o pescoço, descansando entre os seios desnudos.
Despiu-se a si mesmo. Todo. E puxou-a por uma mão para o quarto. Empurrou-a para a cama king size.
- Ajoelha-te – e subiu para cima da cama na frente dela – agora chupa-me.
E ela obedeceu. Abriu a boca e engoliu-o até metade, chupando um pouco. Com calma.
- Mais rápido – ordenou ele.
E ela tornou a fazer como ela mesma queria. Tirou-o da boca, segurando-o pela base. Lambeu a ponta, a língua deslizando pela carne quente, molhando-o com a sua saliva. Olhou-o. Ele estava de olhos semicerrados, os dedos enrolados nos cabelos dela, puxando-a para si, forçando-a a engoli-lo. Ela, apoiada com uma mão na coxa dele, não o permitia, segurando o membro com a outra, enquanto continuava a torturá-lo. Até que o enfiou na boca e começou a engoli-lo, centímetro a centímetro. Até o ter alojado quase por inteiro. Sentia a boca completamente cheia dele. A ponta a tocar-lhe a garganta. Respirou pelo nariz com calma, controlando de forma a não se deixar engasgar. A boca cedeu e a língua movimentou-se por baixo da carne. Acariciava-o naquela veia saliente que latejava. No ponto que o deixaria louco. Ouviu-o gemer. Tirou-o da boca e voltou a engolir até sentir de novo a tocar-lhe fundo. Tirou-o da boca e deixou que a saliva o molhasse inteiro. Olhava-o. Observava o prazer espelhado no rosto dele.
Chupou-o. Rápido. Com ânsia. Como ele queria. E soube que tinha acertado ao ouvir os sons e as palavras desconexas que saíam dos lábios dele. Não parou de o chupar até que sentiu que o orgasmo estava a invadi-lo. Deixou-o vir. Teve-o. Sem deixar de o chupar. E lambeu-o. Com suavidade. Até deixar de lhe sentir os tremores. Até que ele caiu na cama a seu lado, com uma expressão de pura satisfação no rosto.
Ela deitou-se ao lado dele de olhos fechados. Excitada. Dois corpos deitados lado a lado. Um satisfeito. Outro ainda por satisfazer. No pensamento dele ‘que bom, que bom’. No pensamento dela ‘em todo o tempo nem um beijo, nem um toque, nem uma carícia’.
[Sexo]. Claro.
Ele levantou-se da cama.
- Venho já - e dirigiu-se a uma porta que pareceu ser da casa de banho.
Ela levantou-se da cama e dirigiu-se à sala, em cima dos seus sapatos de salto alto, que nem havia chegado a tirar. Vestiu a saia, a blusa. Do lado do quarto, ainda o silêncio. Foi à mala, pegou num papel e numa caneta, escreveu algo e dirigiu-se ao quarto. Ouviu a descarga do autoclismo quando acabou de colocar o papel em cima da cama.
Dirigiu-se à saída. Fechou a porta devagar atrás de si, enquanto no quarto ele chamava por ela.
Entretanto ele foi à sala e não a viu. Regressou ao quarto e foi quando viu o pequeno papel em cima da almofada. Pegou nele e leu:
Espero que tenhas apreciado. E que estejas plenamente satisfeito. Era isto que querias.
[Sexo]
A noite que ele lhe tinha pedido, terminara aí. Sem emoções. Como ele gostava.
Agora fica O DESAFIO
Quero uma continuação. Curta. Apenas um desfecho da história. O que acham que deve acontecer a seguir? Não precisam de escrever uma história. Basta contarem o que acham que deve ser o final. Como puderam reparar eu não dei nomes a nenhum deles. Dêem nomes, se quiserem. Os que quiserem. Fica inteiramente ao vosso critério. Podem publicar no espaço dos comentários ou enviar para o mail que já conhecem: correiodasutra@gmail.com
ADENDA – Gostaria que, ao colocarem uma continuação, uma finalização, escrevessem também a razão da vossa opção.
E para quem não tem uma continuação, gostava de saber a vossa opinião sobre as personagens da história.
Na verdade, isto é uma forma de gerar alguma conversa entre nós, uma coisa que não existe há algum tempo e que eu tinha vontade de fomentar de novo. Qual acham que será o destino de cada um? E o que acham de cada um deles?