Quarto vermelho
Muito mais tarde… muito mais…
Fica no sótão…
Lembram-se de falar nele?
© Sutra 2008
Fragmentos secretos revelados em pequenos contos, desabafos, memórias, sonhos e realidades.
Os meus Contos Secretos.
Chhiiiuuu...
Faça-se silêncio, prestem atenção
e guardem o que vos vou revelar.
Muito mais tarde… muito mais…
Fica no sótão…
Lembram-se de falar nele?
© Sutra 2008
1993.
13 anos.
Namorado: Carlos, da mesma idade que eu, andava na mesma turma e tinha um jeito de quem sabia muito, mais para tentar mostrar algo, do que de facto. Mas achei-lhe graça, principalmente porque adorava contrariá-lo quando ele começava a tentar contar as suas histórias nas quais tentava aparentar ser um herói. Chegámos a discutir algumas vezes, pois ele ficava todo irritado sempre que eu tentava desdenhar das suas façanhas em que ele aumentava sempre mais uma enorme percentagem de fantasia em relação à realidade.
E, entre teimosias, picardias e algumas brincadeiras e joguinhos, lá nos fomos conhecendo melhor e, ao fim de dois meses de aulas, começámos a namorar.
Como foi? O mote foi dado num jogo de futebol.
O grupo das raparigas tinha ido ver o jogo de futebol da nossa turma, no torneio inter-escolas que tinha começado. Ainda eram só alguns jogos de treino, mas nós estávamos lá sempre que podíamos para apoiar os rapazes. Quando chegou o intervalo fomos até junto dos balneários – não era para os espreitar – quer dizer, nós até tentámos, mas não adiantou grande coisa. E como eles estavam a perder o jogo – não me recordo por quantos e não anotei no diário, nessa altura - queríamos dar uma força.
Não resisti a dizer que eles pareciam uns franguinhos e que, a jogarem tão mal, não acreditava que ganhassem. Na verdade, eu queria fazer sair o espírito de macho tipo queres ver do que sou capaz?, com aquele desafio, mas o Carlos ficou tão furioso que nem me deixou dar o beijo de boa sorte como demos todas a toda a equipa – beijo inocente no rosto. Dele, só obtive um vais pagar-mas, e eu esperava que sim – no resultado do jogo e não só.
E, realmente, parece ter dado resultado, porque ele meteu um golo logo no início da segunda parte da partida. Acabaram por ganhar com uma diferença de um golo, mas o mais giro foi o ar vitorioso dele no fim do jogo, embora confesse que eu também devia ter o mesmo ar, vaidosa por ter dado resultado aquele meu desdém-fingido.
Quando saíram dos balneários, lá estavamos nós à espera deles, e o Carlos puxou-me para o lado, para me perguntar se eu ainda queria dar o beijo ao franguinho, mas dessa vez de «parabéns». Respondi-lhe que já tinha passado o prazo, mas ele agarrou-me desajeitadamente e deu-me um beijo nos lábios. Nota de rodapé no diário – gostei do beijo, a pele dele estava perfumada e apeteceu-me continuar. Devo ter corado tanto.
A partir daí, havia algum embaraço, olhares cúmplices e mais alguns quase-beijos, durante dois dias. Quase-beijos – expressão engraçada – são daqueles que tocam no cantinho dos lábios, do género falta só um bocadinho assim - e ainda não ouvia o do Danoninho.
Começámos a namorar a namorar três dias depois desse jogo de futebol. Ele enviou-me um bilhete na aula a dizer que gostava muito de mim e eu retribuí. No intervalo seguinte, demos o primeiro beijo. Nota de rodapé no caderninho – foi atrás do pavilhão das aulas de inglês.
Este já foi um namoro com mais alguns avanços. Já me considerava experiente, imagine-se. Mal sabia eu que ainda aprenderia o que sei hoje. E tanto que ainda há por aprender. Que bom.
Umas das notas sublinhadas que tenho no diário é - «senti uma impressão muito grande na barriga quando ele me tocou no peito».
Pois é… O Carlos foi o primeiro a explorar um pouco do meu corpo. A verdade é que não passou dos seios e do rabo, não se aproximando do meu sexo, mas as sensações que ele me fazia sentir deixavam-me de um modo que eu não sabia explicar bem, nem entendia o que significava concretamente. Ficava excitada, aprendi algum tempo depois. Tal como me faziam sentir as revistas do meu pai que eu via às escondidas, mas melhor ainda, porque sentia as carícias no meu próprio corpo.
Os bicos dos seios ainda pequenos, ficavam durinhos, espetados contra as blusas que vestia ou contra o sutiã que raramente usava.
Curioso como recordar isto a esta distância se torna engraçado e me faz pensar - mas como eu era!
Com o Carlos também eu me atrevi a ir mais longe nas minhas explorações e, não foram raras as vezes em que a minha mão dançou por cima das suas calças, acariciando timidamente a dureza que sentia entre as suas coxas. E como me excitava…
As mãos dele também ora apertavam os seios, ora apalpavam o meu rabo, principalmente quando estava sentada ao seu colo, como fazíamos muitas vezes. E foram tantos os momentos em que, com as pernas em redor da sua cintura, eu me atrevia a balançar o corpo de forma a deixá-lo ainda mais excitado o que demonstrava pelo rubor que o invadia. E no meu sexo, sentia o corpo duro dele, enquanto me apertava com força contra o peito.
Mas nunca passou disso.
Na verdade, acho que fui vivendo cada experiência no tempo certo.
Este foi o namoro que marcou os meus 13 anos.
E vou avançando para… outras experiências…
© Sutra 2008
Eu sei que o Dia da Mãe foi ontem, mas não quero deixar de saudar todas as Mães do Mundo.
A minha já abracei e beijei… ontem.

Anos 90 [ainda].
Foi também aos 12 anos que dei o primeiro beijo de língua. Já falei aqui de como foi essa experiência, mas revendo:
Aos 12 anos trocava aqueles beijos fugidios, de brincadeira e experiências com os coleguinhas de escola. Entre os 9 e os 12 anos, moravamos em Évora e aí, era algo mais pacato, também não tão ambientada, pois nem fiquei por lá muito tempo - apenas esses dois anos.
Foi na ida para Portalegre, nesse ano e poucos meses em que lá ficámos. Novos colegas, novas malandrices, brincadeiras e inovações sem parar. Ávida de descobertas, recordo que não hesitava quando era para experimentar algo novo, embora tenha tido sempre alguma tendência de me rodear de algumas cautelas. Questões da educação que os meus pais me deram.
Paulo era um colega com uns olhos enormes, azuis. Tinha um sorriso atrevido, apesar de alguma espécie de timidez quando falava comigo. Tenho uma fotografia dele - daquelas de grupo da escola, sabem? - e lá está ele com ar de rufia, ao lado dos seus dois companheiros habituais - o Tó e o Miguel - tenho os nomes escritos na parte de trás da fotografia, para nunca esquecer.
E, uma tarde, com sol quente e céu quase limpo - estavamos em início de Junho - andávamos a trocar bilhetinhos no intervalo - daqueles que dizem «quem gosta de quem» - e veio parar às minhas mãos um que dizia - «O Paulo gosta de ti e pediu para falar contigo».
Lembro que senti o rosto muito quente quando li aquilo. E depois fui à procura dele, seguindo as indicações do Tó. Estava sentado nos degraus da entrada para o refeitório, que naquela hora estava fechado.
E muito envergonhado, o Paulo pediu-me namoro, ao que respondi «sim», mas sem eu própria saber muito bem o que significava aquele compromisso, ou resposta ao seu pedido. Era giro dizer que tinha namorado e assim foi.
E demos um beijinho mas só na cara.
Mais tarde, na hora de ir para casa é que despedimos com um beijinho nos lábios, assim muito envergonhado - qual de nós o mais corado.
E foram muitos dias de apenas beijinhos assim. Foram tantos que duraram até ao final do ano lectivo, altura em que nos despedimos, dizendo que continuaríamos a ser namorados no ano seguinte - promessas engraçadas estas, aos 12 anos.
Um mês depois fiz os 13 e ele veio à minha festa de anos e depois lá nos encontrámos de novo no início das aulas. Ficámos na mesma turma mais uma vez e o namoro recomeçou.
Mais ávida de aventuras, desejava experimentar aqueles beijos que via na televisão e nos casais de namorados - aqueles bem demorados.
E foi fácil - o Paulo queria-o tanto como eu e lá vai disto! - experimentámos envolver as nossas línguas a primeira vez. Não sabíamos exactamente como era, embora ele já tivesse experimentado um com uma miúda mais velha, uns meses antes de começarmos o «namoro». Abrimos os lábios, encostámo-los e lá começou a exploração. Toques de língua uma na outra, tacteando, experimentando e depois o envolvimento, o sentir que aquilo era bom.
Dava um friozinho na boca do estômago, assim uma sensação que amolecia e me fazia sentir tão bem.
E assim foi o meu primeiro namorado e o primeiro beijo de língua.
Namoro em que as bocas nunca foram mais longe que o pescoço e as mãos ficaram por carícias na cintura e costas. Nada de toques nos seios que ainda mal despontavam, nem em qualquer outra zona íntima. Mas não esqueço a sensação da excitação do adolescente que me abraçava e se encostava ao meu corpo.
Não durou muito tempo - dois meses depois eu disse que tinha de ir embora por causa do trabalho do meu pai e ele arranjou outra namorada, mais velha um ano. Eu, arranjei outro namorado meses depois, em Lisboa - o Carlos, da mesma idade que eu, mas com uma experiência maior que a minha - não muito, afinal, com 13 anos não se pode ter assim muita experiência.
Corria o ano de 1993.
Em 1994, o namorado já era outro.
E estou a aproximar-me da idade em que se iniciaram outras experiências…
© Sutra 2008
Anos 90 [ainda].
Com os meus 12 anos veio também a experiência da primeira masturbação e do primeiro orgasmo. Na altura não fazia a mínima ideia do que isso significava, mas aconteceu quando encontrei um dos vídeos dos meus pais, numa caixa [a mesma, claro] em cima do roupeiro.
Quando via a revista sentia aquele formigueiro, as ‘coceguinhas’ e esfregava as coxas apertadinhas, mas sem nunca me tocar. Numa tarde em que saí das aulas mais cedo, cheguei a casa e a minha mãe estava a sair para ir à ginecologista. Pedi-lhe para ficar em casa e lá me fez a vontade, porque ficava na companhia da D. Luisa, a empregada que engomava a roupa semanalmente [era a única tarefa doméstica que a minha mãe não fazia].
A D. Luisa fez-me o lanche e subi para o quarto dos meus pais, dizendo que ia fazer os trabalhos da escola e depois ver televisão. Esperei um bocadinho e quando ouvi a D. Luisa cantarolar, puxei a cadeira, subi, estiquei um braço e abri a caixa [estava sem chave], tirando dela a cassete VHS. Liguei a TV, o vídeo e sentei-me na beira da cama a ver.
Daquela vez o formigueiro era diferente. Queimava e tirava o fôlego. Sentia as faces quentes e a ânsia de ver mais. Ouvia os gemidos que saíam da televisão e apertava as coxas para conter aquela sensação. Mas o calor crescia e experimentei a pressionar com a mão entre as pernas para ver se passava a sensação. Foi pior a emenda… Sentia que era melhor a sensação e fui avançando um bocadinho mais, sempre por cima das calças. E, enquanto via as imagens, veio aquele remoinho a subir pelo corpo, deixando-me quase sem conseguir respirar. Tirei a mão mas não a tempo de evitar… o orgasmo. Escorreguei da cama e fiquei sentada no chão.
Na verdade, assustei-me com a sensação, apesar de adivinhar que aquilo era o que sentiam aqueles que estavam no filme. Foi o primeiro orgasmo, sem saber na verdade que o era.
[just sound - e precisam ter conta Youtube para visualizar]
© Sutra 2008
Anos 90.
Muito da minha vida até aos dezasseis anos, andei a saltitar por algumas cidades, devido ao trabalho do meu pai. Évora, Portalegre, Viseu e Aveiro foram apenas alguns dos lugares onde morei, até essa idade. Depois fui para casa dos meus avós em Setúbal e lá fiquei até vir morar para Lisboa.
Talvez por isso a descoberta da sexualidade acabou por ocorrer no início da década de 90 com a descoberta de umas revistas mal escondidas numa caixa debaixo da cama dos meus pais. Segundo o meu caderninho [leia-se diário] foi numa altura em que estavamos a encaixotar tudo para irmos para Portalegre. E segundo as mesmas notas, eu escondi uma das revistas no meio das páginas de um livro para poder ler mais tarde.
Não aguentava de ânsia para ver a revista cuja capa tinha uma fotografia bastante sugestiva - tipo daquelas imagens parecidas com as de filmes com uma bolinha e que os meus pais não me deixavam ver, mudando rapidamente de canal.
À noite, deixei que eles pensassem que eu já estava a dormir até sentir o silêncio total no apartamento. Acendi a luz, puxei pelo livro que tinha colocado debaixo do colchão e abri-o. No meio, a revista brilhava com as suas fotos proibidas que me fizeram sentir algo que eu desconhecia. ‘Senti coceguinhas na minha barriga’ - engraçada a maneira como descrevia aquelas emoções.
Guardei religiosamente aquela revista - Gina - e vi-a tantas vezes que as páginas começaram a soltar-se. Mas os meus pais nunca a encontraram porque eu soube esconde-la melhor que eles.
Depois ainda consegui descobrir as outras e aproveitava quando estava sozinha em casa para as espreitar [sempre a mesma coisa também era cansativo].
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[Publicada na Galeria em 23/02/2007 e artigo da mesma data - clica na foto]
…
A masturbação?
Mais tarde…
Quer dizer… não muito mais…
© Sutra 2008
1980.
O ano em que uma coisa minúscula vem ao mundo. Em vez de chorar, fez uma careta aos que estavam em seu redor e que não paravam de a fixar. Nem as mãos de lhe mexer por todo o corpo.
Era um mês quente e a sua mãe já estava cansada de a carregar com aquele calor e desejosa de a ver em seus braços. O pai não cabia em si de orgulho quando a viu olhá-lo pela primeira vez.
Na área musical daquela altura fazia sucesso Billy Joel, era a música do Top. Vinil rock’s!
O sexo?
Ui… vem muito mais tarde.
Ou talvez não muito…
Lá chegaremos…
© Sutra 2008

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